

Músicas da MPB - A
Músicas da MPB - A
Abalando
Gabriel o Pensador o homem que eles amam odiar
Agora voltou para Hm Hm tentar falar
Isso é se ninguém quiser me censurar me calar
(Manera rapaz
Da última vez eles te tiraram do ar)
Não eu não consegui acreditar nisso
Mas não vâmo esquecer e nem permanecer omissos num caso que diz respeito ao direito de um cidadão
De carregar no peito a sua liberdade de expressão
Liberdade de expressão aqui? Ha
Não existe
Eu fiz "Hoje eu tô feliz" e fiquei triste
Pois já não posso mais nem sair em paz
Os fdp confundem artistas com marginais
Mas eu não sou um marginal
Isso é um grande erro
Sou apenas um artista como todo brasileiro
E o meu erro foi dizer o que não devia
Acreditei que existia o quê: Democracia...
Então eu disse simplesmente o que o povo sente
Mas fui covardemente censurado pelo "Minha gente"
E a vontade que me dá não me venha perguntar
Eu vou falar
A vontade que me dá é de matar
É uma loucura ninguém cura esse país se num acabarmos com a censura que me lembra a ditadura militar
"Cale-se!"Cuidado"Como é dificil acordar calado"
Eles não censuram o povão
Pior do que acordar calado é acordar sem o pão
"Paiê cadê o pão?" Foi censurado "Paiê cadê o leite?" Foi censurado "Paiê o quê que é carne hein?"
Essa é a censura na panela de um descamisado
"Paiê cadê o ovo?" Foi censurado "Paiê cadê o arroz?" Foi censurado porra "Pai tem feijão?" - Não
Toma essa água suja com farinha e num reclama pra num ser processado
E a diversão era um futebol inocente
"Quero perder de vez sua cabeça"
(Então eu vi um pessoal numa pelada diferente
Jogando futebol com a cabeça do Presidente)
"Cale-se" O povo unido outra vez foi vencido
Pediu pra ouvir meu rap mas não foi atendido
"Ué mas não existe mais censura no Brasil"
Amigo vai nessa que tu tá é fudido
E foi só uma cabeça que caiu
Nem demos a primeira então não vâmo sair de cima ouviu?
Vem! A gente abala quando quer
A gente abala se quiser
Porque o Pensador veio falar do que passou
Eu te digo
Não se lembre do passado e o teu futuro será escuro
Não se esqueça o que passamos há tantos anos
Procure a luz
Mete o dedo na ferida vive a vida
Limpa o pus
E conduz o pensamento para o tempo que quiser
Fique atento não se esqueça a gente abala quando quer
"Agora que lembramos um passado recente
Vamos falar do presente"
(E daqui pra frente?)
Não vamos nos intimidar
Chega de ser prego
É melhor ser o martelo rapá
Mas também não pense que o Brasil já foi pra frente pois como sempre ele está no mesmo lugar
E sempre estará
Se a gente não se julga inteligente o suficiente pra mudar
Seria melhor se suicidar
Mas na verdade esse momento é de nascimento
(É a hora H) Não vamos nos alienar
Olhe pro seu lado e veja como o povo está
"A arte é de viver da fé
Só não se sabe fé em quê"
E que fé será se não for a fé em nós mesmos
(Isso aí Pensador)
"Get up Stand up" Você não veio ao mundo á toa
E se veio fazer algo faça alguma coisa boa
O que tá errado (tudo)
Deve ser mudado
Abalando as estruturas com o Pensador
(Tô ligado!)
Eu tô falando de uma reformulação
Que começa na cabeça e vai passando pelo coração
Se voçê tem cabeça e coração
Não seja um vegetal
Seja um cidadão
É "geração cara pintada"?
Não. Jovens em geral
Caras pretas, coroas, pessoas, malucos e caretas
(Entrem nessa união)
Não seja um imbecil meu irmão
Põe a mão na cabeça
Pára pra pensar
Nós temos o poder de abalar...
Açaí
Solidão
De manhã
Poeira tomando assento
Rajada de vento
Coração
Sangrando toda palavra sã
A paixão
Pura afã
Místico clã de sereia
Castelo de areia
Ira de tubarão
Ilusão
O sol brilha por si
Açaí
Guardiã
Zum de besouro
Um imã
Branca é a tez da manhã
Acalanto
É tarde
A manhã já vem
Todos dormem
A noite também
Só eu velo
Por você, meu bem
Dorme anjo
O boi pega Neném
Lá no céu
Deixam de cantar
Os anjinhos
Foram se deitar
Mamãezinha
Precisa descansar
Dorme, anjo
Papai vae lhe ninar
"Boi, boi, boi,
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta"
Acalanto para Helena
Dorme minha pequena
Não vale a pena despertar
Eu vou sair
Por aí afora
Atrás da aurora
Mais serena
Acauã
Acauã, acauã
Vive cantando
Durante o tempo do verão
No silêncio das tarde agoirando
Chamando a seca pro sertão
Chamando a seca pro sertão
Acauã, acauã
Teu canto é penoso e faz medo
Te cala acauã
Que é pra chuva voltar cedo
Que é pra chuva voltar cedo
Toda noite no sertão
Canta o joão corta-pau
A coruja, mãe da lua
O peitica e o bacurau
Na alegria do inverno
Canta sapo, gia e rã
Mas na tristeza da seca
Só se ouve acauã
Acauã, acauã...
Acender As Velas
Acender as velas já é profissão
Quando não tem samba, tem desilusão
É mais um coração que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe, mas vou dizer
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
E não tem beleza pra se ver
E a gente morre sem querer morrer
Acender as velas já é profissão
Quando não tem samba, tem desilusão
E a gente morre sem querer morrer...
Acima do Sol
Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim , eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis
Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego nem nota
Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota
Não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você faça
Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa
Quando muito ainda pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol
Mas quando sempre e sempre nunca
Quando ao lado ainda e muito mais longe
Que qualquer lugar
Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim , eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis
Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta
Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia
Que pena ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim , eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis
Acontece
Esquece nosso amor, vê se esquece
Porque tudo na vida acontece
E acontece que eu já não sei mais amar
Vai sofrer, vai chorar, e você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ah, se eu pudesse
Mas não posso, não devo fazê-lo
Isso não acontece
Acontecência
Acorda ligeira e vem olhar que lindo
sobre o morro o sol se debruçar
leite novo, espuma dessa madrugada
passarada vem te despertar
Tantos pés descalços posso ver
meninos a correr na direção do dia
banho de açude alegra e lava o corpo
fruta fresca é pra te alimentar
Acorda ligeiro e vem ver que bonito
pelo pasto solta a vacaria
na barra da serra gavião campeiro
vem primeiro vento costurar
Tantos pés descalços posso ver libertos
a correr na direção do dia
chuva desce pra regar, a terra engravidar
semente em fruta se tornar
Acorda Amor
(Leonel Paiva/Julinho da Adelaide)
Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens e eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, clame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
Não esqueça a escova, o sabonete e o violão
Acredite Se Quiser
Garota eu não minto pra você
É o tempo que é curto prá te ver
Na segunda o carro quebrou
Na terça-feira estou sem grana
Vou à missa na quarta e quinta
Quando acaba, fica tarde prá te ver
Sexta-feira estou de cama
Sábado eu lhe telefono
O domingo é meu descanso
Mas prometo que um dia vou te ver
Vou te ver, vou te ver
Pode acreditar
Eu vou lá, prá te ver
Pode esperar
Como é que pode ôi... ôi...
Como é que pode ôi... ôi...
Eu sei que é difícil acreditar
Tem gente que só quer me complicar
Mas se for preciso juro
Que na quarta o carro quebra
Terça-feira eu vou à missa
E que só namoro com você
Admirável Gado Novo
Vocês que fazem parte dessa massa
que passa nos projetos do futuro
é duro tanto ter que caminhar
e dar muito mais que receber.
E ter que demonstrar sua coragem
à margem do que possa parecer
e ver que toda essa engrenagem
já sente a ferrugem te comer.
| Eh!... ô... ô... vida de gado
| Povo marcado eh!... povo feliz!
Lá fora faz um tempo confortável
a vigilância cuida do normal
os automóveis ouvem a notícia
os homens a publicam no jornal
e correm através da madrugada
a única velhice que chegou
demoram-se na beira da estrada
e passam a contar o que sobrou.
|
O povo foge da ignorância
apesar de viver tão perto dela
e sonham com melhores tempos idos
contemplam essa vida numa cela
esperam nova possibilidade
de verem esse mundo se acabar
a Arca de Noé, o dirigível
não voam nem se pode flutuar.
Não voam nem se pode flutuar...
|
A2
Quando você disse nunca mais
Não ligue mais, melhor assim...
Não era bem o que eu queria ouvir
E me disse decidida: "saia da minha vida"
Que aquilo era loucura, era absurdo
E mais uma vez você ligou
Dias depois me procurou
Com a voz suave, quase que formal
E disse que não era bem assim,
Não necessariamente o fim
De uma coisa tão bonita e casual
De repente as coisas mudam de lugar
E quem perdeu pode ganhar
Teu silêncio preso na minha garganta
E o medo da verdade... Hey...
Refrão:
Eu sei que eu, eu queria estar contigo
Mas sei que não, sei que não é permitido
Talvez se nós, se nós tivessemos fugido
E ouvido a voz desse desconhecido:
O amor, o amor, o amor, o amor...
Essa voz que chega devagar
P'ra pertubar, p'ra enlouquecer
Dizendo p'ra eu pular de olhos fechados
Essa voz que chega a debochar
Do meu pavor, mas ao pular
Eu me vejo ganhar asas e voar...
Derrepente as coisas mudam de lugar
E quem perdeu, pode ganhar
Minha amiga, minha namorada
Quando é que eu posso te encontrar?
Refrão (2x)
Eu sei que eu, eu queria estar contigo
Mas sei que não, sei que não é permitido
Talvez se nós, se nós tivessemos fugido
E ouvido a voz desse desconhecido:
O amor, o amor, o amor, o amor...
A Dois Passos do Paraíso
(Evandro Mesquita/Ricardo Barreto)
Longe de casa
A mais de uma semana
Milhas e milhas distante
Do meu amor
Será que ela está me esperando
Eu fico aqui sonhando
Voando alto
Ou perto do céu
Eu saio de noite
Andando sozinho
Eu vou entrando em qualquer barra
Eu faço meu caminho
O rádio toca uma canção
Que me faz lembrar você
Eu fico louco de emoção
E já não sei o que vou fazer
Estou a dois passos do paraíso
Não sei se vou voltar
Estou a dois passos do paraíso
Talvez eu fique, eu fique por lá
Estou a dois passos do paraíso
Não sei por que eu fui dizer bye bye
Bye bye baby bye bye (bis)
A Rádio Atividade leva até vocês
Mais um programa da séria série
"Dedique uma canção a quem você ama".
Eu tenho aqui em minhas mãos uma carta,
Uma carta de uma ouvinte que nos escreve
E assina com o singelo pseudônimo de
"Mariposa apaixonada de Guadalupe"
Ela nos conta que no dia que seria
O dia do dia mais feliz de sua vida
Arlindo Orlando, seu noivo
Um caminhoneiro conhecido de pequena
E pacata cidade de Miracema do Norte,
Fugiu, desapareceu, escafedeu-se.
Oh! Arlindo Orlando
Volte onde quer que você se encontre
Volte para o seio de seua amada.
Ela espera ver aquele caminhão voltando
De faróis baixos, e pára-choque duro.
Agora uma canção
Canta pra mim,
Eu não quero ver você triste assim.
Bye bye baby bye bye
Estou a dois passos do paraíso
E meu amor vou te buscar
Estou a dois passos do paraíso
E nunca mais vou te deixar
Estou a dois passos do paraíso
Não sei por que eu fui dizer bye bye
Adoro
Mentira
Eu sei o quanto finge uma mulher
Adoro
Se ela agora diz que não me quer
Mentira
O amor ainda vai sobrevivendo
Adoro
Se ela faz o jogo eterno da mulher
| Tenho que manter a calma
| Sei até aonde chegar
| Vou fazendo o meu papel
| Basta um sinal
| Posso até ficar servil
| De um amor nada sutil
| Adoro
| Não me olhe culpada assim
| Faz o jogo até o fim
| Se é amor, não existe mal
| E esse é todo especial
| Tudo pede emoção
| Faz gritar o coração
Adoro, adoro
Mentira
Eu sei o quanto finge uma mulher
Adoro
Se ela agora diz que não me quer
(|)
Adoro
Mentira
Já dá pra perceber
Mentira
Brincar de te perder
Adoro
Voltar e te ver
Mentira, mentira, mentira...
Adrenalina
E a tristeza hoje venço no cansaço
Pulo, danço e me amarro
Nesse cheiro que eu sinto, é de amor
Tudo é festa, é bom demais
Me entreguei
Ninguém segura mais
Pula, dança, treme as cadeiras
Que beleza!
Solte adrenalina que se tem
Não deixe presa
Tô que tô
Eu sei
Tá que tá
Também
É no suingue
Que eu vou até a festa acabar
Não deixe não
Assim não dá pra ser feliz
Quem canta os males espanta
Tá na boca do Brasil
Aê Aê
Aê aê aê...
Aê aê aê...
O neguinho fica bom
Quando tem um macarrão
Ou uma panela de feijão
O neguinho fica bom
Quando tem um macarrão
Ou uma panela de pressão
Pega pra medir, ih!
Pega pra me dar, ah!
Pega pra beber, êh!
Pega pra babar
Aê aê aê...
Aê aê aê...
Pega no palito, uh! Uh!
Pega no mocó, uh! Uh!
Pega na butique, uh! Uh!
Pega no paletó
E aí?
Aê aê aê...
Aê aê aê...
O xi da panela xi
Faz xique o feijão, feijão
Fastiga a peneira xique
Mas sem macarrão
Aê aê aê...
Aê aê aê...
Agnus Dei
Faces sob o sol, os olhos na cruz
Os heróis do bem prosseguem na brisa na manhã
Vão levar ao reino dos minaretes
A paz na ponta dos arietes
A conversão para os infiéis
Para trás ficou a marca da cruz
Na fumaça negra vinda na brisa da manhã
Ah, como é difícil tornar-se herói
Só quem tentou sabe como dói
Vencer Satã só com orações
Á andá pa Catarandá que Deus tudo vê
Á andá pa Catarandá que Deus tudo vê
Á anda, ê hora, ê manda, ê mata,
Responderei não!
Dominus dominium juros além
Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assim
á nudez sem véus diante da Santa-Inquisição
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de Shangri-Lá
O tempo vence toda a ilusão
Agonia
Se fosse resolver
Iria te dizer
Foi minha agonia
Se eu tentasse entender
Por mais que eu me esforçasse
Eu não conseguiria
Aqui no coração
Eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
É minha garantia
E vou contagiar
Diversos corações com minha euforia
E a amargura e o tempo
Vão deixar meu corpo
Minha alma vazia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia.
Agora Sei
(George Israel/Paula Toller/Lui Farias)
Acabou a puberdade
E com ela a necessidade
De pedir as chaves emprestadas
De deixar as portas trancadas
Eu já nem me lembro bem
Da primeira vez que eu dei
Eu já nem me lembro bem
Agora sei que o amor
É um sabonete dentro d'água
Quanto mais a gente agarra
Mais ele nos escapa
Agora sei que é bom
Que ele seja sempre novidade
Ainda que a gente saiba
Que é uma velha novidade
| É preciso jogar os sonhos fora
| E preparar o próprio funeral
| Qualquer dos dois que vá embora
| Pros dois o luto é igual (2x)
Agora sei que o amor
É um sabonete dentro d'água
Quanto mais a gente agarra
Mais ele cai da nossa mão
Agora sei que é bom
Que se perca a ingenuidade
Mesmo que a gente queira
Acreditar em ilusão
|
Acabou a puberdade
Essa é a nossa casa
E não a dos nossos pais
Vamos deixar pra trás
Toda forma de dor
Agora Só Falta Você
Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
E fui andando sem pensar em voltar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você
Agora Tá
Já que tá aí
pela metade, mas tá
melhor cuidar pra peteca não cair
pra não deixar escapulir
como água no ralo
aquilo que já fez calo
doeu feito joanete
castigou nosso cavalo
cortou como canivete
feriu, mexeu, mixou
nunca comeu melado
vai lambuzar
se vacilar pode cantar pra subir
porque não dá pra começar
todo rolo de novo
se o bolo fica sem ovo
se a massa não tem fermento
se não cozinhar por dentro
vai tudo por água abaixo
eu acho, acho, acho que agora tá
quase no ponto tá
no ponto de provar
eu acho que agora tá
no ponto de solar
Acho que agora tá
pra lá de pronto tá
acho que agora tá
acho que agora tá
já que tá aí
Água De Beber
(Vinícius De Moraes/Antonio Carlos Jobim)
Água de beber, água de beber camará
Eu sempre tive uma certeza
Que só me deu desilusão
É que o amor é uma tristeza
Muita mágoa demais para um coração
Água de beber, água de beber camará
Eu quis amar mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo:
O medo pode matar o teu coração
Água de beber, água de beber camará
Eu nunca fiz coisa tão certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Abre todas as portas meu coração
Água de Meninos
Na minha terra, a Bahia
Entre o mar e a poesia
Tem um porto, Salvador
As ladeiras da cidade
Descem das nuvens pro mar
E num tempo que passou - ô ô ô
Toda a cidade descia
Vinha pra feira comprar
Água de Meninos, quero morar
Quero rede e tangerina
Quero o peixe desse mar
Quero o vento dessa praia
Quero azul, quero ficar
Com a moça que chegou
Vestida de rendas, ô
Vinda de Taperoá
Por cima da feira, as nuvens
Atrás da feira, a cidade
Na frente da feira o mar
Atrás do mar, a marinha
Atrás da marinha, o moinho
Atrás do moinho o governo
Que quis a feira acabar / bis
Dentro da feira, o povo
Dentro do povo, a moça
Dentro da moça, a noiva
Vestida de rendas, ô
Abre a roda pra sambar
Moinho da Bahia queimou
Queimou, deixa queimas
Abre a roda pra sambar
A feira nem bem sabia
Se ía pro mar ou subia
E nem o povo queria
Escolher outro lugar
Enquanto a feira não via
A hora de se mudar
Tocaram fogo na feira
Ai, me dia, mi'a sinhá
Pra onde correu o povo
Pra onde correu a moça
Vinda de Taperoá?...
Água de Meninos chorou
Caranguejo correu pra lama
Saveiro ficou na costa
A moringa rebentou
Dos olhos do barraqueiro
Muita água derramou
Água de Meninos acabou
Quem ficou foi a saudade
Da noiva dentro da moça
Vinda de Itaperoá
Vestida de rendas, ô
Abre a roda pra sambar
Moinho da Bahia queimou
Queimou, deixa queimar
Abre a roda pra sambar
Pra sambar... pra sambar...
Água Mineral
Bebeu água, não!
Tá com sede, tô!
Olha, olha, olha, olha a água mineral
Água mineral
Água mineral
Água mineral
Do Candeal
Você vai ficar legal
Aguapé
(Edmundo Souto / Paulinho Tapajós)
Lá do outro lado do arvoredo
vive o meu amor escondido
um passarinho contou
voa, sabiá, vá encontrar meu bem querer
vá lá dizer, meu bem-te-vi, longe daqui
sou curió cantando só, uirapuru
do pajeú, sem um xodó, num cafundó
volta pra aqui, meu colibri
lembra do fubá, do gravatá, do canjerê
do pererê, do jabuti, do guarani
do bororó, do mocotó, do meu bambu
do babaçu, de marajó, do tororó
jamais te vi, meu colibri
lembra do cajá, do butiá, do aguapé
pé de café, da juriti, do açaí
do abricó, de mossoró, do inhambú
mandacaru, do pão-de-ló, nó de jiló
volta pra aqui, meu bem-te-vi
tenho um ninho guardado
para o meu namorado
deixei lá em segredo
porque ainda era cedo
aguardando o pedido
tenho um ninho escondido
ele vive guardado
pra você me guardar
Aguarte Agora
(Carlinhos Brown/Cézar Mendes)
Oceano de agora
Quero sim aguarte agora
De onde vens com essas ondas
Essa vinda é de dar onda
Mar que é de levar
Mar que é de guardar
Para a história o que for lenda
Mar que é de levar
Mar que é de guardar
Diz a ela que ela lembra
Em areia estou grão
Sei içar do mar
Sob as pedras que serena
Onde a sereia cantar
Canta minha sereia, venta canção de amor
E o sol é quem bronzeia em todo seu esplendor
Vem cá minha sereia, me diz o que é o amor
E guie minha bahia pela idade do som
Ilê olodu marê, ilê timbalada
Ilê araketu ê, e tudo o que for patuscada
E tudo o que for patuscada, e tudo o que for patuscada
E tudo o que for patuscada
Águas de Março
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mao, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é; uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguicado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
Ai
(Carlinhos Brown/Mestre Pintado do Bongô)
Quer me ver, quer me vêm, quer me vê
Ai, eu tô feliz
Porque te amo, licuri, amendoim
Ai, eu tô legal
Porque te quero minha vida é carnaval
Rema, rema, rema
Dá uma umbigada no outro
Rema, rema, rema
Bota colar o pescoço
Rema, rema, rema
Caia por cima de mim
Eu vim pra te querer
Pra te curtir
Ai, eu tô contente
Porque te amo minha vida vai pra frente
Ai, eu tô verão
Porque te quero dentro do meu coração
Ai, eu tô contente
Eu vou atrás
Eu vou pra frente
Aí, Hein!
(Lamartine Babo/Paulo Valença)
Aí, hein, pensa que eu não sei
Toma cuidado pois um dia eu fiz o mesmo e me estrepei
Aí, hein, pensa que eu não sei
Sou camarada faz de conta que eu não sei
Menina que chega em casa às 4 da madrugada
Enquanto pela escada vai subindo
Na boca dos vizinhos vai caindo
Velhota que anda sem meia
Na praia, toda inocente
Brincando com as crianças lá na areia
Vai pondo areia nos olhos da gente
Ainda É Cedo
Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar.
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém.
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo
cedo
cedo
cedo.
Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei.
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse:
- Eu não sei mais
o que eu sinto por você.
Vamos dar um tempo,
um dia a gente se vê.
Aí eu disse: - Ainda é cedo
cedo
cedo
cedo
cedo.
Ainda Lembro
(Marisa Monte/Nando Reis)
Ainda lembro o que passou
Eu você em qualquer lugar
Dizendo "Aonde você for eu vou"
E quando eu perguntei
Ouvi você dizer
Que eu era tudo o que você sempre quis
Mesmo triste eu tava feliz
E acabei acreditando em ilusões
Eu nem pensava em ter
Que esquecer você
Agora vem você dizer
"Amor, eu errei com você
e só assim pude entender
que o grande mal que eu fiz
foi a mim mesmo"
Vem você dizer
"Amor, eu não pude evitar"
E eu te dizendo
Liga o som
e apaga a luz
Ai Quem Me Dera
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Ai quem me dera, terminasse a espera
E retornasse o canto simples e sem fim...
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim
Ai quem me dera percorrer estrelas
Ter nascido anjo e ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor
Ah! Se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais
Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afins
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim
Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E finda a espera ouvir na primavera
Alguem chamar por mim...
Ai Que Saudades da Amélia
(Ataulfo Alves/Mário Lago)
Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Alagados
Todo dia,
O sol da manhã vem lhes desafiar
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade,
Que tem braços abertos num cartão postal
Com os punhos fechados
Da vida real
Lhes nega oportunidades
Mostra a face dura do mal
Alagados Trenchtown
Favela da maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em que
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em que
Alegria Alegria
Caminhando contra o vento
Sem lenço sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes pernas bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
O sol nas bancas de revistas
Me enchem de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não? Por que não
Ela pensa em casamento e
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço sem documento
Eu vou
Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
Uma canção me consola
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do brasil
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo amor
Eu vou... por que não? Por que não?
Além do Horizonte
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Além do horizonte deve ter
Algum lugar bonito
Pra viver em paz
Onde eu possa encontrar a natureza
A alegria e felicidade com certeza
Lá nesse lugar o amanhecer é lindo
Coom flores festejando mais um dia
Que vem vindo
Onde a gente pode se deitar no campo
Se amar na relva escutando o canto dos pássaros
Aproveitar a tarde sem pensar na vida
Andar despreocupado sem saber a hora de voltar
Bronzear o corpo todo sem censura
Gozar a liberdade de uma vida sem frescura
Se você não vem comigo
Tudo isso vai ficar
No horizonte esperando por nós dois
Se você não vem comigo
Nada disso tem valor
De que vale o paraíso sem amor
Além do horizonte existe um lugar
Bonito e tranqüilo pra gente se amar
Além dos Outdoors
No ar da nossa aldeia
há rádio cinema e televisão
Mas o sangue só corre nas veias
por pura falta de opção
As aranhas não tecem suas teias
por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas veias
é por pura falta de opção
No céu alem de nuvens
há sexo drogas e talk-shows
As coisas mudam de nome
mas continuam sendo religiões
No dia-a-dia da nossa aldeia
há infelizes infantados de informação
As coisas mudam de nome
mas continuam sendo o que sempre serão
Você sabe o que eu quero dizer
num tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
o silêncio é sempre maior
Você sabe o que eu quero dizer
num tá escrito nos outdoors
por mais que a gente grite
o silêncio é sempre maior
No ar da nossa aldeia
há mais do que poluição
Há poucos que já foram
e muitos que ainda serão
As aranhas não tecem suas teias
por loucura ou por paixão
se o sangue ainda corre nas veias
É por pura falta de opção
Você sabe o que eu quero dizer
num tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
o silêncio é sempre maior
Você sabe o que eu quero dizer
não cabe na canção
por pura falta de opção
por pura é contra o coração
o coração
Você sabe o que eu quero dizer
nunca foi dito num talk-show
por mais que a gente cante
o silêncio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
Alfagamebetizado
Cá só pode ser semba nêgo
E mais que horror
Cartilha sem a fome do saber
De tênis roubado e sangue na roupa
E viva a sopa
Sopa de letrinhas
De dona Nininha de Itaberaba
Que escreve farmácia com "H"
Hagá do indigente
Que é gente e procura
A cura pra crise hospitalar
De mulatas sem latas
De mulatas sem atas
À toa ao sol
E a sombra só cora se Coralina ancorar
Na cabeça de leigos que lêem
Livros de outros destinos
E apenas vê Virgulino como
sangüinário do nordeste
Militar de trompete
O quadro negro para o terceiro milênio
Está se apagando
Pra quem esse choro de cebola
Não é ICE TEA
É amendoim torrado, assado,
esturricado
Maria Bonita e Carmem Miranda
Os símbolos sexys
O som das bandas que costuram rock
e pregam pop
Nos viadutos a somar vizinhos
Pulo lunar não é o pulo do gato
Fundo do mar não é o fundo do prato
Não é fundo do barco
Nobre é o fulano
Que colhe do abandono
Saco de lixo egoista
do nosso consumo predileto
Saqueadores de lixo
Menores que emprenham
Comida na boca
Café na xícara
E Glória Pires
enfeita pelo olho marinho
Esse sobrado que sobraram
Nos semblantes assombrados
De quem pôs filhos
E não escravos
E não escarros
E não estragos
E não espártacus
Vozes plásticas
Tipo sangüineo alumínio
Proteção não Armamentada
Alfa Fama Betizada
O imã de Macunaíma
Nos atrai
A lembrança da pátria
Lustrai, lustrai, lustrai
Alguém Cantando
Alguém cantando longe daqui,
Alguém cantando longe, longe,
Alguém cantando muito,
Alguém cantando bem,
Alguém cantando é bom de se ouvir.
Alguém cantando alguma canção,
A voz de alguém nessa imensidão,
A voz de alguém que canta,
A voz de um certo alguém,
Que canta como quê prá ninguém.
A voz de alguém
Quando vem do coração,
De quem mantém toda pureza
Da natureza,
Onde não há pecado nem perdão.
Alguém como Tu
(José Maria de Abreu/Jair Amorim)
Alguém como tu
Assim como tu, eu preciso encontrar
Alguém sempre meu
De olhar como o teu
Que me faça sonhar
Amores eu sei
Na vida eu achei e perdi
Mas nunca ninguém desejei
Como desejo a ti
Se tudo acabou
Se o amor acabou
Hé de o sonho ficar
Sozinho estarei
E alguém eu irei procurar
Eu sei que outro amor posso ter
E um novo romance viver
Mas sei que também
Assim como tu
Mais ninguém.
Alguém Me Avisou
Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá, pequenininho
Alguém me avisou prá pisar neste chão devagarinho
Alguém me avisou prá pisar neste chão devagarinho
Sempre fui obediente, mas não pude resistir
Foi numa roda de samba que juntei-me aos bambas
Prá me distrair
Quando eu voltar prá Bahia, terei muito que contar
Ô painho, não se zangue,
Que eu nasci com o samba e não posso parar
Alguém Me Disse
(Ewaldo Gouveia/Jair Amorim)
Alguém me disse
Que tu andas novamente
De novo amor, nova paixão
Toda contente
Conheço bem tuas promessas
Outras ouvi, iguais a essas
Esse teu jeito de enganar
Conheço bem
Pouco me importa
Que te vejam tantas vezes
E que tu mudes de paixão
Todos os meses
Se vais beijar, como eu bem sei
Fazer sonhar como eu sonhei
Mas sem ter nunca
Amor igual ao que eu te dei
Álibi
Havia ...
mais que um desejo
a força do beijo
por mais que vadia
não sacia mais
Meus olhos
lacrimejam teu rosto
exposto à mentira
Do calor da ira
do afã de um desejo
que não contraíra
No amor
A tortura está por um triz
Mas a gente atura e até se mostra feliz
quando se tem o álibi
de ter nascido ávido
e convivido inválido
mesmo sem ter havido
Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)
(Leoni/Paula Toller/Bruno Fortunato)
Tantos sonhos morem
Em poucas palavras
Um bilhete curto
E já não é nada
Alice não se esqueça
Do nosso amor
Será que eu tenho sempre
Que te lembrar
Todo dia, toda hora
Eu te imploro
Por favor
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
Sempre tive medo
Das suas idéias
Porque você precisa
Ser tão sincera
Alice eu tô treinando
Prá te enfrentar
Tenho mil motivos prá
Você me suportar
Fica mais uma semana
Nesse tempo a gente engana
Alice não me escreva
Aquela carta de amor...
Alívio Imediato
O melhor esconderijo
a maior escuridão
Já não servem de abrigo
já não dão proteção
Holofotes iluminam
a libido e o vírus
o álibi perdido
o elo de ligação
Não há nada de concreto
entre nossos lábios
Só um muro de batom
e frases sem fim
É que tido se divide
tudo se separam
Uma república no pampa
com pompas circunstâncias
um muro nos divide
uma grade nos separa
O melhor esconderijo
a maior escuridão
Já não servem de abrigo
já não dão proteção
A noite cai de alturas clandestinas
Cai o aparelho
o espelho vai ao chão
Que a chuva caia como uma luva
um dilúvio um delírio
Que a chuva traga
alívio imediato
que a noite caia de repente caia
tão demente quanto um raio
Que a chuva traga
alívio imediato
Que a chuva caia como uma luva
um dilúvio um delírio
Que a chuva traga
alívio imediato
Que a noite caia de repente caia
Tão demente quanto um raio
que a chuva traga alívio imediato
O melhor esconderijo
a maior escuridão
Já não servem de abrigo
já não dão proteção
A Líbia bombardeada
a libido e o vírus
o poder e o pudor
os lábios e o batom
os lábios e o batom
O melhor esconderijo
a maior escuridão
Já não servem de abrigo
já não dão proteção
A Líbia bombardeada
a libido e o vírus
o poder e o pudor
os lábios e o batom
Que a chuva caia como uma luva
um dilúvio um delírio
Que a chuva traga
alívio imediato
Que a noite caia de repente caia
Tão demente quanto um raio
que a noite traga alívio imediato
Há espaço pra todos
há um imenso vazio
Nesse espelho quebrado
por alguém que partiu
a noite cai
de alturas impossíveis
e quebra o silêncio
e parte o coração
Há um muro de concreto
entre nossos lábios
Há um muro de Berlim
dentro de mim
Tudo se divide
tudo se separam
duas Alemanhas
duas Coréias
tudo se divide
tudo se separam
Que a chuva caia como uma luva
um dilúvio um delírio
Que a chuva traga
alívio imediato
Que a noite caia de repente caia
Tão demente quanto um raio
que a noite traga alívio imediato
Que a chuva caia como uma luva
um dilúvio um delírio
Que a chuva traga
alívio imediato
Que a noite caia de repente caia
Tão demente quanto um raio
que a noite traga alívio imediato
Almanaque
Ô menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou
Diz quem é que marcava o tique-taque e a ampulheta do tempo disparou
Se mamava de sabe lá que teta o primeiro bezerro que berrou
Me responde, por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou
Me diz, me diz
Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou
Quem pintou a bandeira brasileira que tinha tanto lápis de cor
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Quem é que sabe o signo do capeta, o ascendente de Deus Nosso Senhor
Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor
Quem tava no volante do planeta que o meu continente capotou
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Vê se tem no almanaque, essa menina, como é que termina um grande amor
Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor
Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair o elevador
Me responde por favor
Pra que tudo começou
Quando tudo acaba
Alô, Alô Marciano
(Rita Lee/Roberto de Carvalho)
Alô, alô marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down no high society!
Alô, alô marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si, todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down no high society!
Alô, alô marciano
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá prá atolá, Aláh!
Tá cada vez mais down no high society!
Alô, Paixão
Eu não vou perder você
Faz parte dessa história
Revelo o segredo
Existente na memória
Vou aqui andando
Caminhando pela vida
Quero te encontrar, sonhando
Sempre em cada esquina
Vivo a embalar e dançar
Em plena multidão
De amor explode a paixão, meu coração
Não vou deixar
Vou me revelar pra esse amor
Alô, paixão
Alô, doçura
Doce ilusão
De um coração
Os Alquimistas Estão Chegando
Os alquimistas estão chegando
Estão chegando os alquimistas
Eles são discretos e silenciosos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho a hora
E o tempo do seu precioso trabalho
São pacientes, assíduos e perseverantes
Executam, segundo as regras herméricas
Desde a trituração a fixação
A destilação e a coagulação
Trazem consigo cadinhos
Vasos de vidro, copos de louça
Todos bem, e iluminados
Evitam qualquer relação com pessoas
De temperamento sórdido
Os alquimistas estão chegando
Estão chegando os alquimistas
Os alquimistas estão chegando os alquimistas
Jorge ben
Os alquimistas estão chegando
Estão chegando os alquimistas
Eles são discretos e silenciosos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho a hora
E o tempo do seu precioso trabalho
São pacientes, assíduos e perseverantes
Executam, segundo as regras herméricas
Desde a trituração a fixação
A destilação e a coagulação
Trazem consigo cadinhos
Vasos de vidro, copos de louça
Todos bem, e iluminados
Evitam qualquer relação com pessoas
De temperamento sórdido
Os alquimistas estão chegando
Estão chegando os alquimistas
Alta Noite
Alta noite já se ia
ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha
alta noite já se ia
ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a manhãzinha
Nem a madrugada
Alta noite já se ia
ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha
alta noite já se ia
ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa, sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a estrela guia
Nem a estrela-d'alva
Alvorada
(Cartola/Hermínio Belo de Carvalho/Carlos Cachaça)
Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
( a alvorada )
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta é tão pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida.
Amada Amante
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Esse amor demais antigo
Amor demais amigo
Que de tanto amor viveu
Que manteve acesa a chama
Da verdade de quem ama
Antes e depois do amor
E você amada amante
Faz da vida um instante
Ser demais para nós dois
Esse amor sem preconceito
Sem saber o que é direito
Faz as suas próprias leis
Que flutua no meu peito
E supera o que já fez
Neste mundo desamante
Só você amada amante
Faz o mundo de nós dois.
Amanhã
Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã, redobrada força p'ra cima, que não cessa
Há de vingar
Amanhã, mais nenhum mistério, acima do ilusório
O astro-rei vai brilhar
Amanhã a luminosidade, alheia a qualquer vontade
Há de imperar
Amanhã está toda esperança por menor que pareça
Existe, e é p'ra vicejar
Amanhã, apesar de hoje, será a estrada que surge
P'ra se trilhar
Amanhã, mesmo que uns não queiram
será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã, ódios aplacados,
temores abrandados, será pleno.
O Amanhã É Distante
E se hoje não fosse essa estrada,
e se a noite não tivesse tanto atalho
o amanhã não fosse tão distante
solidão seria nada pra você
Se ao menos o meu amor estivesse aqui
e eu pudesse ouvir seu coração
se ao menos mentisse ao meu lado
estaria em minha cama outra vez
Meu reflexo eu não consigo ver na água
vem fazer canções sem nenhuma dor
se ouvisse os ecos dos meus passos
e lembrar meu nome quando alguém chamou
A beleza no rio do meu pranto
a beleza em tudo o que há no céu
porém nada com certeza é mais bonito
quando eu lembro dos olhos do meu bem
Amanhã É 23
(George Israel/Paula Toller)
As entradas no meu rosto e os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano no final do mês de agosto
Há vinte você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo
Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou
Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo que eu não te vejo
Queria o seu beijo outra vez
Amanhã Não Se Sabe
Como as folhas, com o vento
Até onde vai dar o firmamento
Toda hora enquanto é tempo
Vivo aqui este momento
Hoje aqui, amanhã não se sabe
Vivo agora antes que o dia acabe
Esta instante, nunca é tarde
Mal começou eu já estou com saudades
Me abraça, me aceita
Me aceita assim como eu sou
E deixa ser o que for
Como as ondas, como a maré
Até onde não vai mais dar pé
Este instante tal e qual
Vivo aqui e seja o que Deus quiser
Hoje aqui não importa pra onde vamos
Vivo agora não tenho outros planos
E é tão fácil viver sonhando
Enquanto isso a vida vai passando
Me abraça, me aceita
Me aceita assim meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
E deixa ser o que for
Amantes Cinzas
(Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes)
Agora que nós somos dois amantes, cinzas
Agora que o carnaval passou
Agora que nós somos duas partículas
Colombina e Pierrot, samba sou
Agora que nós somos dois amantes, cinzas
Agora que o carnaval passou
Agora que nós somos duas partículas
Colombina e Pierrot, samba sou
Ah!ah!ah!
Tchublac, Tchublic, Tchublic, Tchublic, Tchublá
Ah!ah!ah!
Tchublac, Tchublic, Tchublic, Tchublic, Tchublá
Ah!ah!ah!
Tchublac, Tchublic, Tchublic, Tchublic, Tchublá
Ah!ah!ah!
Tchublac, Tchublic, Tchublic, Tchublic, Tchublá
Amarra o Teu Arado a uma Estrela
Se os frutos produzidos pela terra
Ainda não são
Tão doces e polpudos quanto as peras
Da tua ilusão
Amarra o teu arado a uma estrela
E os tempos darão
Safras e safras de sonhos
Quilos e quilos de amor
Noutros planetas risonhos
Outras espécies de dor
Se os campos cultivados neste mundo
São duros demais
E os solos assolados pela guerra
Não produzem a paz
Amarra o teu arado a uma estrela
E aí tu serás
O lavrador louco dos astros
O camponês solto nos céus
E quanto mais longe da terra
Tanto mais longe de Deus
Amar Você Não Dói
(Bell Marques/Wadinho Marques)
Sempre me lembro de você
Desse jeito tão estranho
Do segredo desse amor
Seja ele como for
Amar você, não dói
Um pedaço de você
Alucina meu juízo
Você é meu paraíso
É só sonhar
Ôh, ôh, ôh, ôh
Meu bem, meu bem, me dá
Ôh, ôh, ôh, ôh
Meu bem, meu bem, me dá
Aventura no teu beijo
Ôh, ôh, ôh, ôh
Meu bem, meu bem, me dá
Ôh, ôh, ôh, ôh
Meu bem, meu bem, me dá
Teu silêncio, teu prazer
Quero você e o sol
Num grande amor sem fim
Dentro de um céu azul
Âmbar
Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos
Americanos
(Michael Jackson/Caetano Veloso)
Americanos pobres na noite da Louisiana
Turistas ingleses assaltados em Copacabana
Os pivetes ainda pensam que eles eram americanos
Turistas espanhóis presos no Aterro do Flamengo
Por engano
Americanos ricos já não passeiam por Havana
Veados americanos trazem o vírus da AIDS
Para o Rio no carnaval
Veados organizados de São Francisco conseguem
Controlar a propagação do mal
Só um genocida potencial
- de batina, de gravata ou de avental -
Pode fingir que não vê que os veados
- tendo sido o grupo-vítima preferencial -
Estão na situação de liderar o movimento
Para deter a disseminação do HIV
Americanos são muito estatísticos
Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos
Olhos de brilho penetrante que vão fundo
No que olham, mas não no próprio fundo
Os americanos representam boa parte
Da alegria existente neste mundo
Para os americanos branco é branco, preto é preto
(E a mulata não é a tal)
Bicha é bicha, macho é macho,
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro
E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se
Concedem-se, conquistam-se direitos
Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime
E dançamos com uma graça cujo segredo
Nem eu mesmo sei
Entre a delícia e a desgraça
Entre o monstruoso e o sublime
Americanos não são americanos
São velhos homens humanos
Chegando, passando, atravessando.
São tipicamente americanos.
Americanos sentem que algo se perdeu
Algo se quebrou, está se quebrando.
Amigo
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Você meu amigo de fé,
Meu irmão camarada,
Amigo de tantos caminhos, de tantas jornadas,
Cabeça de homem, mas o coração de menino,
Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada,
Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro,
Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro,
O seu coração é uma casa de portas abertas,
Amigo, você é o mais certo, das horas incertas!
Às vezes em certos momentos difíceis da vida,
Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída,
A sua palavra de força, de fé e de carinho,
Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho,
Você meu amigo de fé,
Meu irmão camarada,
Sorriso e abraço festivo, na minha chegada,
Você, que me diz as verdades, com frases abertas,
Amigo, você é o mais certo das horas incertas,
Não preciso nem dizer,
Tudo isso que eu lhe digo,
Mas é muito bom saber,
Que eu tenho um grande amigo!
Amigo e Companheiro
(Teddy Juaren - Tulio de RoseVers/versão: Carlos Pedro Ferreira)
Amigo
Companheiro de colégio
Hoje eu canto de alegria
Por de novo te encontrar
Nas férias, eu brincava todo dia
Mas no fundo o que eu queria
Era mesmo estar aqui
Uma pipa no céu todo azul
É tão linda de se ver
E brincar de boneca pra mim
Fez meu tempo não correr
Mas a escola é a luz
Que ilumina o caminho da gente
E é por isso amiguinho
Que hoje eu estou tão contente
Toda volta pra escola é assim
Tanta história pra contar
Todo mundo querendo se ver
Todo mundo querendo falar
A escola é a luz
Que ilumina o caminho da gente
E é por isso amiguinha
Que hoje eu estou tão contente
Amigo É pra Essas Coisas
(Silvio da Silva Junior/Aldir Blanc)
Salve (como é que vai?)
Amigo,há quanto tempo (um ano ou mais)
Posso sentar um pouco (faça o favor)
A vida é um dilema (nem sempre vale a pena)
Pois, (o que é que há?)
Rosa acabou comigo (meu Deus, por quê ?)
Nem Deus sabe o motivo (Deus é bom)
Mas não foi bom prá mim
(Todo amor um dia chega ao fim)
Triste, (é sempre assim)
Eu desejava um trago, (garçon, mais dois)
Não sei quando eu lhe pago (se vê depois)
Estou desempregado (você está + velho)
É, (vida ruim)
Você está bem disposto (também sofri)
Mas não se vê no rosto (pode ser)
Você foi mais feliz (Dei mais sorte com a Beatriz)
Pois é (vivo bem)
Prá frente é que se anda (Você se lembra dela?)
Não me apresentei
Minha memória é fogo (e o l'argent?)
Defendo algum no jogo (e amanhã?)
Que bom se eu morresse (prá quê, rapaz?)
Talvez Rosa sofresse (vá atrás ...)
Na morte a gente esquece
(Mas no amor a gente fica em paz)
Adeus (toma mais um)
Já amolei bastante (de jeito algum)
Muito obrigado, amigo (não tem de quê)
Por você ter me ouvido (amigo é prá essas coisas)
Vai (toma um Real)
Sua amizade basta (pode faltar)
O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus-dará
Amigos do Peito
(Erik Vonn e Memo Mendez Guiu/versão: Edgard B. Poças)
Meu nome é Mike
Gosto muito de brincar
Eu sou o Tob
Não me canso de cantar
Sou Simony
E queria apresentar
Novos amigos
Que acabaram de chegar
Sou Jairzinho
O mais novo do balão
Eu sou o Fábio
Também vou nessa canção
Somos amigos
E queremos divertir
Nossos amigos
Do balão
Que vai subir
Somos amigos
Amigos do peito
Amigos de uma vez
Somos amigos
Amigos do peito
Amigos de vocês
Viver a vida
Viajando nas canções
Viver cantando
Alegrando os corações
Viver os sonhos
Tudo o que acontecer
Fazer amigos
Mas amigos pra valer
Amolação
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Deus lá de cima sabe muito bem
Qual a minha sina; o que que me convém
Bicho do mato ela veio comigo
Teve ninho, carinho, broa, abrigo
Labutei na roça, labutei no milharal
Labutei passando bem
Labutei passando mei mal
Bruma do cérebro dela de repente
Brus tão brusca, bruscamente
Deixa de gostar, deixa de tratar bem
Começa a gostar de deixar de me tratar bem
Minha manhosa, nhem nhem nhem
Eu só penso nela, ela só em se mudar.
Quanto mais eu brigo mais me grudo aqui
Quanto mais eu fujo mais eu tô apaixonado
Bruma no cérebro dela de repente
Brus tão brusca, bruscamente
Dois guris dos oito que a gente tem
Ela apanhou na rua com alguém
Mesmo assim eu fui pai pros pobrezinhos
Na lei da humildade conforme Jesus Cristo
Mas vem esse ódio em câmera lenta
Brrr a serpente pinotiza e me tenta
Eu procuro uma razão em cada ato meu
Deve ser my own fall, deve ser só eu
Que amolação, que amolação
Meu Deus essa mulher só me deu amolação
Amor Barato
(Chico Buarque/Francis Hyme)
Eu queria ser um tipo de compositor
capaz de cantar nosso amor modesto
um tipo de amor que é de mendigar cafuné
que é pobre e às vezes nem é honesto
Pechincha de amor, mas que eu faço tanta questão
que se tiver precisão, eu furto
Vem cá meu amor, agüenta o teu cantador
me esquenta porque o cobertor é curto
Mas levo esse amor com o zelo de quem leva o andor
eu velo pelo meu amor que sonha
que, enfim, nosso amor, também pode ter seu valor
também é um tipo de flor
que nem outro tipo de flor
dum tipo que tem que não deve nada a ninguém
que dá mais que Maria-Sem-Vergonha
Eu queria ser um tipo de compositor
capaz de cantar nosso amor barato
Um tipo de amor que é esfarrapar e cerzir
que é de comer e cuspir no prato
Mas levo esse amor com o zelo de quem leva o andor
eu velo pelo meu amor que sonha
que, enfim, nosso amor, também pode ter seu valor
também é um tipo de flor
que nem outro tipo de flor
dum tipo que tem que não deve nada a ninguém
Que dá mais que Maria-Sem-Vergonha
Amor de Índio
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.
Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.
No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conheçer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.
O Amor e a Rosa
(Pernambuco/ Antônio Maria)
| Guarda a rosa que eu te dei |b
| Esquece os males que eu te fiz |i
| A rosa vale mais que a tua dor |s
Se tudo passou, se o amor acabou
A rosa deve ficar
Num canto qualquer do teu coração
O amor reviverá
(|)
O Amor em Paz
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Eu amei,
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Amor I Love You
(Carlinhos Brown/Marisa Monte)
Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver
Hoje contei pra as paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui
Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor quem está aqui
Amor I love you (4x)
Declamado por Arnaldo Antunes (retirado de "Primo Basílio"- Eça de Queiroz, 1878):
Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que
lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor
amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa
existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto
diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo
radioso de sensações!
Amor Perfeito
(Michael Sullivan/Paulo Massadas/Lincoln Olivetti/Róbson Jorge)
Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver
Vem, que eu conto os dias
Conto as horas pra ter ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você
Os segundos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando
Coração quer te encontrar
Vem, que nos seus braços
Esse amor é uma canção
E eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você
Eu não vou saber me acostumar
Sem sua mão pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou, então vem, vem, vem, vem
Eu não vou saber me acostumar
Sem sua mão pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho,amor, sem você
Vem me tirar da solidão
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou, então
Vem, que eu conto os dias
Conto as horas pra ter ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você
Vem, que nos seus braços
Esse amor é uma canção
E eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você
Vem, vem, vem, vem,
Vem, vem, vem
Amor por Retribuição
Ovos quentes e café na cama
As suas lágrimas no meu pijama
Você não pode me cobrar
Pelo que deu de graça
Sempre inventando mais provas de amor
E só me abraça pra sentir o efeito
Acho que a sua inspiração
Está em livros de direito
Talvez eu tenha ganho mais que eu tenha dado
Mas contas de amor sempre dão errado
Você me lembra histórias do passado
E tudo mais pra eu me sentir culpado
Amor por retribuição
Você só pode estar de brincadeira
Pingüins em cima de geladeiras
Valem tanto quanto um beijo por compaixão
Ovos quentes e café na cama
Eu sei de tudo que você trama
Os mesmos truques de manhã
Você já não me engana
Não se importa em estar apaixonado
Só pensa em datas e compromissos
Seus beijos uma vez por mês
Não quero nada disso
Amor que Vai
Amor que vai, amor que vem
Amor foge e vai embora
Amor que leva seus teréns
Pra não ter motivo de voltar
Amor que vai
Num cavalo alado chamado brisa
Amor que vem
Num galope rasgado na beira-mar
Amor maltrata, deseja
Amor comendo a maçã
Amor é pura incerteza
O que será o amanhã?
Um Amor, Um Lugar
O meu amor é teu
O meu desejo é meu
O teu silêncio é um véu
O meu inferno é o céu
Pra quem não sente culpa de nada
E se não for, valeu
E se já for, adeus
O dia amanheceu
Levante as mãos para o céu
E agradeça se um dia encontrar
Um amor, um lugar pra sonhar
Pra que a dor possa sempre mostrar
Algo de bom
Eu ainda lembro o dia em que eu te encontrei
Eu ainda lembro como era fácil viver
Ainda lembro
Eu ainda lembro
Ainda lembro
Ana de Amsterdam
(Chico Buarque de Hollanda/Ruy Guerra)
Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, da troca de pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam
Eu cruzei um oceano
Na esperança de casar
Fiz mil bocas pra Solano
Fui beijada por Gaspar
Sou Ana de cabo a tenente
Sou Ana de toda patente, das índias
Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada
Sou Ana, obrigada
Até amanhã, sou Ana
Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos
Sou Ana de Amsterdam
Arrisquei muita braçada
Na esperança de outro mar
Hoje sou carta marcada
Hoje sou jogo de azar
Sou Ana de vinte minutos
Sou Ana da brasa dos brutos na coxa
Que apaga charutos
Sou Ana dos dentes rangendo
E dos olhos enxutos
Até amanhã, sou Ana
Das marcas, das macas, da vacas, das pratas
Sou Ana de Amsterdam
Ana Luiza
Supõe
Ana Luiza se a guarda cochila
Eu posso penetrar no castelo
E galgar a muralha de onde se divisa
O vale, os prados, os matos, os montes, as flores, as fontes
Luiza
Ana Luiza
Eu fiz esta canção pra você
Que pergunta
Precisa saber
Onde anda Luiza
Luiza
Luiza
Luiza
Por que me negas tanto assim a primavera ?
Se sabes que a última quimera
Existe no mundo de Ana Luiza
Primavera, Ana Luiza
Teus olhos
Em que lago, em que serra, em que mar se oculta ?
Escuta, Luiza
Na brisa uma
canção fala em você
E pergunta
Insiste em saber, onde anda Luiza
Luiza
Luiza
Luiza
Luiza
Eu te amo tanto
Quem há de resistir a todo encanto
Que existe, assiste, em Ana Luiza
Andaluz
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Noite estrelada
Na paisagem
Andaluz
Gente que vai
Chamar o seu povo
Pra ver o dia nascer
É motivo de festa
Só por ser a madrugada
Andaluz
De uma vez o som da guitarra
Transforma tudo em manhã
Girassóis, claridade
Se vê que o dia vai
Reluzir
Andaluz
Te traduzir por entre os sons
que esse dia traz
Chama
Dez mil anos atrás
E faz o futuro
Ser liberdade
Ser só o que se quer
Céu dos ciganos
Poeira da estrada
Andaluz
Em tudo a cara do novo
É maior
Que sempre se pode
Acordar e ver
Dia amanhece
Na paisagem
Andaluz
Andam Dizendo
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Andam dizendo na noite
Que eu já não te amo
Que eu saio na noite
E já não te chamo
Que eu ando talvez
Procurando outro amor
Mas ninguém sabe querida
O que é ter carinho
Que eu saio na noite
Mas fico sozinho
Bem perto da lua
Bem perto da dor
Perto da dor de saber
Que este céu não existe
E que tudo o que nasce
Tem sempre um fim triste
Até meu carinho
Até nosso amor.
Andança
(Edmundo Souto/Paulinho Tapajós/Danilo Caymmi)
Vim tanta areia andei
Da lua cheia eu sei
Uma saudade imensa
Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim
Na mão direita rosas vou levar
Olha a lua mansa
A se derramar
Ao luar descansa
Meu caminhar
Meu olhar de festa se fez feliz
Lembrando a seresta que um dia eu fiz
Já me fiz a guerra
Por não saber
Que esta terra encerra
Meu bem querer
E jamais termina meu caminhar
Só o amor me ensina
Onde vou chegar
Rodei de roda andei
Dança da moda eu sei
Cansei de se sozinha
Verso encantado usei
Meu namorado é rei
Nas lendas do caminho
Onde andei
No passo da estrada
Só faço andar
Tenho o meu amado a me acompanhar
Vim de longe léguas
Cantando eu vim
Vou não faça tréguas
Sou mesmo assim
Contracanto:
Me leva amor
Amor
Me leva amor
Por onde for quero ser seu par
Andar com Fé
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra coral
Ô-ô
Num pedaço de pão
A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Ô-ô
Na luz, na escuridão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
A fé tá na manhã
A fé tá no anoitecer
Ô-ô
No calor do verão
A fé tá viva e sã
A fé também tá pra morrer
Ô-ô
Triste na solidão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
Ô-ô
A pé ou de avião
Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
Ô-ô
Pelo sim, pelo não
Ando Meio Desligado
Ando meio desligado,
Eu nem sinto meus pés no chão
Olho e não vejo nada,
Eu só penso se você me quer
Eu nem vejo a hora de te dizer
Aquilo tudo que eu decorei
E depois do beijo que eu já sonhei você vai sentir
Mas, por favor, não leve a mal
Eu só quero que você me queira
Não leve a mal ...
Andrea Doria
Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim --
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.
Eu sei -- é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.
Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
Como sei que tens também.
Angélica
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar
Angra dos Reis
Deixa, se fosse sempre assim quente
Deita aqui perto de mim
Tem dias em que tudo está em paz
E agora todos os dias são iguais
Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá, a angra é dos reis
Por que se explicar se não existe perigo?
Senti seu coração perfeito batendo à toa
E isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
mas não venha me roubar
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi
Mesmo se as estrelas começassem a cair
E a luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
E você visse nosso corpo em chamas
Deixa pra lá.
Quando as estrelas começarem a cair
Me diz, me diz pra onde a gente vai fugir?
Anjo
Se você vê estrela demais
Lembre que um sonho não volta atrás
chega perto e diz
Anjo
Se você sente o corpo colar
Solte o seu medo bem devagar
Chega perto e diz
Anjo
Bem mais perto e diz
Anjo
Se uma coisa louca
Sai do seu olhar
Fique em silêncio
Deixe o amor entrar
Pra que tanta pressa de chegar
Se eu sei o jeito e o lugar.
Anjo Avesso
Safada era a cara do anjo
Que no quarto noturno pintou
No meu ouvido falou
Loucuras de amor
Pegou minha mão e saímos na troca de passos
Um beijo molhado escandalizado
Que até minha gata se escandalizou
E com um penacho de índio ele me coroou
Sou anjo avesso sou Tupã presente
Guerreiro sempre galho da semente
Do algodão do pau-brasil
Da serpentina que coloriu
Os olhos do cego a voz do anão
A vida e o meu coração de leão
Anjo Querubim
Fiz você pra mim meu brinquedo meu anjo querubim
meu segredo guardado só pra mim, meu amor mais louco
até de tanto amar fiz também algo pra gente ninar
uma criança pra gente adorar tudo num sufoco
E você já não gosta mais de mim
veio dizer que eu não soube dar amor
e achar que a vida é mesmo assim
cada um leva um baque sofredor
Meu baião, coração, arranque essa dor
do meu peito pra eu não chorar (bis)
Comprei sururu, camarão, fiz batida de caju
dancei rumba e até maracatu pra ti fazer feliz
fui até Natal, Salvador, Paraíba, Bacabal
e em Belém você quase passou mal e eu te fiz feliz
Anos Dourados
(Tom Jobim/Chico Buarque)
Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Antene-Se
É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo
Escutando o som das vitrolas, que vem de mocambos
Entulhados à beira do capibaribe
Na quarta pior cidade do mundo
Recife cidade do mangue
Incrustada na lama dos manguezais
Onde estão os homens caranguejos
Minha corda costuma sair de andada
No meio da rua, em cima de pontes
É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo
Procurando antenar boas vibrações
Preocupando antenar boa diversão
Sou, sou, sou Mangueboy
Recife cidade do mangue
Onde a lama é a insurreição
Onde estão os homens caranguejos
Minha corda costuma sair de andada
No meio da rua, em cima de pontes
É só equilibrar sua cabeça em cima do corpo
Procure antenar boas vibrações
Procure antenar boa diversão
Sou, sou, sou Mangueboy!
Antonico
Ô Antonico
vou lhe pedir um favor
que só depende de sua boa vontade
É necessário uma viração pro Nestor
que está vivendo em grande dificuldade
ele está mesmo dançando na corda bamba
ele é aquele que na escola de samba
toca cuíca, toca surdo e tamborim
faça por ele como se fosse por mim.
Até macumba já fizeram pro rapaz
porque no samba ninguém faz o que ele faz.
Mas hei de vê - lo muito bem se Deus quiser
e agradeço pelo que você fizer
Anunciação
Na bruma leve das paixões que vem de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
no teu cavalo peito nu cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal
tu vens tu vens
eu já escuto os teus sinais
A voz do anjo sussurou no meu ouvido
e eu não duvido já escuto os teus sinas
que tuvirias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais
Tu vens tu vens
Ao Meu Redor
Ao meu redor está deserto
você não está por perto
e ainda está tão perto
Dentro dessa geladeira, dentro da despensa e do fogão
Dentro da gaveta, dentro da garagem e no porão
Em todos os armários, nos vestidos, nos remédios, num botão
Por dentro das paredes, pelos quartos, pelos prédios e no portão
Até no que eu não enxergo
Até mesmo quando eu não quero
Eu não quero
Dentro da camisa, no sapato, no cigarro
na revista, na piscina, na janela, no carro ao lado
No som do rádio eu ouço a mesma coisa
o tempo inteiro, em fevereiro, em janeiro, em dezembro
Ao meu redor está deserto
Tudo que está por perto
ainda está tão perto
Ao que Vai Chegar
Voa, coração
A minha força te conduz
Que o sol de um novo amor
Em breve vai brilhar
Vara escuridão
Vai onde a noite esconde a luz
Clareia seu caminho e ascende seu olhar
Vai onde a aurora mora
E acorda um lindo dia
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não esqueça de trazer força e magia
O sonho e a fantasia
E a alegria de viver
Voa, coração
Que ele não deve demorar
E tanta coisa mais quero lhe oferecer
O brilho da paixão
Pede a uma estrela pra emprestar
E traga junto a fé
Num novo amanhecer
Convida as luas cheia, minguante e crescente
E de onde se planta a paz
Da paz quero a raiz
E uma casinha lá
Onde mora o sol poente
Pra finalmente a gente
Simplesmente ser feliz
Aos Nossos Filhos
(Ivan Lins/Vítor Martins)
Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim
E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim
E quando largarem a mágoa
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água
Lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores
Quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim
Aos Pés da Cruz
(Marino Pinto/Zé Gonçalves)
Aos pés da Santa-Cruz
Você se ajoelhou
E em nome de Jesus
Um grande amor você jurou
Jurou, mas não cumpriu,
Fingiu e me enganou,
Pr'a mim você mentiu,
Pr'a Deus você pecou
O coração tem razões
Que a própria razão desconhece
Faz promessas e juras
Depois esquece
Seguindo este princípio
Você também prometeu,
Chegou até a jurar um grande amor
Mas depois esqueceu.
A Palo Seco
Se você vier me perguntar por onde andei
no tempo em que você sonhava
de olhos abertos lhe direi
amigo eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
que esse desespero é moda em '73
eu ando um pouco descontente
desesperadamente eu falo português
Tenho 25 anos de sonho e de sangue
e de América do Sul
Mas por força do meu destino
um tango argentino
me pega bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
que esse desespero é moda em '73
eu quero é que esse canto torto feito faca
corte a carne de vocês
As Aparências Enganam
As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam
Na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo
E depois não há nada que os apague
Se a combustão os persegue
As labaredas e as brasas
São o alimento, o veneno, o pão
O vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão
Sonhos vividos de conviver
As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam
Na geleira das paixões
Os corações viram gelo, e depois
Não há nada que os degele
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer
Não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer
Se não chorar sob o cobertor
As aparências enganam
Aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam
No outono, nas paixões
Os corações cortam lenha, e depois
Se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira
Ainda vive, transpira ali
Nos corpos juntos, na lareira
Na reticente primavera
No insistente perfume
De alguma coisa chamada amor
Apelo
(Vinicius de Moraes/Baden Powell)
Ah, meu amor não vá embora
Vê a vida como chora
Vê que triste esta canção
Eu te peço não te ausentes
Pois a dor que agora sentes
Só se esquece com o perdão
Ah, meu amor se tu soubesses
Da tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses num momento
Todo o arrependimento
Como tudo entristeceu
Se tu soubesses como é triste
Eu saber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus
A meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus
A meu amado me perdoa
Pois embora ainda me doa
A tristeza que causei
Eu te suplico não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que já paguei.
Apenas Mais Uma de Amor
Eu gosto tanto de você
que até prefiro esconder
deixa assim ficar subentendido
Como uma idéia
que existe na cabeça e não
tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho
tão bonito isso
de ser abstrato baby
a beleza é mesmo tão fulgás
É uma idéia que existe na cabeça e não
tem a menor pretensão de convencer
Pode até parecer fraqueza
pois que seja fraqueza então
a alegria que me dá
isso faz sem eu dizer
Se amanhã
não for nada disso
caberá só a mim esquecer
o que eu ganho o que eu perco
ninguém precisa saber
Eu gosto tanto de você
que até prefiro esconder
deixa assim ficar subentendido
Como uma idéia
que existe na cabeça e não
tem a menor obrigação de acontecer
Pode até parecer fraqueza
pois que seja fraqueza então
a alegria que me dá
isso faz sem eu dizer
Se amanhã
não for nada disso
caberá só a mim esquecer
eu digo vai doer
o que eu ganho o que eu perco
ninguém precisa saber
Eu acho
tão bonito isso
de ser abstrato baby
a beleza é mesmo tão fulgás
É uma idéia que existe na cabeça e não
tem a menor pretensão de convencer
Apenas Um Rapaz Latino-Americano
Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
mas trago de cabeça
Uma canção do rádio em que um antigo compositor, um baiano,
me dizia tudo é divino, tudo é maravilho
mas trago de cabeça uma canção do radio onde um antigo compositor baiano me dizia
tudo é divino
tudo é maravilhoso
tenho ouvido muitos discos
Conversando com pessoas
caminhando o meu caminho
papo, som dentro da
Noite e não tenho um amigo sequer
que inda acredite nisso, não
Tudo muda
Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas sei que tudo e proibido
aliás eu queria dizer que tudo é permitido
Até beijar você no escuro do cinema
quando ninguém nos vê (bis)
Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve correta, branca,
suave, muito limpa, muito leve, sons palavras são navalhas e
Eu não posso cantar como convém
sem querer ferir ninguém, mas não se preocupe meu amigo,
Com os horrores que eu lhe digo
isso é somente uma canção
A vida é diferente, quer dizer, a vida é muito pior e
Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Por favor não me saque a arma no saloon
eu sou apenas um cantor
mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar mate-me logo
a tarde as três, que a noite eu tenho um compromisso e não
posso faltar por causa de você (bis)
Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
mas sei que nada é divino
nada é maravilhoso
nada é secreto, nada é misterioso
não, não, não, não
Apesar de Você
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
Aprendendo a Jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar
Água mole em pedra dura
Mais vale que dois voando
Se eu nascesse assim...pra lua
Não estaria trabalhando
Mas em casa de ferreiro
Quem com ferro se fere é bobo
Cria a fama, deita na cama
Quero ver o berreiro na hora do lobo
Quem tem amigo cachorro
Quer sarna pra se coçar
Boca fechada não entra besouro
Macaco que muito pula quer dançar
À Primeira Vista
Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei
Quando chegou carta abri
Quando ouvi Prince (salif keita) dancei
Quando o olho brilhou entendi
Quando criei asas voei
Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui
Quando lhe achei me perdi
Quando vi você me apaixonei
Aquarela
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando contornando
A imensa curva norte sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América à outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E se faco chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá
Aquarela Brasileira
Vejam essa maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela
Passeando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará, terra de Irapuã
De Iracema e Tupã
E fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves, do acarajé
Das noites de magia, do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipú
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza, arquitetura
Feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do leste, por todo o Centro-Oeste
Tudo é belo e tem lindo matiz
No Rio dos sambas e batucadas
Dos malandros e mulatas
De requebros febris
Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emoldura em aquarela o meu Brasil
Aquarela do Brasil
Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso senhor
Brasil, Brasil
Pra mim, pra mim
Ô, abre a cortina do passado
Tira preta do cerrado
Bota o rei Congo no congado
Brasil, Brasil
Pra mim, pra mim
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da lua
Toda canção do meu amor (lararaía)
Quero ver essa dona caminhando
Pelo salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil, Brasil ô ô ô
Pra mim, pra mim
Brasil
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
E de olhar indiferente
O Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso senhor
Brasil, pra mim
Pra mim, brasil
Ô esse coqueiro que dá côco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar ô ô ô
Brasil, pra mim ô ô ô
Pra mim, Brasil
Ô, oi essas fontes murmurantes
Oi, onde eu mato a minha cede
E onde a lua vem brincar
Oi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil, pra mim
Pra mim, Brasil
Aquela Mulher
Se você quer mesmo saber
Por que ela ficou comigo
Eu digo que não sei
Se ela ainda tem seu endereço
Ou se lembra de você
Confesso que não perguntei
As nossas noites são
Feito oração na catedral
Não cuidamos do mundo
Um segundo sequer
Que noites de alucinação
Passo dentro daquela mulher
Com outros homens, ela só me diz
Que sempre se exibiu
E até fingiu sentir prazer
Mas nunca soube, antes de mim
Que o amor vai longe assim
Não foi você quem quis saber?
Aquele Abraço
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março
Alô, alô, Realengo - aquele abraço!
Alô, torcida do Flamengo - aquele abraço!
Chacrinha continua balançando a pança
E buzinando a moça e comandando a massa
E continua dando as ordens no terreiro
Alô, alô, seu Chacrinha - velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha - velho palhaço
Alô, alô, Terezinha - aquele abraço!
Alô, moça da favela - aquele abraço!
Todo mundo da Portela - aquele abraço!
Todo mês de fevereiro - aquele passo!
Alô, Banda de Ipanema - aquele abraço!
Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu - aquele abraço!
Pra você que meu esqueceu - aquele abraço!
Alô, Rio de Janeiro - aquele abraço!
Todo o povo brasileiro - aquele abraço!
Aquele Frevo Axé
(Caetano Veloso/Cézar Mendes)
Que fazer?
Meu pensamento está preso àquele carnaval
Volto a pisar este chão
Enceno um drama banal
Tento refazer a trama
Mas o desfecho é igual
E você?
Será que canta calada aquele frevo axé
Que não me deixa dormir
Ou terá perdido a fé
No que ficou prometido
Sem nos falarmos sequer
Meu amor
Ando na praça vazia e espero o sol se por
Vejo o clarão se extinguir
Por trás da mão do poeta
Nosso amor não vai sumir
Veja onde a gente se achou
Estrelas já vão luzir
Na noite da baía preta
Queria tanto você aqui
Que fazer?...
Aqui e Agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Aqui, onde indefinido
Agora, que é quase quando
Quando ser leve ou pesado
Deixa de fazer sentido
Aqui, onde o olho mira
Agora, que o ouvido escuta
O tempo, que a voz não fala
Mas que o coração tributa
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Aqui, onde a cor é clara
Agora, que é tudo escuro
Viver em Guadalajara
Dentro de um figo maduro
Aqui, longe, em Nova Deli
Agora, sete, oito ou nove
Sentir é questão de pele
Amor é tudo que move
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Aqui perto passa um rio
Agora eu vi um lagarto
Morrer deve ser tão frio
Quanto na hora do parto
Aqui, fora de perigo
Agora, dentro de instantes
Depois de tudo que eu digo
Muito embora muito antes
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
O melhor lugar do mundo é aqui
E agora
Areias Escaldantes
A caravana cruzando o deserto
Brilhando ao sol do Oriente Médio
Pelas areias escaldantes desse branco mar
Escuros beduínos são guerreiros mouros de sangue e paixão
Medo e mistério das trilhas no oásis do amor
A noite cai no deserto e nas tendas
A luz do fogo ilumina os corpos
De belas nuas dançarinas, são vulcões de mel
Perfume de aventura inundando o ar de emoção e calor
Luxo e luxúria nas noites do oásis do amor
A caravana do delírio se perdeu de mim
Sozinho no deserto me senti feliz e cantei para o céu
Em plena miragem da luz no meio do dia
Argila
Baiana Luanda nada Ruanda
Kinshaze manga banana
Vinha rindo e circulando
Sobre tudo o cobertor do teu olhar
E do teu olho de orvalho
Que era vidro se quedou
Vivendo em despedace
E o coração coador
Sorriu
Vexado de amargor e se pintou
Com a lama da lagoa pra à toa correr
Se for feito de argila
Seis enfeites te darei
Flores não andam em dúzia
Só foi uma que roubei
Sorriu
Vexado de amargor e se pintou
Com a lama da lagoa coa
Voa
Ê zuzuê ê zum zum zum ê zuezuê e zun
Ê zuzuê ê zum zum zum ê zuezuê e zun
Solidão anda de muda
Sei pra sempre te amarei
Procurei por essas curvas
Quem no tororó deixei
Argumento
Tá legal!
Tá legal, eu aceito o argumento,
Mas, não me altere o samba tanto assim,
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro, e de um tamborim.
Tá legal,
Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar
Faça como o velho marinheiro
Que durante o nevoeiro, leva o barco devagar!
Arrastão
(Edu Lobo/Vinícius de Moraes)
Ê, tem jangada no mar
Ê, ê, ê, hoje tem arrastão
Ê, todo mundo pescar
Chega de sombra, João
Jovi
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É, meu irmão, me traz Iemanjá prá mim
Minha Santa Bárbara
Me abençoai
Quero me casar com Janaína
Ê, puxa bem devagar
Ê, ê, ê, já vem vindo o arrastão
Ê, é a rainha do mar
Vem, vem na rede João
Prá mim
Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca jamais se viu tanto peixe assim
Arte Longa
(Renato Rocha/Geraldo Azevedo)
O mundo é grande para os nossos desencontros
A arte é longa, vida breve fim
Mas como pode um mar tão grande
Caber num mundo pequenino assim
Meu violão não pesa muito
Carrega tantas canções
Fico pensando
Se um amor dos grandes
Pode habitar pequenos corações
Meu sapato carregado de distâncias
Meu chapéu cheio de sonhos sem fim
Fico pensando
Que por mais que eu ande
Eu não consigo me afastar de mim
Asa Branca
(Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga/Zé Dantas)
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu pergunte-ei, a Deus do céu, ai,
Porque tamanha judiação?
Qui braseiro, que fornalha,
Nem um pé de plantação,
Por falta d'água, perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão.
Inté mesmo asa branca,
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha,
Guarda contigo, meu coração.
Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva, caí de novo
P'ra mim vortá, ai, p'ro meu sertão.
Quando verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro, não chores, não viu,
Que eu voltarei, viu, meu coração.
Asa Morena
Me faz pequena, asa morena
me alivia a dor
aliviando a dor que mata
me faz ser teu amor.
Me toma no crescer de um beijo muito louco
me implodindo aos poucos
no universo a desvendar a vastidão
do teu amor.
Me toma sem pensar num gesto muito forte
unindo o sul e o norte do meu corpo, frágil corpo
com a mais pura emoção.
Me toma no crescer de um beijo muito louco
me implodindo aos poucos
no universo a desvendar
a imensidão do teu amor.
Me faz pequena
Asa morena
À Sombra de um Jatobá
Raios de sol na varanda,
Verde cobrindo o jardim,
Poder sentir a vida espreguiçar...
Com o cheiro da madrugada,
Dama-da-noite, jasmim,
Olhar no céu estrelas pra contar...
Ter meus amigos comigo,
Quem amo me amando, sim,
Longe do amor de quem nos finge amar
|Ver na manhã de um domingo
|Meu filho sorrir pra mim
|Depois dormir à sombra de um jatobá...
Poucas coisas valem a pena,
O importante é ter prazer
Longe de mim a inveja e a maldade
Escondidas na vida!
Hoje estamos nós em cena
E não há tempo a perder...
Pois tudo acaba mesmo
Sempre em despedida!
Assim Caminha a Humanidade
Ainda vai levar um tempo
Pra fechar o que feriu por dentro
Natural que seja assim
Tanto pra você quanto pra mim
Ainda leva uma "cara"
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga e sem vontade
Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim
Não imagine que eu te quero mal
Apenas não te quero mais
Não te quero mais
Não mais
Nunca mais
Assum Preto
Tudo em volta é só beleza
Sol de abril e a mata em flor
Mas Assum Preto cego dos oios
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Talvez por ignorância
Por maldade bem pió
Furaro os oios do Assum Preto
Prá ele assim, ai, cantá mió
Assum Preto veve sorto
Mas não pode avoá
Mil vez a sina duma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá
Assum Preto meu cantá
É tão triste como o teu
Também robaro o meu amô
Que era a luz, ai, dos olhos meus
Astronauta
(C.A.Pingarilho e Marcos Vasconcellos)
Ela agora
Mora só no pensamento
Ou então no firmamento
Em tudo que no céu viaja
Pode ser um astronauta
Ou ainda um Passarinho
Ou virou um pé de vento
Pipa de papel de seda
Ou quem sabe um balãozinho
Pode estar num asteróide
Pode ser a estrela D'alva
Que daqui se olha
Pode estar morando em Marte
Nunca mais se soube dela
Desapareceu
O Astronauta de Mármore
A lua inteira agora é um manto negro
O fim das vozes no meu rádio
São quatro ciclos no escuro deserto do céu.
Quero um machado pra quebrar o gelo
Quero acordar do sonho agora mesmo
Quero uma chance de tentar viver sem dor.
Sempre estar lá e ver ele voltar
Não era mais o mesmo mas estava em seu lugar
Sempre estar lá e ver ele voltar
O tolo teme a noite como a noite vai temer o fogo
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul
A trajetória escapa o risco nu
As nuvens queimam o céu nariz azul
Desculpe, estranho, eu voltei mais puro do céu
A lua o lado escuro é sempre igual
No espaço escuro a solidão é tão normal
Desculpe, estranho, eu voltei mais puro do céu.
(refrão 2x)
Até o Fim
Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
Inda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamão contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro, acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída minha estrada entortou
Mas vou até o fim
Até Quando?
(Gabriel O Pensador/Tiago Mocotó/Itaal Shur)
Não adianta olhar por céu, com muita fé e pouca luta.
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve, você pode, você deve, pode crer.
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.
Até quando você vai ficar usando rédea?
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura.
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura.
Até quando você vai levando?
(Porrada! Porrada!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando?
(Porrada! Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente, seu filho sem escola, seu velho tá sem dente.
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante, você tá sem emprego e a sua filha tá gestante.
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo, você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!
Refrão
A polícia matou o estudante, falou que era bandido, chamou de traficante.
A justiça prendeu o pé-rapado, soltou o deputado... e absolveu os PMs de vigário!
Refrão
A polícia só existe pra manter você na lei, lei do silêncio, lei do mais fraco: ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.
A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV, que é pra te entreter, que é pra você não ver que o porgramado é você.
Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar.
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.
Escola, esmola!
Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda!
Não! Não!!
Refrão
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?
Até Quando Esperar?
(Philippe Seabra/André X)
Não é nossa culpa
nascemos já com uma benção
mas isso não é desculpa
pela má distribuição
Com tanta riqueza por ai
onde é que esta, cadê sua fração?
Até quando esperar?
E cadê a esmola
que nos damos sem perceber
que aquele abençoado
poderia ter sido você
Até quando esperar?
A plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus
Posso, vigiar o seu carro, te pedir cigarro, engraxar o seu sapato?
Até quando esperar?
A plebe ajoelhar esperando a ajuda do divino Deus
Atiraste uma Pedra
(Herivelto Martins/David Nasser)
Atiraste uma pedra
No peito de quem
Só te fez
Tanto bem,
E quebraste um telhado
Perdeste um abrigo,
Feriste um amigo
Conseguiste magoar
Quem das mágoas te livrou
Atiraste uma pedra
Com as mãos que esta boca
Tantas vezes beijou
Quebraste um telhado
Que nas noites de frio
Te servia de abrigo
Feriste um amigo
Que os teus erros
Não viu
E o teu pranto enxugou
Mas, acima de tudo
Atiraste uma pedra
Turvando esta água
Essa água que um dia
Por estranha ironia
Tua sede matou
Atiraste uma pedra, no peito de quem...
Só te fez tanto bem
Atrás da Porta
(Chico Buarque/Francis Hime)
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus, juro que não acreditei
Eu te estranhei, me debrucei
Sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei, e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Prá mostrar que inda sou tua
Até provar que inda sou tua
Atrás do Trio Elétrico
Atrás do trio elétrico
Só não vai quem já morreu
Quem já botou pra rachar
Aprendeu que é do outro lado
Do lado de lá do lado
Que é lado lado, de lá
O sol é seu, o som é meu
Quero morrer, quero morrer já
O som é seu, o sol é meu
Quero viver, quero viver lá
Nem quero saber se o diabo nasceu
Foi na Bahia, foi na Bahia
O trio eletro-sol rompeu no meio dia
No meio dia
Autonomia
É impossível nesta primavera, eu sei
Impossível pois longe estarei
Mas pensando em nosso amor
Amor sincero
Ai, se eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou, não quero
Escravizaram assim, um pobre coração
É necessária nova abolição
Pr'a trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria, amor
Não vou, Não quero
(repete)
Ave-Maria no Morro
Barracão,
De zinco, sem telhado,
Sem pintura, lá no morro
Barracão é Bangalô
Lá não existe felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu!
Tem alvorada,
Tem passarada,
Alvorecer,
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer
E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave-Maria...Ave-Maria..Ave
E quando o morro escurece
Eleva a Deus outra prece
Ave-Maria
Aviso aos Navegantes
Se existe alguém na linha
Se tem alguém no ar
Por favor responda agora
Não me faça esperar
Há uma certa urgência
Alô, informação?
Aqui sou eu sozinho
Do outro lado não sei
Instalei uma antena
E lancei um sinal
Nada no radar
Procuro no dial
Aviso aos navegantes
Tem mais alguém aí?
Só ouço o som da minha própria voz a repetir
S.O.S. Solidão.
Avohai
Um velho Cruza a soleira de botas longas,
de barbas lonas, de ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde quarava sua camisa e seu alfoge de caçador
O meu velho e invisível Avohai...
O meu velho e indivisível Avohai...
Neblina turva e brilhante em meu cérebro coágulo luz de sol
A manta matutina que transparente cortina ao meu redor
Se eu dizer que é bem sabido você diz que é bem pior
Mais e pior do que planeta quando perde o girassol
Levo terço de brilhante nos meus dedos de minha vó
E nunca mais eu tive medo da porteira,
nem também da companheira que nunca dormia só
Avohai Avohai Avohai
O brejo cruza a poeira de fato existe
um tom mais leve na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar
Mas que bebem sua vida, sua alma na altura que mandar
São os olhos, são as asas, cabelos de Avohai
Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
Vou lavar de madrugada e na cratera condenada eu me calei
E se eu calei foi de tristeza você cala por calar
Mais e calado vai ficando só fala quando eu mandar
Rebuscando a consciência com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa,
girando na carrapeta no jogo de improvisar
Entrecortando eu sigo bem a linha reta
Eu tenho a palavra certa prá doutor não reclamar
Avohai Avohai Avohai Avohai
Axé, Babá
Meu pai Oxalá
Dá-nos a luz do teu dia
De noite a estrela-guia
Da tua paz
Dentro de nós
Meu pai Oxalá
Dá-nos a felicidade
O pão da vitalidade
Do teu axé
Do teu amor
Do teu axé
Do teu amor
Ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
Axé, babá
Ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
Axé, babá
Ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
Axé, babá
Ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
Azul
Eu não sei se vem de Deus
Do céu ficar azul
Ou virá dos olhos teus
Essa cor que azuleja o dia
Se acaso anoitecer
Do céu perder o azul
Entre o mar e o entardecer
Alga marinha vá na maresia
Buscar ali o cheiro de azul
Essa cor não sai de mim
Bate e fica a pé a sangue de rei
Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho, cedinho
Corre e vai dizer pro meu benzinho
Hum! Dizer assim: o amor é azulzinho
Azul da Cor do Mar
Ah... se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi
Que na vida agente tem que aprender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri
Mas, quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Sua razão para viver
Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar...
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 07 de abril de 2003.
Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)