

Músicas da MPB - B
Músicas da MPB - B
Baader-Meinhof-Blues
A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acessos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.
Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.
(refrão)
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente eestou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar aopróximo é tão demodê
Ô ô ô ô...
Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?
Não estatize meus sentimentos
Pra seu governo,
O meu estado é independente.
(refrão)
Baby
Você
Precisa saber da piscina
Da margarina
Da carolina
Da gasolina
Você
Precisa saber de mim
Baby baby
Eu sei que é assim
Você
Precisa tomar um sorvete
Na lanchonete
Andar com a gente
Me ver de perto
Ouvir
Aquela canção do Roberto
Baby baby
Há quanto tempo
Você
Precisa prender inglês
Precisa aprender o que eu sei
E o que eu não sei mais
E o que eu não sei mais
Não sei
Comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz
Vivemos na melhor cidade
Da América do Sul
Da América do Sul
Você precisa
Não sei
Leia na minha camisa
Baby baby
I love you
Baby baby
I love you
Back in Bahia
Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui
Vez em quando, quando me sentia longe, dava por mim
Puxando o cabelo
Nervoso, querendo ouvir Cely Campelo pra não cair
Naquela fossa
Em que vi um camarada meu de Portobello cair
Naquela falta
De juízo que eu não tinha nem uma razão pra curtir
Naquela ausência
De calor, de cor, de sal, de sol, de coração pra sentir
Tanta saudade
Preservada num velho baú de prata dentro de mim
Digo num baú de prata porque prata é a luz do luar
Do luar que tanta falta me fazia junto com o mar
Mar da Bahia
Cujo verde vez em quando me fazia bem relembrar
Tão diferente
Do verde também tão lindo dos gramados campos de lá
Ilha do Norte
Onde não sei se por sorte ou por castigo dei de parar
Por algum tempo
Que afinal passou depressa, como tudo tem de passar
Hoje eu me sinto
Como se ter ido fosse necessário para voltar
Tanto mais vivo
De vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá
Baião Atemporal
No último pau-de-arara de Irará
Um da família Santana viajará
Levará uma semana até chegar
Junto com mais dois ou três outros cabras que estarão lá
No último pau-de-arara de Irará
Se essa viagem comprida fosse um cordel
Seria boa saída acabar no céu
Só que este conto que eu canto é pra lá de zen
Não tem sentido, não serve pra nada e é pra ninguém
Pra ninguém botar defeito e não ter porém
Basta pensar que Irará poderá não ser
Que os paus-de-arara de lá já não têm porquê
Porque os tempos passaram e passarão
Tudo que começa acaba, e outros cabras seguirão
Cruzando o atemporal do tao do baião
Baila Comigo
Se Deus quiser,
Um dia eu quero ser índio
Viver pelado pintado de verde
Num eterno domingo
Ser um bicho-preguiça,
Espantar turista
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, sol
Se Deus quiser,
Um dia acabo voando
Tão banal assim como um pardal
Meio de contrabando
Desviar do estilingue
Deixar que me xinguem
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, banho de sol
Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo
Se Deus quiser,
Um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim
Ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, sol
Se Deus quiser,
Um dia eu morro bem velha
Na hora H quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote de de camarote
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, banho de sol
Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo
Baile dos Passarinhos
(C. Cuevas/versão: Edgard. B. Poças)
Passarinho quer dançar
O rabicho balançar
Porque acaba de nascer
Tchu tchu tchu...
Passarinho quer dançar
Quer ter canto pra cantar
Alegria de viver
Tchu tchu tchu...
Seu biquinho quer abrir
As asinhas sacudir
E o rabicho remexer
Tchu tchu tchu...
Joelinho vai dobrar
Dois saltinhos só pra ver
Vamos voar
É dia de festa
Dança sem parar
E depois voar no azul
Cruzar de norte a sul
O céu e o mar
Passarinho quer dançar
O rabicho balançar
Porque acaba de nascer
Tchu tchu tchu...
No seu ninho dançará
Passarinho passará
A alegria de viver
Tchu tchu tchu...
Seu biquinho quer abrir
As asinhas sacudir
E o rabicho remexer
Tchu tchu tchu...
Joelinho vai dobrar
Dois saltinhos só pra ver
Vamos voar
É dia de festa
Dança sem parar
E depois voar no azul
Cruzar de norte a sul
O céu e o mar
Baioque
Quando eu canto
Que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto, punhalada
Não conhece o perdão
Quando eu rio
Quando eu rio, rio seco
Como é seco o sertão
Meu sorriso
É uma fenda escavada no chão
Quando eu choro
Quando eu choro é uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno de repente
Inundando o sertão
Quando eu amo
Quando eu amo eu devoro
Todo o meu coração
Eu odeio, eu adoro numa mesma oração
Quando eu canto
Mamy, não quero seguir
Definhando sol a sol
Me leva daqui
Eu quero partir, requebrando o rock'n'roll
Nem quero saber como se dança o baião
Eu quero ligar, eu quero um lugar
Ao sol de Ipanema, cinema e televisão
Balada do Amor Inabalável
Refrão 1
Leva essa canção de amor dançante pra você lembrar de mim,
seu coração lembrar de mim
na confusão do dia-a-dia no sufoco de uma dúvida,
na dor de qualquer coisa
É só tocar essa balada de swing inabalável que é o oásis do amor
Eu vou dizendo na sequência bem clichê
eu preciso de você
Refrão 2
Pa-nan-nan...
É forca antiga do espírito virando convivência de amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar e não pensar em nada
Planejando pra fazer acontecer ou simplesmente refinando essa amizade
Eu vou dizendo na sequência bem clichê
eu preciso de você
Refrão 2
Mesmo que a gente se separe por uns tempos ou quando você quiser lembrar de mim
Toque a balada do amor inabalável
swing de amor nesse planeta
Mesmo que a gente se separe por uns tempos ou quando você quiser lembrar de mim
Toque a balada seja antes ou depois,
eterna Love Song de nós dois
Refrão 1
Refrão 2
Balada do Louco
(Rita Lee/Arnaldo Baptista)
Dizem que sou louca
Por pensar assim
Se eu sou muito louca
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos
Eu sou a Sharon Stone
Se eles são famosos
I'm a Rolling Stone
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito, eu sou
santa
Eu já estou no céu
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Sim, sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a única
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz!
Balada para um Louco
(Astor Piazzolla/Horacio Ferres | Vs. R. Cardozo)
Num dia desses... ou... numa noite dessas
Você sai pela sua rua... ou pela sua cidade...
Ou sei lá... pela sua vida
Quando de repente por detrás de uma árvore apareço eu
Mescla rara de penúltimo mendigo
E primeiro astronauta a por os pés em Vênus
Meia melancia na cabeça
Uma grossa meia-sola em cada pé
As flores da camisa desenhadas na própria pele
E uma bandeirinha de taxi livre em cada mão
Você ri? Você ri porque só agora você me viu
Mas eu flerto com os manequins
O semáforo da esquina me abre três luzes celestes
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim
Juro, vem
Vem, vamos passear
Eu assim meio dançando, quase voando
Te ofereço uma bandeirinha e te digo:
Já sei que já não sou
Passei, passou
A lua nos espera nessa rua é só cantar
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
Bailando ao meu redor te chama: vem voar!
Já sei que já não sou
Passei, passou
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou
E vendo-te tão triste pergunto o que te falta
Talvez chegar ao sol - Pois eu te levarei
Louco, louco, louco
Foi o que me disseram quando disse que te amei
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
E com versos tão antigos eu quebrei teu coração
Louco, louco, louco, louco, louco
Como um acrobata demente saltarei
Dentro do abismo do teu beijo até sentir
Que enlouqueci teu coração e de tão livre chorarei
Vem voar comigo, querida minha
Entra na minha ilusão super-esporte
Vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor
Do Vietnã nos aplaudem
Viva, viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, um soldado e uma criança
Repetem a ciranda que eu já esqueci
Vem, eu te ofereço uma multidão
Rostos brilhando, sorrisos brincando
O que sou eu, sei lá
Um tonto, um santo ou um canto à meia voz
Já sei que já não sou
Nem sei quem sou
Abraça essa ternura de louco que há em mim
Derrete com teu beijo a pena de viver
Angústias nunca mais; voar, enfim voar
Ama-me como eu sou
Passei, passou
Sepulta os teus amores
Vamos fugir, buscar
Numa corrida louca
Um instante que passou
Em busca do que foi
Voar, enfim voar
Viva!
Viva os loucos!
Viva, viva, viva, viva...
Balança Pema
Balança a pema
Balança sem parar
Arrasta as sandálias
Arrasta até gastar
Pois quando você sambalança
Sambalança o meu coração também
Ele sambalança certinho
Juntinho com o seu vai e vem
Balança a pema
Balança sem parar
Arrasta as sandálias
Arrasta até gastar
Se você jurar
Me ensinar a sambalançar assim
Eu lhe darei uma sandália de prata
Pra você sambalançar só pra mim.
Balancê
(João de Barro/Alberto Ribeiro)
Balancê, balancê...
Quero dançar com você
Entra na roda morena
pr'a ver
O balancê, balancê.
Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
No balancê, balancê.
Você foi minha cartilha,
Você foi meu A B C,
E por isso
Eu sou a maior maravilha
Do balancê, balancê.
Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
E o tempo passa
E eu vou me acabando
No balancê, balancê.
Balanço do Camaleão
Olhe o balanço
Olhe o balanço do Camaleão
Olhe o balanço dela
Segura na cintura dessa menina
E vá de trenzinho
Segura na cintura dessa menina
E balança um pouquinho
Oi, oi, oi...
Eu sou Camaleão, você camaleôa
Nessa multidão, brincamos numa boa
Jogando o corpo pra lá e pra cá
No mesmo embalo eu quero namorar
Oi, oi, oi...
Eu quero um remelexo
Eu vou mandar um beijo prá ela
Eu tô na galera
Eu tô na galera
Olha o pai, olha o tio, olha o primo,
Sogro dela, olha o cunhado, cunhado
Ninguém tem, olha o vizinho, olhe João,
Olhe o balanço dela
Balão Dourado
(Wadinho/ João Fernandes)
Sonhei que eu era um balão dourado
E debruçado no manto
Estrelado do céu
Eu via
Povo
Cantando embalado
Como na ginga
De um carrossel
No sonho eu via a sanfona
E a zabumba
Batendo tão forte
Parecendo um coração
No ting-ling do triângulo
A poeira que sai do chão
Mais um licor
Pra embebedar o coração
Pois nesse passo
Ao som do arrasta-pé
Até o amanhecer seja lá o que Deus quiser
Voei... Voei...
Para o meu amor encontrar
E quando beijei o teu rosto
A lua veio nos admirar
É que era São João
E mais ardente o amor se dá
Junto à chama da fogueira
Novos sonhos vão rolar
A Banca do Distinto
Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do côco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal
A Banda
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Pra ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Bandeira Branca
(Max Nunes/Laércio Alves)
Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade
Que me invade
Eu peço paz.
Saudade, mal de amor, de amor,
Saudade, dor que dói demais
Vem, meu amor
Bandeira branca
Eu peço paz.
Bandeira do Divino
Os devotos do divino
vão abrir sua morada
prá bandeira do menino
Ser bem vinda, ser louvado, ah, ai
Deus vos salve esse devoto
Pela esmola em vosso nome
dando água a quem tem sede
Dando pão a quem tem fome, ah, ai
A bandeira acredita
Que a semente seja tanta
que essa mesa seja farta
Ou essa casa seja santa, ah, ai
que o perdão seja sagrado
Que a fé seja infinita
que o homem seja livre
Que a justiça sobreviva, ah, ai
Assim como os três reis magos
Que seguiram a estrela guia
a bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ah, ai
no estandarte vai escrito
Que ele voltará de novo
e o rei será bendito
Ele nascerá do povo, ah, ai
Bandeiras
Eu não quero ver você cus pindo ódio
E não quero ver você fum ando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber do seu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for...
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau
Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
Este hoje escuro
O melhor desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo me escorrendo das mãos...
Quero a Guanabara, quero o rio Nilo
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo, água e sal
Nada tenho, vez em q uando tudo
Tudo quero, mais ou m enos quanto
Vida, vida, noves fora zero
Quero viver quero ouvir quero ver
Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero, mais ou menos quanto
Vida, vida, noves fora zero
Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver
Banditismo por Uma Questão de Classe
Há um tempo atrás se falava de bandidos
Há um tempo atrás se falava em solução
Há um tempo atrás se falava em progresso
Há um tempo atrás que eu via televisão
Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da Perna Cabeluda
Biu do Olho Verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate
Oi sobe o morro, ladeira, côrrego, favela
A polícia atrás deles e eles no rabo dela
Acontece hoje, acontecia no sertão
Quando um bando de macaco perseguia Lampião
E o que ele falava outros ainda falam
"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala"
Em cada morro uma história diferente
Que a polícia mata gente inocente
E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fodido
Banditismo por pura maldade, banditismo por necessidade
Banditismo por uma questão de classe!
Bandolins
Como fosse um par
Que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não, e porque não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse o tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins
Como se fosse um lar
Seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins
Banho de Cheiro
Eu quero um banho de cheiro
Eu quero um banho de lua
Eu quero navegar
Eu quero uma menina
Que me ensine noite e dia
O valor do beabá
O beabá dos teus olhos
Morena bonita
Da boca do rio
O beabá das narinas do rei
O beabá da Bahia
Sangrando alegria
Magia, magia dos filhos de Gandhi
O beabá dos baianos
Que charme bonito
Foi o santo que deu
O beabá do Senhor do Bonfim
O beabá do sertão
Sem chover, sem colher, sem comer, sem lazer
O beabá do Brasil
Banho de Lua
Fui a praia me bronzear, me queimei, escureci
Hoje eu só quero a luz do luar
| Tomo um banho de lua
| Fico branca como a neve
| Se o luar é meu amigo
| Censurar ninguém se atreve
| É tão bom sonhar contigo,
| Oh, luar tão cândido
Sob um banho de lua
Numa noite de esplendor
Sinto a força da magia
Da magia do amor
É tão bom sonhar contigo,
Oh, luar tão cândido
Tim, tim, tim, raio de lua
Tim, tim, tim, baixando vem ao mundo
Oh, lua!
A cândida lua vem
(|)
Bárbara
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor, vem me buscar
O meu destino é caminhar assim
Desesperada e nua
Sabendo que no fim da noite serei tua
Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva
Acumulando de prazeres teu leito de viúva
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, feito uma hemorragia
Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor vem me buscar
Bárbara
O Barquinho
(Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli)
Dia de luz
festa de sol
e o barquinho a deslizar
no macio azul do mar
tudo é verão
o amor se faz
num barquinho pelo mar
que desliza sem parar
sem intenção nossa canção
vai saindo desse mar
e o sol beija o barco e luz
dias tão azuis
Volta do mar
desmaia o sol
e o barquinho a deslizar
a vontade de cantar
Céu tão azul
ilhas do sul
e o barquinho é um coração
deslizando na canção
Tudo isso é paz
tudo isso traz
uma calma de verão e então
o barquinho vai
a tardinha cai
o barquinho vai
Bastidores
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei
Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim
Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar
Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim
Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
Bate Coração
Bate, bate, bate coração,
dentro desse velho peito
você já está acustumado a ser maltratado
a não ter direito
Bate, bate, bate coração,
não ligue deixe quem quiser falar
porque o que se leva dessa vida coração
é o amor que a gente tem p´rá dar
Oi tum, tum, bate coração
Oi tum coração pode bater
Oi tum, tum, tum ,tum bate coração
que eu morro de amor com muito prazer
As águas desaguam para o mar,
meus olhos vivem cheios d´água
chorando,molhando o meu rosto de tanto desgosto
me causando mágoa
Mas meu coração só tem amor
e amor tivera mesmo p´ra valer
por isso a gente pena,
sofre e chora coração
e morre todo dia sem saber.
Bateu Saudade
Bateu saudade, bateu
Vem me ver
Oh! Minha louca paixão
Vem pegar na minha mão ô, ô
Coisinha do coração
Pode cantar, eu quero ver
Você dançar, fazer auê
Quem fala é o desejo
Eu quero ouvir a voz que canta
Essa canção
Me dê o seu abraço, me dê sua paixão
Eu quero simplesmente ser o seu amor
Venha
Que eu te dou amor
Que eu te dou amor
Que eu te dou carinho
Que eu te dou carinho
Seja onde for
Baticum
(Gilberto Gil/Chico Buarque)
Bia falou:
"Ah, claro que eu vou"
Clara ficou
Até o sol raiar
Dadá também
Saracoteou
Didi tomou
O que era pra tomar
Ainda bem
Que Isa me arrumou
Um barco bom
Pra gente chegar lá
Lelê também
Foi e apreciou
O baticum
Lá na beira do mar
Aquela noite
Tinha do bom e do melhor
Tô lhe contando que é pra lhe dar água na boca
Veio Mané
Da Consolação
Veio o Barão
De lá do Ceará
Um professor
Falando alemão
Um avião
Veio do Canadá
Monsieur Dupont
Trouxe o dossier
E a Benetton
Topou patrocinar
A Sanyo
Garantiu o som
Do baticum
Lá na beira do mar
Aquela noite
Quem tava lá na praia viu
E quem não viu jamais verá
Mas se você quiser saber
A Warner gravou
E a Globo vai passar
Bia falou:
"Ah, claro que eu vou"
Clara ficou
Até o sol raiar
Dadá também
Saracoteou
Didi tomou
O que era pra tomar
Isso é que é
Pepe se chegou
Pelé pintou
Só que não quis ficar
O campeão
Da Fórmula 1
No baticum
Lá na beira do mar
Aquela noite
Tinha do bom e do melhor
Eu só tô lhe contando que é pra lhe dar água na boca
Zeca pensou:
"Antes que era bom"
Mano cortou:
"Brother, o que é que há?"
Foi a G.E.
Quem iluminou
E a MacIntosh
Entrou com o vatapá
O JB
Fez a crítica
E o cardeal
Deu ordem pra fechar
O Carrefour
Digo, o baticum
Da Benetton
Não, da beira do mar
Batuque No Cais
| Batuque no cais
| No cais chegou
| Urbano virou
(2x)
Tambores urbanos
Repicam evocam seu rei
Na grande cidade
Batuque é o grito de paz
Nos becos, favelas, ladeiras
Na beira de qualquer abismo
Misturando a dor
Quasares e o tan do tambor
| Tan, tan, plan, tan, tan tocou
| E o vento levou
| Ai, ai, iê
| Ai, ai, iê
(2x)
Tambores que deixam a marca na mão
A crença da vida na cura da dor
Sorriso de paz como a expressão
No rosto cansado do sofredor
Tambores, batidas do coração
Passado, presente buscando amor
Beatriz
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
O Bêbado e a Equilibrista
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil
Mas sei, que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar
O Beco
(Herbert Vianna/Bi Ribeiro)
No beco escuro explode a violência
Eu tava preparado
Descobri mil maneiras de dizer o seu nome
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada
No beco escuro explode a violência
Eu tava acordado
Ruínas de igrejas, seitas sem nome
Paixão, insônia, doença
Liberdade vigiada
No beco escuro explode a violência
No meio da madrugada
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada
Mas nada perturba o meu sono pesado
Nada levanta aquele corpo jogado
Nada atrapalha aquele bar ali na esquina
Aquela fila de cinema
Nada mais me deixa chocado
Nada!!!
Beguine Dodói
(João Bosco/Aldir Blanc/Cláudio Tomei)
Olha, meu bem, o que restou daquele grande amor
Sem teu amor, enlouqueci, e ando dodói
Como Tarzan depois da gripe
De emplastro Sabiá
Tomando cana nos botequins eu vou me acabar
Espremo cravos defronte ao espelho lembrando você
Faço novena, tomo gemada, ah não há mais...
Júlio Lousada que me socorra nessa aflição mortal
Maracujina já não resolve ao recordar
Meias fumê, ligas vermelhas
E um olhar fatal...
Minha Dalila, volta depressa
Que o teu Sansão
Tá mal...
Beija Eu
Seja eu,
Seja eu,
Deixa que eu seja eu.
E aceita
O que seja seu.
Então deita e aceita eu.
Molha eu,
Seca eu
Deixa que eu seja o céu.
E receba
O que seja seu.
Anoiteça e amanheça eu.
Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
O que seja ser.
Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo,
Eu no meu corpo.
Deixa,
Eu me deixo.
Anoiteça e amanheça
Beija-Flor
Eu fui embora meu amor chorou
Vou voltar
Eu vou nas asas de um passarinho
Eu vou nos beijos de um beija-flor
No tic-tic-tac do meu coração
Renascerá
Timbalada é semente de um novo dia
Nordeste sofrimento povo lutador
Entre mares e montanhas com você eu vou
Yo quero te namorar amor
Yo quero te namorar amor
Teu lábio é tão doce feito mel
Todo azul sua beleza feita cor do céu
Quero me aquecer sentir o seu calor
Rolar pra lá na cama,
Te chamar de amor
Fazer mil poesias pra te conquistar
Deixá-la simplesmente coberta de flor
Amor é só me chamar, que eu vou
Estou sentindo a falta de você
Sonhando com seu beijo
Espero amanhecer
Tu levas as palavras soltas pelo ar
Yo quero te namorar, amor
Que te bande, que te bande,
Que te bande
Que te bande pretar
Yo quero te namorar amor
O Beijo
(George Israel/Paula Toller)
A língua, a saliva, os dentes
Meus olhos estão fechados
A língua, a saliva, os dentes
Meus lábios estão abertos
Agora meus olhos abriram
Meus olhos molharam
Agora seus olhos abriram
Seus olhos me olharam
O olho olha e beija
A mão segura e beija
O nariz respira e beija
A boca come e beija
O sexo goza e beija
O ouvido ouve e beija
O Beijo e a Reza
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Iça iça vela do barco
Mar do atlântico sul
Marinheiro João do Arco
Anjo do céu azul
Iça iça âncora vela
Três milhas do atol
Sol na nuca e o corpo dela
Ofusca a luz do sol
Quem avista a ilha do amor
No mar só se dá bem
Um peixe que eu pesquei me fisgou
Fui seu peixe também
Roupa lavada no varal
Cega minha visão
Moça do batalhão naval
Pega na minha mão
Tempestade vai e vem vai
Firme no leme marinheiro
Ela me quer, eu já não choro mais
Vou correr pelo mundo inteiro
Me dá um beijo
Porque um beijo é uma reza
Pro marujo que se preza
Oa oa balanço do mar
Oa oa amor vida boa
Oa oa vento dá na vela
Oa oa me leva pra ela.
Beijo na Boca
(João Guimarães/George Dias)
Foi sem querer
Que eu beijei a sua boca
Menina tão louca
Eu quero te beijar
Beijo na boca
Seu corpo no meu, suado
Tem sabor de pecado
Com jeito de bem-me-quer
Todo dia é de festa na Bahia
E o trio irradia alegria
O Farol ilumina Salvador
Todo dia é festa em Salvador
Suor, suingue maneiro
Pecado e amor
Beijo Partido
Sabe, eu não faço fé nessa minha loucura
E digo eu não gosto de quem me arruína em pedaços
E Deus é quem sabe de ti
E eu não mereço um beijo partido
Hoje não passa de um dia perdido no tempo
E fico longe de tudo o que sei
Não se fala mais nisso
Eu sei, eu serei pra você o que não me importa saber
Hoje não passo de um vaso quebrado no peito
E grito olha o beijo partido
Onde estará a rainha
Que a lucidez escondeu, escondeu ...
Beira Mar
(Caetano Veloso/Gilberto Gil)
Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão
Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrarei
Ou então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia
E o mar na palma da mão
No cais, na beira do cais
Senti meu primeiro amor
E num cais que era só cais
Somente mar ao redor
Somente mar ao redor
Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo o mundo exista
Ou melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
E a Ilha de Itaparica
A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa clara, litoral
Costa clara, litoral
É por isso que é o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que a gente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração
Beira Mar
Eu entendo a noite como um oceano que banha
de sombras um mundo de sol
A aurora que luta por um arrebol
de cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira num calo engano
durante o instante em que vou contemplar
Além muito além de onde quero chegar
Caindo a noite me lanço no mundo
Além do limite do vale profundo
que sempre começa na beira do mar...
... na beira do mar
Vai por dentro das águas há quadros e sonhos
e coisas que sonham o mundo dos vivos
Há peixes milagrosos e insetos nocivos
paisagens abertas desertos medonhos
léguas cansativas, caminhos tristonhos
que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
daqueles que caçam em mar revoltoso
E outros que devoram com gênio assombroso
as vidas que caem na beira do mar ...
... lá na beira do mar
E até que a morte eu sinta chegando
prossigo cantando beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
invoco as águas a vir que inundando
Pessoas e coisas que vão arrastando
do meu pensamento já podem lavar
Lá no peixe de asas eu quero voar
sair do oceano que despoluirá
Cantar um galope fechando a ferida
que só cicatriza na beira do mar
Lá na beira do mar
Lá na beira do mar
A Bela e a Fera
Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta
Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto
Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto
Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela
Beleza Pura
Não me amarra dinheiro não
Beleza pura
Dinheiro não
A pele escura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não
Moça preta do curuzú
Beleza pura
Federação
Beleza pura
Boca do rio
Beleza pura
Dinheiro não
Quando essa preta começa a tratar do cabelo
É e se olhar
Toda a trama da trança a transa do cabelo
Concha do mar
Ela manda buscar pra botar no cabelo
Toda minúcia
Toda a delícia
Não me amarra dinheiro não
Mais elegância
Não ma amarra dinheiro não
Mais a cultura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não
Moço lindo do badauê
Beleza pura
Do ilê aiyê
Beleza pura
Dinheiro yeah
Beleza pura
Dinheiro não
Dentro daquele turbante do filho de ghandi
É o que hé
Tudo é chique demais
Tudo é muito é muito elegante
Manda botar
Fina palha
Da costa e tudo o que se trance
Todos os búzios
Tidos os ócios
Não me amarra dinheiro não mais os mistérios
Beleza Rara
Eu não posso deixar que o tempo te leve jamais para longe de mim
Pois o nosso romance, minha vida, é tão lindo
És quem manda e desmanda nesse coração
Que só bate em razão de te amar
Daria o mundo a você, se preciso
Você tem o aroma das rosas
Me envolve em teu cheiro
E assim faz ninar
A imensa vontade de estar ao seu lado
Nem o mar tem o brilho encantante
Como dos teus olhos, minha pedra rara
Eu não vou negar, sem você
O meu mundo pára
Mil voltas, ô, voltas que dê
Querendo de uma vez encontrar
Um alguém que levasse a sério amar
Mil voltas, ô, voltas que dê
Querendo de uma vez encontrar
Um alguém igual a você, beleza rara
Hoje sou feliz e canto
Só por causa de você
Hoje sou feliz e canto
Só porque amo, amor, você
Belle Du Jour
Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem
E a moça no meio da tarde de um domingo azul
Azul era a "Belle", "Du Jour" era a bela da tarde
Seus olhos azuis com a tarde, na tarde de um domingo azul
La Belle du Jour
Belle du Jour, ô, ô, Belle du Jour
La Belle du Jour era a moça mais linda de toda a cidade
E foi justamente pra ela que eu escrevi o meu primeiro blue
Mas Belle du Jour no azul viajava
Seus olhos azuis com a tarde, na tarde de um domingo azul
La Belle du Jour
Bem Leve
(Marisa Monte/Arnaldo Antunes)
Bem leve leve
releve
quem pouse a pele
em cima de
madeira
beira beira
quem dera mera mera
cadeira
mas breve breve
revele
vele vele
quem pese
dos pés a caveira
Dali da beira uma palavra cai no chão
caixão
dessa maneira
Uma palavra de madeira em cada mão
ImbuÍa
Cerejeira
Jacarandá, Peroba, Pinho, Jatobá
Cabreúva
Garapera
Uma palavra de madeira cai no chão
caixão
dessa maneira.
Bem Querer
Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais
E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais
E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais
E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais
E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais
E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás
Bem que se Quis
(Pino Danielle/Nelson Motta)
Bem que se quis
depois de tudo ainda ser feliz
mas já não há caminho pra voltar.
O que é que a vida fez da nossa vida?
O que é que a gente não faz por amor?
Mas tanto faz,
já me esqueci de te esquecer porque
o teu desejo é o meu melhor prazer
e o meu destino é querer sempre mais
a minha estrada corre pro teu mar.
Agora vem pra perto vem
vem depressa vem sem fim dentro de mim
que eu quero sentir
o teu corpo pesando sobre o meu
vem meu amor vem pra mim,
me abraça devagar,
me beija e me faz esquecer.
Bem Simples
Tdo bem simples
tudo natural
Um amor moreno
Fruto tropical
Todas as cores
que eu puder te dar
Toda a fantasia
Que eu puder sonhar
Eu pensei
Te dizer essas coisas
Mas pra que
Se eu tenho a música?
Como é bem simples
Sem nos complicar
E bastante tempo
Pra te amar
Eu pensei
Te dizer tanta coisa
Mas pra que
Se eu tenho a música?
Como é bem simples
Sem nos complicar
E bastante tempo
Pra te amar
Bem Te Vi
Ai de ti, ó meu amor
siga as notas da canção
Bem-te-vi, ó meu bem-te-vi
brilho frágil de emoção
Na alegria das manhãs
no começo de estação
bem-te-vi, ó meu bem-te-vi
brilho frágil de ilusão
Bem-te-vi, bem-te-vi bem-te-vi
como verão, não..(bis)
Voa livre por entre os jasmins
e pousa no meu coração
Berimbau
(Baden Powel/Vinícius de Moraes)
Quem é homem de bem
Não trai o amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
Assim como não vai
Não vê quem dentro de si, não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem, não tem
Capoeira que é bom, não cai
E se um dia ele cai, cai bem
Capoeira me mandou dizer
Que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará.
Beth Balanço
| Pode seguir a tua estrela
| O teu brinquedo de 'star'
| Fantasiando em segredo
| O ponto aonde quer chegar
| O teu futuro é duvidoso
| Eu vejo grana, eu vejo dor
| No paraíso perigoso
| Que a palma da tua mão mostrou(2x)
Quem vem com tudo não cansa
Bete balança meu amor
Me avise quando for a hora
Não ligue pra essas caras tristes
Fingindo que a gente não existe
Sentadas são tão engraçadas
Donas das suas salas
|
Quem vem com tudo não cansa
Bete balanço, meu amor
Me avise quando for a hora
Quem tem um sonho não dança
Bete Balanço, por favor
Me avise quando for embora
Bicharia
(Enriquez/Bardotti/Chico Buarque)
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.
Miau, miau, miau. Cocorocó.
O animal é tão bacana
Mas também não é nenhum banana.
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.
Miau, miau, miau. Cocorocó.
Quando a porca torce o rabo
Pode ser o diabo
E ora vejam só.
Au, au, au. Cocorocó.
Era uma vez
(E é ainda)
Certo país
(E é ainda)
Onde os animais
Eram tratados como bestas
(São ainda, são ainda)
Tinha um barão
(Tem ainda)
Espertalhão
(Tem ainda)
Nunca trabalhava
E então achava a vida linda
(E acha ainda, e acha ainda)
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.
Miau, miau, miau. Cocorocó.
O animal é paciente
Mas também não é nenhum demente.
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.
Miau, miau, miau. Cocorocó.
Quando o homem exagera
Bicho vira fera
E ora vejam só.
Au, au, au. Cocorocó.
Puxa, jumento
(Só puxava)
Choca galinha
(Só chocava)
Rápido, cachorro
Guarda a casa, corre e volta
(Só corria, só voltava).
Mas chega um dia
(Chega um dia)
Que o bicho chia
(Bicho chia)
Bota pra quebrar
E eu quero ver quem paga o pato
Pois vai ser um saco de gatos
Au, au, au. Hi-ho hi-ho.
Miau, miau, miau. Cocorocó.
Biquini de Bolinha Amarelinha Tão Pequenininho
Ana Maria entrou na cabine
E foi vestir um biquini legal
Mas era tão pequenino o biquini
Que Ana Maria até sentiu-se mal
(Ai, ai, ai, mas ficou sensacional)
Era um biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho
Mal cabia na Ana Maria
Biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho
Que na palma da mão se escondia
Ana Maria toda envergonhada
Não quis sair da cabina sim
Ficou com medo que a rapaziada
Olhasse tudo tim-tim por tim-tim
(Ai, ai, ai, a garota tá prá mim)
Era um biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho
Mal cabia na Ana Maria
Biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho
Que na palma da mão se escondia
(pau, pau, pau, pau, parau, parau, pau, pau
Ana Maria olhou-se no espelho
E viu-se quase despida afinal
Ficou com o rosto todinho vermelho
E escondeu o maiô num dedal
Acabou toda folia da mocinha na cabine
Mas quem é que não queria ver a moça no biquini
Boas Festas
Anoiteceu!
O sino gemeu
E a gente ficou
Feliz a rezar
Papai Noel!
Vê se você tem
A felicidade
pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não vem
Boas Vindas
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe
Bobagem
(Léo Jaime/Paulinho Lima)
A história eu deixo pra você contar (e esqueço)
O que eu passei também passou por mim
Alguma lágrima o vento vai secar (lamento)
O tempo conta o quanto a gente foi feliz
Mas também vejo
Fez mudar você enfim
Em mim, nos horizontes
No seu novo jeito de se dar
A saudade chega e vem pra dividir (bobagem)
Guardar consigo coisas que vão machucar
Mas dentro das memórias que eu vou te deixar (lá dentro)
Que fique essa canção que eu canto por você
| As marcas do que houve
| Ficarão pra sempre em mim
| Enfim nos horizontes
| No meu novo jeito de te amar
A história eu deixo pra você contar
A história eu deixo pra você contar
A história eu deixo pra você contar (bobagem)
A história eu deixo pra você contar
Meu amor
Hoje o céu está tão lindo (cai chuva)
Hoje o céu está tão lindo
Hoje o céu está tão lindo (cai chuva)
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você (cai chuva)
Eu gostava tanto de você(cai chuva)
Gostava tanto de você...
O Bode
(Alain Tavares/Carlinhos Brown)
Te teretê dudu
Nina ninanina
Chico bateu no bode
O bode bateu em Chico
Chico apanhou do bode
O bode apanhou de Chico
Quem apartou a briga
Foi o bode pai do Chico
Com seu nome estrambólico
Se chama bode brinco
Levanta sacode
Que lá vem o bode
Corre Chico
Levanta sacode
Que lá vem o bode
Corre Chico
Fala mudo utopia e tudo
Vai buscar no fundo
Sua vez suave vivi
Fala mundo
Como bem quer
Escudo
Na fonte do absurdo
Sua vez suave vivi
Boiadeiro
(Armando Cavalcanti/Klécius Caldas)
Vai, boiadeiro, que a noite já vem,
Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem,
De manhãzinha, quando eu sigo pela estrada,
Minha boiada, pra invernada eu vou leva,
São dez cabeça, é muito pouco, é quase nada,
Mas não tem otras mais bonitas no luga,
Vai boiadeiro, que o dia já vem
Leva o teu gado, e vai pensando no teu bem,
E a tardinha, quando eu venho pela estrada,
A filharada, tá todinha a me espera,
São dez filhinho, é muito pouco, é quase nada,
Mas não tem outros mais bonitos no lugar,
Vai boiadeiro que a tarde já vem,
Leva o teu gado e vai pensando no teu bem,
E quando eu chego, na cancela da morada,
Minha Rosinha, vem correndo me abraça,
É pequeninha, é miudinha, é quase nada,
Mas não tem outra mais bonita no luga,
Vai boiadeiro, que a noite já vem,
Guarda o teu gado, e vai pra junto do teu bem!
Bola de Meia, Bola de Gude
(Fernando Brant/Milton Nascimento)
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão...
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E ele fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir:
Amizade, palavra,
respeito, caráter,
Bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver
Com o que toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem,
Isso é coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solitário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão...
A Bola do Jogo
Olha, olha, olha
olha, olha, olha
olha, olha, olha
O meu olhar mais fundo
Entra, entra, entra
entra, entra, entra
Senta, senta, senta
Bem vinda ao novo mundo
Minhas pernas são bastante fortes
como as de todo trabalhador
Meus braços são de aço
como os de todo operário
Mas como já dizia o velho casca
"A merda dos trabalhadores
é a sua alma inútil"
E eu tenho uma alma que deseja e sonha
Mas como já dizia o velho casca
"A alma de um trabalhador
É como um carro velho,
só dá trabalho"
Tira, tira, tira
tira, tira, tira
Deixa, deixa, deixa
Não apaga o meu fogo
Suba, suba, suba
suba, suba, suba
Gira, gira, gira
É a bola do jogo
Bombom
(L.Moreno-J.Moreno/versão: Edgard B. Poças)
Sonhei que era um cantor
De fama internacional
Sucesso arrebatador
En la América Central
| Guitarra
| Sombrero
| Sol e som
| Vamos a la playa
| Bombom, bombom
|
| Chiribiribi
| Bombom, bombom
| Chiribiribi
| Bombom, bombom (2x)
Gatinhas me perseguindo
Curtindo com o meu som
Gritando: é lindo, lindo
Me chamando de bombom
(refrão)
Acordo de manhãzinha
Meu quarto cheio de som
Girando na vitrolinha
O meu sonho de bombom
(refrão)
Bom Conselho
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Bom Demais
| Toda vez que eu vejo você
| Meu bem querer
| Meus olhos pedem mais (bis)
Eu quero me envolver nessa alegria
Morrer na tua folia
Que é bom demais
Pois com você
Eu fico doido danado
Fico novo zerado
Nesse amor profundo
Penso até que o mundo
É só esse terreiro
Só existe nós dois
E esse sanfoneiro
Bom Dia
(Nana Caymmi/Gilberto Gil)
Madrugou, madrugou
A mancha branca do sol
Acordou o dia
E o dia já despertou
Acorda, meu amor
A usina já tocou
Acorda, é hora
De trabalhar meu amor
Acorda, é hora
O dia veio roubar
Teu sono, cansado
É hora de trabalhar
O dia te exije
O suor e braço
Pra usina, do dono
Do teu cansaço
Acorda, meu amor
É hora de trabalhar
O dia já raiou
É hora de trabalhar
Madrugou, madrugou
A mancha branca do sol
Acordou o dia
E o dia já levantou
Ele sai, ele vai
A usina já tocou
Bom dia, bom dia
Até logo, meu amor
Boneca de Piche
(Ary Barroso/Luiz Iglésias)
Venho danado com meus calo quente
Quse enforcado no meu colarinho
Venho empurrando quase toda a gente, Eh! Eh!
Pra ver meu benzinho. Eh! Eh! Pra ver meu benzinho
Nego tu veio quase num arranco
Cheio de dedo dentro dessas luva
Bem que o ditado diz: nego de branco (Eh! Eh!)
É sinar de chuva. Eh! Eh! É sinar de chuva
Da cor do azeviche, da jaboticaba
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto, ninguém me contesta,
Mas há muito branco com pinta na testa
Tem português assim nas minhas água
Que culpa eu tenho de ser boa mulata
Nego se tu borrece minhas mágoa (Eh! Eh!)
Eu te dou a lata. Eh! Eh! Eu te dou lata
Não me farseia ó muié canaia,
Se tu me engana vai haver banzé
Eu te sapeco dois rabo-de-arraia, muié (Eh!, Eh!)
E te piso o pé. Eh! Eh! E te piso o pé
Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, sou eu que te acaba
Tu é preto e teu gosto ninguém te contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Sou preto e meu gosto ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Borboleta
Borboleta pequenina
Saia fora do rosal
venha ver quanta alegria
Que hoje é noite de natal
Eu sou uma borboleta
Pequenina e feiticeira
Ando no meio das flores
Procurando quem me queira
Borboleta pequenina
Venha para o meu cordão
Venha ver cantar o hino
Que hoje é noite de natal
Brasa
(Gabriel O Pensador/Lenine)
Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:
"o lar do passarinho é o ar, e não o ninho".
E eu voei... Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe.
Não importa quanto tempo, não importa onde.
Num lugar mais frio, ou mais quente de repente, onde a gente é esquisita, um lugar diferente.
Outra língua, outra cultura, outra moeda.
É, vida dura mas eu sou duro na queda.
Se me derrubar... eu me levanto, e fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo, trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração.
Clandestino, imigrante, maltrapilho.
Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio, procurando a sua chance de fazer algum dinheiro, no primeiro mundo com saudade do terceiro.
Família, amigos, meus velhos, meu mano - o meu pequeno mundo em segundo plano.
Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades.
Passei um tempo mal, morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da beleza poluída, da favela iluminada, do tempero da comida, do som da batucada.
Da cultura, da mistura, da estrutura precária.
Da farofa, do pãozinho e da loucura diária.
Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali dormindo, o coroa aposentado.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito, de torcer na arquibancada pro meu time do peito.
A pelada sagrada com a rapaziada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa malícia, da batida de limão, da gelada que delícia!
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral.
Do calor humano, do fundo de quintal.
Do clima, da rima, da festa feita à toa - típica mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro e da cor.
E do nosso jeito de fazer amor.
Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar:
o lar do passarinho é o ninho, e não o ar.
E eu voltei. E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno.
Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno.
Água no feijão, tô na área, bichinho.
Se me derrubar... eu não tô mais sozinho.
Tô de volta sim senhor.
Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.
Mas o amor é cego.
Devo admitir, devo e não nego, que aos poucos fui caindo na real, vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal.
Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país... não dá, não dá pra ser feliz.
E bate uma revolta, e bate uma deprê.
E bate a frustação, e bate o coração pra não morrer.
Mas bate assim cabreiro.
Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero.
Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro.
Os velhos, os filhos, os manos - ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos.
Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas.
Passei um tempo mal, morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da beleza poluída, da favela iluminada, da falta de comida pra quem não tem nada.
Da postura, da usura, da tortura diária.
Da cela especial, da estrutura carcerária.
A chacina de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali pedindo, o coroa acorrentado.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito.
Morrer na arquibancada pro meu time do peito.
O salário suado que não serve pra nada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa milícia, da batida da PM, porrada da polícia.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas de programa dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral, do sorriso mentiroso na campanha eleitoral.
Do clima de festa, da festa feita à toa - ridícula mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro da carniça.
E do nosso, jeito de fazer justiça.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa e a minha casa só precisa de uma boa arrumação.
Muita água e sabão.
Ensaboa, meu irmão.
Não se suja não.
Indignação.
Manifestação.
Mais informação.
Conscientização.
Comunicação.
Com toda razão.
Participação.
No voto e na pressão.
Reivindicação.
Reformulação.
Água e sabão na nossa nação.
Água e sabão, tá na nossa mão.
Tô morrendo de paixão, tô morrendo de paixão...
Brasil
(Cazuza/George Israel/Nilo Romero)
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer sim, sim
Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil,
qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair
Uma Brasileira
(Carlinhos Brown/Herbert Vianna)
Rodas em sol, trovas em dó
Uma brasileira, ô
Uma forma inteira, ô
You, you, you
Nada demais
Nada através
Uma légua e meia, ô
Uma brasa incendeia, ô
You, you, you
Deixa o sal no mar
Deixe tocar aquela canção
One more time
Tatibitate
Trate-me, trate
Como um candeeiro, ô
Somos do interior do milho
E esse ão de são
Hei de cantar naquela canção
One more time
Brasileirinho
Não há quem possa resistir
Quando o chorinho brasileiro faz sentir
Ainda mais de cavaquinho
Ou um pandeiro
E o violão na marcação
Brasileirinho chegou, a coisa apimentou
Com todo mundo a dançar
A noite inteira no terreiro
Até o sol raiar
Quando o baile terminou
A turma não ficou parada
Brasileirinho abafou
Até um velho que andava encostado
Nesse dia se acabou
Pra falar a verdade
Estava conversando
Com alguém de respeito
Ao ouvir aquele choro
Rebolei com jeito
E deixei o camarada
Falando sozinho
Gostei, pulei, dancei, gritei, até me acabei,
E nunca mais esquecerei
O tal chorinho, brasileirinho.
O brasileiro, quando é do choro
É entusiasmado
Quando cai no samba
Não fica abafado
E é um desacato
Quando chega no salão
Não há quem possa resistir
Quando o chorinho brasileiro faz sentir
Ainda mais de cavaquinho
Ou um pandeiro
E um violão na marcação
Brasília
Capital da esperança
Asas e eixos do Brasil
Longe do mar, da poluição
mas um fim que ninguém previu
Carros pretos nos colégios
em tráfego linear
Servidores Públicos ali
polindo chapas oficiais
Brasília tem luz
Brasília tem carros
Brasília tem mortes
Tem até baratas
Brasília tem prédios
Brasília tem máquinas
Árvores nos eixos
a polícia montada
Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
As luzes iluminam
os carros só passam
A morte traz vida
e s baratas se arrastam
Utopia na mente de alguns
Utopia na mente de alguns
O concreto já rachou!
Brasília, Brasília, Brasília
Os prédios se habitam
as maquinas param
as árvores enfeitam
e a polícia controla
Os comércios só vendem
os porteiros só olham
E essas pessoas
elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! Nada!
Utopia na mente de alguns
Utopia na mente de alguns
Brasília, Brasília...
Brasil Pandeiro
Chegou a hora dessa gente bronzeada
Mostrar seu valor
Eu fui a Penha e pedi a padroeira
Para me ajudar
Salve o morro do vintém
Pindura a saia que eu quero ver
O Tio Sam tocar pandeiro
Para o mundo sambar
O Tio Sam está querendo
Conhecer a nossa batucada
Anda dizendo que o molho da baiana
Melhorou seu prato
Vai entrar no cuscuz, acarajé e abará,
Na Casa Branca já dançou a batucada
Com Ioiô e Iaiá...
Brasil, Brasil, esquentai vossos pandeiros
Iluminai os terreiros
Está na hora de sambar
Há quem sambe diferente
Noutras terras, outra gente
Num barulho de matar,...oi,
Batucada reuní vossos valores
Pastorinhas e cantores
Expressões que não tem par
Oh! Meu Brasil,
Brasil, esquentai vossos pandeiros
Iluminai os terreiros
Que nós queremos sambar
Brejo da Cruz
A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz
Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil
Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues
Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres
QUe se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem
São jardineiros
Guardas noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
Brigas
(Evaldo Gouveia/Jair Amorim)
Veja só
Que tolice nós dois
Brigarmos tanto assim
Se depois
Vamos nós a sorrir
Ficar de bem enfim
Para que maltratarmos o amor
O amor não se maltrata não
Para que
Se esta gente o que quer
É ver nossa separação
Brigo eu
Você briga também
Por coisas tão banais
E o amor em momentos assim
Morre um pouquinho mais
E ao morrer
Então é que se vê
Que quem morreu
Fui eu e foi você
Pois sem amor
Estamos sós
Morremos nós
Brigas Nunca Mais
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Chegou, sorriu, venceu depois chorou
Então fui eu quem consolou sua tristeza
Na certeza de que o amor tem dessas fases más
E é bom para fazer as pazes, mas
Depois fui eu quem dela precisou
E ela então me socorreu
E o nosso amor mostrou que veio pra ficar
Mais uma vez por toda a vida
Bom é mesmo amar em paz
Brigas nunca mais
Brilho de Beleza
O negro segura a cabeça com a mão e chora
E chora, sentindo a falta do rei
O negro segura a cabeça com a mão e chora
E chora, sentindo a falta do rei
Quando ele explodiu pelo mundo
Ele lançou seu brilho de beleza
Bob Marley pra sempre estará
No coração de toda a raça negra
Quando Bob Marley morreu
Foi aquele chororô na Vila Rosenval
Muzenza trazendo Jamaica arrebentando nesse Carnaval
Adeus não, me diga até breve
Adeus não, eu sou Muzenza do Reggae
Adeus não, me diga até breve
Adeus não, eu sou Muzenza do Reggae
O negro segura a cabeça com a mão e chora
E chora, sentindo a falta do rei
Quando ele explodiu pelo mundo
Ele lançou seu brilho de beleza
Bob Marley pra sempre estará
No coração de toda a raça negra
Quando Bob Marley morreu
Foi aquele chororô na Vila Rosenval
Muzenza trazendo Jamaica arrebentando nesse Carnaval
Adeus não, me diga até breve
Adeus não, eu sou Muzenza do Reggae
Adeus não, me diga até breve
Adeus não, eu sou Muzenza do Reggae
Brincar de Viver
Quem me chamou
Quem vai querer voltar pro ninho
Redescobrir seu lugar
Pra retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar
Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim
à sua imaginação
à arte de sorrir
Cada vez que o mundo diz não
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
Não esquecer
Ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer
Você verá que é mesmo assim...
E eu desejo amar
A todos que eu cruzar
Pelo meu caminho
Como eu sou feliz, eu quero ver feliz
Quem andar comigo,
Vem...
Brisa do Mar
Brisa do mar confidente do meu coração
Me sinto capaz de uma nova ilusão
Que também passará como ondas na beira de um cais
Juras, promessas, canções mas por onde andarás
Pra ser feliz não há uma lei não há porém sempre é bom
viver a vida atenta ao que diz no
fundo do peito o seu coração
E saber entender os segredos que ele ensinar
Mensagens sutis como a brisa do mar
Busy Man
(Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes)
Pra onde eu vou agora livre, mas sem você?
Pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
Eu gosto de ficar só
Mas gosto mais de você
Eu gosto da luz do sol
Mas chove tanto agora
Sem você
Chove sem você
Sem você
Chove sem você
Ás vezes acredito em mim mas às vezes não
Às vezes tiro o meu destino da minha mão
Talvez eu corte o cabelo
Talvez eu fique feliz
Talvez eu perca a cabeça
Talvez esqueça e cresça
Sem você
Chove sem você
Sem você
Chove sem você
Talvez precise de um colchão talvez baste o chão
Talvez no vigésimo andar, talvez no porão
Talvez eu mate o que fui
Talvez imite o que sou
Talvez eu tema o que vem
Talvez te ame ainda
Sem você
Chove sem você
Sem você
Chove sem você
Maybe your heart
Maybe I hold on
I get to travel
Yellow summer
My super rain
I get to travel my road
Summer about everyday
I like you you like me
I love you you love me
I touch you you touch me
I'm missing you my lover
Busy man
Like a busy man
Busy man
Like a busy man
Bye Bye, Brasil
Oi, coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
Já tem fliperama em Macau
Tomei a costeira em Belém do Pará
Puseram uma usina no mar
Talvez fique ruim pra pescar
Meu amor
No Tocantins
O chefe dos parintintins
Vidrou na minha calça Lee
Eu vi uns patins pra você
Eu vi um Brasil na tevê
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo tão só
Oh, tenha dó de mim
Pintou uma chance legal
Um lane lá na capital
Nem tem que ter ginasial
Meu amor
No Tabariz
O som é que nem os Bee Gees
Dancei com uma dona infeliz
Que tem um tufão nos quadris
Tem um japonês trás de mim
Eu vou dar um pulo em Manaus
Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa canção
Saudades de roça e sertão
Bom mesmo é ter um caminhão
Meu amor
Baby, bye bye
Abraços na mãe e no pai
Eu acho que vou desligar
As fichas já vão terminar
Eu vou me mandar de trenó
Pra Rua do Sol, Maceió
Peguei uma doença em Ilhéus
Mas já tô quase bom
Em março vou pro Ceará
Com a benção do meu orixá
Eu acho bauxita por lá
Meu amor
Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
Explica que tá tudo okay
Eu só ando dentro da lei
Eu quero voltar, podes crer
Eu vi um Brasil na tevê
Peguei uma doença em Belém
Agora já tá tudo bem,
Mas a ligação tá no fim
Tem um japonês trás de mim
Aquela aquarela mudou
Na estrada peguei uma cor
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo um jiló
Eu tenho tesão é no mar
Assim que o inverno passar
Bateu uma saudade de ti
Tô a fim de encarar um siri
Com a benção do Nosso Senhor
O sol nunca mais vai se pôr
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 15 de fevereiro de 2004.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)