

Músicas da MPB - F
Músicas da MPB - F
Faça o Diabo Feliz
(Gabriel O Pensador/Jorge "Tito")
Todos correm atrás de paz e felicidade
Numa procura incessante que faz com que muitas pessoas acabem
Desiludidas ingenuamente suicidas
Totalmente perdidas
No labirinto da vida
Andando em círculos
Buscando saída de modo ridículo
E a cada topada nas pedras da estrada
Alguém te observa como quem não quer nada
Você não enxerga você não escuta o filha da... dando risada
E se qualquer canoa furada alivia a depressão você embarca
Pensa que é a tábua da salvação
Mas não haverá escapatória na fuga ilusória
Buscando no pó a vitória
Você fez o nó
Desfaça ele agora
Ou ele te enforca
Sem final feliz na história
Aí acabou
Não tem bis
Faça o diabo feliz...
Deixe o diabo contente
Mostrando os dentes
Continue bancando o valente
Baixando o cacete
Puxando o tapete
De quem encontrar pela frente
Arrume inimigos
Não dê ouvidos
A quem disser que quem fere com ferro com ferro será ferido
Pise
Esmague
Mate
Pague pra ver
Se o preço for alto não vá se arrepender
Subir é difícil, mais fácil é descer
E ele te abraça com todo o prazer
E te diz: Ambição,
Egoísmo - o xis da questão então
Faça o diabo feliz...
Se fingindo de cego tudo é lindo
Pela desgraça - dos outros - você passa sorrindo
Agindo da forma mais arrogante
Está de pé e não quer que ninguém mais se levante
Impressionante o seu jeito covarde
De explorar a desigualdade
Mergulhando num mar de
Indiferença parasitando o povo
A recompensa está chegando em dobro
Agora coma o pão que ele amassou
É a opção que restou
O seu reinado acabou
Foi bom enquanto durou
De gigolô a meretriz
Será que foi isso que você quis?
Ontem ria hoje chora
Veja só
Quem ri por último ri melhor
Faça o diabo feliz
Face a Face
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
Morena quando repenso o nosso sonho fagueiro
O céu estava tão denso, o inverno tão passageiro
Uma certeza me nasce, e abole todo o meu zelo
Quando me vi face a face fitava o meu pesadelo
Estava cego o apelo, estava solto o impasse
Sofrendo nosso desvelo, perdendo no desenlace
No rolo feito um novelo, até o fim do degelo
Até que a morte me abrace
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
Morena quando relembro aquele céu escarlate
Mal começava dezembro, já ia longe o combate
Uma lambada me bole, uma certeza me abate
A dor querendo que eu morra, o amor querendo que eu mate
Estava solta a cachorra que mete o dente e não late
No meio daquela zorra, perdendo no desempate
Girando feito piorra, até que a mágoa escorra
Até que a raiva desate
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
Faceira
Foi num samba
De gente bamba
Oi! gente bamba,
Que eu te conheci,
Faceira,
Fazendo visagem,
Passando rasteira.
Que bom, que bom, que bom.
E desceste lá do morro
Pra viver cá na cidade,
Deixando o companheiro,
Quase louco de saudade.
Linda criança,
Tenho fé, tenho esperança,
Tu um dia hás de voltar,
Direitinho ao teu lugar.
(foi num samba)
Fado Tropical
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose
de lirismo...(além da
sífilis, é claro)*
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em
torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa..."
Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
* trecho original, vetado pela censura
Falando de Amor
Se eu pudesse por um dia
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção
Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor
Chora flauta, chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor
Quando passas, tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu me esqueço até do futebol
Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti meu coracao
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração
Falar A Verdade
Vamos falar a verdade pra vocês
Ei, ei, estamos aí (pro que der e vier)
Ei, ei, estamos aí (pro que der e vier)
A fim de saber a verdadeira verdade
Estamos a fim de saber, a fim de saber
Estamos a fim de saber, a fim de saber
Você que luta para se manter
Você que pede pra sobreviver
Você que olha com toda curiosidade
A fim de saber a verdadeira verdade
Estamos a fim de saber, a fim de saber
A fim de saber a verdadeira verdade
Estamos a fim de saber, a fim de saber
Ei, ei, estamos aí (pro que der e vier)
Ei, ei, estamos aí (pro que der e vier)
Você que foge como um ladrão
Tentando se esquivar da perseguição
Você que foge como um ladrão
Tentando se esquivar da perseguição
Você que anda pelo meio da rua
Você que lê livros de mulher nua
Você que vê coisa invisível
Você que crê no todo poderoso
Você que nasce (hou) você que cresce (hou)
Falsa Baiana
Baiana que entra na roda e só fica parada
Não samba, não mexe, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca
Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
Deixando a moçada com água na boca
A falsa baiana quando entra no samba
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba
Salve a Bahia, senhor
Mas a gente gosta quando uma baiana
Samba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de São Salvador
Faltando Um Pedaço
O amor é um grande laço
um passo pr'uma armadilha
um lobo correndo em círculos
pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada
com a fuga de uma ilha:
Tanto engorda quanto mata
feito desgosto de filha
O amor é como um raio
galopando em desafio:
abre fendas cobre vales
revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro
se perderá no caminho
na pureza de um limão
ou na solidão do espinho
O amor e a agonia
cerraram fogo no espaço
brigando horas a fio
o cio vence o cansaço
E o coração de que ama
fica faltando um pedaço
que nem a lua minguando
que nem o meu nos seus braços
Fantasia
E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão
Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Fã Número 1
Você nem desconfia
E o que eu não daria
Por seu amor
Onde você anda
Não sei como chamo
A sua atenção
Que eu existo
Aposto que pode dar certo
Esse romance
Aberto dentro de mim
Você nem imagina
Que eu te inundaria
Toda de som
Luz da ribalta
Te quero no palco
Entra em cena
Faz seu número
Faz meu gênero
Ser seu fã nº1
Ali, no gargarejo
Jogando beijo.
Faraó
Sou faraó prazer minha mão
Sou faraó passeio pelo sol
Sou faraó o rei da folia
Sou faraó e o Egito é a Bahia
Saí das catacumbas nunca fui da escuridão
Zabumba e duas tumbas carrego sempre na mão
Sei de berro do bezerro sei da seiva
Azerbaijão
E no lombo do camelo não tenho medo não
Faroeste Caboclo
- Não tinha medo, o tal João de Santo Cristo,
Era o que todos diziam quando se perdeu.
Deixou prá trás todo o marasmo da fazenda
Só para sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu.
Quando criança só pensava em ser bandido,
Ainda mais quando com tiro de um soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu.
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar.
Sentia mesmo que era diferente
E sentia que aquilo ali não era o seu lugar.
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria, escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado para o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.
Não entendia como a vida funcionava -
Discriminação por causa da sua classe ou sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar
Dizia ele: - Estou indo pra Brasília,
Neste país lugar melhor não há.
Estou precisando visitar a minha filha
Então fico aqui e você vai no meu lugar.
E João aceitou sua proposta e num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de natal
- Meu Deus, mas que cidade linda,
No ano-novo eu começo a trabalhar.
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava três mil por mês em Taguatinga.
Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo de seu bisavô:
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ia começar
E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa e decidiu que,
Como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E, sem ser crucificado, a plantação foi começar
Logo logo os malucos da cidade souberam da novidade:
- Tem bagulho bom aí!
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês.
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal.
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general.
Foi quando conheceu uma menina
E de todos seus pecados ele se arrependeu.
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele
Pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
- Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho seu eu quero ter.
O tempo passa e um dia vem à porta um senhor de alta classe
com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta.
Uma resposta de João:
- Não boto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança
Isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas, que fica atrás da mesa
Com o cu na mão.
E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião.
Mas antes de sair, com um ódio no olhar, ovelho disse:
- Você perdeu sua vida, meu irmão.
Você perdeu a sua vida meu irmão. Você perdeu a sua vida meu irmão.
Essas palavras vão entrar no coração
E eu vou sofrer as consequências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
E seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro
Trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina.
Mas acontece que um tal de Jeremias, traficante de renome,
Apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que o Jeremias começasse a brigar.
(O Jeremias, maconheiro sem-vergonha, organizou a Rockonha
E fez todo mundo dançar.)
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar.
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
- Eu vou embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo da gente se casar.
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia, Jeremias se casou
E um filho nela ele fez.
Santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia, em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor
Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter na televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão
No sábado então, às duas horas, todo o povo
Sem demora foi lá só pra assistir
Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir.
Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali.
E se lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
- Se a via-crucis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu.
Ela trazia a Winchester-22
A arma que Pablo lhe deu.
- Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é.
E não atiro pelas costas não
Olha pra cá filha-da-puta sem-vergonha,
dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o seu perdão.
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor.
E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na história que eles viram na TV
E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente,
Pra ajudar toda essa gente
Que só faz sofrer.
Fascinação
(F. D. Marchetti/M. de Feraudy)
Os sonhos mais lindos, sonhei,
De quimeras mil um castelo, ergui,
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão, mil venturas previ...
O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino, cheio de esplendor,
Teu sorriso, prende, inebria, entontece,
És fascinação.... Amor!
A sorrir, a cantar a beijar,
Nossas bocas se uniam, então,
E os campos, sorriam, viviam,
E as flores nos ventos se abriam...
Mas, um destino mau, certo dia chegou,
E, sem o teu, o meu coração secou.
Hoje sombra sou, do que fui,
Minhas ilusões o destino levou,
Nada mais existe, desde que partiste,
E, em meu coração, só saudade ficou!
Vivo com o passado, a sonhar
Vendo-te, ainda, em meu coração,
Mas, tudo, promessas, quimeras, mentiras,
Da tua Fascinação!...
Fátima
Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
E se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de nêutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou
Um Favor
Eu hoje acordei pensando
Por que é que eu vivo chorando
Podendo lhe procurar
Se a lágrima é tão maldita
Que a pessoa mais bonita
Cobre o rosto pra chorar
E refletindo um segundo
Resolvi pedir ao mundo
Que me fizesse um favor
Para que eu não mais chorasse
Que alguém me ajudasse
A encontrar meu amor
Maestro, músicos, cantores
Gente de todas as cores,
Faça esse favor pra mim
Quem puder cantar que cante
Quem souber tocar que toque
Flauta, trombone ou clarim
Quem puder gritar, que grite
Quem tiver apito, apite
Faça esse mundo acordar
Para que onde ela esteja
Saiba que alguém rasteja
Pedindo pra ela voltar...
Fazenda
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer era tão normal
Que o tempo parava
E a meninada
Respirava o vento
Até vir a noite
E os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você
E no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer era tão normal
Que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira
Tinha manga-rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida
Tios na varanda
Jipe na estrada
E o coração lá
Tios na varanda
Jipe na estrada
E o coração lá
Fazer Amor
O que é que há meu bem,
Não quero nem pensar
Você me olha e fica nesse vai não vai
Fazer fazer amor
Não posso entender
Se você também quer
Mas faz de conta,
Com seu pega-rapaz
| Fazer fazer amor (3x)
Dê um corte na mentira
Dê um lance na medida,
Dê um toque milenar
Nesse jogo de azar,
Nessa mistificação
Pontapé só dá intriga
Vem de frente vem de quina,
Passe a mão na paciência,
Pra poder fazer amor
| Fazer fazer amor (3x)
Zen um caso sem intriga,
Esse beijo me instiga
Uma frase secular.
Se Picasso vai tocar,
Tenho mistificação,
Mona Lisa nem se liga
No surfista parafina
Tenho a santa consciência
Pra poder fazer amor
| Fazer fazer amor (3x)
Faz Tanto Tempo...
(Pimpinela/versão: Banana É Um Real)
Faz tanto tempo que ela não liga pra mim...
Faz tanto tempo que tudo deixou de existir...
Agora que aprendi, sozinho, a viver
esquecendo esse amor...
Ela aparece bem tarde da noite e diz que voltou...
Quem é? Sou eu!
O que é que você quer? Você!
É tarde! Por quê?
Porque hoje sou eu que não quero mais você!
Por isso fora, esqueça meu nome, meu rosto, minha casa
E siga seu rumo... ...Eu não consigo compreender
Fora, esqueça que eu vivo,
todo meu dinheiro e todo meu mundo
Estás mentindo, posso ver...
Fora, está tudo acabado, esqueça que eu vivo,
mas não se esqueça...
Esqueça de mim que afinal p'ra esquecer
você tem experiência
Fui procurar emoções e por isso parti...
Em busca de sensações que eu nunca senti...
Agora descobri que era só fantasia e por isso voltei...
Pois o que interessa p'ra mim nesta vida é somente você...
Adeus! Por quê?
Não quero mais falar! A respeito do quê?
Adeus! Por quêêê...?
Porque hoje sou eu que não quero mais você!
FDP3
(Gabriel O Pensador/Jorge "Tito"
Os filha da puta vivem arrumando desculpa
E motivos pra te pegar te usar e depois te desprezar
Te tomam tudo, a vida, a grana e a alma
E ainda querem que você tenha calma
Por isso eu vou falar (pode falar)
Vou contar (pode contar)
Sobre os filha da puta que só querem te roubar
Fundam uma igreja ora veja onde já se viu
Enriquecer com a fé alheia (puta-que-pariu)
E é inútil tentarmos abrir os olhos do povo
Pois se um abre os olhos mil olhos fecham de novo
E eles dizem que você está com o demônio
Mas o demônio habita no seu patrimônio
E eles farão o "favor" de tomar toda sua grana
Porque a grana pra eles é uma coisa profana
Só que aí o demônio vai parar com quem?
No bolso do filha da puta que fica rico dizendo amém
| Filha da puta filha da puta filha da puta (3x)
E tem outra raça de filha de puta que é uma desgraça
Eles se acham os predadores e você a caça
Com um uniforme padrão, uma bota preta
Um cassetete na mão, na outra uma escopeta
Eles invadem uma casa onde uma família luta
Pra sobreviver (Pode crer, filha da puta!)
Eles te humilham, te matam, te caçam por prazer
E dizem ser o dever, mas é difícil entender
Por que pra eles qualquer um é um marginal
Logicamente com seus parentes não será igual
Porque eles julgam as pessoas pela cor
Procuram causar a dor
Procuram causar terror
Mas nós não vamos ficar aqui abobalhados fugindo da luta
Vamos mandar tomar no cú esses filhas da puta
|
Filha da puta, escuta o que eu vou te dizer
Você está no poder agora mas um dia vai se fuder
Você está numa boa rindo a toa cheio de graça
Mas todos nós ainda vamos ver a sua desgraça
Você se esconde em Brasília essa ilha cercada de filha da puta
De político fajuto me escuta seu puto
Aprovando leis só para vocês e sua cambada
Arranjando obras superfaturadas
Eles te exploram te chupam o sangue
Só pensam no lucro da sua gangue
Então escuta, pensa e responda a pergunta:
- Todo político é um filha da puta?
|
E tem outra espécie
De filha da puta que me emputece
É o pai desnaturado machão frustrado que se esquece
De que o tempo das cavernas já passou
E bate na família quando não devia nem bater com uma flor
Na mulher nas crianças mostrando toda a autoridade
De um homem primata no seu machismo covarde
Quando você vê na rua uma mulher com o olho roxo
Tenha certeza que ela é a mulher de um frouxo
Um Zé Ruela que com ela é agressivo, sem diálogo
Trata como égua porque é um cavalo
O autoritário da família, não tem autoridade além da força bruta
Bate no filho e na filha porque é um...
|
Feijão de Corda
Compraria o mundo inteiro
Só pra ter você
Mas o dinheiro
Foi o que me faltou
Vivo com essa mania
De te quer bem
A pé ou de trem
Eu chego
Fico ao seu lado
Esperando uma chance
De te falar
É seu todo amor
Guardado em meu peito
Conquistado o nosso
Primeiro beijos
Naquele arvoredo
De manhã cedo
Brindamos o sol
Sábado dia de feira
Tem feijão de corda
Cê me amarrou
Punhado de luz pra peneirar
Vou beber água
E ver meu amor
Feijoada Completa
Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão
Feijoada do Vizinho
(Bell Marques/Wadinho Marques)
Eu sei que tem gente
Dizendo que o mundo rodou...
Piou
Pior
Quem espera “meu rei”
Sentado no meio-fio
É de alta tensão
O verão é que me traz
Muita onda meu bem, ô, ô...
Ô,Ô, guenta aí seu motorista
Ô,Ô, guenta aí seu motorista
Ô,Ô, que eu quero descer
Você não sacou ô,ô,ô
É chic comer banana
Chic é chiclete com caldo de cana
É legal
Da feijoada do vizinho
Eu só como um tiquinho, iê,iê,iê
Liberdade nunca é demais,
Oh..oh..ah...ah...
O equilíbrio vem com a paz
Havaí - Havaí - Havaí
Tá legal, tá legal
Tá beleza, tô natural.
Feitiço da Vila
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Em abraçar o samba.
Que faz dançar os galhos do arvoredo
E faz a lua nascer mais cedo
Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café, Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba.
A Vila tem um feitiço sem farofa,
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem.
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente que prende a gente.
O sol da Vila é triste,
Samba não assiste.
Porque a gente implora:
Sol, pelo amor de Deus,
Não venha agora que as morenas vão logo embora.
Eu sei tudo que faço
Sei por onde passo
Paixão não me aniquila.
Mas, tenho que dizer,
Modéstia à parte, meus senhores,
Eu sou da Vila.
Feitio de Oração
Quem acha vive se perdendo
Por isso agora vou me defendendo
Da dor tão cruel de uma saudade
Que por infelicidade
Meu pobre peito invade
Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
dentro de melodia
Por isso agora
Lá pra Penha eu vou mandar
Minha morena pra cantar
Com satisfação,
E com harmonia
Essa triste melodia,
Que é o meu samba
Em feitio de oração
O samba, na realidade
Não vem do morro nem lá da cidade
E que suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração
Felicidade
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar
A Felicidade
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim...
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar...
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval,
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento do sonho
Pra fazer a fantasia de rei, ou pirata,
ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira
A felicidade é como gota de orvalho
Numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A minha felicidade está brilhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos do amor
Tristeza nao tem fim...
Feliz
Para quem bem viveu o amor
Duas vidas que abrem, não acabam com a luz
São pequenas estrelas que correm no céu
Trajetórias opostas sem jamais deixar de se olhar
É o carinho guardado num cofre de um coração que voou
É o afeto deixado nas veias
De um coração que ficou
É a certeza da eterna presença da vida que foi
Na vida que vai
É a saudade da boca
Feliz cantar
Foi, foi, foi
Foi bom e prá sempre será
Mais, mais, mais, maravilhosamente amar
E foi, foi, foi,
Foi bom e prá sempre será
Mais, mais, mais, maravilhosamente amar
Fera Ferida
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Acabei com tudo, escapei da vida
Tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída
Mas saí ferido, sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito muitas vezes no peito atingido
Animal arisco, domesticado perde o risco
Me deixei enganar e até me levar por você
Morrendo aos poucos por amor
Eu sei, o coração perdoa, mas não esquece à toa
E eu não me esqueci
Não vou mudar, esse caso não tem solução
Sou fera ferida, no corpo, na alma, e no coração
Eu andei demais, não olhei prá trás
Era solto em meus passos, bicho livre, sem rumo, sem laços
Me sinto sozinho, tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo, uma ajuda, um lugar, um amigo
Animal ferido, por instinto decidido
Os meus rastros desfiz, tentativa infeliz de esquecer
Eu sei que flores existiram
Mas que não resistiram a vendavais constantes
Eu sei que as cicratrizes falam
Mas as palavras calam o que eu não esqueci
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida, no corpo, na alma,
E no coração
Ferrugem
Mera luz
que invade a tarde cinzenta
e algumas folhas deitam
sobre a estrada
O frio é o agasalho
que esquenta
O coração gelado
quando venta
movendo a água
abandonada
Restos de sonhos
sobre um novo dia
amores nos vagões
vagões nos trilhos
Parece que quem parte
é a ferrovia
Que mesmo não te vendo te vigia
Feito mãe
Feito mãe
que dorme olhando os filhos
com os olhos na estrada
E no mistério
solitário da penugem
vê-se a vida correndo parada
como se não existisse chegada
Na tarde
distante
Ferrugem
ou nada
E no mistério
solitário da penugem
vê-se a vida correndo parada
como se não existisse chegada
Na tarde
distante
Ferrugem
ou nada
Festa do Interior
Fagulhas, pontas de agulhas
Brilham estrelas de São João
Babados, xotes e xaxados
Segura as pontas, meu coração
Bombas na guerra - magia
Ninguém matava, ninguém morria
Nas trincheiras da alegria
O que explodia era o amor
E ardia aquela fogueira
Que me esquentava a vida inteira
Eterna noite sempre a primeira
Festa do interior
Fica Comigo Esta Noite
(Adelino Moreira/Nelson Gonçalves)
Fica comigo esta noite
E não te arrependerás,
Lá fora o frio é um açoite
Calor aqui tu terás,
Terás meus beijos de amor,
Minhas carícias terás
Fica comigo esta noite
E não te arrependerás.
Quero em teus braços querida
Adormecer e sonhar
Esquecer que nos deixamos
Sem nos querermos deixar
Tu ouviras o que eu digo
Eu, ouvirei o que dizes
Fica comigo esta noite,
E então seremos felizes...
Fico Assim Sem Você
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola,
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim
Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço,
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você
Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê?
A Filha da Chiquita Bacana
Eu sou a filha da Chiquita Bacana
Nunca entro em cana
Porque sou família demais
Puxei à mamãe
Não caio em armadilha
E distribuo bananas com os animais
Na minha ilha
Yeh, yeh, yeh
Que maravilha, yeh, yeh, yeh
Eu transo todas
Sem perder o tom
E a quadrilha toda grita yeh, yeh, yeh
Viva a filha da Chiquita yeh, yeh, yeh
Entrei para "Women's Liberation Front"
Filho da Pátria Iludido
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Eu fico puto
Eu fico louco
Eu fico logo mordido
Porque se fosse um americano eu já não ia gostar
Mas o pior é brasileiro quando cisma de usar
Uma jaqueta ou uma camiseta com aquela estampa
D'aquela porra de bandeira azul vermelha e branca!
Eu não suporto ver aquilo no peito de um brasileiro
Me dá vontade de manchar tudo de vermelho
Vermelho sangue
Do sangue do otário
Que não soube escolher a roupinha certa no armário
E saiu de casa crente que tava abafando
Eu vô tentar me segurar mas eu não tô mais agüentando!!
| Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (cores dos States com as estrelas e as listras)
| Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (não somos patriotas nem nacionalistas)
| Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (como Tio Sam sempre quis)
| Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos (amigo vai nessa que tu tá é fudido)
E ele saiu de casa crente que tava abafando
Eu fico puto
Eu fico triste
Eu fico quase chorando
De pena de raiva de tristeza de vergonha
Quando eu vejo esses babacas esses panacas esses pamonhas
Que têm coragem de ir pra rua com boné ou camiseta
Com as cores da bandeira mais nojenta do planeta!
Tem azul com estrelinha
Tem branquinho e tem vermelho
O filho da pátria é burro cego ou a casa dele não tem espelho?
Eu acho que é burro mesmo
Coitado
Sem rumo sem governo totalmente alienado
Bitolado do tipo que acredita no enlatado
Que passou no Supercine desse sábado passado
Eu tento me controlar conto até dez respiro fundo
Ô filho da pátria é assim que cê pensa que vai chegar no 1º mundo?
Vestindo essa bandeira de outro povo
Vestindo essa roupa escrota de submisso baba-ovo
Que vergonha que vexame que tragédia que fiasco:
O enforcado desfilando com a bandeira do carrasco!
Condenado
Parece que merece a morte
Me enraivece um colonizado usar a bandeira da metrópole!
E não espere eles invadirem a Amazônia
Pra saber que não passamos de uma mísera colônia
Em pleno século vinte e um beirando o ano dois mil
Por essas e outras devemos usar a bandeira do Brasil
E lutar por um país fudido
No quadro internacional
Tira a camisa dos Estados Unidos seu débil mental!
|
I'm an American and I'm pround of my flag
But Gabriel is my friend and I understand what he said
You gotta have personality keep your own nationality
Look at yourself
Try to live your reality
And maybe we will all have just one nation some day
But now use your own flag let me be USA
Each one has his own country but life is way above
We aint't talking about hate
It's all about love...
Amigo cê tá perdido enganado iludido
Já devia ter sabido o que são os Estados Unidos
Um país infeliz
O mais hipócrita da terra
Malucos suicidas e imbecis que adoram guerra
Misturados num lugar cheio de farsa e preconceito
Me diz porque essa merda de bandeira no seu peito?
O quê que cê quer dizer quando veste uma camisa exaltando as belas cores dos opressores que te pisam?
O quê que cê quer passar pra pessoa que olhar pro seu peito e num entender de que lado você tá?
Mas não precisa responder
Cê tá do lado de baixo
Você é uma fêmea no cio e o Tio Sam é o seu macho
Você é o capacho dos norte-americanos
Por isso ainda acho que existe algum engano
Porque eu não me rebaixo a passear vestido
Com a roupa do inimigo: os Estados Unidos
O Fim da História
Não creio que o tempo
Venha comprovar
Nem negar que a História
Possa se acabar
Basta ver que um povo
Derruba um czar
Derruba de novo
Quem pôs no lugar
É como se o livro dos tempos pudesse
Ser lido trás pra frente, frente pra trás
Vem a História, escreve um capítulo
Cujo título pode ser Nunca Mais
Vem o tempo e elege outra história, que escreve
Outra parte, que se chama Nunca É Demais
Nunca Mais, Nunca É Demais, Nunca Mais
Nunca É Demais, e assim por diante, tanto faz
Indiferente se o livro é lido
De trás pra frente ou lido de frente pra trás
Quantos muros ergam
Como o de Berlim
Por mais que perdurem
Sempre terão fim
E assim por diante
Nunca vai parar
Seja neste mundo
Ou em qualquer lugar
Por isso é que um cangaceiro
Será sempre anjo e capeta, bandido e herói
Deu-se notícia do fim do cangaço
E a notícia foi o estardalhaço que foi
Passaram-se os anos, eis que um plebiscito
Ressuscita o mito que não se destrói
Oi, Lampião sim, Lampião não, Lampião talvez
Lampião faz bem, Lampião dói
Sempre o pirão de farinha da História
E a farinha e o moinho do tempo que mói
Tantos cangaceiros
Como Lampião
Por mais que se matem
Sempre voltarão
E assim por diante
Nunca vai parar
Inferno de Dante
Céu de Jeová
Fim de Caso
Eu desconfio
Que o nosso caso
Esta na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto,
Em cada olhar
O que não temos É coragem de falar.
Nós já tivemos a nossa fase
DE carinho apaixonado
De fazer versos
De viver sempre abraçados
Naquela base
Do só vou se você for.
Mas de repente
Fomos ficando
Cada dia mais sozinhos
Embora juntos
Cada qual tem seu caminho
E já não temos
Nem vontade de brigar.
Tenho pensado
E Deus permita
Que eu esteja errada,
Mas eu estou,
Estou desconfiada
Que o nosso caso
Está na hora de acabar...
Fim de Festa
Onde está você
Que já me esqueceu
E eu não consigo tirar
Você do pensamento
Essa paixão tão antiga
A sua mão tão amiga
Sem ter você nessa vida
Eu já não aguento
Saio por aí
Pra lhe procurar
E pelos bailes da vida
Eu já não te vejo
Danço com gente estranha
A solidão me apanha
Por mais que eu tente esquecer
É você que eu desejo
Quero que no fim da festa
Você apareça
E chame pra dançar
E num longo abraço
Vamos esquecer
Vamos dar um show
Pra todo mundo ver
Você vai dizer
Depois de um longo beijo
É você que eu desejo
Fio de Cabelo
Quando a gente ama
Qualquer coisa serve para relembrar
Um vestido velho da mulher amada
Tem muito valor
Aquele restinho do perfume dela
Que ficou num frasco sobre a penteadeira
Mostrando que o quarto já foi o cenário
De um grande amor
E hoje o que eu encontrei me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletó
Lembrei de tudo entre nós
O amor vivido
Aquele fio de cabelo comprido
Já esteve grudado em nosso suor
Quando a gente ama e não vive junto da mulher amada
Firmamento
O que é que eu vou fazer agora
Se o teu sol não brilhar por mim
Num céu de estrelas multicoloridas
Existe uma que eu não colori
Forte, sorte na vida, filhos feitos de amor...
Todo verbo que é forte
Se conjuga no tempo
Perto, longe o que for
Você não sai da minha cabeça
E minha mente voa
Você não sai, não sai, não sai,
não sai...
Entre o céu e o firmamento
Não há ressentimento
Cada um ocupando o seu lugar
Não sai não, não sai, não sai,
não sai, não sai...
Existem mais coisas do que julga
O nosso próprio pensar
Que vagam como o vento
E aquele sentimento de amor eterno
Entre o céu e o firmamento
Existem mais coisas do que julga
O nosso próprio entendimento
Que vagam pelo tempo
E aquele sentimento de amor eterno
Fita Amarela
|Quando eu morrer
|Não quero choro nem vela
|Quero uma fita amarela
|Gravada com o nome dela.
Se existe alma
Que na outra encarnação
Eu queria que a mulata
Sapateasse no meu caixão
(|)
Não quero flores
Nem coroa com espinhos
Só quero choro de flauta
Violão e cavaquinho
(|)
Estou contente
Consolado por saber
Que as morenas tão formosas
A terra um dia vai comer.
(|)
Não tenho herdeiros
Não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos,
Mas não paguei nada a ninguém.
(|)
Meus inimigos
Que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram
Uma pessoa tão boa assim.
Fixação
(Beni/Leoni/Paula Toller)
Seu rosto na TV
Parece um milagre
Uma perfeição
Nos mínimos detalhes
Eu mudo do canal
Eu viro a página
Mas você me persegue
Por todos os lugares
Eu vejo seu pôster
Na folha central
Beijo sua boca
Te falo bobagens
Fixação
Meus olhos no retrato
Fixação
Minha assombração
Fixação
Fantasmas no meu quarto
Fixação
I want to be alone
Preciso de uma chance
De tocar em você
Captar a vibração
Que Sinto em sua imagem
Fecho os olhos pra te ver
Você nem percebe
Penso em provas de amor
Ensaio um show passional
Fiz A Cama na Varanda
(Dilú Mello/Ovídio Chaves)
Fiz a cama na varanda, me esqueci do cobertor
Deu um vento na roseira, (ai, meus cuidados)
Me cobriu todo de flor.
Menina minha menina,
Não faça assim como eu
Que vivo louco de pena,
Porque ninguém me escolheu.
Fiz a cama na varanda
Me deitei pensando em ti,
Deu um vento na roseira, (ai, meus cuidados)
Eu do sono me esqueci.
Flagra
(Rita Lee/Roberto de Carvalho)
No escurinho do cinema
Chupando drops de aniz
Longe de qualquer problema
Perto de um final feliz
Se a Deborah Kerr que o Gregory Peck
Não vou bancar o santinho
Minha garota é Mae West
Eu sou o Sheik Valentino
Mas de repente o filme pifou
E a turma toda logo vaiou
Acenderam as luzes, cruzes!
Que flagra! (3x)
Flor da Manhã
(Missinho/João Fernandes/Beto Nascimento)
Flor da manhã
Feiticeira dourada do mar
Delicado papel de maçã, perigos no olhar
Fonte de amor
Lua negra no azul do verão
Bailarina de puro calor, no meu coração
Lua brilhou desvendando a louca magia
Do perfume forte da alegria
Lua girou e o amor virou fantasia
Para que assim eu pudesse te amar
E mergulhar na vida
Eternizando os sonhos de um momento
Poesia que o vento irradia pra você sonhar
e ser do som o sol da harmonia
a estrela guia da nova visão
depois da chuva nasce a energia
de um arco-íris
na íris do ar
Flor-de-Lis
Valhei-me Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu sei que amei
Será talvez que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz de uma flor-de-lis
E foi assim que eu vi
O nosso amor na poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
A Flor e o Espinho
(Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito/Alcides Caminha)
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje, prá você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à tua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho sem seu amor
(repete)
As Flores do Jardim da Nossa Casa
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
As flores do jardim da nossa casa,
Morreram todas, de saudade de você,
E as rosas que cobriam nossa estrada,
Perderam a vontade de viver,
Eu já não posso mais,
Olhar nosso jardim,
Lá não existem flores,
Tudo morreu pra mim,
As coisas, que eram nossas se acabaram,
Tristeza e solidão, é o que restou,
As luzes das estrelas se apagaram,
E o inverno da saudade, começou,
As nuvens brancas, escureceram,
E o nosso céu azul, se transformou,
O vento, carregou todas as flores,
E em nós, a tempestade, desabou!
Mas não faz mal, depois que a chuva cair,
Outro jardim, um dia há de reflorir!
Flores do Mal
Não me atire no mar de solidão
Você tem a faca, o queijo e meu coração nas mãos
Não me retalhe em escândalos
Nem tão pouco cobre o perdão
Deixe que eu cure a ferida dessa louca paixão
Que acabou feito um sonho
Foi o meu inferno, foi o meu descanso
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal
Huummm....
Não me atire no mar de solidão
Você tem a faca, o queijo e meu coração nas mãos
Não me retalhe em escândalos
Nem tão pouco cobre o perdão
Deixe que eu cure a ferida dessa louca paixão
Não me esqueça por tão pouco
Nem diga adeus por engano
Mas é sempre assim
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal
Fofolete do Cão
Conhecer mulher feia é o destino de todo homem
Um dia vai te acontecer; podes crer, campeão!
Vai ser um ninja, dragão, um double ou um canhão
Uma trepeça, derrota, um samurai
Ou uma fofolete do cão...
Tomar cuidado não vai ser suficiente
Ela vai te pegar ela conhece muita gente
Os seus amigos não vão poder te ajudar
E certamente você não vai escapar
Da fofolete do cão...
Pra quem foi pego só há uma solução
Beber até morrer ou então
Viver eternamente sofrendo retaliação
Vestindo a camisa do bloco
Da fofolete do cão...
É meu conselho eu também já fui pego
Venha comigo e exorcize o seu ego
Pra nunca mais ter que se ver atormentado
Fuja, amigo! Ou vai ser encurralado
Pelo monstro mais horrendo que é
A fofolete do cão...
Foi A Noite
(Tom Jobim/Newton Mendonça)
Foi a noite, foi o mar eu sei
Foi a lua que me fez pensar
Que você me queria outra vez
E que ainda gostava de mim
Ilusão eu bebi talvez
Foi amor por você bem sei
A saudade aumenta com a distância
E a ilusão é feita de esperança
Foi a noite
Foi o mar eu sei
Foi você
Foi Assim
(Renato Corrêa/Ronaldo Corrêa)
Foi assim
Eu vi você passar por mim
E quando pra você eu olhei
Logo me apaixonei
Foi assim
O que eu senti não sei dizer
Só sei que pude então compreender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver
Não foi tudo um sonho
Foi tudo ilusão
Porque não é meu o seu coração
Alguém roubou de mim seu amor
Me deixando nessa solidão
Foi assim
E agora o que é que eu vou fazer
Pra que você consiga entender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver
Foi Deus
Foi Deus
Foi Deus
Foi Deus que mandou você pra mim
Colocou em meu caminho
Me fez ter muito carinho
Fez mais uma de amor
E o calor que eu sinto é
É o amor que você me traz
Pois em você, pedaço de mau caminho
É delirar, enlouquecer devagarinho
Viver ao léu pairando solto pelo ar
Na esperança de te ver, te encontrar
Mas se eu te vejo, eu fico louco de desejo
Pergunto a Deus se isso é amor ou o que é que há
Só sei dizer que fico doido atrás de um beijo
E penso até que vou morrer de tanto amar
Foi Deus que Fez Você
Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorriso
E a serpente que expulsou
Mais de um milhão do paraíso
Foi Deus que fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade o momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores
Que já foram destruídos, foi Deus
Foi Deus que fez o vento que sopra os teus cabelos
Foi Deus que fez o orvalho
Que molha o teu olhar, teu olhar
Foi Deus que fez a noite, e o violão plangente
Foi Deus que fez a gente somente para amar
Só para amar, só para amar
Foi por Esse Amor
Por enganar o meu desejo
Eu deixei de te amar
Você é tudo o que vejo
O que pego, o que sinto
E me faz sonhar
Pouco me importa o passado
Quero poder te abraçar
Viver esse amor adolescente
Assim como o vento vai pro mar
Foi por esse amor
Teu corpo é tudo que brilha
É a única ilha no oceano
Do meu desejo
Foi por esse amor
Tão bela flor de laranjeira
Teu corpo é tudo que cheira
Foi Um Rio que Passou em Minha Vida
Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém (ai, porém)
Há um caso diferente
Que marcou num breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em outro amor
Quando alguém que não me lembro anunciou:
Portela! Portela!
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela
Quando vi você passar
Senti o meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu; nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
Folha de Papel
Olha só o que o vento faz com o papel
E traga ele a notícia que for
Vai voar... voar...
É assim quando se gosta de alguém
Não se consegue mais impedir
Que o amor
Faça o mesmo com o coração
Traga ele que razões trouxer
Nem o tempo sabe mais dizer
Quando é ontem, hoje ou amanhã.
Olha, vento, como a gente nem sabe
Onde está
Nós somos o papel a voar
Contemplando este mundo
Estranho, profundo
Olha bem, porque quando se tem
Tanto amor
A gente pode ter muito mais.
Voa... voa... voa...voa...
Folhas Secas
(Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito)
Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas
Da minha Estação Primeira
Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando.
Quando o tempo avisar
Que eu não posso
Mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade.
Folhetim
Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim
A Fonte
(Renato Russo/Dado Villa-Lobos/Marcelo Bonfá)
O que há de errado comigo
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você finge que vê, mas não vê
Lave suas mãos que é à sua porta que irão bater
Mas antes você verá seus pequenos filhos
Trazendo novidades
Quantas crianças foram mortas dessa vez?
Não faça com os outros
O que você não quer que seja feito com você
E você finge não ver que isso dá câncer
Não sei mais do que sou capaz
Esperança, teus lençóis tem cheiro de doença
E veja que da fonte sou os quilômetros adiante
Celebro todo dia minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim, continuo limpo
Você acha que sabe
Mas você não vê qua a maldade é prejuízo
O que há de errado comigo?
Eu não sei nada e continuo limpo
Do lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além, não bebo dessa água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada:
Sou filho da terra e do céu
Daí-me de beber que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha
Me tira essa vergonha
Me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio
Me livra desse medo
Olhe nos meu olhos, sou o homem-tocha
E esta é uma canção de amor
Esta é uma canção de amor
Esta é uma canção de amor
A Fonte Secou
(Monsueto C. Menezes/Mario Barbato/Tufy Lauar/Marcelo)
Eu não sou água
Pra me tratares assim
Só na hora da sede
É que procuras por mim
A fonte secou
Quero dizer que entre nós
Tudo acabou.
Seu egoísmo me libertou
Não deves mais me procurar
A fonte do nosso amor secou
Mas os seus olhos
Nunca mais hão de secar.
Fora de Ordem
vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico
foi encontrado na ruína de uma escola em construção
aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
tudo é menino e menina no olho da rua
o asfalto a ponte
o viaduto ganhando pra rua
nada continua
e o cano da pistola que as crianças mordem
reflete todas as cores da paisagem que é
muito mais bonita e muito mais intensa do que num cartão postal
alguma coisa está fora da ordem
fora da nova ordem mundial
escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata
tua batata da perna moderna,
a trupe intrépida em que fluis
te encontro em Sampa
de onde mal se vê quem sobe ou desce a rampa
alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
parece por tudo à prova parece fogo, parece , parece paz
parece paz
pletora de alegria,
um show de Jorge Benjor dentro de nós
é muito , é grande, é total
alguma coisa está fora da ordem
fora da nova ordem mundial
meu canto esconde-se como um bando e ianomâmis
na floresta
na minha testa caem , vem colar-se plumas de um velho cocar
estou em pé em cima do monte de imundo lixo baiano
cuspo chicletes do ódio
no esgoto exposto do Leblon
mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon
eu sei o que é bom
eu não espero o dia em que todos os homens concordem
apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis em juízo final
alguma coisa está fora da ordem
fora da nova ordem mundial
A Força do Vento
Pela fresta desta janela
Vem o vento
E te rouba do meu leito
Sem ao menos me dizer
Para onde vai te levar
Quem se apossa assim tão fácil
É, não vai muito além
Pois na força da manhã
Posso ser muito valente
Prá vencer o espaço e te achar
Adormece o tempo
Que a fada te jurou
Fere o dedo no teu sonho
Se assusta com o meu beijo
E acorda a tempo
De saber que ainda eu sou teu rei
Vale mais a força do pensamento
Quem se apossa...
Força Estranha
Eu vi o menino correndo eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada e eu nunca passei
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo não pára pr'eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou
| Por isso uma força me leva a cantar
| Por isso essa força estranha
| Por isso é que eu canto não posso parar
| Por isso essa voz tamanha
Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
O tempo não pára e no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol
É a estrada
É o tempo
É o pé
E é o chão
Eu vi muitos homens brigando ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada
É o sol
|
A Fórmula do Amor
Eu tenho o gesto exato
Sei como devo andar
Aprendi nos filmes
Prá um dia usar
Um certo ar cruel
De quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado
Prá te impressionar
Luz de fim de tarde
Meu rosto encontra a luz
Não posso compreender
Não faz nenhum efeito
A minha aparição
Será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Mantenho o passo alguém me vê
Nada acontece não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Ainda encontro a fórmula do amor
Eu tenho a pose exata
Prá me fotografar
Aprendi num vídeo
Prá um dia usar
Um certo ar cruel
De sabe o que quer
Tenho tudo ensaiado
Prá te conquistar
Eu tenho um bom papo
E sei até dançar
Não posso compreender
Não faz nenhum efeito
A minha aparição
Será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Eu jogo um charme alguém me vê
Nada acontece não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Forró no Escuro
O candeeiro se apagou
e o sanfoneiro cochilou
e a sanfona não parou
e o forró continuou
Seu Luiz vamos embora, vamos embora
fique mais um bocadinho, um bocadinho
se você for seu nego chora , seu nego chora
vamos ficar mais um tiquinho, mais um tiquinho
Quando eu entro numa farra
eu não quero sair mais não
eu vou até quebrar a barra
e pegar o sol com a mão.
Forró Número 1
Sanfona velha do fole furado
Só faz fum, só faz fum
mesmo assim o cavalheiro faz um refungado
e o coração da morena faz tum, tum
o sanfoneiro animado puxa o fole
depois de tomar um gole de rum
E haja fum, haja fum, forró com esse fole
é forró número 1
Vem gente de todo lado conhecer o sanfoneiro
porque ele é o primeiro a tocar com o fole furado
e logo,logo já começa o zum, zum, zum
sanfona véia assim não se vê em canto nenhum
E haja fum, haja fum, forró com esse fole
é forró número 1
Fotografia
Eu, você, nós dois
Aqui neste terraço à beira-mar
O sol já vai caindo
E o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar
Você tem que ir embora
A tarde cai
Em cores se desfaz
Escureceu
O sol caiu no mar
E a primeira luz lá embaixo se acendeu
Você e eu
Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo
Aquele beijo
Aquele beijo
Fracasso
Relembro sem saudade o nosso amor
O nosso último beijo e último abraço
Porque só me ficou da história desse amor
A história dolorosa de um fracasso
Fracasso, por te querer assim como quis
Fracasso, por não saber fazer-te feliz
Fracasso, por te amar como a nenhuma outra amei
Chorar o que já chorei, fracasso eu sei
Fracasso, por compreender que devo esquecer
Fracasso, porque já sei que não esquecerei
Fracasso, fracasso, fracasso, fracasso afinal
Por querer tanto bem e me fazer tanto mal
Franqueza
Você passa por mim e não olha
Como coisa que eu fosse ninguém
Com certeza você já esqueceu
Que em meus braços
Já chorou também.
Eu não ligo, porém ao teu modo
Isso é próprio de quem é infeliz
Quer mostrar que não sente saudade
De um passado que foi tão feliz
Se eu quisesse eu podia dizer
Tudo, tudo que houve entre nós
Mas pra que, destruir seu orgulho
Se eu até já esqueci tua voz.
De uma coisa, hoje eu tenho certeza,
Foi o tempo que me confirmou,
Que os melhores momentos da vida
Nos meus braços, você desfrutou.
(Você passa por mim e não olha...)
Frases Ventias
Teu beijo
Cata-vento
Que assobia
Frases ventias
Pra ti sem, mim
Pelo portão que escorre a calmaria
Nos utensílios
Que a vi servir
Saladas em lavouras de agonia
Com ar de amor
Que mal dormia
Yá, Yá
Com porção de arroz
Na água escura
Na desventura de ver o dia
Toda a criação do amor
Agora é tua
Põe o tecido
Que tu tecia
Arranca esse ardor
Que a moda surta
Carrega meu amor
Com pés de frutas
Frevo (Frevo de Orfeu)
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Vem, vamos dançar ao sol
Vem, que a banda vai passar
Vem, ouvir o toque dos clarins
Anunciando o carnaval
E vão brilhando os seus metais
Por entre cores mil
Verde mar, céu de anil
Nunca se viu tanta beleza
Ah! meu Deus,
Que lindo é o meu Brasil!
Frevo Mulher
Quantos aqui ouvem
Os olhos eram de fé
Quantos elementos
Amam aquela mulher
Quantos homens eram inverno
Outros verão
Outonos caindo secos
No solo de minha mão
Gemeram entre cabeças
Aponta do esporão
A folha do não-me-toque
O medo da solidão
Enveneno meu companheiro
Desata no cantador
E desemboca no primeiro
Açude de meu amor
É quando o tempo sacode
A cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um.
Frisson
O meu coração pulou,
você chegou, me deixou assim
com os pés fora do chão,
é sempre bom, parece, enfim, acordei.
Pra renovar meu ser
faltava mesmo chegar você
assim sem me avisar,
acelerar um coração
que já bate pouco
de tanto procurar por outro.
Anda cansado,
mas quando você está do lado
fica louco de satisfação
e solidão nunca mais.
Você caiu do céu,
um anjo lindo que apareceu
com olhos de cristal me enfeitiçou,
eu nunca vi nada igual.
De repente você surgiu na minha frente.
Luz cintilante,
estrela em forma de gente.
Invasora do planeta amor,
você me conquistou.
Me olha, me toca, me faz sentir que é hora
agora da gente ir.
Fullgás
Meu mundo você é quem faz
Música, letra e dança
Tudo em você é fullgás
Você é quem lança
Lança mais e mais
Só vou te contar um segredo
Não, nada
Nada de mal nos alcança
Pois tendo você, meu brinquedo
Nada machuca, nem cansa
Então venha me dizer
O que será
Da minha vida
Sem você
Noites de frio
Dia não há
E um mundo estranho
Pra me segurar
Então, onde quer que você vá
É lá, que eu vou estar
Amor esperto
Tão bom de amar
| Tudo de lindo que eu faço
| Vem com você, vem feliz
| Você me abre seus bracos
| E a gente faz um país
Funeral de Um Lavrador
(Chico Buarque/João Cabral de Melo Neto)
Esta cova em que estás
Com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho
Nem largo nem fundo
É a parte que te cabe
Deste latifúndio
Não é cova grande
É cova medida
É a terra que querias
Ver dividida
É uma cova grande
Para teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho
Que estava no mundo
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe
Deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estava no mundo
Mas a terra dada
Não se abre a boca
É uma cova grande
Pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo
Te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas terra dada não se abre a boca.
Funk-se Quem Puder
Funk-se quem puder
É imperativo dançar
Sentir o ímpeto
Jogar as nádegas
Na degustação do ritmo
Funk-se quem puder
É imperativo tocar
Fogo nas vértebras
Fogo nos músculos
Música em todos os átomos
A nossa atlântica e atlética
Romântica e poética
República da música
Conclama os físicos, místicos
Bárbaros, pacíficos
Índios e caras-pálidas
Nossos exércitos, políticos
Poder eclesiástico
E o comitê do carnaval
É hora de salvar a pélvis
Soltá-la, libertá-la
Agitá-la como o Elvis
Grande guerreiro e mártir
Da nação do rock'n'roll
Funk-se quem puder
Se é hora da barca virar
Não entre em pânico
Jogue-se rápido
Nade de volta à mãe África
Funk-se quem puder
Se é tudo que resta a fazer
Não perca o ânimo
Chegue mais próximo
Sambe e roque-role o máximo
Na degustação do ritmo
Música em todos os átomos
Nade de volta à mãe África
Sambe e roque-role o máximo
Futuros Amantes
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 28 de junho de 2005.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)