

Músicas da MPB - G
Músicas da MPB - G
Gabriela
Vim do norte vim de longe
De um lugar que já nem há
Vim dormindo pela estrada
Vim parar neste lugar
Meu cheiro é de cravo
Minha cor de canela
A minha bandeira
É verde e amarela
Pimenta de cheiro
Cebola em rodela
Um beijo na boca
Feijão na panela
Gabriela
Sempre Gabriela
Passei um café inda escuro
E logo me pus a caminho
Eu quero rever Gabriela
De novo provar seu cheirinho
Manhã bem cedinho na mata
O sol derramou seu carinho
Um brilho na folha da jaca
Pensei em rever meu benzinho
Gabriela
Se ainda sobrasse um dinheiro
Podia comprar-te um vestido
E mais um vidrinho de cheiro
Contar-te um segredo no ouvido
Te trouxe um anel verdadeiro
Sonhei que era teu preferido
Pensei, repensei tanta coisa
Ah, me deixa ser teu marido
Pensei, repensei tanta coisa
Queria casar-me contigo
Gabriela
Gabriela
Todos os dias esta saudade
Felicidade cadê você
Já não consigo viver sem ela
Eu vim à cidade pra ver Gabriela
Tenho pensado muito na vida
Volta bandida mata essa dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdoo com raiva e amor
Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha a tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal
Mas quem sou eu nesta vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor
Em noite sem lua, pulei a cancela
Cai do cavalo, perdi Gabriela
Oh lua de cera, oh lua singela
Lua feiticeira cadê Gabriela?
Ontem vim de lá do Pilar
Inda ontem vim lá do Pilar
Já tô com vontade de ir por aí
Ontem vim de lá
Inda ontem vim de lá
Já tô com vontade de ir por aí
E na corda da viola todo mundo sambar
E na corda da viola todo mundo sambar
Todo mundo sambar
Todo mundo sambar quebra pedra....
A Galinha Magricela
(G. Monreal/versão: Edgard B. Poças)
Eu conheço uma galinha
A galinha da vizinha
Avezinha magricela e depenada
Quem tem pena da galinha
Avezinha depenada
A galinha magricela da vizinha?
Bota ovos pela sala
No banheiro e na cozinha
Ela bota, bota, bota
Sem parar
A galinha magricela
Bota ovos sem parar
A galinha magricela
É magrela de botar
A galinha magricela
E bota um e bota dois e bota três
A galinha magricela
Vira cambota e bota quatro de uma vez
A galinha magricela
E bota dez e bota cem e bota mil
A galinha magricela
Bota ovo bota banca
De mais bela do Brasil
Garganta
Minha garganta estranha quando não te vejo
Me vem um desejo doido de gritar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar
Venho madrugada perturbar teu sono
Como um cão sem dono me ponho a ladrar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar
Sei que não sou santa, vezes vou na cara dura,
Vezes ajo com candura pra te conquistar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar
Vim parar nessa cidade por força da circunstância
Sou assim desde criança, me criei meio sem lar
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te abandonar
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te abandonar
Garota de Ipanema
(Vinícius de Moraes/Tom Jobim)
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina, que vem e que passa
Num doce balanço a caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que já vi passar
Ah! Como estou tão sozinho
Ah! Como tudo é tão triste
Ah! A beleza que existe
A beleza que não é só minha
E também passa sozinha
Ah! Se ela soubesse que quando ela passa
O mundo interinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor
Só por causa do amor...
Garota Nacional
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Aqui nesse mundinho fechado ela é incrível
Com seu vestido preto indefectível
Eu detesto o jeito dela,
mas pensando bem
Ela fecha com meus sonhos
como ninguém
Conhece-te a ti mesmo e eu
me conheço
Sou um qualquer vulgar,
bem, às vezes esqueço
E finjo que não finjo ao ignorar
Que ela me domina no
primeiro olhar
Porque ela derrama um banquete, um palacete
Um anjo de vestido, uma libido
do cacete
Ela é tão vistosa que talvez
seja mentira
Quem dera minha cara fosse de
sucupira
Beat it laun,daun daun
Beat it loom, dapán daun
Beat it laun, baun baun
Eu quero te provar
Cozida a vapor
Eu te quero te provar
Sem medo e sem amor
Garota Sangue Bom
(Fernanda Abreu/Fausto Fawcett)
Junto com a boca
Vem a coxa debochando
No compasso do escândalo dançante
Meio samba, meio funk
Vem dançante no açúcar
Da presença feminina carioca
Suburbana carioca Zona Sul
Corpo que é alma
Assim sublime, irresistível
Inspiração
De cidade maravilha cortesã
Sintetizada pelas ondas
De um corpo feminino que é
Prestígio de calibre sensual
Olha o jeitinho dela falar
Olha o jeitinho dela dançar
Olha o jeitinho dela olhar
Olha o jeitinho dela andar
Olha o jeitinho dela paquerar, oh yeah
Olha o jeitinho dela
Go-go-go
Garota carioca
Suingue sangue bom
Garota carioca
Suingue sangue bom
Dá gosto de ver a inteligência
Movendo um corpinho como esse
Luz gostosa de boate
Fervilhante pagodinho churrascante
Na noturna suburbana
Tem garota sangue bom
Garota sangue bom
No charme do suíngue
Do desejo inevitável
Que é convite irrecusável
Que é o açúcar da presença feminina carioca
Quente paraíso do espírito excitado
Pela festa dos sentidos animados pelo sol
Quente paraíso do espírito excitado
Pela festa dos sentidos animados pelo mar
Quente paraíso do espírito excitado
Pela festa dos sentidos animados pelo sol
Quente paraíso do espírito excitado
Pela festa dos sentidos animados pelo mar
Garotos
Garotos gostam de iludir
Sorriso, planos, promessas demais
Eles escondem o que mais querem
Que eu seja outra entre outras iguais
São sempre os mesmo sonhos
De quantidade e tamanho
Garotos fazem tudo igual
E quase nunca chegam ao fim
Talvez você seja melhor que os outros
Talvez, quem sabe, goste de mim
São sempre os mesmos sonhos
De quantidade e tamanho
Garotos perdem tempo pensando
Em brinquedos e proteção
Romances de estação
Desejo sem paixão
Qualquer truque contra a emoção
Garotos
Seus olhos, e seus olhares
Milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
Seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos, corpo e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
Certas mulheres como você
Me levam sempre onde querem
Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu, sempre tão espertos
Perto de uma mulher, São só garotos
Perto de uma mulher, São só garotos
Seus dentes e seu sorriso
Mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos
E eu já não me importo com isso
então são mãos e braços beijos e abraços
Pele e barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço
Aqui de palhaço seguindo seus passos
Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu, sempre tão espertos
Perto de uma mulher, São só garotos
Perto de uma mulher, São só garotos
Se espalham pelos pêlos, corpo e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
Certas mulheres como você
Me levam sempre onde querem
Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu, sempre tão espertos
Perto de uma mulher, São só garotos
Perto de uma mulher, São só garotos
Garotos
Garotos querem ouvir o som da guitarra
Palavras firmes, palavras raras
Garotos acham que são donos do mundo
Tudo é tão simples, nunca se enganam
Garotos podem tomar conta dos homens
Só esperteza, enxergam longe
Garotos crescem e viram gente grande
Aí o bicho pega, aí o bicho come
Tudo pra mim, tudo pra você
Então, muito prazer
Tudo pra mim, tudo pra você
Então muito prazer
Ponte
Garotos querem ouvir o som da guitarra...
Gatinha Manhosa
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Meu bem, já não precisa
Falar comigo dengosa assim
Brigas pra depois
Ganhar mil carinhos de mim
Se eu aumento a voz
Você faz beicinho
E chora baixinho
E diz que a emoção
Dói seu coração
Já não acredito
Se você chora dizendo me amar
Sei, que na verdade
Carinhos você quer ganhar
| Um dia gatinha manhosa
| Eu prendo você no meu coração
| Quero ver você
| Fazer manha então
| Presa no meu coração
| Quero ver você
Geni e o Zepelim
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Gente Humilde
(Garoto/Chico Buarque/Vinícius de Moraes)
Há certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim,
Todo o meu peito se apertar
Porque parece,
Que acontece de repente,
Como um desejo,
De eu viver sem me notar...
Igual a como,
Quando eu passo no subúrbio,
E muito bem,
Vindo de trem, de algum lugar,
E aí me dá,
Uma inveja dessa gente,
Que vai em frente,
Sem nem ter com quem contar.
São casas simples,
Com cadeiras na calçada,
E na fachada,
Escrito em cima, que é um lar!
Pela varanda,
Flores simples e baldias,
Como a alegria
De não ter como lutar.
E eu que não creio,
Peço a Deus, por minha gente,
É gente humilde,
Que vontade de chorar...
Geração Coca-Cola
Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez -
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser ?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Girassol
(Toni/Bino/Lazão/Gama/Pedro Luiz)
A favor da comunidade, que espera o bloco passar
Ninguém fica na solidão
Embarca com suas dores pra longe do seu lugar
A favor da comunidade, que espera o bloco passar
Ninguém fica na solidão o bloco vai te levar
Ninguém fica na solidão
A verdade prova que o tempo é o senhor
Dos dois destinos, dos dois destinos
Já que pra ser homem tem que ter
A grandeza de um menino, de um menino
No coração de quem faz a guerra
Nascerá uma flor amarela
Como um girassol
Como um girassol
Como um girassol amarelo, amarelo
Todo dia, toda hora, na batida da evolução
A harmonia do passista vai encantar a avenida
E todo o povo vai sorrir, sorrir, sorrir
E todo o povo vai sorrir, sorrir, sorrir
Gitâ
Às vezes você me pergunta
por que é que eu sou tão calado
não falo de amor quase nada
nem fico sorrindo ao seu lado
Você pensa em min toda hora
me come me cospe me deixa
talvez você não entenda
mas hoje eu vou lhe mostrar
Que eu sou a a luz das estrelas
eu sou a cor do luar
eu sou as coisas da vida
eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
a força da imaginação
o blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
Gitâ, gitâ gitâ gitâ
Eu sou o seu sacrifício
a placa de contra-mão
o sangue no olhar do vampiro
e as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
eu sou a luz que se apaga
eu sou a beira do abismo
eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
que eu sou feito da terra
do fogo da água e do ar
Você me tem todo o dia
mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado
a pesca do pescador
a letra "A" tem meu nome
dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
nos "peg-pagues" do mundo
Eu sou a mão do carrasco
sou raso, largo, profundo
Eu sou a mosca da sopa,
e o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego,
e a cegueira da visão
É mas eu sou o amargo da língua
a mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
o início, o fim e o meio
Giulietta Masina
Pálpebras de neblina, pele d'alma
lágrima negra tinta
lua lua lua lua
Giulietta Masina
ah, puta de uma outra esquina
ah, minha vida sozinha
ah, tela de luz puríssima
(existirmos a que será que se destina)
ah, Giulietta Masina
ah, vídeo de uma outra luz
pálpebras de neblina, pele d'alma
Giulietta Masina
aquela cara é o coração
de Jesus
Gostava Tanto De Você
Não sei porque você se foi,
Quanta saudade eu senti,
E de tristeza vou viver;
E aquele adeus, não pude dar
Você marcou na minha vida
Viveu, morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate
E eu gostava tanto de você (2x)
Eu corro e fujo desta sombra
Em sonho eu vejo esse passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Nem quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você
E eu gostava tanto de você
Gosto de Ser Cruel
(George Israel/Paula Toller)
Sou capaz de gritar
E de te ofender
De me machucar
Mas não de te perder
Sou capaz de chorar
Ser ridícula até não agüentar
Posso bater com a cabeça na parede
Posso fingir que não sou inteligente
Posso pensar em vingança e traição
Eu gosto de ser cruel
Prá chamar sua atenção
Eu faço o que você quiser
Prá agradar seu coração
Gosto que Me Enrosco
Não se deve amar sem ser amado
É melhor morrer crucificado
Deus nos livre das mulheres que hoje em dia
Desprezam o homem só por causa da orgia
Gosto que me enrosco de ouvir dizer
Que a parte mais fraca é a mulher
Mas o homem, com toda a fortaleza
Desce da nobreza e faz o que ela quer
Dizem que a mulher é a parte fraca
Nisto é que eu não posso acreditar
Entre beijos e abraços e carinhos
O homem não tendo é bem capaz de roubar
Gostoso Demais
Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Eu quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja e vai buscar
Meu bem querer
Não posso ser feliz assim
Tem dó de mim
O que é que eu posso fazer
Gota d'Água
Já lhe dei meu corpo, minha alegria.
Já estanquei seu sangue, quando fervia...
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água.
O Grande Amor
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer
Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão
Pra quem chorou
Grand’ Hotel
(George Israel/Paula Toller/Lui Farias)
Se a gente não tivesse feito tanta coisa
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand' hotel
Se a gente não fizesse tudo tão depressa
Se não dizesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor
Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia"
Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só prá se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só pra se viver
Só pra se viver
Ficar só
Só pra se viver
Grau 10
(Lamartine Babo/Ary Barroso)
A vitória de ser tua, tua, tua, moreninha prosa
Lá no céu a própria lua, lua, lua não é mais formosa
Rainha da cabeça aos pés
Morena eu te dou grau 10
O inglês, diz: "yes, my baby!"
O alemão, diz: "Yá, corraçon!"
O francês, diz: "Bonjour, mon amour!"
Trés bien! Trés bien! Trés bien!
O argentino, ao te ver tão bonita
Toca um tango e só diz: "Milonguita"
O chinês diz que diz, mas não diz
Pede bis, pede bis, pede bis!
Gritos de Guerra
(Wadinho Marques/Bell Marques)
Vou caminhando
Entre flores e
Guerras
Vou deslizando entre
O bem e o mal
Um pouco louco
Entre monstros e
Feras
Sou cavaleiro do
Juízo final
A esperança é uma
Flecha de fogo
Que faz arder o meu
Coração
Eu canto e grito de
Novo
Paz nesse mundo e
União
Eô... Eô...
A minha espada
É a voz com que eu
Canto
Voando leve, livre
Como um pardal
Você me beija
E eu me perco no
Encanto
Olhe pra vida, é
Fantasia real
A esperança é uma
Flecha de fogo
Que faz arder no meu
Coração
Eu canto e grito de
Novo
Paz nesse mundo e
União
Eô... Eô...
Gruda em Mim
Quando te vejo o coração bate apressado
Quando te beijo fico todo arrepiado
Eu tenho planos pra nós dois
Pra mim nós dois já somos um
Ir pro futuro sem você
É alcançar lugar nenhum
A gente pode ser feliz
Me diz que sim...
Pegue teus sonhos, teu amor, e gruda em mim!
Nunca senti por mais ninguém tanta saudade
Eu logo vi que com você, tudo é verdade
Tudo tem mais sabor
Tudo tem mais razão
Você me faz feliz
Você me faz sentir os pés no chão
É muito mais que atração
Jamais amei tão forte assim
Pegue teus sonhos, teu amor, e gruda em mim!
É só soltar o coração
Conte até um e diz que sim
Pegue teus sonhos, teu amor e gruda em mim.....
Guardanapos de Papel (Biromes y servilletas)
(Leo Masilah - versão: Carlos Sandroni)
Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas, trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Ondem vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olhereiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glórias nem medalhas, se contetam com migalhas, migalhas,
migalhas
De canções e brincadeiras com seus versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são alcançados
Alcançados, cansados, cansados, mas nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem
Escrevem o que sabem o que não sabem
E o que dizem o qu não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados quardanapos feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas lunáticas
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo para depois voltar pro Rio de Janeiro
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 03 de novembro de 2002.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)