

Músicas da MPB - C
Músicas da MPB - C
Cabecinha no Ombro
Encosta a tua cabecinha,
No meu ombro e chora,
E conta, logo tua mágoa,
Toda para mim.
Quem chora no meu ombro,
Eu juro que não vai embora,
Que não vai embora,
Que não vai embora,
(repete)
Amor, eu quero o teu carinho,
Porque, eu vivo tão sozinho,
Não sei, se a saudade fica,
Ou se ela vai embora,
Se ela vai embora,
Se ela vai embora.
Porque gosta de mim.
Cabelo Raspadinho
(Teninson Del Rey/Edu Casanova)
Cabelo raspadinho
Estilo Ronaldinho
Cabelo pintado ou "V - O"
Cabelo embraraçado
Encaracolado
Rastafari, Rock'n Roll
Tranquilidade na cabeça
Quem é da paz tem
Sangue bom
É do cabelo à raiz
É da cabeça feliz
Fazer a paz, fazer
Amor, fazer o som
É do cabelo à raiz
É da cabeça feliz
Fazer a paz, fazer
Amor, fazer o som
É do cabelo à raiz
É da cabeça feliz
Fazer a paz, fazer
Amor, fazer o som
Qual é a sua, meu rei?
Eu só quero passar
Bota a mão na cabeça
E deixa o corpo rodar
Eu quero ouvir o
Índio cantando
Fumando o cachimbo da paz
A sua cabeleira beleza
É chique, chique
Chique demais.
Caçada
Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho se rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
e ao me ver você me provoca
você canta sua agonia louca
água a me borbulhar na boca
Minha presa rugindo a sua caça
pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da caça
hoje é o dia da caça e do caçador
Eu me espicho no espaço feito um gato
pra pegar você, bicho do mato
saciar a sua avidez mestiça
que ao me ver, se encolhe e me atiça
que no mesmo impulso me expulsa e abraça
nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da caça
hoje é o dia da caça e do caçador
De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo bravo montado em pêlo
Dominante não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da caça
hoje é o dia da caça e do caçador
Caçador de Mim
(Sérgio Magrão/Luiz Carlos de Sá)
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito a força numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir a peito à força numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim?
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Caçamba
Traz a caçamba
Traz a caçamba
Que o samba taí
Pintando no pedaço
Quem é black
Não vai resistir
Traz a muamba
Traz a muamba
E joga tudo aí
Descola a tua mola
E descola a banda
Vai zunir
Eu trouxe a corda
Só me falta a caçamba
E sei que você tem
Não negue que você
Gosta de samba
E samba como ninguém
Está tudo aí que papo legal
Estão dizendo lá no gueto
Que você tem um swing legal
Está tudo aí que papo legal
Mas eu prometo que você vai ser
Enredo do meu carnaval
Cada Tempo em seu Lugar
Preciso refrear um pouco o meu desejo de ajudar
Não vou mudar um mundo louco dando socos para o ar
Não posso me esquecer que a pressa
É a inimiga da perfeição
Se eu ando o tempo todo a jato, ao menos
Aprendi a ser o último a sair do avião
Preciso me livrar do ofício de ter que ser sempre bom
Bondade pode ser um vício, levar a lugar nenhum
Não posso me esquecer que o açoite
Também foi usado por Jesus
Se eu ando o tempo todo aflito, ao menos
Aprendi a dar meu grito e a carregar a minha cruz
Ô-ô, ô-ô
Cada coisa em seu lugar
Ô-ô, ô-ô
A bondade, quando for bom ser bom
A justiça, quando for melhor
O perdão:
Se for preciso perdoar
Agora deve estar chegando a hora de ir descansar
Um velho sábio na Bahia recomendou: "Devagar"
Não posso me esquecer que um dia
Houve em que eu nem estava aqui
Se eu ando por aí correndo, ao menos
Eu vou aprendendo o jeito de não ter mais aonde ir
Ô-ô, ô-ô
Cada tempo em seu lugar
Ô-ô, ô-ô
A velocidade, quando for bom
A saudade, quando for melhor
Solidão:
Quando a desilusão chegar
Cadeira Vazia
(Lupicínio Rodrigues/Alcides Gonçalves)
Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já te cansastes de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, fico contente
Só que me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão
O Caderno
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o bê-a-bá
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha, duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas bimestrais
Você vai ver
Serei de você confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer
Só peço a você um favor
Se puder
Não me esqueça num canto qualquer
Cadê Você (Leila XIV)
(João Donato/Chico Buarque)
Me dê notícia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê notícia de você
Me deu vontade de voltar
Café-da-Manhã
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Amanhã de manhã vou pedir um café prá nós dois
Te fazer um carinho e depois, te envolver em meus braços
Em meus abraços, na desordem do quarto esperar
Lentamente você despertar e de amar na manhã
Amanhã de manhã nossa chama outra vez tão acesa
E o café esfriando na mesa
Esquecemos de tudo
Sem me importar com o tempo correndo lá fora
Nosso amor amanhã não tem hora
Vou ficar por aqui
Pensando bem, amanhã eu nem vou trabalhar
E além do mais temos tanta s razões prá ficar
Amanhã de manhã
Eu não quero nenhum compromisso
Tanto tempo esperamos por isso
Desfrutemos de tudo
Quando mais tarde, nos lembrarmos de abrir a cortina
Já é noite e o dia termina, vou pedir o jantar
Cai a Tarde
Tarde cai a tarde
E a sombra vem andando pelo chão
Tarde cai a tarde
E a saudade
Também cai no coração
Pois alguém foi embora e não voltou
E outro alguém tão sòzinho aqui chorou
Tarde cai a tarde
Cai o pranto dos meus olhos
Sem amor
Vento sopra vento
Levantando a poeirada pelo chão
Vento sopra vento
Sopra forte dentro do meu coração
Folha seca você já carregou
Então leva a saudade que ficou
Tarde cai a tarde
Cai a tarde na minha vida
Sem amor
Tarde cai a tarde
Cai a tarde na minha vida
Sem amor
Cais
Para quem quer se soltar
Invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento Lua nova a clarear
invento o amor
E sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir
Eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais e sei a vez de me lançar
Cajuína
Existirmos - a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos, intacta retina:
A cajuína cristalina em Teresina
Caleidoscópio
Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num caleidoscópio sem lógica
Eu quase posso ouvir a tua voz
Eu sinto a tua mão a me guiar
Pela noite a caminho de casa
Quem vai pagar as contas deste amor pagão
Te dar a mão, me trazer à tona prá respirar
Quem vai chamar meu nome
Ou te escutar
Me pedindo prá apagar a luz
Amanheceu, é hora de dormir
Nesse nosso relógio sem órbita
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Prá gente não ter nunca mais que terminar
Cálice
(Gilberto Gil/Chico Buarque)
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Comoé difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
Camila, Camila
Depois da última noite de festa
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer.
As coisas aconteciam
Com alguma explicação, com alguma explicação.
Depois da última noite de chuva,
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer.
As vezes peço a ele que vá embora
Que vá embora.
[refrão]
Camila, Camila
Camila, Camila
E eu que tenho medo até de suas mãos,
Mas o ódio cega e você não percebe.
Mas o ódio cega.
E eu que tenho medo até do seu olhar,
Mas o ódio cega e você não percebe.
Mas o ódio cega.
A lembrança do silêncio daquelas tardes.
Da vergonha do espelho, naquelas marcas.
Havia algo de insano naqueles olhos.
Olhos insanos.
Os olhos que passavam o dia a me vigiar.
A me vigiar.
E eu que tinha apenas 17 anos.
Baixava minha cabeça pra tudo.
Era assim que eu via tudo.
Era assim que eu via tudo acontecer.
E eu que tinha apenas 17 anos.
Baixava minha cabeça pra tudo.
Era assim que eu via tudo.
Era assim que eu via tudo acontecer.
[refrão]
Caminhemos
Não, eu não posso lembrar que te amei
Não, eu preciso esquecer que sofri
Faça de conta que o tempo passou
E que tudo entre nós terminou
E que a vida não continuou, pra nós dois
Caminhemos, talvez nos vejam os depois
Vida, comprida estrada alongada
Passo a procura de alguém
A procura de nada
Vou indo, caminhando sem saber onde chegar
Quem sabe na volta te encontre no mesmo lugar
Caminhoneiro
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Porque eu penso nela no caminho,
Imagino o seu carinho
E todo bem que ela me faz
E doido pelo gosto do seu beijo
Olho cheio de desejo seu retrato no painel
E é no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel
Eu sei Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque um coração
E o nome dela...
Caminhos Cruzados
(Tom Jobim/Newton Mendonca)
Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode de repente chegar
Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar
Mesmo que depois seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar
Só um novo amor pode a saudade apagar
Camisa Amarela
Encontrei o meu pedaço na Avenida
De camisa amarela,
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela,
Convidei-o a voltar pra casa,
Em minha companhia.
Exibiu-me um sorriso de ironia
E desapareceu no turbilhão da galeria.
Não estava nada bom
O meu pedaço na verdade,
Estava bem mamado, bem chumbado,
Atravessado, foi por aí cambaleando,
Se acabando num cordão, de reco-reco na mão.
Mais tarde o encontrei num café zurrapa
No Largo da Lapa.
Folião de raça,
Bebendo o quinto copo de cachaça.
Voltou às sete horas da manhã,
Mas, só na quarta-feira,
Cantando a Jardineira, oi a Jardineira
Me pediu, ainda zonzo,
Um copo d'agua com Bicarbonato;
O meu pedaço estava ruim de fato,
Caiu na cama e não tirou nem o sapato.
Roncou uma semana, e despertou de mau humor,
Quis brigar comigo, que perigo!
Mas eu não ligo, o meu pedaço me domina,
Me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal.
Pegou a camisa, a camisa amarela,
Botou fogo nela, gosto dele assim,
Passou a brincadeira, e ele é pra mim,
Meu Senhor do Bom Fim.
Canção da América (Unencounter)
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de 7 chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar
Canção da Volta
(Ismael Neto/Antonio Maria)
Nunca mais vou fazer
O que o meu coração pedir
Nunca mais vou ouvir
O que o meu coração mandar.
O coração fala muito
E não sabe ajudar
Sem refletir
Qualquer um vai errar, penar
Eu fiz mal em fugir
Eu fiz mal em sair
Do que eu tinha em você
E errei em dizer
Que não voltava mais
Nunca mais.
E hoje eu volto vencida
Pedir pra ficar aqui
Meu lugar é aqui
Faz de conta que eu não sai.
Canção de Amor
(Chocolate/Elano de Paula)
Saudade, torrente de paixão
Emoção diferente
Que aniquila a vida da gente
Uma dor que eu não sei de onde vem
Deixaste o meu coração vazio
Deixaste a saudade
Ao desprezares aquela amizade
Que nasceu ao chamar-te meu bem
Nas cinzas do meu sonho
Um hino então componho
Sofrendo a desilusão
Que me invade
Canção de amor, saudade
Uma Canção de Amor para Você
Com tanta indiferença
Num mundo de contrastes
Guerras e fome andam lado a lado
Com a dor
A vida e seu sentido
A força da verdade
Tudo que a gente vive não é nada
Sem amor
Tarde demais quando não se quer ver,
Pra não viver
É impossível andar só, e então?
Não me diga que o mundo anda mal
Hoje eu nem quero ler o jornal
Só quero escrever uma canção de amor
Pra você
Há jovens nas esquinas
Com drogas nas mochilas
Curtindo uma liberdade artificial
A vida e seu mistério
A força do desejo
Sem maquiagem, a liberdade está
No coração
Tarde demais quando não se quer ver,
Pra não viver
É permitido ser feliz, e então?
Canção de Protesto
Porque será
Que fazem sempre tantas
Canções de amor
E ninguém cansa
E todo o mundo canta
Canções de amor
De minha parte
Às vezes não aguento
Noventa e nove e um pouco mais por cento
Das músicas que existem são de amor
E quanto ao resto
Quero cantar só
Canções de protesto
Contra as canções de amor
Odeio "As Time Goes By"
O manifesto
Canções de amor
Muito ciúme, muita queixa, muito "ai"
Muita saudade, muito coração
É o abusara de um
Santo nome em vão
Ou a santificação de uma banalidade
Eu queria o canto justo na verdade
Da liberdade só do canto
Tenra, limpa, lúcida, e no entanto
Sei que só sei querer viver
De amor e música
Uma Canção Desnaturada
Por que cresceste curuminha
Assim depressa, estabanada
Saíste maquiada dentro do meu vestido
Se fosse permitido eu revertia o tempo
Pra reviver a tempo de poder
Te ver as pernas bambas curuminha
Batendo com a moleira
Te emporcalhando inteira
E eu te negar meu colo
Recuperar as noites curuminha
Que eu te deixei em claro
Ignorar teu choro e só cuidar de mim
Deixar-te arder de febre curuminha
Cinqüenta graus tossir bater o queixo
Vestir-te com desleixo
Tratar uma ama-seca
Quebrar tua boneca curuminha
Raspar o teu cabelo
Ir te exibindo pelos botequins
Tornar azeite o leite do peito que mirraste
No chão que engatinhaste salpicar mil cacos de vidro
Pelo cordão perdido te recolher pra sempre
R escuridão do ventre curuminha
De onde não deverias nunca ter saído.
Canção do Novo Mundo
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Quem sonhou
Só vale se já sonhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nossos corações
Um nome se escreve fundo
As canções em nossa memória
Vão ficar
Profundas raízes vão crescer
A luz das pessoas me faz crer
Eu sinto que vamos juntos
Ó, nem o tempo amigo,
Nem a força bruta pode um sonho apagar...
Quem perdeu
O trem da História por querer
Saiu do juízo, sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um Novo Mundo
Quem souber dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo?
Ó, minha estrela amiga,
Por que você não fez a bala parar?
Canção em Modo Menor
(Antônio Carlos Jobim/Vinícius de Moraes)
Porque cada manhã me traz
O mesmo sol sem resplendor
E o dia é só um dia a mais
E a noite é sempre a mesma dor
Porque o céu perdeu a cor
E agora em cinzas se desfaz
Porque eu já não posso mais
Sofrer a mágoa que sofri
Porque tudo que eu quero é paz
E a paz só pode vir de ti
Porque meu sonho se perdeu
E eu sempre fui um sonhador
Porque perdidos são meus ais
E foste para nunca mais
Oh, meu amor
Porque minha canção morreu
No apelo mais desolador
Porque a solidão sou eu
Ah, volta aos braços meus, amor
A Canção Tocou na Hora Errada
A canção
Tocou na hora errada
E eu que pensei que sabia tudo
Mas se é você eu não sei nada
Quando ouvi
A canção era madrugada
Eu vi você até senti tua mão
E achei até
Que me caía bem como a luva
Mas veio a chuva
Ficou tudo tão desigual
A canção tocou no rádio agora
Mas você não pôde ouvir por causa do temporal
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora
A canção
Tocou na hora errada mas
Não tem nada não
Eu até lembrei das rosas que dão no inverno
Não tem nada não
Eu até lembrei das rosas que dão no inverno
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora
Canções de Rei
Se eu fosse algum rei
Fosse o teu senhor
Eu proclamava a tua boca um reinado meu
O teu corpo nu
Meu santuário
Se eu fosse algum rei
Teu imperador
Eu ordenava teu coração a gostar do meu
Cada dia teu
Meu calendário
Inventava canções de rei
Conquistava o teu amor
Desobedeceria a lei
Revelava quem eu sou
Te mostrava que só eu sei
Onde tudo começou
Inventando canções de rei
Pra enfeitar o nosso amor
As Canções que Você Fez pra Mim
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Hoje eu ouço as canções
Que você fez pra mim
Não sei por que razão
Tudo mudou assim
Ficaram as canções
E você não ficou
Esqueceu de tanta coisa
Que um dia me falou
Tanta coisa que somente
Entre nós dois ficou
Eu acho que você
Já nem se lembra mais
É tão difícil
Olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você
Meu mundo é diferente
Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse
Que me amava tanto
Tantas vezes eu
Enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só, sem ter você aqui
Candeias
| Ainda hoje vou me embora pra Candeias
| Ainda hoje, meu amor, eu vou voltar
Da terra nova nem saudade vou levando
Pelo contrário, pouca história pra contar
Quero ver a lua vindo por de trás da samambaia
Rede de palha se abrindo em cada palmo de praia
Quero ver a lua branca clareando como um dia
E nos teus olhos de espanto
Tudo quanto eu mais queria
(refrão)
Da terra nova nem saudade vou levando
Pelo contrário, pouca história pra contar
E nas sombras lá de longe, lá onde o céu principia
Quero ver mestre poeiro no reino, na valentia
Procissão de velas brancas no sentido da Bahia
Canoa, Canoa
(Nelson Ângelo/Fernando Brandt)
Canoa, canoa desce
no meio do rio Araguaia desce
no meio da noite alta da floresta
levando a solidão e a coragem
dos homens que são
Ava, Avacanoê
Ava, Avacanoê
Avacanoeiro prefere as águas
Avacanoeiro prefere os rios
Avacanoeiro prefere os peixes
Avacanoeiro prefere remar
Ava, prefere pescar
Ava, prefere pescar
dourado, arraia, grumatá
piracará, pira andirá
jatuarana, taiabucu
piracanjuba, peixe-mulher
Canta, Brasil
(David Nasser/Alcir Pires Vermelho)
“As selvas te deram nas noites seus ritmos bárbaros
E os negros trouxeram de longe reservas de pranto
Os brancos falaram de amor em suas canções
E nessa mistura de vozes nasceu o teu canto”
Brasil, minha voz enternecida
Já dourou os teus brasões
Na expressão mais comovida
Das mais ardentes canções
Também, na beleza desse céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de Norte a Sul
Mas agora o teu cantar
Meu Brasil quero escutar
Nas preces da sertaneja
Nas ondas do rio-mar
Ô, esse rio-turbilhão
Entre selva de rojão
Continente a caminhar
No céu, no mar, na terra
Canta, Brasil
Canta, Canta Minha Gente
Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza prá lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
Que a vida vai melhorar,
Que a vida vai melhorar
Que a vida vai melhorar,
Que a vida vai melhorar
Cantem o samba de roda,
O samba canção e o samba rasgado
Cantem o samba de breque, o samba moderno
E o samba quadrado
Cantem ciranda, o frevo,
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cante essa moça bonita
Porque ela está com o marido de lado
Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro sambando no asfalto
Eu canto o samba enredo,
Um sambinha lento e um partido alto
Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá prá cantar mesmo
É vendo o sol nascer quadrado
Cantar
Se numa noite eu visse ao clarão de luar
Cantando
E aos compassos de uma canção
Te acordar
Talvez com saudade cantasses também
Relembrando aventuras passadas
Ou um passado feliz com alguém
Cantar quase sempre nos faz recordar
Sem querer
Um beijo, um sorisso ou uma outra aventura qualquer
Cantando aos acordes do meu violão
É que mando depressa ir-se embora
À saudade que mora no meu coração
Canteiros
Quando penso em você
fecho os olhos de saudade
tenho tido muita coisa
menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
em versos tristes que invento
nem aquilo a que me entrego
já me dá contentamento
Pode ser até manhã
cedo claro feito o dia
mas nada do que me digam
me faz sentir alegria
Eu só queria ser do mato
com gosto de framboesa
pra correr entre os canteiros
e esconder minhas tristezas
Eu ainda sou bem moço
pra tanta tristeza
e deixemos de coisa
cuidemos da vida
pois se não nos chega a morte
ou coisa parecida
e nos arraste a todos
sem termos saída
Eu só queria ser do mato
com gosto de framboesa
pra correr entre os canteiros
e esconder minhas tristezas
Eu ainda sou bem moço
pra tanta tristeza
e deixemos de coisa
cuidemos da vida
pois se não nos chega a morte
ou coisa parecida
e nos arraste a todos
sem termos saída
Cantiga por Luciana
(Edmundo Souto/Paulinho Tapajós)
Manhã, no peito de um cantor
Cansado de esperar só
Foi tanto o tempo
Que nem sei das tardes tão vazias
Por onde andei
Luciana, Luciana,
Sorriso de menina dos olhos de mar
Luciana, Luciana,
Abrace esta cantiga, por onde passar.
Nasceu na paz de um beija-flor
Em verso, em voz de amor já
Desponta aos olhos da manhã
Pedaços de uma vida que abriu-se em flor
Luciana, Luciana,
Sorriso de menina dos olhos de mar
Luciana, Luciana,
Abrace esta cantiga, por onde passar.
Canto Chorando
O que dá pra rir dá pra chorar
Questão só de peso e medida
Problema de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida
O que dá pra rir dá pra chorar
No jogo se perde ou se ganha
Caminho que leva, que traz
Trazendo, alegria tamanha
Levando, levou minha paz
Tem gente que ri da desgraça
Duvido que ria da sua
Se alguém escorrega onde passa
Tem riso do povo na rua
Alegre é lugar de chegada
É triste com gente partindo
Tem sempre o adeus da amada
O riso chorado mais lindo
Eu posso cantar meu lamento
Também sei chorar de alegria
As velas no mar querem vento
No porto é melhor calmaria
Somente a palavra "sofrência"
Que em dicionário não tem
Mistura de dor, paciência
Que é riso e que é pranto também
Define o Nordeste que canta
O canto chorado da vida
Reclamam no Sul chuva tanta
Errou de lugar na caída
O que dá pra rir dá pra chorar
Questão só de peso e medida
Problema de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida
O que dá pra rir dá pra chorar
O Canto da Cidade
(Daniela Mercury/Tote Gira)
A cor dessa cidade sou eu
O canto dessa cidade é meu
O gueto, a rua, a fé
Eu vou andando a pé
Pela cidade bonita
O toque do afoxé
E a força, de onde vem?
Ninguém explica
Ela é bonita
Uô ô
Verdadeiro amor
Uô ô
Você vai onde eu vou
Não diga que não me quer
Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã
Mil voltas o mundo tem
Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval
A cor dessa cidade sou eu
O canto dessa cidade é meu
Canto de Ossanha
(Baden Powell/Vinícius de Moraes)
O homem que diz dou, não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz vou, não vai
Porque quando foi, já não quis
O homem que diz sou, não é
Porque quem é mesmo é não sou
O homem que diz tô, não tá
Porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha traidor
Vai, vai, vai, não vou
Eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo senhor Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte pro seu orixá:
- amor só é bom se doer
Vai, vai, vai, vai amar
Vai, vai, vai, vai sofrer
Vai, vai, vai, vai chorar
Vai, vai, vai, vai dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Canto pro Mar
Vou na Timbalada oyá
Canto pro mar, mar, mar, mar
Eu canto pra lua
Porque amo a lua
Ai que lua, ai que lua
Eu canto pra terra
Porque amo a terra
Ai que terra, ai que terra
Vou na Timbalada oyá
Canto pro ar, ar, ar, ar
Eu canto pra rua
Porque amo a rua
Ai que rua, ai que rua
Eu canto pra terra
Porque amo a terra
Ai que terra, ai que terra
Eu canto pro tempo
Porque amo o tempo
Ai que tempo, ai que tempo
Canto Triste
(Edu Lobo/Vinícius de Moraes)
Porque sempre foste a primavera em minha vida
Volta pra mim
Desponta novamente no meu canto
Eu te amo tanto mais, te quero tanto mais
Há tanto tempo faz
Partiste
Como a primavera que também te viu partir
Sem um adeus sequer
E nada existe mais em minha vida
Como um carinho teu, como um silêncio teu
Lembro um sorriso teu tão triste
Ah, Lua sem compaixão, sempre a vagar no céu
Onde se esconde a minha bem-amada
Onde a minha namorada
Vai e diz a ela as minhas penas e que eu peço
Peço apenas
Que ela lembra as nossas horas de poesia
Das noites de paixão
E diz-lhe da saudade em que me viste
Que estou sozinho e só existe
Meu canto triste
Na solidão
Cão sem Dono
(Sueli Costa/Paulo César Pinheiro)
É nas noites que eu passo sem sono
Entre o copo, a vitrola e a fumaça
que ergo a torre do meu abandono
E que caio em desgraça
É nas horas em que à noite faz frio
E a lembrança ao castigo me arrasta
solidão é o carrasco sombrio
E a saudade e a vergasta
Se eu cantar, alegria sai falsa
se eu calar, a tristeza começa
E eu prefiro dançar uma valsa
que ouvir uma peça
E eu recuo, eu prossigo e me agito
Eu me omito, eu me envolvo e eu me abalo
Eu me irrito, eu odeio, eu hesito
Eu reflito e me calo
Capim
Capim do vale, vara de goiabeira
Na beira do rio paro para me benzer
Mãe d'água sai um pouquinho
Desse seu leito ninho
Que eu tenho um carinho para lhe fazer
Pinheiros do Paraná
Que bom tê-los como areia no mar
Mangas do Pará, Pitombeiras da Borborema
A ema gemeu no tronco do juremá
Cacique perdeu, mas lutou que eu vi
Jari não é Deus, mas acham que sim
Que fim levou o amor
Plantei um pé de fulô, deu capim
Capoeira Larará
Meia lua inteira, sopapo na cara do fraco
Estrangeiro gozador, coca de coqueiro baixo
Quando o engano se enganou
São din, dão, dão, São Bentos
Grande homem de movimento
Martelo do tribunal
Sumiu na mata dentro, foi pego sem documento
No Terreiro Regional
Capoeira Larará, Capoeira Larará
Terça-feira Capoeira Larará
Tô no pé onde der Lararará
Verdadeiro Larará, derradeiro Larará
Tô no pé onde der Larará
Bimba, biriba à mim que diga
Taco de arame, cabaça barriga
São din, dão, dão, São Bento
Grande homem de movimento
Nunca foi um marginal
Sumiu da praça há tempo
Caminhando contra o vento
Sobre a própria capital
Capoeira Larará
Cara a Cara
Tenho um peito de lata
E um nó de gravata
No coração
Tenho uma vida sensata
Sem emoção
Tenho uma pressa danada
Não paro pra nada
Não presto atenção
Nos versos desta canção
Inútil
Tira a pedra do caminho
Serve mais um vinho
Bota vento no moinho
Bota pra correr
Bota força nessa coisa
Que se a coisa pára
A gente fica cara a cara
Cara a cara cara a cara
Bota lenha na fornalha
Põe fogo na palha
Bota fogo na batalha
Bota pra ferver
Bota força nessa coisa
Que se a coisa pára
A gente fica cara a cara
Cara a cara cara a cara
Tenho um metro quadrado
Um olho vidrado
E a televisão
Tenho um sorriso comprado
A prestação
Tenho uma pressa danada
Não paro pra nada
Não presto atenção
Nas cordas desse violão
Inútil
Tira a pedra do caminho (etc.)
Tenho o passo marcado
O rumo traçado sem discussão
Tenho um encontro marcado
Com a solidão
Tenho uma pressa danada
Não moro do lado
Não me chamo João
Não gosto nem digo que não
É inútil
Tira a pedra do caminho (etc.)
Vou correndo, vou-me embora
Faço um bota-fora
Pega um lenço agita e chora
Cumpre o seu dever
Bota força nessa coisa
Que se a coisa pára
A gente fica cara a cara
Cara a cara cara a cara
Com o que não quer ver
Cara Caramba Sou Camaleão
(Bell Marques/ Wadinho Marques/ Pierre Onassis/ Marquinhos/ Germano Meneghel)
Cara caramba, cara caraô
Cara caramba, cara caraô
Vem viver o verão
Vem curtir Salvador
Eu sou Camaleão
Hoje eu sou seu amor
Não tem cara metade
Caramba de dengo de amor
És dona da minha vontade
Eu mudo de jeito e de cor
Te toco, te abraço, te prendo
Nos raios do sol
Misturo o futuro e o presente
Agora eu vou lá pro Farol
Sem essa de cara ou coroa
Caramba sou Camaleão
O amor Oxalá abençoa
Tá combinada então
Teu corpo é mar eu navego
No jeito do coração
As ondas percorrem teu viço
No brilho desse verão
Cara caramba, cara caraô
Cara caramba, cara caraô
Vem viver o verão
Vem curtir Salvador
Eu sou Camaleão
Hoje eu sou seu amor
É de cama, cama
É de camalêo aiaiai
É de camalêo aiaiai
É do Camaleão
Caras como Eu
Caras como eu
Estão ficando raros
Com cabelos ralos
Que se partem e caem pelo chão
Caras como eu
estão tirando o pé
Andando em marcha ré
Com medo de entrar na contra-mão
Como trens do interior
Que não chegam no horário
Como velhos elefantes
Que morrem solitários
Caras como eu
Estão ficando chatos
Como solas de sapato
Que se gastam com o passar do tempo
Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo
Como palavras de amor
Que não se guardam em disquetes
Como segredos sem valor
Que a gente nunca esquece
Caras como eu
Estão ficando velhos
Calçando seus chinelos
Concluindo que não há mais tempo
Carcará
(João do Valle/José Cândido)
Carcará, pega mata e come
Carcará não vai morrer de fome
Carcará, mais coragem do que homem
Carcará, pega mata e come
Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
Ou é um pássaro malvado que tem um bico
volteado que nem gavião
Carcará quando vê roça queimada
Sai voando e cantando
Carcará vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Mas quando chega o tempo da invernada
No sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim não passa fome
Os “burrego” que nasce na baixada
Carcará, pega mata e come
Carcará não vai morrer de fome
Carcará, mais coragem do que homem
Carcará, pega mata e come
Carcará é malvado é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os “burrego” novinho não pode andar
Ele pega no imbigo inté matar
Carcará
Carinhoso
(Pixinguinha/João de Barro)
Meu coração
Não sei porque
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim
Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz
Carolina
Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu
Carta ao Tom 74
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando pra Elizeth
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz?
Ai, que saudade!
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz...
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria,
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor...
É, meu amigo, só resta uma certeza:
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor..
Carta ao Tom - Paródia
(Toquinho/Tom Jobim/Chico Buarque)
Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador
Minha janela não passa de um quadrado
A gente só vê Sérgio Dourado
Onde antes se via o Redentor
É, meu amigo
Só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor
Casa
Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Era só fechar os olhos
E deixar o corpo ir
No ritmo...
Depois era um vício
Uma intoxicação
Me corroendo as veias
Me arrastando pelo chão
Mas sempre tinha a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez
Às vezes é tormenta
Fosse uma navegação
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Tanto gozo e sussurro
Já impressos no colchão
Pois sempre tem a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez
Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Logo mais era um vício
Me arrastando pelo chão
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Pois sempre tem a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez
A Casa
Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podiadormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podiafazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos, número zero
Casa no Campo
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E o filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal
Pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais
Casinha Branca
Eu tenho andado tão sozinho ultimamente,
que nem vejo à minha frente,
nada que me dê prazer.
Sinto cada vez mais longe a felicidade,
vendo em minha mocidade
tanto sonho perecer.
Eu queria ter na vida simplesmente
um lugar de mato verde,
pra plantar e pra colher.
Ter uma casinha branca de varanda,
um quintal e uma janela
para ver o sol nascer.
Às vezes saio a caminhar pela cidade.
À procura de amizades,
vou seguindo a multidão.
Mas eu me retraio olhando em cada rosto,
cada um tem seu mistério,
seu sofrer, sua ilusão.
Caso Sério
Nosso caso é um caso perdido
Que ofusca a luz da razão
Confunde os mais entendidos
Nos assuntos do coração
Desnorteia os astros
Quebra a bússola dos horóscopos
Segue indiferente, indestrutivelmente são
Nosso caso é um caso sério
Porque ele não é sério demais
É um jogo descuidado
Com cuidados especiais
Desafia os buzios
Mandalas e as cartas do tarô
Tudo o que eu te dou
É tudo e mais o que Deus quiser
Me queira como eu sou
Que eu te quero como você é...
Caso Você Queira Saber
(Beto Guedes/Márcio Borges)
Não quero você mais na minha casa
Corpo e rosto em pedra
Sei o que me fere em você
Eu não quero nada
Com seu riso indecente
Já conheço o seu tempero
Seu segredo e seu suor
Mas não consigo perder mais tempo
Você tem que ir embora
Já começa a amanhecer
Parece outro dia negro
Catedral
O deserto
Que atravessei
Ninguém me viu passar
Estranha e só
Nem pude ver
Que o tempo é maior
Tentei dizer
Mas vi você
Tão longe de chegar
Mais perto de algum lugar
É deserto
Onde eu te encontrei
Você me viu passar
Correndo só
Nem pude ver
Que o tempo é maior
Olhei pra mim
Me vi assim
Tão perto de chegar
Onde você não está
No silêncio uma catedral
Um templo em mim
Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir
Eu sei vai ter que existir
Vai existir nosso lugar
Solidão
Quem pode evitar?
Te encontro em fim
Meu coração
É secular
Sonha desaba dentro de mim amanhã
Devagar
Me diz como voltar
Se eu disser
Que foi por amor
Não vou mentir pra mim
Se eu disser
-"deixa pra depois"
Não foi sempre assim
Tentei dizer
Mas vi você
Tão longe de chegar
Mais perto de algum lugar
Cavalgada
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida
Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cais do teu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque
Vou me perder na madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no teu cansaço
Sem me importar se nesse instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino
Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer
E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
Que na beleza desta hora
O sol espera pra nascer!
Os Cegos do Castelo
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só trazem dor
Eu não enxergo o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho um lugar pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revolver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino o azar que estou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
Se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar
Eu cuidarei bem dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim
Censura
(Philippe Seabra/André X)
Unidade repressora oficial
A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura
Hora pra dormir
hora pra pensar
Porra meu papai
deixa me falar
Unidade repressora oficial
A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura
Contra a nossa arte está a censura
abaixo a postura, viva a ditadura
Jardel com travesti, censor com bisturi
corta toda música que você não vao ouvir
Unidade repressora oficial
A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura
Nada para ouvir, nada para ler
nada para mim, nada pra você
nada no cinema, nada na TV
nada para mim, nada pra você
Unidade repressora oficial
Unidade repressora oficial
175 Nada Especial
Mais um dia mais um ônibus que eu peguei no Rio
Um ônibus tranqüilo
Estava vazio
A cidade engarrafada como não podia deixar de ser
Viagem demorada
O que fazer?
Sem nenhuma mulher por perto pra bater um papo esperto
Resolvi escrever um rap a mais
Mas não estou bem certo sobre o quê vou rimar
- Diz aí torcador
(Ah sei lá)
Então eu vou no instinto pego um papel e vâmo vê o quê que dá
Foi nesse instante em que eu olhei pra janela
E que susto eu levei
Era ela
A inflação estampada na vitrine
Atingiu meu coração
E deu vontade de partir pro crime
Porque o que eu quero comprar já não dá mais
A não ser que eu faça como fez o Ferrabrás (Quem?)
Então eu tento esquecer
Continuar a rimar
Mas o que eu vejo do outro lado é duro de acreditar
Mas é real
E a realidade dói demais
São dois mendigos se matando pelos restos mortais
De um cachorro qualquer que foi atropelado
E vai virar rango e se der
Talvez seja assado (Hmm esses nojentos gostam disso?!)
- Não arrombado
Aquilo é um ser humano que chamaram de descamisado
Um desesperado
Um brasileiro como eu
Que deve sempre perguntar
(Será que existe mesmo Deus?)
Não é o Pensador que vai tentar responder
Eu continuo rimando tentando esquecer
Porque...
Esse rap não é sobre nada especial
É o rap do 175 que eu peguei na central
E de repente o ônibus começou a encher
Entrou mais gente
Houve um tumulto
Alguém gritou e eu olhei pra ver
(Quê que é isso? Quê que tá pegando? Quê que tá havendo?)
(É um assalto malandro! Será que você ainda não tá percebendo?)
O desespero do trabalhador começou
E eu também tentava esconder meu dinheiro quando alguém falou
(Libera esse aí que é o Pensador mané!)
Mas eles eram meus fãs
Então levaram meu boné
(Autografado né Pensador se liga!)
Alguns acharam que eu era cúmplice
Quase deu briga
Mas a viagem prosseguiu
E os ladrões desceram
E aí a raiva é que subiu na cabeça dos passageiros
E o mais injuriado era um bigodudo
Que tinha ganhado o salário e (Eles levaram tudo)
Entraram dois PMs pela porta da frente estufando o peito e olhando pra gente
Impondo respeito
Mas os ladrões já tavam longe
Num tinha mais jeito
Pra priorar levaram o bigodudo como suspeito - Ele era preto
Coisas desse tipo é difícil esquecer
Mas eu vou continuar porque eu já disse a você que...
Refrão
Agora estamos passando pela praia de Copacabana
Travestis e prostitutas se acabando por grana
E os gringos vão achando aquilo tudo bacana
(O Brasil é um paraíso! As mulheres são boas de cama)
Ô gringo não força
Deixa de ser imbecil
Você que vem lá de fora quer entender do Brasil
(Ha... "O Brasil é um paraíso" - É mole? - E o inferno é onde?!) - (Peraí Pensador)
E por falar em paraíso
Olha que loucura
Subiu no coletivo uma estranhíssima figura
Com uma bíblia na mão e uma cara de débil mental
Pregando a enganação da Igreja Universal
(Ou será que era alguma outra igreja dessas?
Ah num faz mal
Igreja de enganar otário é tudo igual)
E o coitado foi soltando aquele papo de crente
E eu rezando: Deus me dê paciência!
Mas o pentelho desceu pra alegria da gente
E na saída do ônibus
Sofreu um acidente
Se distraiu e foi atropelado por um caminhão
Morreu esmagado com a bíblia na mão
(É morreu? Melhor do que viver nessa ilusão
Num queria Deus? Foi pro céu então) - (Num sei não)
Enquanto todos se benziam com pena do crente
Eu fui rimando
Bola pra frente porque...
Refrão
E eu percebi que o trocador ficou fazendo careta
Prum coroa que passou por debaixo da roleta
Era um senhor de óculos, barba branca...
Ei Peraí! (Ei professor
O quê que o senhor tá fazendo aqui?!
Quê que houve? Foi assaltado? Perdeu o dinheiro?)
- (Não... É... sabeoquêqueé... Eu já gastei o salário inteiro!)
HmHm Mudei de assunto
Ele já tava encabulado
No meio do mês o salário dele já tinha acabado
Era o meu ex-professor da escola (Coitado)
Tá fudido e mal pago
Daqui a pouco tá pedindo esmola
Ele é um mestre
Um baú de sabedoria
E num é o valor que um professor merecia
Profissional de primeira importância pro nosso futuro
Ninguém mais quer ser professor pra num viver duro
E ele desceu em outra escola pra dar mais aula
(É que eu trabalho nos três turnos
Chego em casa e ainda corrijo prova)
- Tchau professor - (Tchau Pensador)
Desceu mais um trabalhador que tá numa de horror mas...
Refrão
E nós agora estamos passando pelo bairro de São Conrado
E como o tempo tá fechando eu tô ficando preocupado
Ih! Choveu! Pronto tudo alagado
Uns vão nadando
Outros morrendo afogados
E enquanto na favela tem barraco caindo
Não é que passa o Prefeito num iate sorrindo
E se o nosso ex-presidente estivesse aqui
Ele estaria certamente num belíssimo jet-ski
Mas como nós não temos embarcação pra todo mundo
Essa triste situação tá parecendo o fim do mundo
Pra quem tá de carro
Pra quem tá de ônibus
Nessa Rio-Babilônia
No Brasil do abandono
E enquanto os governantes vão boiando sorridentes
Vâmo remando
Bola pra frente porque...
Refrão
E o pior de tudo é que nessa grande viagem
Nada disso do que aconteceu foi novidade
E as autoridades estão defecando
Pro que acontece ao cidadão brasileiro no seu cotidiano
Porque pra eles isso não é nada especial
No dos outros é refresco
Num faz mal
E fecham os olhos pro que até cego já viu:
O revoltante retrato da vida urbana no Brasil
E eu não me refiro ao 175 ou qualquer linha da central
Eu tô falando do dia a dia a qualquer hora em qualquer local
Porque esse rap não é sobre nada especial...
A Cerca
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Fazendo cerca na Fazenda do Rosário
Resto de toco velho mandado pelo vigário
Meu camarada, eu moro aqui do lado
O terreno que tu cerca, já tá cercado
Não entendi a assertiva do compadre
Se é lei chama o doutor
Se é milagre chama o padre
É muito simples, tu veja ali na frente
Tá vendo o laranjal, minha cerca passa rente
Que dia quente, tem feito muito calor
Daqui há pouco meu vizinho vê um disco voador
Se visse até pedia para descer
Quem sabe se um marciano
Consegue te esclarecer
Ô meu compadre, cê tá vendo assombração
Cê num é advogado, cê num é tabelião
Nem por isso eu deixei de fazer o justo
So o sujeito enxerga torto
O direito dá um susto
Tu cerca a terra, tu cerca até o mundo
Então cerca a tua filha, toda noite aqui no fundo
Pois te conto um segredo
Cê não conta pra ninguém
Andam vendo tua mulher
com o dono do armazém
Maledicência, eu já tô acostumado
Até dizem que o senhor é incapacitado
Eu tomo chuva, tomo ar puro de manhã
Minha saúde é de ferro, pergunte para sua irmã
Nunca se está a salvo da falação alheia
Eis que um tipo parvo vem falar na minha oreia
Martelo prego, torniqueto com serrote
Acerca do homem cego, quem tem vista dá o mote
Terequitem, ô pra cá você não vem
Terequitem, que eu conserto a ti também
(Te prego um prego também)
Cérebro Eletrônico
O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Quase tudo
Mas ele é mudo
O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões de carne e osso
Hum, hum
Eu falo e ouço
Hum, hum
Eu penso e posso
Eu posso decidir se vivo ou morro
Porque
Porque sou vivo, vivo pra cachorro
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Em meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo, ah, sou muito vivo
E sei
Que a morte é nosso impulso primitivo
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro
Certas Canções
(Tunai/Milton Nascimento)
Certas canções que ouço
Cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece:
"Como não fui eu que fiz?!"
Certa emoção me alcança
Corta-me a alma sem dor
Certas canções me chegam, ôô
Como se fosse o amor
Contos da água e do fogo
Cacos de vida no chão
Cartas do sonho do povo
E o coração do cantor
Vida e mais vida ou ferida,
Chuva, outono ou mar,
(2x) Carvão e giz, abrigo,
Gesto molhado no olhar
Calor, que invade, arde, queima
Encoraja, amor
Que invade, arde, carece de cantar
Calor
Que invade, arde, queima
Enconraja, amor
Que invade, arde, carece de cantar...
Certas Coisas
(Lulu Santos/Nelson Motta)
Não existiria sons se não houvesse o silêncio
Não haveria luz se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
De noite não e sim
Cada voz que canta o amor
Não diz tudo que quer dizer
Tudo o que cala fala mais
Alto ao coração
Silenciosamente
Eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nos somos medo e desejo somos
Feitos de silêncio e sons
Tem certas coisas que eu não sei dizer
A vida é mesmo assim
De noite não e sim
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nos somos medo e desejo somos
Feitos de silêncio e sons
Tem certas coisas que eu não sei dizer
Um Certo Alguém
(Lulu Santos/Ronaldo Bastos)
Quis evitar teus olhos
Mas não pude reagir
Fico à vontade então
Acho que é bobagem
A mania de fingir
Negando a intenção
Quando um certo alguém
Cruzou o teu caminho
E mudou a direção
Chego a ficar
Sem jeito
Mas não deixo
De seguir
A tua aparição
Quando um certo alguém
Desperta o sentimento
É melhor não resistir
E se entregar
Me dê a mão, vem ser a minha estrela
Complicação tão fácil de entender
Vamos dançar, luzir a madrugada
Inspiração pra tudo que eu viver
Quando um certo alguém
Cruzou o teu caminho
É melhor não resistir
E se entregar...
O Céu
(Marisa Monte/Nando Reis)
O céu vai tão longe está perto
o céu fica em cima do teto
o céu tem as quatro estações
escurece de noite, amanhece com o sol
O céu serve a todos
o céu ninguém pode pegar
o céu cobre a terra e a lua
entra dentro do quarto, rua do avião
Dentro do universo mora o céu
O céu pára-quedas e saltos
o céu vai do chão para o alto
o céu sem começo nem fim
para sempre serei seu fã
Olhai pro céu, olhai pro chão
O Chamado
Vou seguir o chamado
E onde é que vai dar?
E onde é que vai dar não sei
Arriscar ser derrotado
Por mentiras que vão mentiras que vem punir
Um coração
Cansado de sofrer
E de amar até o fim
Acho que vou desistir
| O céu abriga
| O recado
| Que é preu me guardar
| Mudanças estão por vir
| Esperar ser
| proclamado
| O grande final
| O grande final feliz
| Que tal aquele
| Brinde que faltou
| Será que teria sido assim?
| Acho que vou desistir
(|)
Chão de Estrelas
(Silvio Caldas/Orestes Barbosa)
Minha vida era um palco iluminado,
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões,
Cheio dos guizos falsos da alegria,
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações.
Meu barracão no morro do Salgueiro,
Tinha o cantar alegre de um viveiro,
Foste a sonoridade que acabou,
E, hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão sinto saudade,
Da mulher, pomba rola, que voou...
Nossas roupas comuns dependuradas,
Na corda qual bandeiras agitadas,
Parecia um estranho festival,
Festa dos nossos trapos, coloridos,
A mostrar, que nos morros, mal vestidos,
É sempre feriado nacional...
A porta do barraco era sem trinco,
Mas a lua furando o nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso chão,
E tu pisavas nos astros distraída,
Sem saber que a ventura desta vida,
É a cabrocha, o luar, e o violão.
Chão de Giz
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby",
Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
no mais estou indo embora 7x
No mais...
Charlie Brown
Eh! Meu amigo Charlie
Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown
Se você quiser, vou lhe mostrar
A nossa São Paulo terra da garoa
Se você quiser, vou lhe mostrar
Bahia de Caetano, nossa gente boa
Se você quiser, vou lhe mostrar
A "lebre" mais bonita do Imperial
Se você quiser, vou lhe mostrar
Meu Rio de Janeiro, nosso carnaval
Estribilho:
Se você quiser, vou lhe mostrar
Vinícius de Moraes e som de Jorge Bem
Se você quiser, vou lhe mostrar
Torcida do Flamengo, coisa igual não tem
Se você quiser, vou lhe mostrar
Luiz Gonzaga rei do meu baião
Se você quiser, vou lhe mostrar
Brasil de ponta a ponta do meu coração
Oh Charlie!
Estribilho
Charme Do Mundo
Eu tenho febre
Eu sei
É um fogo leve
Que eu peguei
Do mar ou de amar
Não sei
Mas deve ser da idade
Acho que o mundo
Faz charme
E que ele sabe
Como encontrar
Por isso sou levada
E vou nessa magia de verdade
O fato é que eu sou
Sua amiga
Ele me intriga demais
É o mundo tão novo
Que mundo mais louco
Até mais que eu
É febre é amor
E eu quero mais
Tudo que eu quero
Sério
É todo esse mistério
Chega de Saudade
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...
Chega Disso!
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Chega disso! Não vou pudê!
Já toquei, agora vou, agora go!!
I gotta go, now. Agora!
Bamba quando sai o samba ligo o automático
Solidariedade, caridade e senso prático
Signo de touro, tudo que por dentro é ouro
Aflora a batucada na barriga da manhã
É no palácio, é no casebre.
É no sobrado e é na moita
Bem bom do bimbilim, big bang do bumbum
A minha nega gosta, chega e se encosta
A noite inteira all night long
Hum, all night long
Desci lá do Cruzeiro na batida da guitarra
Neguinha da frente quis saber onde era a farra
Eu disse meu irmão, onde tiver tomado eu tô
Umbuzal, Taquaril, um buraco do Brasil!
Chego Já
Eu já chamei você
Você não quis brincar
Pode bater o pé
Pode ficar
O elefante já vem
Descendo o Amparo meu bem
E aquela cobra que sobe
A ladeira com gosto de gás
O elefante já vem
E eu acho é pouco meu bem
Segura a coisa com muito cuidado
Que eu chego já
Segura a coisa que
O chapéu de bode
Passou esgarrado
Atrás do feitiço
Cheirando a pecado
É com esse menino bonito que eu vou
O elefante já vem
Eu acho é pouco meu bem
Segura a coisa
Com muito cuidado
Que eu chego já
Segura a coisa
Com muito cuidado
Prá não se queimar
Chegou a Hora da Fogueira
Chegou a hora da fogueira!
É noite de São João...
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de Balão...
Pensando no caboclo a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração.
Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão...
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão.
Hoje em dia o meu destino
Não vive em paz
O balão de papel fino
Já não sobe mais...
O balão da ilusão
Levou pedra
E foi ao chão.
Cheia de Charme
Quando a vi
Logo ali, tão perto
Tão ao meu alcance
Tão distante, tão real ,
Tão bom perfume...
Sei lá!
Investi
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar
Me perdi
Entre os seus cabelos
Pela sua pele
Nos seus lábios tão macios
Tão bom perfume
Sei lá.
Cheiro de Amor
De repente fico
Rindo à toa
Sem saber por que?
E vem a vontade
De sonhar
De novo te encontrar
Foi tudo tão de repente
Não consigo esquecer,
E confesso tive medo
Quase disse não.
Mas o seu jeito de me olhar
A fala mansa meio rouca,
Foi me deixando quase louca
Ja não podia mais pensar
Eu me dei toda para você.
De repente fico
Rindo à toa
Sem saber por que?
E vem a vontade
De sonhar
De novo te encontrar
Foi tudo tão de repente
Não consigo esquecer.
E confesso tive medo
Quase disse não.
E meio louca de prazer
Lembro teu corpo no espelho
E veio o cheiro de amor
Eu te sinto tão presente
Volte logo meu amor.
Chiclete Chopp com Banana (Guns N’ Roses)
(Bell Marques/Thiago da Bahia)
Entre o vai e vem rola
Muita pedra vai rolar
Faço samba com teu cheiro
E me calo pra te amar
De janeiro a janeiro
Quebra côco quebra mar
Vou rezar lá no Terreiro
E fevereiro te encontrar
Você gosta do Guns N’ Roses
Eu gosto do Ilê Aiyê
Chiclete chopp com banana
Em Copacabana vou amar você
Você gosta do Caetano
Eu gosto de Gilberto Gil
Você gosta da Timbalada
Mas eu pego um baba na Boca do Rio
Vumbora imbora que a carona já chegou
Vem nesse toque que é de felicidade
Vamo simbora, vem comigo, vem agora
Então vem, depois é muito tarde
Ê ê ê, dança aí
Que eu quero ver
Faço samba com teu cheiro
E me calo pra te amar
Vou rezar lá no Terreiro
E fevereiro te encontrar
Você gosta do Elvis Presley
Eu gosto mesmo é do Falcão
Vira volta, volta vira e mexe
Pega, deita e rola no Camaleão
O rock do Barão é pop
Pop mesmo é eu te amar
Se você gosta do Filhos de Gandhi
Eu gosto de Armandinho Dôdô & Osmar
Chiclete Com Banana
(Gordurinha/Almira Castilho)
Só ponho bip-bop no meu samba
Quando o tio sam pegar no tamborim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele entender que o samba não é rumba
Aí, eu vou misturar
Miami com copacabana
Chiclete eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim...
...quero ver a grande confusão...
...é o samba-rock meu irmão
Mas em compensação eu quero ver
O bug-youg de pandeiro e violão
Quero ver o tio sam de frigideira
Numa batucada brasileira...
...quero ver a grande confusão...
...é o samba-rock meu irmão
Chiquita Bacana
(João de Barro/Alberto Ribeiro)
Chiquita bacana
Lá da Martinica
Se veste com uma casca
De banana nanica
Não usa vestido
Não usa calção
Inverno pra ela
É pleno verão
Existencialista
Com toda razão
Só faz o que manda
o seu coração...
Chocolate
Chocolate, chocolate, chocolate
eu só quero chocolate
só quero chocolate (Bis)
não adianta vir com guaraná pra mim
é chocolate o que eu quero beber
*Não quero pó
não quero rapé
não quero cocaína
me liguei no chocolate
eu me liguei
só quero chocolate
não adianta vir
com guaraná pra mim
é chocolate o que eu quero beber
Chocolate, chocolate, chocolate
eu só quero chocolate
só quero chocolate
não adianta vir com guaraná pra mim
é chocolate o que eu quero beber
Não quero chá
Não quero café
Não quero coca-cola
Me liguei no chocolate
Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná pra mim
É chocolate o que eu quero beber
Chorando e Cantando
Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente
A chama continua
No ar
O fogo vai deixar semente
A gente ri a gente chora
Ai ai ai a gente chora
Fazendo a noite parecer um dia
Depois faz acordar cantando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer
Faz desacreditar de tudo
E depois depois amor ô ô ô ô
Ninguém ninguém verá
O que eu sonhei
Só você
Meu amor
Ninguém verá o sonho que eu sonhei
Um sorriso quando acordar
Pintado pelo sol nascente
Na luz
De cada olhar mais diferente
Tua chama me ilumina
Me faz virar um atro incandescente
Teu amor faz cometer loucuras
Faz mais
Depois faz acordar chorando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer
Faz desacreditar de tudo
E depois depois do amor
Amor ô ô
Chorando no Campo
A chuva cai chorando
E meu amor vai e vem
No céu o chão a rede vai (me vai levando)
A noite além da noite
Me faz lembrar
O que eu não vivi
E toda essa estória
Esse segredo
Memória num vendaval
Pela estrada enquanto eu passo
O cinema é só ilusão
Vou chorando
Pelo campo
No meio
Do temporal
A chuva dá saudade
De algum lugar que eu nunca fui
E o vento vai soprando o choro tão distante
Pela estrada enquanto eu passo
O cinema é só ilusão
Vou chorando pelo campo no meio do temporal
Pela estrada enquanto eu passo
O cinema é só ilusão
Vou chorando pelo campo no meio do temporal
Choro
Tem horas que bate uma tristeza tão grande
Eu não sei o que fazer e nem pra onde ir
É tanta coisa que eu queria dizer,
Mas não tem ninguém para ouvir
Então choro sem ninguém ver... Eu choro
Faço o possível pra segurar a cabeça
Mas a emoção não quer
Que eu me disfarça ou então que eu esqueça
Do amor daquela mulher
Eu choro sem ela saber
Eu choro
Choro por tudo que a gente não teve
Por tudo que a gente realizou,
Choro porque sei que ainda te amo
E você me amou e ama
Choro por tudo se assim for preciso,
Choro porque sei que ainda te quero
Choro por tudo e por tudo lhe digo
Te quero, te espero, te quero... te amo
Eu choro
Choro Bandido
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
Choro Chorado para Paulinho Nogueira
(Toquinho/Vinícius de Morais/Paulinho Nogueira)
Quanta saudade antiga, quanta recordação
O toque paciente de tua mão amiga
Me ensinando os caminhos, corrigindo os defeitos
Dando, todos os jeitos pras notas brotarem do meu violão
Ah, eu me lembro ainda, cheio de gratidão
A hora entardecente, a nostalgia infinda
no modesto ambiente da cainha da praça
E eu em estado de graça de estar aprendendo a tocar violão
E hoje, nós dois, tempos depois
Damos com nova emoção um novo aperto de mão
Nesse chorinho chorado juntos, e que tomara renasça em muitos
Pois a maior alegria é chorar de parceria num chorinho que é só coração
E relembrar que o passado vive num choro chorado
Pelo teu e o meu violão
Chororô
Tenho pena de quem chora
De quem chora tenho dó
Quando o choro de quem chora
Não é choro, é chororô
Quando uma pessoa chora seu choro baixinho
De lágrima a correr pelo cantinho do olhar
Não se pode duvidar
Da razão daquela dor
Não se pode atrapalhar
Sentindo seja o que for
Mas quando a pessoa chora o choro em desatino
Batendo pino como quem vai se arrebentar
Aí, penso que é melhor
Ajudar aquela dor
A encontrar o seu lugar
No meio do chororô
Chororô, chororô, chororô
É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar
Chororô, chororô, chororô
É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar
Chororô, chororô, chororô
É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar
Chororô, chororô, chororô
É mágoa, é muita água, a gente pode se acabar
Chove Chuva
Chove chuva,
Chove sem parar,
Pois eu vou fazer uma prece,
Pra Deus Nosso Senhor,
Pra chuva parar,
De molhar o meu divino amor,
Que é muito lindo,
É mais que o infinito,
É puro e belo,
Inocente, como a flor,
Por favor chuva ruim,
Não molhe mais, o meu amor assim.
Chovendo na Roseira
Olha
Está chovendo na roseira
Que só dá rosa mas não cheira
A frescura das gotas úmidas
Que é de Betinha, que é de Paulinho, que é de João, que é de ninguém
Pétalas de rosa espalhadas pelo vento
Um amor tão puro carregou meu pensamento
Olha! um tico-tico mora ao lado
E, passeando no molhado,
Adivinhou a primavera
Olha
Que chuva boa, prazenteira
Que vem molhar minha roseira
Chuva boa, criadeira
Que molha a terra
Que enche o rio Que lava o céu
Que traz o azul
Olha
O jasmineiro está florindo
E o riachinho de água esperta se lança em vasto rio de águas calmas
Ah! você é de ninguém
Ah! você é de ninguém...
Chuva de Prata
Se tem luar no céu
Retira o véu e faz chover
Sobre o nosso amor
Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor
Basta um pouquinho de mel pra adoçar
Deixa cair o seu véu sobre nós
Oh lua bonita no céu
Molha o nosso amor
Toda vez que o amor disser
Vem comigo,
Vai sem medo
De se arrepender
Voce deve acreditar
No que é lindo
No que eu digo
Pode ir fundo
Isso é que é viver
Cola seu rosto no meu, vem dançar
Pinga seu nome no breu pra ficar
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Enquanto se esquece de mim
Lembra da canção
Oh lua bonita no céu
Molha o nosso amor
Chuva, Suor e Cerveja
Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrô molhado
E vamos embora ladeira abaixo
acho
que a chuva ajuda a gente a se ver
venha
veja
deixa
beija
seja
o que Deus quiser
A gente se embala
se embora
se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva suor e cerveja
Cidadão
Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
e me diz desconfiado, tu tá aí admirado
ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
eu nem posso olhar pro prédio
que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
por que que eu deixei o norte
eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava
tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
e o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
e na maioria das casas
Eu também não posso entrar
O Cidadão do Mundo
A estrovenga girou passou perto do meu pescoço
Corcoviei, corcoviei
Não sou nenhuma besta seu moço
A cena parecia fria antes da festa começar
Mas logo a estrovenga surgia rolando veloz pelo ar
Eu pulei, eu pulei
Corri no coice macio só queria matar a fome no canavial da beira do rio
Jurei, jurei
Vou pegar aquele capitão vou juntar a minha nação na terra do maracatu
Dona Ginga, Zumbi, Veudinho
Segura o baque do mestre Salu
Eu vi, eu vi
A minha boneca vodu subir e descer no espaço na hora da coroação
Me desculpe, senhor me desculpe
Mas esta aqui é a minha nação
Daruê Malungo, Nação Zumbi
É o zum zum zum da capital
Só tem caranguejo esperto saindo deste manguezal
Eu pulei, eu pulei
Corria no coice macio encontrei o cidadão do mundo no manguezal da beira do rio
Josué !
Eu corri saí no tombo se não ia me lascá segui a beira do rio vim parar na capitá
Quando vi numa parde um pinico anunciá
É liquidação total o falante anunciou ih, tô liquidado
O pivete pensou
Conheceu uns amiguinhos e com eles se mandou
Aí meu velho abotoa o paletó
Não deixe o queijo cair e segura o rojão
Vinha cinco maloqueiro em cima do caminhão
Pararam lá na igreja
Conheceram uns irmãos
Pediram pão pra comer
Com um copo de café
E quatro deram no pé
Chila, relê, domilindró...
A Cidade
O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importam se são ruins, nem importa se são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre um com mais e outros com menos
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou com a mesma fedentina do dia anterior
A Cidade dos Artistas
(Henriquez/Bardotti/Chico Buarque)
Na cidade
Ser artista
É posar sorridente
É ver se de repente
Sai numa revista
É esperar que o orelhão
Complete a ligação
Confirmando a excursão
Que te leva ao Japão
Com o teu pianista
E antes que
O sol desponte
Contemplando
O horizonte
Conceder entrevistas
Aos outros artistas
Debaixo da ponte
Na cidade
Ser artista
É subir na cadeira
Engolindo a peixeira
É empolgar o turista
É beber formicida
É cuspir labareda
É olhar a praça lotando
E o chapéu estufando
De tanta moeda
É cair de joelhos
É dar graças ao céu
Lá se foi o turista
O dinheiro, a peixeira
A cadeira e o chapéu
Ser artista
Na cidade
É comer um fiapo
É vestir um farrapo
É ficar à vontade
É vagar pela noite
É ser um vaga-lume
É catar uma guimba
É tomar uma pinga
É pintar um tapume
É não ter documento
Até que o rapa te pega
Te dobra, te amassa
E te joga lá dentro
Cidade Maravilhosa
Cidade, maravilhosa
Cheia de encantos mil,
Cidade, maravilhosa
Coração do meu Brasil,
Berço do samba e das lindas canções,
Que vivem n'alma da gente
És o altar dos nossos corações
Que cantam alegremente.
Jardim florido de amor e saudade
Terra que a todos seduz
Que Deus te cubra de felicidade,
Ninho de sonho e de luz!
Cilada
Quase morri do coração
Quando ela me convidou
Pra conhecer o seu apê
Me amarrei demorou
Ela me usou o tempo inteiro
Com seu jeitinho sedutor
Eu fiz serviço de pedreiro
De bombeiro, encanador
Inocente apaixonado
Eu tava crente, crente
Que ia viver uma história de amor
Que cilada, desilusão
Ela me machucou,
Ela abusou
Do meu coração
Não era amor! Oh! Oh! Não era
Não era amor, era cilada
Quase morrendo de cansaço
Pálido e me sentindo mal
Me trouxe um whisky bem gelado
Me fez um brinde sensual
Aquele clima envolvente acelerou meu coração
Chegou um gigante de repente
Gritando sujou, te peguei Ricardão
Cinema Novo
(Caetano Veloso/Gilberto Gil)
O filme quis dizer: "Eu sou o samba"
A voz do morro rasgou a tela do cinema
E começaram a se configurar
Visões das coisas grandes e pequenas
Que nos formaram e estão a nos formar
Todas e muitas: Deus e o Diabo
Vidas Secas, Os Fuzis
Os Cafajestes, O Padre e a Moça, A Grande Feira,
O Desafio
Outras conversas, outras conversas
Sobre os jeitos do Brasil
Outras conversas sobre os jeitos do Brasil
A bossa-nova passou na prova
Nos salvou na dimensão da eternidade
Porém, aqui embaixo "a vida"
Mera "metade de nada"
Nem morria nem enfrentava o problema
Pedia soluções e explicações
E foi por isso que as imagens do país desse cinema
Entraram nas palavras das canções
Entraram nas palavras das canções
Primeiro, foram aquelas que explicavam
E a música parava pra pensar
Mas era tão bonito que parasse
Que a gente nem queria reclamar
Depois, foram as imagens que assombravam
E outras palavras já queriam se cantar
De ordem, de desordem, de loucura
De alma à meia-noite e de indústria
E a terra entrou em transe, ê
No sertão de Ipanema
Em transe, ê
No mar de Monte Santo
E a luz do nosso canto
E as vozes do poema
Necessitaram transformar-se tanto
Que o samba quis dizer
O samba quis dizer: "Eu sou cinema"
O samba quis dizer: "Eu sou cinema"
Aí o anjo nasceu
Veio o Bandido Meteorango
Hitler Terceiro Mundo
Sem Essa, Aranha, Fome de Amor
E o filme disse: "Eu quero ser poema"
Ou mais: "Quero ser filme, e filme-filme"
Acossado no limite da garganta do diabo
Voltar à Atlântida e ultrapassar o eclipse
Matar o ovo e ver a Vera Cruz
E o samba agora diz: "Eu sou a luz"
Da lira do delírio, da alforria de Xica
De toda a nudez de índia
De flor de Macabéia, de Asa Branca
Meu nome é Stelinha, é Inocência
Meu nome é Orson Antônio Vieira Conselheiro de Pixote Super Outro
Quero ser velho, de novo eterno
Quero ser novo de novo
Quero ser Ganga Bruta e clara gema
Eu sou o samba, viva o cinema
Viva o Cinema Novo
O Cio da Terra
(Milton Nascimento/Chico Buarque)
Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão
Ciranda Azul
(José Genrino/Luiz Otávio)
O azul que hoje canto
É de cor e sentimento
Um pedaço de saudade
Colorindo o pensamento
Quando vinhas inocente
Com vestido de alegria
Teu cabelo amava o vento
Teu sorriso a poesia
A ciranda que é a vida
Sempre, sempre a rodar
Numa volta, volta e meia
Tu trocaste de lugar
E nas voltas da ciranda
Tu ficaste no caminho
Numa volta, volta e meia
Esqueceste meu carinho
Vejo então que nestas cores
Com que te pintaram agora
Nada resta da pureza
Do azul que foi embora
Cirandeira
Esta ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na Ilha de Itamaracá
Esta ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na Ilha de Itamaracá,
Vem cirandeira,
Com teu sorriso me mostrar
Como se dança esta ciranda linda
Na beira da praia
Vem me ensinar a ser feliz
Vem completar minha canção
Que eu fiz nas rendas
Do vestido branco
Que te faz tão linda
Quero em teus braços me perder
De teu amor, feliz amor,
Renascer na maré cheia
Te encontrar na areia
Branca de luar
Na ciranda, volta e meia
Me prender na teia
Desse teu olhar
Circo Místico
Não, não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão sustenta a vida real
Cordas de uma orquestra, sombras de um artista
Palcos de um planeta e as dançarinas no grande final
Chove tanta flor que sem refletir
Um ardoroso espectador vira colibri
Nanana...
Qual não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal existe outra encarnação
Membros de um elenco, malas de um destino
Partes de uma orquestra, duas meninas no imenso vagão
Negro refletor, flores de organdi
E o grito do homem voador ao cair em si
Não sei se é vida real
Um invisível cordão após o salto mortal
Ciúme
Eu quero levar uma vida moderninha
Deixar minha menininha sair sozinha
Não ser machista e não bancar o possessivo
Ser mais seguro e não ser tão impulsivo
| Mas eu me mordo de ciúme (2 x)
Meu bem me deixa sempre muito à vontade
Ela me diz que é muito bom ter liberdade
Que não há mal nenhum em ter outra amizade
E que brigar por isso é muita crueldade
(|)
O Ciúme
Dorme o sol a flor do Chico meio dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro, o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta
Que nem alegre, nem triste, nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta
Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti
Não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu
Juazeiro nem te lembras desta tarde
Petrolina nem chegaste a perceber
Mais na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê
Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda a estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa sombra do ciúme.
Clareana
Um coração
de mel de melão
de sim e de não
Parece um bichinho
no sol de manhã
novelo de lã
No ventre da mãe
bate um coração
De Clara, Ana
e quem mais chegar
Água, terra, fogo e ar
Clarear
Clarear, clarear,
pelo menos um pouco de sol, eu só quero clarear.
Quando não houver mais amor e mais nada a fazer
nunca é tarde pra lembrar que o sol está solto em você.
Um pouco de luz nesta vida, um pouco de luz em você
Clarear, clarear,
quero clarear de vez tudo aquilo que encontrar.
Quando o pouco de bom rarear
e a vida for escura e ruim
nunca é tarde pra lembrar que o sol está dentro de mim
Um pouco de luz nesta vida, um pouco de luz em você.
Clube da Esquina II
(Milton Nascimento/Lô Borges/Márcio Borges)
Por que se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço...
Por que se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases
lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração
Na curva de um rio, rio...
E o Rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente,
gente, gente ...
Cobras e Lagartos
(Sueli Costa/Hermínio Bello de Carvalho)
Nunca mais vai beber minhas lágrimas
Não vai, não
Me fazer de gato e sapato
Não vai mesmo não
Se eu choro, me lanho, me arranho
Não é de saudade (suponho que não...)
É uma dor que mudece aqui dentro o meu coração
Se eu lembro de tuas palavras
Me vem suor
E o sangue me sobe
A cabeça esquenta
E eu fico pior
Me devolva os meus travesseiros
E perco o meu sono
Que coisa ruim
Eu só sei que a imagem dele
Pregada na insônia
Não desgruda de mim
Côco Dub (Afrociberdelia)
Cascos, cascos, cascos
Multicoloridos, cérebros, multicoloridos
Sintonizam, emitem, longe
Cascos, cascos, cascos
Multicoloridos, homens, multicoloridos
Andam, emitem, amam
Acima, embaixo do mundo
Cascos, caos, cascos, caos
Imprevisibilidade de comportamento
O leito não-linear segue
Pra dentro do universo
Música quântica
Codinome Beija-Flor
Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou
Pra que usar de tanta educação
Pra desfilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor
Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome beija-flor
Não responda nunca meu amor nunca
Pra qualquer um na rua beija-flor
Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquificador
Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro
E aguava o bom do amor
Prendia o choro
E aguava o bom do amor
Coisa Mais Linda
Coisa mais bonita é você
Assim, justinho você
Eu juro
Eu não Sei por que
Você
Você é mais bonita que a flor
Quem dera
A primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza
Que é o amor
Perfumando a natureza
Numa forma de mulher
Por que tão linda assim não existe
A flor
Nem mesmo a cor não existe
E o amor
Nem mesmo o amor existe
E eu fico um pouco triste
Um pouco sem saber
Se é tão lindo o amor
Que eu tenho por você
Coisas da Vida
Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde, mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano nessas horas de partida
É o fim da picada
Depois da estrada começa uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte, uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica
Qual é a moral? Qual vai ser o final dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso eu digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso eu jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso eu sonho
Coisas do Brasil
(Guilherme Arantes/Nelson Motta)
Foi tão bom te conhecer
tão fácil te querer
triste não te ver por tanto tempo.
É bom te encontrar
quem sabe feliz
com a mesma alegria
de novo.
Mais uma vez, amor
te abraçar de verdade
há sempre um novo amor
e uma nova saudade.
Coisas do Brasil
coisas do amor
luzes da cidade acendendo
o fogo das paixões
num bar à beira mar
no verde-azul do Rio
de Janeiro.
Mais uma vez amor...
Coisas do Mundo, Minha Nêga
Hoje eu vim, minha nega como veio quando posso
Na boca as mesmas palavras, no peito o mesmo remorso
Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome
Venho do samba há tempo, nega, vim parando a noite inteira
Primeiro achei Zé Fuleiro que me falou de doença
Que a sorte nunca lhe chega, está sem amor e sem dinheiro
Perguntou se eu não dispunha de algum que pudesse dar
Puxei então da viola, cantei um samba pra ele
Foi um samba sincopado que zombou do seu azar
Hoje eu vim, minha nega, andar contigo no espaço
Tentar fazer em seus braços um samba puro de amor
Sem melodia ou palavra pra não perder o valor
Depois encontrei seu Bento, nega, que bebeu a noite inteira
Estirou-se na calçada sem ter vontade qualquer
Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher
Não chegar de madrugada, e não beber mais cachaça
Ela fez até promessa, pagou e se arrependeu
Cantei um samba pra ele, que sorriu e adormeceu
Hoje eu vim, minha nega, querendo aquele sorriso
Que tu entregas pro céu quando te aperto em meus braços
Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço
Por fim encontrei um corpo, nega, iluminado ao redor
Disseram que foi bobagem, um queria ser melhor
Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão
Foi apenas um pandeiro que depois ficou no chão
Não tirei minha viola, parei, olhei e vim-me embora
Ninguém compreenderia um samba naquela hora
Hoje eu vim, minha nega, sem saber nada da vida
Querendo aprender contigo a forma de se viver
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender
Coisas Nossas
Queria se pandeiro
Pra sentir o dia inteiro
A tua mão na minha pele a batucar
Saudade do violão e da palhoça
Coisa nossa ... muito nossa ...
O samba, a prontidão e outras bossas
São nossas coisas... são coisas nossas
Menina que namora,
Na esquina e no portão,
Rapaz casado com dez filhos, sem tostão,
Se o pai descobre o truque,
E dá uma coça...
Coisa nossa... muito nossa...
O samba, a prontidão e outras bossas
São nossas coisas... são coisas nossas
Baleiro, jornaleiro, motorneiro
Condutor e motorista
Prestamista e vigarista...
E o carro que parece uma carroça...
Coisa nossa... muito nossa...
O samba, a prontidão e outras bossas
São nossas coisas... são coisas nossas
Coleção
(Cassiano/Paulo Zdanowski)
Sei que você gosta de brincar
De amores
Mas, oh, comigo não
Comigo não
Sei também que você...
Eu não sei mais nada
Um dia você vai ouvir de alguém
O que ouvi de ti
Então irá pensar
Como eu sonhei em vão
Não vá, ou vá...
Você é quem quer
Quer saber... amo você
Com Açúcar, Com Afeto
Com açúcar, com afeto
fiz seu doce predileto
pra você parar em casa
qual o quê
com seu terno mais bonito
você sai e não acredito
quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário
sai em busca do salário
pra poder me sustentar
qual o quê
no caminho da oficina
há um bar em cada esquina
pra você comemorar
sei lá o que
sei que alguém vai sentar junto
você vai puxar assunto
discutindo futebol
e ficar olhando as saias
de quem vive pelas praias
coloridas pelo sol
Vem a noite, mais um copo
sei que alegre "ma non tropo"
você vai querer cantar
na caixinha um novo amigo
vai bater um samba antigo
pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem feito criança
pra chorar o meu perdão
qual o quê
diz pra eu não ficar sentida
diz que vai mudar de vida
pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado
maltrapilho e maltratado
ainda quis me aborrecer
qual o quê
Logo vou esquentar seu prato
dou um beijo em seu retrato
e abro meus braços pra você
Começar de Novo
(Ivan Lins/Victor Martins)
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Sem as suas garras
Sempre tão seguras
Sem o teu fantasma
Sem tua moldura
Sem suas escoras
Sem o teu domínio
Sem tuas esporas
Sem o teu fascínio
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Já ter te esquecido
Começar de novo
Começaria Tudo Outra Vez
Começaria tudo outra vez, se preciso fosse meu amor
A chama no meu peito ainda queima, saiba, nada foi em vão
A cuba-libre da coragem em minha mão
A dama de lilás me mechucando o coração
A febre de sentir seu corpo inteiro coladinho ao meu
E então eu cantaria a noite inteira
Como eu já cantei e cantarei
As coisas todas que já tive, tenho e sei que um dia terei
A fé no que virá e a alegria de poder olhar pra trás
E ver que voltaria com você
De novo a viver nesse imenso salão
Ao som desse bolero, a vida, vamos nós
E não estamos sós, veja meu bem
A orquestra nos espera, por favor
Mais uma vez, recomeçar
Começo, Meio e Fim
A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa entender que um amor de verdade
É feito canção, qualquer coisa assim
Que tem seu começo, seu meio e seu fim.
A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção
Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte esse meu coração
Ah! Coração
Se apronta pra recomeçar
Ah! Coração
Esquece esse medo de amar de novo
Comentário a Respeito de John
Saia do meu caminho
eu prefiro andar sozinho
deixem que eu decida a minha vida
não preciso que me digam de que lado nasce o sol
por que bate lá meu coração
meu coração
sonho e escrevo em letras grandes de novo
pelos muros do país
| John
| o tempo
| andou mexendo com a gente sim
| John eu não esqueço
| Oh! No, Oh! No
| a felicidade é uma arma quente (bis)
Saia do meu caminho
eu prefiro andar sozinho
deixem que eu decida a minha vida
não preciso que me digam de que lado nasce o sol
porque bate lá meu coração
meu coração
sob a luz do teu cigarro na cama teu rosto rouge
teu batom me diz
|
Comida
(Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/Sergio Britto)
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
Como Dizia O Poeta
Quem já passou por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se de prá quem se deu
Prá quem amou, prá quem chorou, prá quem sofreu
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não
Não há nada pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre teus braços, meu irmão, deixa cair,
prá que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esta não vai ter perdão
Como Dois Animais
Uma moça bonita, de olhar agateado
Deixou em pedaços o meu coração
Uma onça pintada e seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos de aço no chão
Foi mistério e segredo e muito mais
Foi divino o brinquedo e muito mais
Se amar como dois animais
Meu olhar vagabundo de cachorro vadio
Olhava a pintada e ela estava no cio
Era um cão vagabundo e uma onça pintada
Se amando na praça, como dois animais
Como É Grande Meu Amor Por Você
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Eu tenho tanto para lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor
Por você
E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor
Por você
Nem mesmo o céu
E as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior que meu amor
Nem mais bonito
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor
Por você
Nunca se esqueça, nenhum segundo
Que eu tenho amor maior do mundo
| Como é grande o meu amor
| Por você (2x)
Como É que Eu Vou Embora
(George Israel/Cris Braun/Paula Toller)
O que é que eu não faço
Por onde eu não ando
O que é que eu já não tenho
Quando é que eu não venho
Onde fica a tua casa
Porque é que eu não acho
Quanto é o teu retrato
Como é que eu vou embora
Porque é que você olha
Para onde eu não ando
Porque é que você anda
Para onde eu vejo
Onde fica o teu canto
Porque é que não ouço
O que é que eu não ganho
Como é que eu vou embora
O que é eu digo agora
Quando eu vou te ligar
Quantas vezes eu pensei
Porque você não vem
O que é que sinto agora
Quando eu vou desligar
Quantas vezes eu falei
Porque você não vem
Me chamar
Como Eu Quero
Diz prá eu ficar muda
Faz cara de mistério
Tira essa bermuda
Que eu quero você sério
Dramas do sucesso
Mundo particular
Solos de guitarra
Não vão me conquistar
| Eu quero você
| Como eu quero (bis)
O que você precisa
É de um retoque total
Vou transformar o seu
Rascunho em arte final
Agora não tem jeito
Cê tá numa cilada
Cada um por si
Você por mim mais nada
Longe do meu domínio
Cê vai de mal a pior
Vem que eu te ensino
Como ser bem melhor
Como Nossos Pais
Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa
Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina!
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós
Que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se faz o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tou por fora ou então que tou inventando
Mas é você que ama o passado é que não vê
Mas é você que ama o passado é que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais
Como Uma Onda
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como Um Samba de Adeus
(Chico Buarque/Caetano Veloso)
Quanto tempo
Mina d’água do meu canto
Manso
Piano e voz
Vento
Campo
Dentro
Antro
Onde reside o lamento
Preto
Da minha voz
Tanto
Tempo
Como nunca mais, eu penso
Como um samba de adeus
Com que jeito acenar
o meu lenço
Branco
Quanto
Tempo
Pode durar um espanto
Onde lançar a voz
Tempo
Tanto
Como Um Vício
(Gabriel O Pensador/DJ Leandro)
Preste muita atenção no que eu falo
Guarde e não esqueça
O hip-hop entra pelos ouvidos e sobe para a cabeça
Estamos aqui falando sobre o que seria do Gabriel e do Leandro sem o RAP hoje em dia
O que seria de nossas vidas sem o hip-hop?
Seríamos cantores ou simplesmente ouvintes de música pop?
Seria menos difícil eu virar ouvinte do que cantor
Porque eu não canto bem
Não sou cantor sou compositor
Um ser humano que se expressa com pressa chamado Pensador
Mas há alguns anos não sabia que estaria onde estou
Não conhecia o dia-a-dia em que eu me envolvi
E hoje estou aqui agradecendo por isso existir
Sei que nada acontece por acaso na vida
E foi por isso que eu conheci essa cultura tão pouco difundida H.I.P. H.O.P.
Parecia magia e eu percebia que mergulhava num poço vivo de sabedoria
Mergulhei fundo entrei de cabeça entrei com a vida
E agora a cabeça está constantemente ativa e sempre erguida
Graças aquele momento do meu descobrimento
Dessa linguagem
Dessa arte
Desse movimento
Do qual estou dentro e que está dentro de mim
Confesso que estou envolvido até o ossos
Não posso sair
Sou viciado apaixonado dependente
Num vício diferente, completamente consciente
Que alimenta minha mente e me leva em frente a cada dia
E eu me pergunto: se eu não estivesse nisso onde eu estaria?
Vício
Alguns podem achar que é fanatismo ou algo parecido
E quem estiver incomodado com o que eu digo tape os ouvidos
Pois eu continuarei cantando como eu não parei de ouvir
Desde a primeira vez que escutei isso mudou minha forma de agir
Pensar
Falar
Me expressar
Nem todos que sonharam conseguiram
Mas pra conseguir é preciso sonhar
Ideologia eu tenho uma pra viver
E poderia perguntar se acontece o mesmo com você
Mas a pergunta agora é outra amigo
Se não fosse o hip-hop o que o destino teria feito comigo?
Seria apenas mais um jovem estudante
Com um boletim no fim do mês e um monte de livros na estante?
Não não me contentaria em ser apenas isso
Graças a Deus, além de livros, a minha estante está cheia de discos
Que me ensinam muito mais do que cê pode estar pensando
Quem conhece o hip-hop sabe bem do que eu tô falando
Dessa cultura: menos música e mais literatura
É mais fácil escrever um rap num livro do que numa partitura
Mas uma coisa eu não responderia
Se a minha vida não estivesse nisso, que vida eu teria?
Vício
Entrei na história do hip-hop e o hip-hop entrou na minha história
Tô cheio de idéias na cabeça e versos na memória
E eu já não sou mais inocente feito uma criança
Mas o meu peito felizmente tem uma ponta de esperança
Sou responsável pela mudança e sinto isso desde o início
É muito forte
É como um vício
É como um vício
É como um vício, é muito mais que um simples compromisso
E se viver é difícil seria bem mais difícil viver sem isso
Ideologia de vida, parece que achei a minha. Tô satisfeito
Sinto que, sem isso, eu sentiria um vazio estranho no peito
Quando estou no palco ou escrevendo um som
Sinto que me encontrei comigo mesmo e isso é muito bom
Sinto que sou aqui meu verdadeiro eu no lugar certo
E se eu não estivesse aqui provavelmente estaria bem perto
Agradeço por eu não estar vivendo em vão
Viver longe de si mesmo é muita solidão
Mas eu não fujo do meu eu, não fujo do meu nome: Gabriel O Pensador
Por isso estou com o microfone
Me expressando com um papel e uma caneta na mão
E cantando pros amigos ou pra multidão
Correndo atrás viajando para qualquer cidade
Meus ideais valem mais que minha privacidade
Amado por poucos
Odiado por outros
Alguns me acham sábio, alguns me acham louco
Só sei que não sou sábio
Só sei que nada sei
Só sei que precisamos aprender
E é isso que eu farei
Conhece-te a ti mesmo
Eu estou tentando
Apenas começando
Aprendendo e ensinando
Tudo isso é minha vida, e eu me pergunto a cada dia:
Se eu não estivesse nisso, onde eu estaria?
Companhia
(Cazuza/Frejat/Ezequiel Neves)
Se você quiser
Prender o seu amor
Dê liberdade pra ele
Mas nunca lhe diga adeus
Que adeus é tempo demais
Espera,
De repente ele chega
Com tanta coisa pra contar
Quem sabe pra repetir
O que você quer ouvir de novo
É um desperdício comum
Dois viver vida de um
Querer viver cada emoção eternamente
Querer viver cada emoção eternamente não
Eu não ligo para estar sozinha
Pois tenho por companhia
Mil corações onde sou rainha
Pois cada homem que amei
Em cada um eu deixei
Uma pista do meu caminho
É um desperdício comum
Dois viver vida de um...
O Compositor Me Disse
O compositor me disse
Que eu cantasse distraidamente esta canção
Que eu cantasse como se o vento soprasse
Pela boca, vindo do pulmão
E que eu ficasse ao lado pra escutar
O vento jogando as palavras pelo ar
O compositor me disse
Que eu cantasse ligada no vento
Sem ligar pr’as coisas
Que ele quis dizer
Que eu não pensasse em mim
Nem em você
Que eu cantasse distraidamente
Como bate o coração
E que eu parasse aqui, assim
Computadores Fazem Arte
Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro
Computadores avançam
Artistas pegam carona
Cientistas criam o novo
Artistas levam a fama
Com que Roupa
Agora vou mudar minha conduta
Eu vou prá luta,
Pois eu quero me arrumar
Vou tratar você com força bruta,
Prá poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa,
E agora, com que roupa, eu vou,
Pro samba que você me convidou, me convidou
Com que roupa eu vou, com que roupa eu vou?
Pro samba que você me convidou?
Seu Português agora deu o fora, foi embora,
E levou seu capital
Esqueceu quem tanto amou outrora
E foi no Adamastor prá Portugal.
Pra se casar com uma cachopa
E agora com que roupa, eu vou,
Pro samba que você me convidou, me convidou
Com que roupa eu vou,
Com que roupa eu vou,
Pro samba que você me convidou.
Agora estou pulando feito um sapo
Pra ver se escapo
Dessa praga de urubu
O meu paletó já virou estopa
Eu vou acabar ficando nu
Pois esta vida não está sopa
E eu não sei mais com que roupa, eu vou
Ao samba que você me convidou, me convidou,
Com que roupa, eu vou, com que roupa eu vou?
Ao samba que você me convidou...
Agora eu não ando mais com fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem prá gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora, com que roupa?
Confidência
(Jorge de Altinho/Petrucio Amorim)
Tenho um segredo menina
Cá dentro do peito
Que a noite passava
Quase que sem jeito
Vendo a madrugada
Eu ia revelar
Mas quando um amor diferente
Tava nos meus braços
Olhei pro espaço
E vi lá no céu
Uma estrela cadente se mudar
Eu lembrei
Das palavras doces
Que um dia falei pra alguém
Que tanto, tanto me amou
Me beijou como ninguém
Que flutuou nos meus braços
Entrou nos meus planos
E os nossos segredos confidenciamos
Sem hesitar
Ei tenho um segredo...
Conspiração Internacional
Todo mundo sabe de alguma coisa que eu não sei
De um filme que eu não vi, de um aula que eu faltei
Por mais que eu tente eu nunca chego no horário
Eu perco tudo o que eu ponho no armário
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil
A fila que eu escolho vai sempre andar mais devagar
E o troco acaba bem na hora em que eu vou pagar
Se eu me distraio um único instante
Pode apostar que eu perco o mais importante
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil
Os vizinhos devem rir por trás do jornal
E eu desconfio de um complô
O maior que já se armou
Uma conspiração internacional
Todo mundo acha que o Rio de Janeiro
Não é bonito como foi no passado
Será verdade
Será que eu devo acreditar
Quando eles dizem que eu cheguei atrasado
Nunca foi nada perfeito
Mas até que eu gosto assim desse jeito
Construção
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Conversa de Botequim
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa media que não seja requentada
Um pão bem quente, com manteiga a à beça,
Um guardanapo, e um copo d'água, bem gelada,
Fecha a porta da direita, com muito cuidado,
Porque eu não estou disposto, a ficar exposto ao sol,
Vá perguntar ao seu freguês do lado,
Qual foi o resultado do futebol.
Se você ficar limpando a mesa,
Não me levanto e nem pago a despesa,
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão,
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro prá espantar mosquitos,
Vá pedir, ao charuteiro,
Que me empreste uma revista, um cinzeiro e um isqueiro,
Telefone ao menos uma vez,
Para 34-43-33
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva aqui pro nosso escritório,
Seu garçom me empreste algum dinheiro,
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa, no cabide, ali em frente (repete)
Conversando no Bar
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira
E o motorneiro parava a orquestra um minuto
Para me contar casos da campanha da Itália
E de um tiro que ele não levou, levei um susto imenso
Nas asas da Pan Air
Descobri que as coisas mudam e que o mundo é pequeno
Nas asas da Pan Air
E lá vai menino xingando padre e pedra
E lá vai menino lambendo podre delícia
E lá vai menino senhor de todo fruto
Sem nenhum pecado, sem pavor
O medo em minha vida nasceu muito depois
Descobri que a minha arma é o que a memória guarda
Dos tempos da Pan Air
Nada existe que não se esqueça, alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe que não se esquece, alguém insiste e fere o coração
Nada de novo existe neste planeta que não se fale aqui na mesa de bar
E aquela briga e aquela fome de bola
E aquele tango e aquela dama da noite
E aquela mancha e a fala oculta
Que no fundo do quintal morreu, morri a cada dia dos dias que vivi
Cerveja que tomo hoje é apenas em memória dos tempos da Pan Air
A primeira Coca-Cola foi, me lembro bem agora, nas asas da Pan Air
A maior das maravilhas foi voando sobre o mundo nas asas da Pan Air
Em volta dessa mesa velhos e moços lembrando o que já foi
Em volta dessa mesa existem outras falando tão igual
Em volta dessas mesas existe a rua vivendo o seu normal
Em volta dessa rua uma cidade sonhando seus metais
Em volta da cidade...
Copacabana
(Braguinha/Alberto Ribeiro/João de Barro)
Existem praias tão lindas
Cheias de luz
Nenhuma tem os encantos
Que tu possuis
Tuas areias
Teu céu tão lindo
Tua sereia
Sempre sorrindo
Copacabana, princesinha do mar
Pela manhã tu és a vida a cantar
E a tardinha o sol poente
Deixa sempre uma saudade na gente
Copacabana, o amor eterno cantor
Ao te beijar ficou perdido de amor
E hoje vive a murmurar
Só a ti Copacabana eu hei de amar
Coração Bobo
Meu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
Zabumba, bumba esquisito
Batendo dentro do peito
Teu coração tá batendo
Como quem diz não tem jeito
O coração dos aflitos
Pipoca dentro do peito
Coração bobo, coração bola
Coração balão, coração São João
A gente se ilude dizendo
Já não há mais coração
Coração Civil
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Quero a utopia
Quero tudo e mais
Quero a felicidade dos olhos de um pai,
Quero a alegria, muita gente feliz,
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão,
Quero ser a amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder
Eu quero ver...
São José da Costa Rica,
Coração civil,
Me inspire no meu sonho de amor,
Brasil,
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real,
Vou sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia,
Nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia
Que só a gente é que sabe ter!
Assim dizendo a minha utopia
Eu vou levando a vida
Eu vou viver bem melhor,
Doido pra ver o meu sonho de gozo
Um dia se realizar...
Coração de Estudante
(Milton Nascimento/Wagner Tiso)
Quero falar de uma coisa
Adivinha onda ela anda?
Deve estar dentro do peito
Ou caminhar pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto
Coração de estudante
E há que se cuidar da vida
E há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes: planta e sentimento
Folhas, coração, juventude e fé
Coração de Papel
Se você pensa que meu coração é de papel
Não vá pensando pois não é
Ele é igualzinho ao seu e sofre como eu
Porque fazer chorar assim a quem lhe ama ?
Se você pensa em fazer chorar a quem lher quer
A quem só pensa em você
Um dia sentirá que amar é bom demais
Não jogue amor ao léo meu coração que não é de papel
Por quê fazer chorar?
Por quê fazer sofrer um coração que só lhe quer
O amor é lindo, eu sei,
E todo eu lhe dei
Você não quis, jogou ao léo
Meu coração que não é de papel
Coração Vagabundo
Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por um sonho meu sem dizer adeus
E fez dos olhos meus um olhar mais sem fim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim.
Corações Psicodélicos
Ainda me lembro
Daquele beijo
Spank punk violento
Iluminando o céu cinzento
Eu quero você inteira
Gosto muito do seu jeito
Qualquer nota bossa nova
Bossa nova qualquer nota
Eu quero você na veia
E a vida passa na TV
E o meu caso é com você
Fico louco sem saber
Sim pro sol, sim pra lua
Eu quero você toda nua
Sim pra tudo que você quiser
Gosto muito do seu jeito
Rock'n roll meio nonsense
Rock roll meio nonsense
Pra acabar com essa inocência
E o complexo de decência
No meio do salão
A vida... você quiser
Hoje é festa
Na floresta
Toda tribo ateia som
Toda taba ateia sol
Só tomando água de coco
Infeliz de quem tá triste
No meio dessa confusão
Corcovado
Um cantinho, um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela, vê-se o Corcovado
O Redentor, que lindo!
Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente desse mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é a felicidade
Meu amor
Cordas de Aço
Ah! essas cordas de aço
Este minúsculo braço
No violão, que os dedos meus acariciam
Ah! Este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão compreende porque
Perdi toda alegria
E no entanto o meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher até hoje está nos esperando
Solte o teu som na madeira
Eu, você a companheira
E a madrugada iremos pra casa cantando
A Cor Da Vida (Camaleão)
(Jonne/Val Macambira/Lula Sibemol)
Em cada lugar do Brasil
Onde passo, vejo beleza rara
Gente, mistura de cor
Colorindo o perfil dessa nação
Em cada menina que vejo
Me lembro meu bem da tua cara
E sinto uma coisa gostosa
No meu coração
Canto em louvor do prazer
Que me dá ter você linda mulher
Graça da raça ó flor cuja cor
Transformou você prá mim
Sinto teu cheiro tão bom
Teu calor quando chega e me abraça
Nesse swing gostoso
Eu vou te arrastar
Eu vou, brilhar com meu bloco
Na avenida
Eu sou, sou Camaleão a cor da vida
Eu quero ver, eu quero ver
Você sorrir
Eu quero ver, eu quero ver
Você dançar
Eu quero ver, eu quero ver
Você feliz
Eu quero ver, eu quero ver
Você cantar
Cor-de-Rosa Choque
Nas duas faces de Eva
A bela e a fera
Um certo sorriso
De quem nada quer
Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher
Por isso não provoque
É cor-de-rosa choque
Não provoque
É cor-de-rosa choque
Mulher é bicho esquisito
Todo mês sangra
Um sexto sentido
Maior que a razão
Gata borralheira
Você é princesa
Dondoca é uma espécie
em extinção
Cores Vivas
Tomar pé
Na maré desse verão
Esperar
Pelo entardecer
Mergulhar
Na profunda sensação
De gozar
Desse bom viver
Bom viver
Graças ao calor do sol
Benfeitor
Dessa região
Natural
Da jangada, do coqueiral
Do pescador
De cor azul
Bela visão
Cartão postal
Sabor do mel, vigor do sal
Cores da pena de pavão
Cenas de uma vibração total
Cores vivas
Eu penso em nós
Pobres mortais
Quantos verões
Verão nossos
Olhares fãs
Fãs desses céus
Tão azuis
Corrente
Eu hoje fiz um samba bem pra frente
Dizendo realmente o que é que eu acho
Eu acho que o meu samba é uma corrente
E coerentemente assino embaixo
Hoje é preciso refletir um pouco
E ver que o samba está tomando jeito
Só mesmo embriagado ou muito louco
Pra contestar e pra botar defeito
Precisa ser muito sincero e claro
Pra confessar que andei sambando errado
Talvez precise até tomar na cara
Pra ver que o samba está bem melhorado
Tem mais é que ser bem cara de tacho
Não ver a multidão sambar contente
Isso me deixa triste e cabisbaixo
Por isso eu fiz um samba bem pra frente
Dizendo realmente o que é que eu acho
Corsário
Meu coração tropical
Está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E a voz vibra e a mão escreve: Mar
Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso,
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar,
Procurar o mar
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical
Partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos e as rosas
Partindo o ar
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar!
Costumes
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Eu pensei que pudesse esquecer certos velhos costumes
Eu pensei que já não me lembrasse de coisas passadas
Eu pensei que pudesse enganar a mim mesmo dizendo
Que essas coisas da vida em comum não ficavam marcadas
Não pensei que me fizessem falta umas poucas palavras
Dessas coisas simples que dizemos antes de dormir
De manhã o bom dia na cama, a conversa informal
O beijo depois do café, o cigarro e o jornal
Os costumes me falam de coisas e fatos antigos
Não me esqueço das tardes alegres com nossos amigos
Um final de programa, fim de madrugada
O aconchego na cama, a luz apagada
Essas coisas somente com o tempo
Se pode esquecer
E então eu me vejo sozinho como estou agora
E respiro toda liberdade que alguém pode ter
De repente ser livre até me assusta
Me aceitar sem você certas vezes me custa
Como posso esquecer dos costumes
Se nem mesmo esqueci de você
Cotidiano
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Cotidiano Nº2
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Há dias que no se lo que me passa
Eu abro meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
Acabo discutindo o futebol
| Mas não tem nada não
| Tenho meu violão (2x)
Acordo de manhã pão com manteiga
Muito muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
Eu chego a achar Herodes natural
(refrão)
Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe o nosso dia vai chegar
Rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar
(refrão)
Aos sábados em casa tomo um porre
Sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais
(refrão)
Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus escute amigo
Se foi prá desfazer porque é que fez
(refrão)
Covered Saints
Triste quer saber
Se ainda mora em mim
Não sei dizer
Chega de você
Te sinto mais livre
No querer
O amor que diga
Que fim dar
Se de forma ímpar
Este gosto
Livre no seu pouso
A noite vem
Dry the phrases
Where you across
With this soft breeze
Covered saints
Blessed is the dream
Of the sleeper
That surrounds our beautiful place
Se ainda mora em mim
Não sei dizer
In a Beautiful way
Way, Way
You're devoring me
Me, me
I don't Know now to say
Cravo e Canela
(Milton Nascimento/Ronaldo Bastos)
Ê morena quem temperou,
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Ê cigana quem temperou,
Morena quem temperou
A cor de canela
A lua morena
A dança do vento
O ventre da noite
E o sol da manhã
A chuva cigana
A dança dos rios
O me