

Músicas da MPB - M
Músicas da MPB - M
Macacos Me Mordam
Macacos me mordam se mudo eu ficar
Não calo minha boca, é pra contrariar
Eis o xis da questão
O tesão saltou da cama para expressão
O ponto do i deu um pulo
E passou para o ponto final
Eu sou um ex-brega, agora um pop-metal
Deixando cair a pose no carnaval
Tudo é normal - tudo é normal
Pi pi ti bi ri - Pi pi ti bi ri
Um ser sexy brega
Provoca turbulências libidinosas
Em donzelas tímidas C.D.F.s
Que bibelôs de penteadeira
Que sonham erótico e acordam gritando
Sintonize
Madalena
Oh, Madalena o meu peito percebeu
que o mar é uma gota
comparado ao pranto meu, eu, eu, eu.
Fique certa quando o nosso amor desperta,
logo o sol se desespera
e se esconde lá na serra.
Oh, Madalena, o que é meu não se divide
nem tão pouco se admite
quem do nosso amor duvide.
Até a lua se arrisca num palpite
que o nosso amor existe
forte ou fraco, alegre ou triste.
Madalena
Fui passear na roça
Encontrei Madalena
Sentada numa pedra
Comendo farinha seca
Olhando a produção agrícola
E a pecuária
Madalena chorava
Sua mãe consolava
Dizendo assim
Pobre não tem valor
Pobre é sofredor
E quem ajuda é Senhor do Bonfim
Entre em beco saia em beco
Há um recurso Madalena
Entra em beco sai em beco
Há uma santa com seu nome
Entra em beco sai em beco
Vai na próxima capela
E acende uma vela
Prá não passar fome
Madalena Do Jucú
| Madalena Madalena
| Você é meu bem querer
| Eu vou falar prá todo mundo |b
| Vou falar prá todo mundo|i
| Que eu só quero é você|s
Minha mãe não quer que eu vá
Na casa do meu amor
Eu vou perguntar a ela |b
" "" ""|i
Se ela nunca namorou |s
|
O meu pai não quer que eu case
Mas me quer namorador
Eu vou perguntar a ele |b
" "" ""|i
Porque ele se casou|s
|
Eu fui lá prá Vila Velha
Direto do Grajaú
só prá ver a Madalena |b
E ouvir tambor de congo |i
Lá na barra do Jucú |s
(repete |)
Made in Coração
Um amigo meu vindo da Terra do Sol Nascente
Cruzou o Pacífico e chegou pacificamente
Seu sax, coração,
Juntou-se ao meu violão
E fomos tocando, improvisando,
Harmonizando emoções...
Artistas do mundo, no fundo,
São sempre aprendizes
Do amor somos embaixadores dos nossos países
Homens poderosos dessa Terra,
Esqueçam-se da guerra,
Reparem no poder de uma canção!
(2x) Música é a mistura das bandeiras,
O som não tem fronteiras -
É "made in coração"!
Magamalabares
Magamalabares
Acqua Marã
o parquinho oxáiê
Quem esteve aqui
viu barquinho de gazeta
ancorar no mistério
Notas musicais
Entre bolas de sabão
que de nossas serenatas vieram
Flores que ofertamos
e que nunca morrerão
em vasos e jarras se bronzeiam
Os anjos de onde vem sua vida bem-vinda
Os livros não são sinceros
Quem tem Deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos.
Mágica em Mim
Eu preciso tanto te dizer
Quanto ter você me faz viver
Como a gente só fez melhorar com o tempo
Que as manhãs me pegam a sorrir
As tardes me levam a sonhar
As noites me lançam ao vento...
E que por causa de você
Voltou a vontade de cantar
Ví meu medo se atirar no espaço aberto
Ví o passado se distanciar
Perto de tudo o que virá...
Não existirá ninguém
Que ocupe o seu lugar
No amor de cada dia
Cada dia
Só a sua companhia
É mágica em mim...
É tão importante eu te contar
Se eu vivo correndo sem parar
Sempre encontro o meu conforto
No seu encanto
Meus olhos têm sêde de te ver
Nas minhas mãos famintas de você
Sinto o meu tato procurando...
É que por causa de você...
Mágoas de Caboclo
(Leonel Azevedo/J. Cascata)
Cabocla, o seu olhar está me dizendo
Que você está me querendo
Que você gosta de mim
Cabloca, não lhe dou meu coração
Você hoje me quer muito
E amanhã não quer mais não.
Não creio mais em amor nem amizade
Vivo só para a saudade
Que o passado me deixou
A vida para mim não vale nada
Desde o dia em que a malvada
O coração me estraçalhou.
E às vezes pela estrada enluarada
Lembro-me de uma toada
Que ela para mim cantava
Quando eu era feliz e não pensava
Que a desgraça em minha porta
Passo a passo me rondava.
Depois que ela partiu eu fiquei triste
Nada mais pra mim existe
Fiquei no mundo a penar
E quando eu penso nela, ó grande Deus,
Eu sinto nos olhos meus
Triste lágrima rolar.
Maimbê Dandá
Maimbê Dandá
corre cosme chegou
doum alabá
damião jaçanã
pra levar e deixar
alegria de erê
é ver gente sambar
meu look laquê
mandei cachear
me alise pra ver
meu forte é beijar
vou cantar maimbê
pra você se acabar
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
maimbê, maimbê, dandá
zum, zum, zum, zum zum baba
zum zum baba, zum zum baba
traga a avenida com você
tava esperando maimbê
zum, zum, zum, zum zum baba
zum zum baba, zum zum baba
corre cosme chegou
doum alabá
damião jaçanã
pra levar e deixar
alegria de erê
é ver gente sambar
oiá eparrêi
me ensine a espiar com os olhos de quem me cega de amar
vou cantar maimbê, pra você se acabar
Maior Abandonado
Eu tou perdido, sem pai nem mãe bem na porta da tua casa
Eu tou pedindo a tua mão e um pouquinho do braço
Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos me interessam
Pequenas porções de ilusão,
Mentiras sinceras, me interessam, me interessam
Estou pedindo a tua mão, me leve para qualquer lado
Só um pouquinho de proteção ao maior abandonado
Seu corpo com amor ou não
Raspas e restos me interessam,
Me ame como a um irmão
Mentiras sinceras me interessam, me interessam
Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos me interessam
Pequenas porções de ilusão,
Mentiras sinceras, me interessam, me interessam
Estou pedindo a tua mão, me leve para qualquer lado
Só um pouquinho de proteção a um maior abandonado
O Mais Belo dos Belos
Quem é que sobe a ladeira do Curuzu?
E a coisa mais linda de se ver?
É o Ilê Ayê
O Mais Belo Dos Belos
Sou eu, sou eu
Bata no peito mais forte
E diga: Eu sou Ilê
| Não me pegue não, não, não
| Me deixe à vontade
| Não me pegue não, não, não
| Me deixe à vontade
| Deixe eu curtir o Ilê
| O charme da liberdade
| Como é que é?
| Deixe eu curtir o Ilê
| O charme da liberdade
Quem não curte não sabe, negão
o que está perdendo
É tanta felicidade
O Ilê Ayê vem trazendo
18 anos de glória, não
São 18 dias
Nessa linda trajetória
No carnaval da Bahia
E a galera a dizer!
|
É tão hipnotizante, negão
O swing dessa banda
A minha beleza negra
Aqui é você quem manda
Vai exalar seu charme, vai
Para o mundo ver
Vem mostrar que você é
A Deusa Negra do Ilê
E a galera a dizer!
|
É sábado de carnaval, seu negão
Que tremendo zum, zum, zum
Ele está se preparando para subir o Curuzu
Quem não aguenta chora, não, não de tanta emoção
Deus teve o imenso prazer de criar essa perfeição
E a galera a dizer!
|
Quem é que sobe a ladeira do Curuzu?
E a coisa mais linda de se ver?
É o Ilê Ayê
O Mais Belo Dos Belos
Sou eu, sou eu
Bata no peito mais forte
E diga: eu sou Ilê
Os Mais Doces Bárbaros
Com amor no coração
Preparamos a invasão
Cheios de felicidade
Entramos na cidade amada
Peixe Espada, peixe luz
Doce bárbaro Jesus
Sabe quem é otário
Peixe no aquário nada
Alto astral, altas transas, lindas canções
Afoxés, astronaves, aves, cordões
Avançando através dos grossos portões
Nossos planos são muito bons
Com a espada de Ogum
E a benção de Olorum
Como num raio de Iansã
Rasgamos a manhã vermelha
Tudo ainda é tal e qual
E no entanto nada é igual
Nós cantamos de verdade
E é sempre outra cidade velha
Mais Feliz
(Dé Palmeira/Cazuza/Bebel Gilberto)
O nosso amor não vai parar de rolar
De fugir e seguir com um rio
Como uma pedra que divide o rio
Me diga coisas bonitas
O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
Pra transformar o que eu digo
Rimas fáceis, calafrios
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz
O nosso amor não vai parar de rolar
De fugir e seguir com um rio
Como uma pedra que divide o rio
Me diga coisas bonitas
O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
Pra transformar o que eu digo
Rimas fáceis, calafrios
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz
Rimas fáceis, calafrios
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz
A Mais Pedida
Nesse show não entra menor
O homem censurou
Tava de mau humor
Não tinha dormido bem
porque não levantou
Pense como ia ser bom
Se nós fizesse um show
Que ultrapassasse a barreira das AM,FM e dos elevador
Aí sim,dá um selinho
E mostra o seu that you sow
Quando eu te vi o meu calção se abriu
Caiu uma lágrima de um olho,que se for dos dois entãoé namoro
Meu cabelo é ruim,mas meu terno é de linho
Vou ser seu salgadinho
Cê vai gostar
Se eu tocar no seu radinho
Chora até o fim,só pra rimar
com inho,pois se eu ganhar DiN DiN
Cê vai gostar de mim
Se eu tocar no seu radinho
Por favor seu locutor
Ao menos uma vez
Melhor se fosse três
Toca o nosso som aí
Que tu me faz feliz
Se não tocar eu quebro seu nariz (2x)
Mais Uma de Amor (Geme Geme)
(Ricardo Barreto/Antônio Pedro/Bernardo Vilhena)
Perdi meu amor
No paraíso
Dou tudo que eu tenho
Por um aviso
Seja sob sol
Ou debaixo de chuva
Minha alma geme por você
refrão:
Geme geme uh! uh!
Por você
Geme geme ah!
Por você
Não durmo de noite
Arrasto correntes
Sozinho na cama
Trincando os dentes
Seja sob sol... até... geme por você...
(refrão)
Vocês podem estar pensando
Ela foi embora
Mas está quase voltando
Não demora
Ou ela foi pra muito longe
Felicidade
Onde estás que não respondes
Seja sob sol... até... geme por você...
(refrão)
Mais Um Adeus
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Mais um adeus
Uma separação
Outra vez solidão
Outra vez sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar
Amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar
Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno
Não tome gelado
O gin é um veneno
Cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
Pro apartamento
Porque o vencimento não é como eu:
Não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar
Mal-Acostumada
Amor de verdade eu só senti
Foi com você, meu bem
E todas as loucuras desse nosso amor
Você me deu também
Você já faz parte da minha vida
E fica tão difícil dividir
Você de mim
E quando faz carinhos e me abraça
Aí eu fico de graça
Te chamando pra me amar
Mal-acostumado, você me deixou
Mal-acostumado, com o seu amor
Então volta, traz de volta meu sorriso
Sem você não posso ser feliz
Malandragem
Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o onibus da escola, sozinha
Cansada com minhas meias tres quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o principe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida é não sonhar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar... (2x)
Bobeira é não viver a realidade
E eu ainda tenho uma tarde inteira
Eu ando nas ruas, eu corto cheque...
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro, tomo meu pileque
E ainda tenho tempo pra cantar, pra cantar...
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheco a verdade...
Eu sou poeta e não aprendia amar...
O Malandro
(Kurt Weill/Bertolt Brecht - versão livre de Chico Buarque)
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Brasil/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Brasil/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
O Malandro nº 2
(Kurt Weill/Bertolt Brecht - versão livre de Chico Buarque)
O malandro/Tá na greta
Na sargeta/Do país
E quem passa/Acha graça
Na desgraça/Do infeliz
O malandro/Tá de coma
Hematoma/No nariz
E rasgando/Sua bunda(banda)
Um funda/Cicatriz
O seu rosto/Tem mais mosca
Que a birosca/Do Mané
O malandro/É um presunto
De pé junto/E com chulé
O coitado/Foi encontrado
Mais furado/Que Jesus
E do estranho/Abdômen
Desse homem/Jorra pus
O seu peito/Putrefeito
Tá com jeito/De pirão
O seu sangue/Forma lagos
E os seus bagos(cacos)/Estão no chão
O cadáver/Do indigente
É evidente/Que morreu
E no entanto/Ele se move
Como prova/O Galileu
Maluco Beleza
Enquanto você se esforça prá ser um sujeito normal
E fazer tudo igual
Eu pro meu lado aprendendo a ser louco, maluco total
Na loucura real
Controlando a minha maluquez, misturada com minha lucidez
Vou ficar, com certeza, maluco beleza
Eu vou ficar, ficar com certeza, maluco beleza
Esse caminho que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir, por não ter onde ir
Controlando a minha maluquez...
Maluquete 2
A maluquete tá querendo deboche
Deboche, maluquete deboche (bis)
Jogando o corpo prá lá
Jogando o corpo pra cá
Hum...hum...hum...
Remexendo o bum-bum
Beija ela pra ver
Se ela quer mexer
Se ela quer prazer
Ela quer fazer amor em Alagoinhas
E andou fazendo a cabeça lá em Serrinha
Ela ficou coisa fina em Jacobina
Cuidado garota que nesse barato você se alucina
ela é fruto maduro em Porto Seguro
cravo, canela e mel no sol de Ilhéus
ela prepara armadilha no sul da ilha
e todo verão no Farol da Barra só ela
que brilha.
Mama África
Mama áfrica (a minha mãe)
É mãe solteira
E tem de fazer mamadeira todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas casas bahia
Mama áfrica tem tanto o que fazer
Além de cuidar neném
Além de fazer denguim
Filhinho tem que entender
Mama áfrica vai e vem
Mas não se afasta de você
Quando mama sai de casa
Seus filhos se olodunzam
Rola o maior jazz
Mama tem calo nos pés
Mama precisa de paz
Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
No ritmo de vida de mama
Mamãe
(Herivelto Martins/David Nasser/Washington Harline)
Ela é a dona de tudo,
Ela é a rainha do lar,
Ela vale mais para mim,
Que o céu, que a terra, que o mar,
Ela é a palavra mais linda,
Que um dia o poeta escreveu,
Ela é o tesouro que o pobre,
Das mãos do Senhor recebeu,
Mamãe, mamãe, mamãe,
Tu és a razão dos meus dias,
Tu és feita de amor e esperança,
Ai, ai, mamãe,
Eu te lembro chinelo na mão,
O avental todo sujo de ovo,
Se eu pudesse,
Eu queria outra vez mamãe,
Começar tudo, tudo de novo
Manda Ver
(Alain Tavares/Gilson Babilônia)
Vem correndo pros meus braços
Eu te peço, por favor
Não consigo ficar longe
Do seu colinho
Meu amor
Não adianta fugir
Nosso destino Deus traçou
Vamos amar e permitir
O que passou, passou
Vem, estou esperando você
Pra gente fazer um auê
Tome conta de mim do seu lado
Manda ver
Amar sem medo de ser feliz
Deixa o coração pedir bis
E quando o Eva passar
Amor, vem correndo
Me amar
Manguetown
(Chico Science & Nação Zumbi)
Estou enfiado na lama
É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa
Onde os urubus têm asas
Vou pintando, segurando as paredes do mangue do meu quintal
Manguetown
Andando por entre os becos
Andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo
Da lama da manguetown
Andando por entre becos
Andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo
Da lama da manguetown
Andando por entre becos
Andando em coletivos
Ninguém foge à vida suja dos dias da manguetown
Esta noite sairei
Vou beber com meus amigos
E com as asas que os urubus me deram ao dia
Eu voarei por toda a periferia
Vou sonhando com a mulher
Que talvez eu possa encontrar
Ela tambem vai andar
Na lama do meu quintal
Manguetown
Andando...
Manhã de Carnaval
(Luiz Bonfá/Antônio Maria)
Manhã, tão bonita manhã,
Na vida, uma nova canção
Em cada flor, o amor,
Em cada amor, o bem
O bem do amor faz bem
Ao coração...
Então vamos juntos cantar,
O azul da manhã que nasceu,
O dia já vem...
E em seu lindo olhar
Também, amanheceu...
Canta o meu coração,
A alegria voltou
Tão feliz na manhã
Desse amor...
Mania
(Celso Fonseca/ Ronaldo Bastos)
Eu sonhei, eu pensei, eu pedi
Hoje sei, não adiantou
Mas não sei, se você já viu o filme
E fingiu, que não interessou
Dou um jeito de acender seu cigarro
Arranjo uma carona no seu carro
Um bom entendedor, o pouco que repara
O sonho impossível, está na cara!
Vai dizer que você nem desconfia
Que a mania já virou paixão
Sou capaz de mendigar a coragem
O jeito é confessar toda a verdade
Os olhos vão falar, a voz só diz bobagem
Levanto mais um brinde a amizade
Eu sonhei, eu pensei, eu pedi
Hoje se, não adiantou
Mania de Possuir
Essa mania de possuir
mata em nome do amor
fere o espaço mágico da criação
o sentimento à flor da pele
Essa vontade
de engolir o mundo
ter tudo nas mãos
logo pode trazer outra desilusão
coração que não descansa.
Eu preciso de você do jeito que é
sem te aprisionar
eu quero inteira
quando a gente gosta mesmo
não quer mudar a pessoa
Quantos vivem de mentiras
dando a impressão
que a sua certeza é a verdadeira
quando a gente enxerga as coisas
não tapa o sol...
então, me entenda,
esse é o meu jeito.
Mania de Você
(Rita Lee/Roberto de Carvalho)
Meu bem você me dá água na boca
Vestindo fantasia, tirando a roupa,
Molhada de suor,
De tanto a gente se beijar,
De tanto imaginar loucuras!
A gente faz amor por telepatia
No chão, no mar, na lua, na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar,
De tanto imaginar loucuras!
Nada melhor do que não fazer nada,
Só pra deitar e rolar com você!
Maninha
Se lembra da fogueira
se lembra dos balões
se lembra dos luares, dos sertões
A roupa no varal, feriado nacional
e as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha falava de amor
Pois nunca mais cantei, maninha,
depois que ele chegou
Se lembra da jaqueira
a fruta no capim
o sonho que você contou pra mim
Os passos no porão
lembra da assombração
e das almas com perfume de jasmim
Se lembra do jardim, maninha,
coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha
no chão que ele pisou
Se lembra do futuro
que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou
Mas não me deixe assim tão sozinho
a me torturar
que um dia ele vai embora, maninha
pra nunca mais voltar
O Mar
O mar
Quando quebra na praia
É bonito, é bonito
O mar
Quanta gente perdeu seus maridos, seus filhos
Nas ondas do mar
O mar
Pedro vivia da pesca
Saía no barco seis horas da tarde
Só vinha na hora do sol raiar
Todos gostavam de Pedro
E mais do que todos, Rosinha de Chica
A mais bonitinha e mais benfeitinha
De todas as mocinhas lá do Arraiá
Pedro saiu no seu barco seis horas da tarde
Passou toda a noite e não veio na hora do sol raiar
Deram com o corpo de Pedro jogado na praia
Roído de peixe, sem barco, sem nada
Num canto bem longe lá do Arraiá
Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita e agora parece que endoideceu
Vive na beira da praia olhando pra ondas
Andando, rondando, dizendo baixinho:
"Morreu, morreu"
Morreu, oh,
O mar
Quando quebra na praia
É bonito, é bonito
Maracatu Atômico
(Nelson Jacobina/Jorge Mautner)
Atrás do arranha-céu tem o céu, tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva tem a chuva, tem a chuva
Que tem gotas tão lindas
Que até dá vontade de comê-las
No meio da couve-flor tem a flor, tem flor
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luvas tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas negras
E tão afiadas se esqueceu de por
No fundo do pára-raios tem o raio, tem o raio
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro, é todo negro
E eu escrevo seu nome nele
P’rá demonstrar o meu apego
O bico do beija-flor beija a flor, beija a flor
E toda fauna, flora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte tem arte, tem arte
E aqui passa com raça
Eletrônico maracatu atômico
Maracatu de Tiro Certeiro
(Chico Science & Jorge du Peixe)
De tiro certeiro, é de tiro certeiro
Como bala que já cheira a sangue
Quando o gatilho é tão frio
Quando quem tá na mira - o morto!
Eh, foi certeiro - Oh se foi
O sol de aço, a bala escaldante
Tem gente que é como barro
Que ao toque de uma se quebra
Outros não!
Ainda conseguem abrir os olhos
E no outro dia assistir tv
Mas comigo é certeiro meu irmão
Não encosta em mim que hoje eu não estou pra conversa
Seus olhos estão em brasa
Fumaçando! Fumaçando! Fumaçando! Fumaça!
Não saca a arma não - a arma não?
Já ouvi, calma!
As balas já não mais atendem ao gatilho
Já não mais atendem ao gatilho, já não mais atendem
Mar de Copacabana
Já mandei lhe entregar o mar
Que você viu
Que você pediu pra eu dar
Outro dia em Copacabana
Talvez leve uma semana pra chegar
Talvez entreguem amanhã de manhã
Manhã bem seda tecida de sol
Lençol de seda dourada
Envolvendo a madrugada toda azul
Quando eu fui encomendar o mar
O anjo riu
E me pediu pra aguardar
Muita gente quer Copacabana
Talvez leve uma semana pra chegar
Assim que der, ele traz pra você
O mar azul com que você sonhou
No seu caminhão que desce
Do infinito e que abastece o nosso amor
Se o anjo não trouxer o mar
Há mais de mil
Coisas que ele pode achar
Tão lindas quanto Copacabana
Talvez tão bacanas que vão lhe agradar
São tantas bijuterias de Deus
Os sonhos, todos os desejos seus
Um mar azul mais distante
E a estrela mais brilhante lá do céu
Mar de Rosas
| Você bem sabe que eu não lhe prometi um mar de rosas
| Nem sempre o sol brilha
| Também há dias em que a chuva cai
Se você quer partir
Prá viver por viver sem amor, ô, ô, ô, ô
Não tenho culpa,
Eu não lhe prometi um mar de rosas ...
A promessa que eu fiz foi fazer você feliz
Eu queria que você entendesse o quanto eu lhe uero
O quanto eu sou sincero.
Se eu falasse, talvez, ao menos uma vez,
Que o mundo inteiro aos seus pés, contente eu botaria
Isso eu não podia ...
Não há razão prá ser tão triste, nosso amor ainda existe
Temos muito tempo para amar ...
|
Se eu fizesse uma canção de todo o coração
E nela eu confessasse que sem o seu amor eu não consigo viver,
Você talvez até nem fosse entender
É melhor você pensar no passo que vai dar
Pois há sempre alguém querendo ver um grande amor como o nosso no fim
Isso mesmo você disse prá mim ...
Não há razão prá ser tão triste, nosso amor ainda existe
Temos muito tempo para amar ...
| (2x)
Mar e Lua
Amaram um amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
as costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade distante do mar
Amaram o amor serenado das noturnas praias
levantavam as saias e se enluaravam de felicidade
naquela cidade que não tem luar
Amavam um amor proibido pois hoje é sabido
Todo mundo conta que uma andava tonta
grávida de lua e outra andava nua
ávida de mar
E foram ficando marcadas ouvindo risadas
sentindo arrepios olhando pro rio
tão cheio de lua e que continua
correndo pro mar
E foram correnteza abaixo rolando no leito
engolindo água, boiando com as algas
arrastando folhas, carregando flores
e a se desmanchar
E foram virando peixes, virando conchas
virando seixos, virando areia
prateada areia com lua cheia
e à beira mar
Margarida Perfumada
(Carlinhos Brown/Cícero Menezes)
Encontrei Margarida Perfumada
Como dava risada
Por também me encontrar
Seu olho já me espionava
Indo pra Timbalada
Pra me ver Timbalar
Margarida no jarro
Margarida no barro
Margarida no carro
Margarida no bairro
Encontrei Margarida chorona
Me pedindo carona
Pronde eu vou, você vai
Meu olho já lhe espionava
Se me faltar palavras
Vou dizer te amar
Venha cá, venha cá
Venha cá, venha cá
Purucutum pa pum, pa pum
Purucutum pa pum, pa pum
Mar Grande
(Paulinho da Viola/Sérgio Natureza)
Se navegar no vazio
É mesmo o destino
Do meu coração
Parto pra ser esquecido
Navio perdido
Na imensidão
Lobo do mar, timoneiro,
Me leve pro sol
Quero outro verão
Não quero mar de marola
Das praias da moda
Na rebentação
Quero mar alto, o mar grande,
Por favor não me mande
De volta mais não
Não quero o cais, outro porto,
Não mais o mar morto
Da minha ilusão
Prefiro ir à deriva
Me deixe que eu siga
Em qualquer direção
Se eu sou de um rio marinho
O mar é meu ninho
Meu leito e meu chão
Maria Bethânia
Maria Bethânia
Tu és para mim,
A Senhora do Engenho
Em sonhos eu vejo
Maria Bethânia
És tudo o que eu tenho,
Quanta tristeza, eu sinto no peito,
Só em pensar,
Que o nosso amor está desfeito.
Maria Bethânia,
Tu sentes saudades de tudo eu bem sei,
Porém, também sinto,
Saudades do beijo que nunca te dei
Beijo que vive com esplendor,
Nos lábios meus
Para aumentar a minha dor.
Maria Bethânia,
Te lembras ainda daquele São João ?
As minhas palavras,
Caíram bem dentro do teu coração,
Tu me olhavas, com emoção,
E sem querer,
Pus minha mão na tua mão.
Maria Bethânia,
Eu nunca pensei acabar tudo assim,
Maria Bethânia,
Por Deus eu te peço,
Tem pena de mim,
Hoje confesso, com dissabor,
Que não sabia, nem conhecia o amor!!!
Maria de Verdade
Pousa-se toda Maria
no varal das 22 fadas nuas lourinhas
Fostes besouro Maria
e a aba do Pierrot descosturou na bainha
Farinhar bem, derramar a canção
Revirar trens, louco mover paixão
Nas direções, programado emoldurado
Esperarei romântico
Sou a pessoa Maria
Na água quente e boa gente tua Maria
Voa quem voa Maria
e a alma sempre boa sempre vou à Maria
Farinhar bem, derramar a canção
Revirar trens, louco mover paixão
Nas direções, programado emoldurado
Esperarei romântico
Tou vitimado no profundo poço
na poça do mundo
do céu amor vai chover
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa Maria
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa Maria
Maria, Maria
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar como outra
Qualquer do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte, lenta,
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta
|Mas é preciso ter força,
|É preciso ter raça,
|É preciso ter gana, sempre
|Quem traz no corpo a marca
|Maria, Maria
|Mistura a dor e a alegria (2x)
|Mas é preciso ter manha,
|É preciso ter graça,
|É preciso ter sonho, sempre
|Quem traz na pele essa marca
|Possui a estranha mania de ter fé na vida
A-hei, a-he-a-ha-hei, a-he-a-ha-hei, a-he-a-he-he-hei...
La-la-la-la-le-re-re...
Maria-Vai-Com-As-Outras
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Maria era uma boa moça
Pra turma lá do Gantois,
Era maria-vai-com-as-outras
Maria de coser, Maria de rezar
Porém o que ninguém sabia
É que tinha um particular:
Além de coser, além de rezar
Também era Maria de pecar
|Tumba-ê caboclo - tumba lá e cá
|Tumba-ê guerreiro - tumba lá e cá
|Tumba-ê meu pai - tumba lá e cá (2x)
|Não me deixe só - tumba lá e cá
Maria que não foi com as outras
Maria que não foi pro mar
Num dia dois de fevereiro
Maria não brincou na festa de Iemanjá
Não foi jogar água-de-cheiro
Nem flores pra sua Orixá
Aí Iemanjá pegou e levou
O moço de Maria para o mar
|Tumba-ê caboclo - tumba lá e cá
|Tumba-ê guerreiro - tumba lá e cá
|Tumba-ê Iemanjá - tumba lá e cá (2x)
|Não me deixe só - tumba lá e cá
Vem das águas de Oxalá
Essa mágoa que me dá
Ela parecia o dia ao romper da escuridão,
Linda no seu manto todo branco
Em meio à multidão
E eu que ela nem via
Ao deus pedia amor e proteção
Meu pai Oxalá é o rei
Venha, me valei
Meu pai Oxalá é o rei
Venha, me valei
E o velho Ololu, atotô abaluaê
Atotô abaluaê - atotô babá (5x)
Marim Dos Caetés
Não chore menina bonita
Se Deus quiser
Te vejo na Marim guerreira dos Caetés
De novo pra subir ladeiras
Te dou meus pés
Olinda Marim tão bonita dos Caetés
Vamos embora cabra-cabriola
Tá chegando a hora da gente arribar
Vamos embora já fui caipora
No jogo da sorte sempre dei azar
Vamos embora sei do itinerário
Por ali passamos por aqui passou
Uma "a la ursa" da fita amarela
Abrindo janelas para o nosso amor
Marina
Marina,
Morena, Marina,
Você se pintou,
Marina,
Você faça tudo,
Mas faça um favor,
Não pinte esse rosto,
Que eu gosto e que é só meu,
Marina,
Você já é bonita
Com o que Deus lhe deu,
Me aborreci, me zanguei,
Já não posso falar,
E quando eu me zango,
Marina,
Não sei perdoar,
Eu já desculpei muita coisa,
Você não arranjava outra igual,
Desculpe, Marina, morena,
Mas eu estou de mal,
De mal, com você
Maringá
Foi numa leva que a cabocla Maringá
Ficou sendo a retirante
Que mais dava o que falá
E, junto dela,
Veio alguem que suplicou
Pra que nunca se esquecesse
De um caboclo que ficou...
Maringá, Maringá!
Deepois que tu partiste
Tudo aqui ficou tão triste
Que eu garrei a maginá...
Maringá, Maringá!
Para havê felicidade
É preciso que a saudade
Vá batê noutro lugá...
Maringá, Maringá!
Volta aqui pro meu sertão
Pra de novo o coração
De um caboclo assucegá...
Antigamente uma alegria sem igual
Dominava aquela gente
Da cidade de Pombal,
Mas veio a seca, toda a chuva
Foi-se embora,
Só restando, então, as águas
Dos meus olhos quando chora...
Marinheiro Só
(adap. e arr. Caetano Veloso)
Eu não sou daqui
Marinheiro só
Eu não tenho amor
Marinheiro só
Eu sou da Bahia
Marinheiro só
De São Salvador
Marinheiro só
Lá vem, lá vem
Marinheiro só
Como ele vem faceiro
Marinheiro só
Todo de branco
Marinheiro só
Com seu bonezinho
Marinheiro só
Ô, marinheiro, marinheiro
Marinheiro só
Ô, quem te ensinou a nadar
Marinheiro só
Ou foi o tombo do navio
Marinheiro só
Ou foi o balanço do mar
Marinheiro só
Mário
(Gabriel O Pensador/Itaal Shur)
O pequeno Mário, dentro do berçário, era feito carta em envelope sem destinatário.
Um menino sem destino, se nome no cartório, ficou num orfanato até o sexto aniversário.
E foi parar num seminário, onde um padre fez o Mário conhecer o ABCDário.
Aprendeu a ler a bíblia e o dicionário.
E aos doze já sabia escrever um diário.
O diário era o seu melhor amigo, onde o Mário confessava o seu desejo proibido de ser bibliotecário... e conhecer uma mulher... e todos os gêneros literários.
Mário! Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
Mudou de profissão, virou revolucionário.
Vai Mário, vai Mário, vai Mário!
Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
O Mário tá na área e não tem páreo para o Mário.
Vai Mário, vai Mário!
O garoto Mário, lá no seminário, era feito um peixe fora d'água, preso num aquário.
Preferiu ir pra cidade, mais um operário.
Quinze anos de idade, menos de um salário.
Menos do que o necessário; vida dura dividida entre a leitura e o trabalho.
Aos 16 já era um líder comunitário, era um jovem lutador e solidário.
Aos 17 era boy num escritório.
Aos 18 fez serviço militar obrigatório.
Mataram um soldado e precisavam de um bode expiatório.
O Mário era rebelde e foi pro interrogatório.
Inocente até que provem o contrário, foi torturado e virou presidiário.
E lá dentro teve tempo de arrumar seus pensamentos de um modo extraordinário.
Mário! Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
Mudou de profissão, virou revolucionário.
Vai Mário, vai Mário, vai Mário!
Você conhece o Mário?
Cansou de ser otário.
O Mário tá na área e não tem páreo para o Mário.
Vai Mário, vai Mário!
Soltaram o Mário antes do horário - a imprensa descobriu seu julgamento arbitário.
Divulgou a sua estória e os seus comentários, sua vida e o seu discurso libertário:
- Todo ser humano tem direito a ser alguém e tem direito a ter um bem do bom e do melhor.
Melhor pra todos nós se todo ser humano tem direito à sua vez e tem direito à sua voz.
Padres e mendigos, freiras, prostitutas, todos são iguais, todos têm direito à paz, todos têm direito à luta.
Direito e dever de saber e de ver e fazer acontecer.
Todos têm direito de mudar!
Nem todos que sonharam conseguiram, mas pra todos conseguirem todos têm que ter a chance de tentar.
Não tem pra ninguém!
Mas tem que ter pra todo mundo e pra mim também!
Refrão
Missionário sem religião (sem religião!), conquistou uma legião, uma multidão, na sua missão contra a omissão em todos os cenários:
urbanos, suburbanos e agrários.
Mas o seu discurso igualitário foi ficando cada vez mais duro, mais maduro, incendiário!
Incomodando os poderosos e reacionários, que já queriam ver seu nome no obituário.
Mas o Mário tava em todos os noticiários, nas escolas, nos "campus" universitários, nas favelas, nas bocas, nas bancas, nas ruas, nas fábricas, em todos os lugares! - E o Mário rebate qualquer argumento contrário ao seu ideário.
Debate com qualquer político, autoridade ou autoritário; do executivo, do legislativo ou judiciário; latifundiário ou megaempresário; qualquer mercenário do Fundo Monetário...
Ninguém nesse mundo é páreo pro Mário!
E o Mário, que era só um João Ninguém, leu, escreveu, conheceu e foi reconhecido.
Cansou de ser otário. E pra quem ta cansado também, o Mário é um exemplo a ser seguido.
Mariposa
(Adelino Moreira/Nelson Gonçalves)
Na batida do samba
Foi que eu te conheci
Numa roda de bambas
Que eu jamais te esqueci
Remexendo as cadeiras
Gingando e sambando
Com simplicidade
Até que um dia
Trocaste o meu samba
E a lua do morro
Pela luz da cidade
Segue o teu caminho Mariposa
Já que esta luz te embriaga
Mas nunca te esqueças Mariposa
Que toda a luz se apaga
Presta bem, atenção Mariposa
Neste aviso derradeiro
Antes que a luz da cidade se apague,
Pode cegar-te primeiro
Marvin (Patches)
Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro, era um
grande coração
Ganhava a vida com muito suor
Mas mesmo assim não podia ser pior
Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar
Mas Deus quis vê-lo no chão
Com as mão levantadas pro céu
Implorando perdão
Chorei meu pai disse: "Boa Sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer".
Três dias depois de morrer
Meu pai eu queria saber
Mas não botava nem o pé na escola
Mamãe lembrava disso a toda hora
Todo dia antes do Sol sair
Eu trabalhava sem me distrair
As vezes acho que não vai dar pé
Eu queria fugir, mas onde eu estiver
Eu sei muito bem o que ele quis dizer
Meu pai, eu me lembro, não me
deixa esquecer
Ele disse:
"Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor"
E então uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho de um ano inteiro
E aos treze anos de idade eu sentia
Todo o peso do mundo em minhas costas
Eu queria jogar mas perdi a aposta
Trabalhava feito um burro nos campos
Só via carne se roubasse um frango
Meu pai cuidava de toda família
Sem perceber segui a mesma trilha
Toda noite minha mãe orava:
"Deus, era em nome da fome
que eu roubava"
Dez anos se passaram
Cresceram meus irmãos
E os anos levaram minha mãe
pelas mãos
Chorei meu pai disse: "Boa
Sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte:
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"
"Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor"
Máscara Negra
Tanto riso,
Oh! quanta alegria,
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão!
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano,
Foi no carnaval que passou,
Eu sou aquele Pierrot,
Que te abraçou,
E te beijou, meu amor,
Na mesma máscara negra
Que esconde teu rosto
Eu quero matar a saudade.
Vou beijar-te agora,
Não me leve a mal,
Hoje é carnaval!
Mas que Nada
Mas que nada,
Sai da minha frente,
Eu quero passar,
Pois o samba, está animado,
O que eu quero, é sambar.
Este samba,
Que é misto de Maracatu,
É samba de preto velho,
É samba de preto tu.
Mas que nada,
Um samba como esse tão legal,
Você não vai querer,
Que eu chegue, no final!
Massa Real
Hoje eu só quero você
Seja do jeito que for
Hoje eu só quero alegria
É meu dia, é meu dia
Hoje eu só quero amor
Hoje eu só quero prazer
Hoje vai ter que pintar
só quero a massa real
É o meu carnaval
Hoje eu só quero amar
Hoje eu não quero sofrer
Não quero ver ninguém chorar
Hoje eu não quero saber
De ouvir dizer que não vai dar
Masturbação Mental
(Gabriel O Pensador/Itaal Shur)
Ontem eu te liguei, só pra dar um oi.
Mas você não tava, eu gostaria imensamente de saber onde cê foi.
Por que não me chamou?
Eu tô aqui à toa sem saber qual é a boa sem saber aonde eu vou
(achar algum remédio, que faça algum efeito contra a falta de respeito e dê um jeito nesse tédio).
Alguma vitamina, que force uma mudança nessa falta de assunto e dê um break na rotina.
Repetição!
Eu tô cansado de ficar aqui parado só nessa masturbação mental.
Prefiro algo mais original.
| Masturbação mental!
| Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!
| Masturbação mental!
| Se isso for normal eu quero ser anormal!
| Masturbação mental!
| Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!
| Masturbação mental!
| Se isso é diferente eu prefiro ser igual!
Hoje eu acordei meio indisposto.
E resolvi ouvir um som bem diferente pra poder mudar o gosto.
Indigesto!
E me peguei assobiando aquela música cafona que eu detesto, mas que me emociona, porque me lembra alguém que me fez bem e depois me pôs na lona.
Fazer o quê?
A gente cospe no prato que come, pra depois querer comer no prato que cuspiu.
A vida continua e eu agora tô a mil!
Agora eu sou mais eu!
Você que eu não vou ser.
Mas pra ter liberdade de verdade eu aprendi a desaprender o que só me prendia.
A mente é livre, livre mente, a gente é livre, Deus me livre dessa rebeldia que fala e não diz nada.
Ouvi dizer que a vida recomeça a cada dia e aprendi essa piada.
Depois talvez esqueça.
O mundo muda, tudo muda, todo mundo muda mas só mudo minha cabeça se for melhor pra mim (quando eu achar que é, e se eu tiver a fim).
|
Amanhã não sei.
Bola de cristal nunca funcionou comigo porque eu não consigo fazer tudo sempre igual, a não ser que eu tente.
Só que eu nunca tento sempre invento um movimento cada vez mais diferente.
Não que eu só acerte, mas errar também faz parte em qualquer parte e eu não vou ficar inerte, esperando a morte.
Não reclamo do azar porque o azar às vezes vem trazendo sorte.
Saúde! - vitamina C, pode crer, pode ser que o tempo mude...
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu já cansei de ouvir o que eu já cansei de ouvir!
Eu vou gozar, Maria, eu vou gozar, José.
Eu vou gozar a vida do jeito que eu quiser.
E se eu fizer cagada, eu sei limpar.
Não vem cagando regra. Na regra que cê caga eu vou pisar.
Não vem ditando norma... Pensando bem, tô pensando de outra forma.
Você acha que é loucura? Eu acho que é careta.
A vida é muito curta pra ficar nessa punheta.
Ontem eu te liguei. Onde você foi?
Eu gostaria imensamente de te achar mas era só pra dar um oi.
Ouvi dizer que a vida recomeça a cada dia e aprendi a dar risada.
Matinê no Rian
(João Penca e Miquinhos Amestrados)
Eu por você, sou capaz de mudar
Não ser durão, dirigir devagar
Vender meu blusão, te comprar um brilhante
Oh! meu amor, eu nasci pra você
O teu olhar já é tudo pra mim
Nem sonho mais em beijar James Dean
O cupido flechou percebi minha chance
Oh! meu amor, eu nasci pra você
Eu acho legal nós dois um casal
Diga ao passado Bye bye
Unir nossas mãos num fim de semana
Andar nas areias de Copacabana
Pegar matinê no Rian com você
Um grande amor não será jamais
Demodée...
Matriz ou Filial
Quem sou eu
Pra ter direitos exclusivos
Sobre ela,
Se eu não posso
Sustentar os sonhos dela
Se nada tenho
E cada um vale o que tem!
Quem sou eu,
Pra sufocar a solidão
Da sua boca
Que hoje diz
Que é matriz e quase louca
Quando brigamos
Diz que é a filial,
Afinal,
Se amar demais,
Passou a ser o meu defeito,
É bem possível
Que eu não tenha mais direito
De ser matriz,
Por ter somente amor pra dar,
Afinal,
O que ela pensa,
Conseguir me desprezando,
Se a tua sina
Sempre é voltar chorando,
Arrependida,
Me pedindo, pra ficar!!!
Me Chama
Chove lá fora e aqui
Faz tanto frio
Me dá vontade de saber
Aonde está você
Me telefona
Me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê
Mágica no absurdo
Nem sempre se vê
Mágica no absurdo
Cadê você?
Tá tudo cinza sem você
Tá tão vazio
e a noite fica sem por quê
Aonde está você
Me telefona
Me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê
Lágrimas no escuro
Nem sempre se vê
Lágrimas no escuro
Cadê você?
Me Deixa Falar
(George Israel/Paula Toller)
Onde andam meus amigos que não aparecem mais?
Será que me abandonaram e eu fiquei pra trás?
Mas eu não ligo, sou eu que mando
Conto comigo numa confusão
Tudo que eu quero eu consigo
Tenho essa sensação
O que foi que aconteceu nesse mundo masculino
Ora é moda o latin lover disfarçado de bom menino
Brasileiros, marcianos
Fazem tanto pra agradar
Mas querem muito, querem tudo
Só não querem me escutar
Me deixa falar
Me empresta um ouvido
Me deixa falar
Me presta atenção
Se não me escutar
Cuidado comigo
Eu perco a razão
Atiro tudo o que eu tenho na mão
Apresento as mesmas armas, tão antigas de tão usadas
Você diz que sou criança, louca, mansa...
Mas eu não corro nenhum perigo
Conto comigo numa confusão
Tudo que eu quero eu consigo
Tenho essa sensação
Me Dê Motivo
Me dê motivo pra ir embora
Estou vendo a hora de te perder
Me dê motivo, vai ser agora
Estou indo embora, o quê fazer?
Estou indo embora
Não faz sentido, ficar contigo, melhor assim
É nessa hora que o homem chora
A dor é forte, demais assim.
(Falado)
Já que você quis assim, tudo bem!
Cada um pro seu lado, a vida é assim mesmo
Eu vou procurar e sei que vou encontrar
Alguém melhor que você.
Espero que sejas feliz no seu novo caminho
Ficar contigo não faz sentido, melhor assim ...
(Cantado)
Me dê motivo, foi jogo sujo
E agora eu fujo pra não sofrer
Fui teu amigo, te dei o mundo
Você foi fundo, quis me perder
Agora é tarde, não tem mais jeito
O teu defeito não tem perdão
Eu vou à luta que a vida é curta
Não vale a pena sofrer em vão.
Podes crer, você pôs tudo a perder
Não podia me fazer o que fez
E por mais que queira negar
Me dê motivo
Podes crer, eu vou sair por aí
E mostrar que posso ser bem feliz
E encontrar alguém que saiba me dar
Me dar motivo
Meditação
(Tom Jobim/Newton Mendonça)
Quem acreditou
No amor, no sorriso, na flor
Então sonhou, sonhou
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e à flor
Se transformam depressa demais
Quem no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isso se perder
E na solidão
Procurou um caminho a seguir
Já descrente de um dia feliz
Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois a própria dor
Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou
Medo da Chuva
É pena
Que você pensa que eu sou escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir
Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao teu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver
Eu perdi o meu medo
Meu medo, meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Traz coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar
Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem
Aquilo que o padre falou
Porque quando eu jurei
Meu amor eu traí a mim mesmo
Hoje eu sei que ninguém neste mundo
é feliz tendo amado uma vez
Uma vez
Eu perdi o meu medo
Meu medo, meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Traz coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
|Vendo as pedras que choram sozinhas
|No mesmo lugar
Vendo as pedras que sonham
Sozinhas no mesmo lugar
Medo de Amar (Vire Essa Folha do Livro)
Vire essa folha do livro
E se esqueça de mim
Finja que o amor acabou
E se esqueça de mim
Você não compreendeu
Que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar
Não faz ninguém feliz
Agora vá sua vida
Como você quer
Porém não se surpreenda
Se uma outra mulher
Nascer de mim
Como no deserto uma flor
E compreender que o ciúme
É o perfume do amor
O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre
(Beto Guedes/Fernando Brant)
O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar prá ficar
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder
O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver tanta luz
Meia-Hora
(Jorge Xaréu/Ademario/Roberto Moura)
Meia hora só pra te ver
Meia hora só com você
Meia hora só pra te ver
Meia hora
Meia hora
Uma água de coco
É passatempo
Bonde da Lapa
Pego meu tempo
Chapéu Panamá
Hoje tem batuque, tem magia
Essa mistura contagia
Venha ver o que é que dá
Hoje tem batuque, tem magia
Essa mistura contagia
Coca Cola e abará
Vem ver
Vem ver
Morena vem cá
Vem ver
Sou eu morena
Meia-Lua Inteira
Meia-lua inteira
Sopapo na cara do fraco
Estrangeiro gozador
Cocar de coqueiro baixo
Quando o engano se enganou
São dim dom dão são bento
Grande homem de movimento
Martelo do tribunal
Sumiu na mata adentro
Foi pego sem documento
No terreiro nacional
Poeira ra ra ra
Poeira ra ra ra
Terça feira capoeira ra ra ra ra
Tô no pé de onde dera ra ra ra
Verdadeiro ra ra ra
Derradeiro ra ra ra
Não me impede de cantar ra ra ra ra
Tô no pé de onde dera ra ra ra
Bimba beriba a mimque diga
Taco de aramecabaça barriga
São dim dom dão são bento
Grande homem de movimento
Nunca foi um marginal
Sumiu a praça a tempo
Caminhando contra o vento
Sobre a prata capital
Poeira ra ra ra
Poeira ra ra ra
Terça feira capoeira ra ra ra ra
Tô no pé de onde dera ra ra ra
Verdadeiro ra ra ra
Derradeiro ra ra ra
Não me impede de cantar ra ra ra ra
Mel
(Caetano Veloso/Wally Salomão)
Ó abelha rainha, faz de mim
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória
Pois se é noite de completa escuridão
Provo do favo de teu mel
Cavo a direta claridade do céu
E agarro o sol com a mão
É meio-dia, é meia-noite, é toda hora
Lambe olhos, torce cabelos
Feiticeira vamo-nos embora
É meio-dia, é meia-noite
Faz um zum na testa, na janela
Na fresta da telha
Pela escada, pela porta
Pela estrada toda afora
Ânima de vida
O seio da floresta amor empresta
A praia deserta zumbe na orelha: concha do mar
Ó abelha, boca de mel
Carmim, carnuda, vermelha
Ó abelha rainha, faz de mim
Um instrumento de teu prazer
Sim, e de tua glória
Mel do Sol
O verão chegou trazendo a voz
da paixão que escorre mel do sol
e incendeia o nosso coração
menino
brincando na areia
que a paixão saiba cuidar de nós
passageiros como a luz do sol
que incendeia o nosso coração
menino
brincando na areia
madrepérola de cores vãs
no vitral insone das manhãs
que eu vi passar enquanto o sol
menino
brincava na areia
Que o verão saiba cuidar de nós
que você beba do mel do sol
e que a sombra que o verão trará
possa descansar seu corpo
menino
brincando na areia
O Melhor Vai Começar
Eu quero o sol
ao despertar
brincando com a brisa
por entre as plantas
da varanda
em nossa casa
eu quero amar
é lógico
que o mundo não me odeia
Hoje eu sou mais romântico
que a lua cheia
Você mostrou pra mim
onde encontar assim
mais de um milhão
de motivos pra sonhar, enfim
e é tão gostoso ter
os pés no chão e ver
que o melhor da vida
vai começar.
Memória da Pele
(João Bosco/Waly Salomão)
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre, busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca,
coração
Eu já esqueci você tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama, sua carne, seu suor
Eu pertenço à raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim, em mim
Não sou eu, sofro e sei
Não sou eu, finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram, enfim...
Não sou eu, sofro e sei
Quem se lembra de você em mim, eu sei, eu sei...
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia na minha veia
Bate é no sangue que borbulhava na sua taça
E que borbulha agora na taça da minha cabeça
Menina
Menina,
que um dia conheci criança
me aparece assim de repente,
linda, virou mulher.
Menina,
como pude te amar agora?
Te carreguei no colo menina,
cantei pra te dormir
Lembro a menina feia,
tão acanhada, de pé no chão.
Hoje maliciosa,
guarda um segredo em seu coração.
Menina
que muitas vezes fiz chorar,
achando graça quando ela dizia:
-Quando crescer vou casar com você.
Menina
porque fui te encontrar agora.
Te carreguei no colo menina,
cantei pra ti dormir.
Menina de Cateretê
(Bell Marques/Chocolate/Paulinho Camafeu)
Menina linda do cateretê
Nosso Brasil tem um alto astral
Cante comigo este meu sambaê
Vou pra Bahia, vou levar você
No sol da Bahia a gente deita e rola
Sambaê, sambaê
Andar com fé só na terra do axé
Sambaê, sambaê
Pai Oxalá tá protegendo você, mãe
Sambaê, sambaê
Chiclete com Banana fazendo você mexer
Sambaê, sambaê
Menina linda do cateretê
Nosso Brasil tem um alto astral
Cante comigo este meu sambaê
Vou pra Campina Grande, vou levar você
Lá no Spazzio a gente deita e rola
Sambaê, sambaê
Vitória da Conquista no Massicas vou te ver
Sambaê, sambaê
São Paulo é Sampa no berço da madrugada
Sambaê, sambaê
Rio de Janeiro nos encantos do prazer
Sambaê, sambaê
Menina linda do cateretê
Nosso Brasil tem um alto astral
Cante comigo este meu sambaê
Vou pra Recife, eu vou levar você
Lá em Recife a gente deita e rola
Sambaê, sambaê
Lá tem Capiba no frevo da Frevioca
Sambaê, sambaê
Alceu Valença canta pra você, mãe
Sambaê, sambaê
Linda Olinda no Batata vou te ver
Sambaê, sambaê
Menina linda do cateretê
Nosso Brasil tem um alto astral
Cante comigo este meu sambaê
Eu vou pra Fortaleza, vou levar você
No Siriguella a gente deita e rola
Sambaê, sambaê
Galera de Ilhéus vai botar pra derreter
Sambaê, sambaê
Lá em Natal o teu desejo me alucina
Sambaê, sambaê
Lá em Brasília tô de olho em você
Sambaê, sambaê
Menina linda do cateretê
Nosso Brasil tem um alto astral
Cante comigo este meu sambaê
Eu vou pra Minas vou levar você
Menina linda do cateretê
Nosso Brasil tem um alto astral
Cante comigo este meu sambaê
De bem com a vida eu quero te ver
Menina Linda
Ah! deixa essa boneca faça-me um favor
Deixa isso tudo e vem brincar de amor
De amor, ei, ei, ei, de amor ...
Oh, meu bem, lembre-se que existe por aí alguém
Que tão sozinho vive sem ninguém,
Sem ninguém, sem ninguém ...
Menina linda, eu te adoro!
Menina pura como uma flor ... ô, ô, ô, ô, ah ...
Sua boneca quebrar, ah, ah, ah,
Mas viverá o nosso amor ...
Oh, meu bem, deixa essa boneca, faça-me um favor
Deixa isso tudo e vem brincar de amor
De amor, ei, ei, ei, de amor ...
Menina Me Dá O Seu Amor
(Bell Marques/Wadinho Marques/Tonho Matéria)
(Lembrando os velhos tempos dos novos baianos)
Posso sentir
Chego a tocar na sua mão
Cantar, cantar
A beleza da vida
Me faz querer seu coração
Por que será
Que a noite é tão linda como você
Olhar o mar
E o mistério da lua
E deixar tudo acontecer
Daqui do alto
Eu te beijo, eu te beijo
Daqui do alto
Eu te desejo, eu te desejo
Daqui do alto
Eu te quero, eu te quero
Daqui do alto
Me desespero, me desespero
Menina me dá seu amor, ai, ai, ai
Madrugada já clareou
Clareou, clareou
Parece que tudo termina
Em carinho
Você é tão linda, e eu
Tão sozinho
A onda te trouxe
Sereia do mar
Princesa do céu
Quero namorar
Menina Veneno
Meia-noite no meu quarto
Ela vai subir
Ouço passos na escada
Vejo a porta abrir
O abajur cor de carne
O lençol azul
Cortinas de seda
O seu corpo nu
Menina veneno
O mundo é pequeno
Demais pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
só dá você (3x)
Seus olhos verdes no espelho
Brilham para mim
Seu corpo inteiro
é um prazer
Do princípio ao fim
Sozinho no meu quarto
Eu acordo sem você
Fico falando pras paredes
Até anoitecer
Menina veneno
Você tem um jeito
Sereno de ser
E toda noite no meu quarto
Vem me entorpecer, vem me entorpecer
Meia-noite no meu quarto
Ela vai surgir
Eu ouco passos na escada
Eu vejo a porta abrir
Você vem não sei de onde
Eu sei vem me amar
Eu nem sei qual o seu nome
Mas nem preciso chamar
Menina veneno
Você tem um jeito sereno de ser
E toda noite no meu quarto
Vem me entorpecer, vem me entorpecer
Menino Bonito
Lindo, e eu me sinto enfeitiçada
correndo perigo.
Seu olhar é simplesmente lindo,
mas também não diz mais nada
menino bonito.
E então quero olhar você,
depois ir embora.
Sem dizer o porquê.
Eu sou cigana
basta olhar pra você
Menino Deus
Menino Deus
De um corpo azul dourado
Um porto alegre é bem mais que um seguro
Na rota das nossas viagens do escuro
Menino Deus
Quando tua luz se acende
A minha voz comporá tua lenda
E por momento haverá mais futuro
Do que jamais houve
Mas ouve a nossa harmonia
A eletricidade, ligada no dia
Em que brilharias por sobre cidade
Menino Deus
Quando a flor do teu sexo
Abrir as pétalas para o universo
Então por um lapso se encontrar
Ligando os breus, dando sentido aos mundos
E aos corações sentimentos profundos
De terna alegria, no dia
Do menino Deus (3x)
No dia do menino Deus
Menino do Rio
Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção, corpo aberto no espaço
Coração de eterno flerte
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do rio
Eu canto pra Deus proteger-te
O Havaí seja aqui
Tudo o que sonhares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo eu desejo o teu desejo
Menino do rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo
Mensagem
(Cícero Nunes/Aldo Cabral)
Quando o carteiro chegou
E o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ante surpresa tão rude
Eu nem sei como pude
Chegar ao portão.
Vendo o envelope bonito
E no subscrito eu reconheci
A mesma caligrafia, que me disse um dia:
"Estou farto de ti".
Porém não tive coragem
De abrir a mensagem
Porque na incerteza ...
Eu meditava e dizia:
"Será de alegria,
Será de tristeza?"
Tanta verdade risonha
Ou mentira risonha
Uma carta nos traz
E assim pensando rasguei,
Sua carta e queimei,
Para não sofrer mais.
Mentiras
Nada ficou no lugar
Eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo
Eu quero acordar sua família
Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu gosto
Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos
Que é pra ver se você volta
Que é pra ver se você vem
Que é pra ver se você olha pra mim
Nada ficou no lugar
Eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua aula
Queria falar sua língua
Eu vou publicar seus segredos
Eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos
O resto da minha alegria
|Que é pra ver se você volta
|Que é pra ver se você vem
|Que é pra ver se você olha pra mim
(|)
Mentiras do Brasil
Era uma vez duas criancinhas
Um mundo do faz de conta era onde eles viviam
Seus nomes eram José e Maria
E verde e amarelo era a bandeira que vestiam
Queriam viver com felicidade mas pra isso era preciso saber sempre a verdade
Os adultos hipócritas provocavam sua ira
Pois quem é puro não gosta de conviver com a mentira
Mas Zezinho e Maria eram puros porém sabidos
Deixavam tapados um dos lados de seus ouvidos
Pra não entrar por aqui e sair por ali
O que escutavam e achavam importante refletir
E na TV as estórias que os adultos contavam
Eles gostavam de ver
Mas nem sempre acreditavam
Se revoltavam vendo coisas que até cego já viu
E resolveram fazer uma lista com...
| As maiores mentiras do Brasil
| Vocês e suas mentiras vão pra... (primeiro de abril!)
| As maiores mentiras do Brasil
| Vocês e suas mentiras vão pra... (primeiro de abril!)
E uma mentira absurda encabeçava o rol:
Deus é brasileiro... (Só se for no futebol!)
Certas frases conhecidas são mentiras e ninguém nega
(por exemplo?) "A justiça é cega!"
Quem prega isso é canalha (psh! Não espalha)
Porque aqui a justiça tarda... E falha!
E o Zezinho gargalha com outra mentira boçal
(qual?) "O brasileiro é cordial" aha!
Mas que gracinha, imagina se não fosse!
Se o brasileiro é amável, Adolf Hitler é um doce
Porque a lei de Gérson é o nosso evangelho
Todos querem se dar bem e não se respeita nem os velhos
Dizem também que o pobre é malandro
Mas o povão tá só ralando e quem tá armando são os grandes empresários e empreiteiros
Mas até hoje só prenderam o PC e os bicheiros
No país da impunidade tudo é contraditório
Deixam o resto em liberdade em troca de um simples bode expiatório
Que situação patética
É real ou ilusório o processo de restauração da ética?
Será que é boato? Zezinho e Maria perguntavam
E enquanto isso anotavam...
|
Mentira tem perna curta e se desmente facilmente
Zezinho estava em frente a uma loura linda e inteligente
E tem gente que diz que toda mulher bonita é burra
Quem acredita merece uma surra
Dizem que o bebê vem da cegonha
E que cresce pelo mão se bater uma bronha
Mas o pequeno Zé não acreditava
E se crescesse ele raspava
A lista de mentiras aumentava:
Comunista come criancinha, Aids é doença de gay
"Mentira!" (seu comunista, bota camisinha!)
Mariazinha ficou mocinha e descobriu que era caô
Que só existia sexo com amor
Aprendeu a falar inglês e viu que não é só filme brasileiro que tem muito palavrão
Pois foi no cinema e ouviu tudo o que eles cortam na legenda e na dublagem da televisão
Queriam as verdades sem cortes
Queria liberdade
Queriam independência ou morte
Perguntaram ao fantasma de Cabral a história real entre Brasil e Portugal:
"Não foi sem querer que descobrimos vosso país
Nós portugueses não somos burros como se diz!"
Outra piada que não era nada séria era que a seca do Nordeste era a culpada da miséria
Desculpa esfarrapada puro blá, blá, blá...
Pois se os políticos quisessem eles faziam o sertão virar mar!
Tem também a lenda eterna da falta de verbas
As moscas mudam mas é sempre a mesma merda...
E a lista continua sem parar
Com mentiras que o Pinóquio teria vergonha de contar
|
Diziam que o Brasil é o país do futuro
Mas eles viram que o melhor era viver o presente
Zezinho e Maria decidiram mostrar pra todo mundo que é mentira que o Brasil não vai pra frente!
Eram crianças
Tinham muita esperança
Mas não queriam esperar pois quem espera nunca alcança
Acharam nojento todo aquele fingimento
E começaram a ficar violentos
(O brasileiro tá cansado de ser enganado
Daqui pra frente os mentirosos serão enforcados)
E começaram assim uma revolução
Controlaram todos os meios de comunicação
E revelaram sua lista com as milhões de mentiras
Que atrasavam a ordem e o progresso da nação
Só tinham uma saída pro país
Acabar com as mentiras pela raiz
E como toda revolução deixa cicatriz
O sangue jorrou feito um chafariz
Foi uma vitória do povo e no final da conquista
Zezinho e Maria puseram fogo na lista das...
|
E ao voltarem pra casa encontraram seu pai emocionado por tudo que eles tinham aprontado
Uma nova era tinha começado e não era à toa que os olhos do coroa estavam encharcados
Uma lágrima desceu e Zezinho percebeu que descobria mais uma mentira nessa hora...
Homem também chora
Merengueira Siga-Me
(Andréa Lessa/Augusto Cesar/Pio Medrado)
Se tem merengue aí
Eu vou, eu vou, eu tô
Quero me divertir, dançar
Com meu amor
Se tem merengue aí
Eu vou, eu vou, eu tô
Olha, pra que tristeza
Toca o seu timbau pra valer
Mostra o seu astral na moral
E vem dançar merengue
É festa, é carnaval
Toca o seu timbau pra valer
Mostra o seu astral na moral
E vem dançar merengue
Hoje é festa, é carnaval
Essa menina quando passa
Todo mundo bole
Todo mundo bole, todo mundo bole
Eu quero ver minha nega mexer, bailar
Vamos balançar, venha chicletear
Seja de frente de lado ou de banda
Esse som mexe com a gente
Vem comigo, vem dançar
Siga-me, siga-me
Me Sinto Só
Só
Me Sinto só
Estou sentindo a falta do teu calor
Vem, venha pra cá
Esquece tudo e me beija com sede de amar
De vez em quando eu posso ser ator
E um pouquinho te enganar
Pra não ficar sentindo tanta dor
E um pouquinho te machucar
Vem, sou seu amigo
Vem ficar comigo
De vez em quando eu fico só pra vadiar...
Mesmo de Brincadeira
(Tavinho Moura/Venturini)
Quando o céu incendeia
E acende uma estrela no coração
Quando a lua passeia
E a vida acontece numa canção
É lá...
Que imagino te ver,
Que eu começo a sonhar,
Que eu me lembro demais,
Que eu me vejo beijando você...
Mesmo de brincadeira,
Eu sigo o que fala o coração
Faço à minha maneira
Da vida nascer uma canção
Hei, lá
|Que vontade de te ver,
|De querer te abraçar,
|De correr pela areia,
|Eu preciso te achar!
Que vontade de te ver,
De querer te abraçar,
De correr pela areia,
Que vontade de amar... você!
Imagino te ver,
Que eu começo a sonhar,
Que eu me lembro demais,
Que eu me vejo beijando você...
(|)
Mesmo que Seja Eu
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Sei que você fez os seus castelos
E sonhou ser salva do dragão
Desilusão, meu bem
Quando acordou, estava sem ninguém...
Sozinho no silêncio do seu quarto
Procura a espada do seu salvador
E no sonho se desespera
Jamais vai poder livrar você da fera
Da solidão...
Com a força do meu canto
Esquento o seu quarto pra secar seu pranto
Aumento o rádio
Me dê a mão...
Você precisa é de um homem
Pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu...
Um homem pra chamar de seu
Mesmo que seja eu...
Metade
Que a força do medo que tenho não me
impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me
tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas
A outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao lonje seja
linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu ame seja sempre
amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra
metade é saudade.
Que as palavras que eu falo nao sejam
ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que
resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a
outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se
transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a
outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o
convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce
sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples
alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra
metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
complicar porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim e' a platéia e a
outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e
a outra metade... também.
Metade
Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está
Agora?
Metamorfose Ambulante
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor, sobre que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor, lhe tenho horror
Lhe faço amor, eu sou um ator
Eu já vou chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver essa metaformose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor, sobre que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor, lhe tenho horror
Lhe faço amor, eu sou um ator
Eu vou lhes dizer aquilo tudo que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
| Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo (6x)
Meu Amigo Pedro
Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não
Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro as coisas não são bem assim
Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno
Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura
Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta, Pedro
E você me chama vagabundo
Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou à perdição
Há tantos caminhos tantas portas
Mas somente um tem coração
E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou
Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
É que tudo acaba onde começou
Meu amigo Pedro
O Meu Amor
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
Meu Bem, Meu Mal
Você é meu caminho
Meu vinho, meu vício
Desde o início estava você
Meu bálsamo benigno
Meu signo, meu guru
Porto seguro
Onde eu voltei
Meu mar e minha mãe
Meu medo e meu champagne
Visão do espaço sideral
Onde o que eu sou se afoga
Meu fumo e minha yoga
Você é minha droga
Paixão e carnaval
Meu zen, meu bem, meu mal
Meu Bem Querer
Meu bem querer
é segredo, é sagrado
está sacramentado
em meu coração
Meu bem querer
tem um quê de pecado
acariciado
pela emoção
Meu bem querer
meu encanto
estou sofrendo
tanto
amor
e o que é o sofrer
para mim que estou
jurado pra morrer
de amor
Meu Bem Quero Te Amar
(Bell Marques/Rey Zulu/Wellington Costa)
Meu bem quero te amar
Com todo prazer quero teu beijo
Te pego, te abraço
Te dou meu desejo
Durmo nos meus sonhos
Pois estou sozinho
Não sou um bico feiro
E te dou carinho
Eu sou camaleão, sou seu amor
Vem, vem me dar um beijo
Eu sou camaleão, sou seu amor
Me joga teu feitiço
Esse é o meu desejo
Meu bem quero te amar
Com todo prazer, quero teu beijo
Ai que bom se eu pudesse
Cantar e dançar com você
Oh! Minha linda
Nesse desejo te dou meu prazer
Oi..ô.Oi..ô
No bem bom do balanço
Eu fico leve
Oi..ô.Oi..ô
Com você bem maneiro
Eu danço o reggae
Meu Benzinho Fez Amor Comigo
(Martinho da Vila/ Zuzuca do Salgueiro)
O meu benzinho fez amor comigo
O meu benzinho fez amor comigo
Duma maneira que só ela faz
Óh meu Deus
Seu corpo é o meu aconchego
Seu peito o meu mundo de paz
O meu benzinho enfeitiçou o nego
E agora o nego tá querendo mais
O meu benzinho enfeitiçou o nego
E agora o nego tá querendo mais
Nosso amor
É feitiço em oração
Nosso amor
É feitiço em oração
Meu benzinho traz um anjo
Dentro do seu coração
Meu benzinho traz um anjo
Dentro do seu coração
O amor sereno
Que só ela faz
Me deixa tão pleno
E querendo mais
Meu Cabelo Duro É Assim
(Bell Marques/Wadinho Marques/Paulinho Camafêu)
| Meu cabelo duro é assim
| Cabelo duro de pixaim
(3x)
Nêga, não precisa nem falar
Nêga, não precisa nem dizer
Que o meu cabelo duro
Se parece com você
|
Nêga, não precisa nem falar
Nêga, não precisa nem dizer
Que o meu cabelo duro
Se parece com você
Beleza é festa
Beleza é festa
Chiclete com Banana
Chiclete com Banana
|
Lê Lê Lê Lê ô
Lê Lê Lê Lê ô
Quem me ligou, não disse alô
Tô no chuveiro, tô com calor
Tô resolvendo pra onde eu vou
O segurança toca agogô
Eu tô ligado no meu cabelo duro
Que de pixaim
Beleza é festa
Beleza é festa
Chiclete com Banana
Chiclete com Banana
|
(2x)
Nêga, não precisa nem falar
Nêga, não precisa nem dizer
Que o meu cabelo duro
Se parece com você
Beleza é festa
Beleza é festa
Chiclete com Banana
Chiclete com Banana
Meu Caro Amigo
(Francis Hime/Chico Buarque)
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem cigarro
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
Meu Caro Barão
(Henriquez/Bardotti/Chico Buarque)
Onde quer que esteja
Meu caro Barão
São Brás o proteja
O santo dos ladrão
Tava na faxina
Do seu caminhão
Vi essa maquina
De escrever no chão
Escovei a nega
Lavei com sabão
Deu uma cocega
Nos calo da mão
Pronto
Ponto
Tracinho, tração
Linha
Margem
Meu caro Ba...
Vire a pagina
Continuação
Ai, essa maquina
Tá que tá que é bão
Como eu lhe dizia
Meu caro Barão
A sua ausência
É uma sensação
O circo lotado
Cidade e sertão
Domingo, sabado
Inverno e verão
Pronto
Ponto
De exclamação
Linha
Margem
Meu caro Barão
Tem gargalhada
Tem sim senhor
Tem muita estrada
Tem muita dor
Venha, Excelência
Nos visitar
Estamos sempre
Noutro lugar
Dizem que virgula
Aspas, travessão
Coisa ridicula
Dizem que o Barão
Que o Barão, meu caro
Tinha a faca, o pão
O queijo e os passaros
Voando e na mão
Pois eu tenho ouvido
Que o pobretão
Tá magro, palido
Sem ocupação
Pronto
Ponto
De interrogação
Linha
Margem
Meu caro Barão
Venha, Excelência
Nos visitar
A casa é sempre
De quem chegar
Se a senhoria
Vem pra ficar
Basta algum dia
Se preparar
Pra rodar com a gente
Pra fazer serão
Pra ficar contente
Comer macarrão
Pra pregar sarrafo
Pra lavar leão
Pra datilografo
Bilheteiro, não
Pra fazer faxina
Nesse caminhão
Cuidar da maquina
E não ser mais Barão
Linha
Margem
Etcétera e tal
Pronto
Ponto
E ponto final
Meu Erro
Eu quis dizer, você não quis escutar
Agora não peça, não me faça promessas
Eu não quero dizer, nem quero acreditar
Que vai ser diferente, que tudo mudou
Você diz não saber, o que houve de errado
E o meu erro foi crer, que estar ao seu lado
Bastaria,
Ah! Meu Deus era tudo que eu queria
Eu dizia o seu nome, não
Me abandone (jamais)
Mesmo querendo, eu não vou me enganar
Eu conheço seus passos,
Eu vejo os seus erros
Não há nada de novo,
Ainda somos iguais,
Então não me chame,
Não olhe pra traz
Você diz não saber o que houve de errado
E o meu erro foi crer, que estar ao seu lado
Bastaria...
O Meu Guri
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo, de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
Meu Limão meu Limeiro
|Meu limão meu limoeiro,
|Meu pé de Jacarandá,
|Uma vez, tindô lelê,
|Outra vez, tindô lalá.
(bis)
Morena, minha morena
Corpo de linha torcida
Queira Deus você não seja
A perdição da minha vida.
Quem tem amores não dorme
Nem de noite nem de dia,
Dá tantas voltas na cama,
Como peixe n'água fria.
A folhinha do Alecrim,
Cheira mais quando pisada,
Há muita gente que é assim,
Quer bem mais, se desprezada
O Meu Lugar
Tento fazer desse lugar o meu lugar
Ao menos por enquanto
Enquanto isso durar
O que me separa de você agora
Um avião
Um oceano
Outros planos e muitos enganos
Por enquanto espero e vou vivendo
Apenas fantasio meus dias aqui
É, e isso é verdadeiro
Me troco, me arrojo
Ao menos por enquanto
Enquanto isso durar
Como voltar
"No way"
Não sei nem divagar sobre nós
Como voltar e esperar
O prêmio intenso
De voltar pra mim diferente
Vou tentar fazer daqui o meu lugar
Meu Mundo Caiu
Meu mundo caiu
E me fez ficar assim
Você conseguiu
E agora diz que tem pena de mim
Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem à você nem à ninguém
Não fui eu que caí
Sei que você entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu
Eu que aprenda a levantar
Meu Mundo e Nada Mais
Quando eu fui ferido, ví tudo mudar
das verdades que eu sabia
só sobraram restos, e eu não esqueci
toda aquela paz que eu tinha
Eu que tinha tudo, hoje estou mudo
estou mudado
À meia-noite, à meia-luz pensando
Daria tudo por um modo de esquecer
Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto,
à meia-noite, à meia-luz sonhando,
Daria tudo por meu mundo e nada mais.
Não estou bem certo
se ainda vou sorrir
sem um travo de amargura
Como ser mais livre,
como ser capaz
de enxergar um novo dia.
Meu Namorado
(Edu Lobo/Chico Buarque de Hollanda)
Ele vai me possuindo,
Não me possuindo num canto qualquer
É como as águas fluindo, fluindo até o fim
É bem assim que ele me quer
Meu namorado, meu namorado
Minha morada é onde for morar você
Ele vai me iluminando,
Não me iluminando um atalho sequer
Sei que ele vai me guiando, guiando de mansinho
Pro caminho que eu quiser
Meu namorado, meu namorado
Minha morada é onde for morar você
Vejo meu bem com seus olhos
E é com meus olhos que o meu bem me vê
Meu Nêgo
Pele morena
sua boca pequena,
olhos na noite, sedutor
jeito manhoso,
teu beijo gostoso
Meu nego,
moreno,
quero teu amor
Me encantas meu nego
quero teu chamego
teu corpo charmoso
que Deus ti deu
Sua pele queimada
estou fascinada
te quero moreno
você todo meu
Vem cá meu nego
quero te apertar
vou te sufocar
com muito amor (BIS)
Sufocar, com muito amor
vou te sufocar, com muito amor (BIS)
Meu Nome é Ninguém
(Luís Reis/Haroldo Barbosa)
Foi assim,
A lâmpada apagou,
A vista escureceu,
Um beijo então se deu,
E veio a ânsia louca,
Incontida do amor,
E depois
Daquele beijo então
Foi tanto querer bem
Alguém dizendo a alguém,
Meu bem, só meu, meu bem.
Nosso céu,
Onde estrelas cantavam
De repente ficou mudo
Foi-se o encanto de tudo,
Quem sou eu?
Quem é você?
Foi assim,
E só Deus sabe quem
Deixou de querer bem
Não somos mais alguém,
O seu nome é ninguém,
O meu nome também,
Ninguém...
Meu Primeiro Amor
(Herminio Gimenez/José Fortuna/Pinheirinho Jr.)
Saudade, palavra triste
Quando se perde um grande amor
Na estrada longa da vida
Eu vou chorando a minha dor
Igual uma borboleta
Vagando triste por sobre a flor
Seu nome sempre em meus lábios
Irei chamando por onde for
Você nem sequer se lembra
De ouvir a voz deste sofredor
Que implora por teus carinhos
Só um pouquinho do seu amor
Meu primeiro amor
Tão cedo acabou
Só a dor deixou
Neste peito meu
Meu primeiro amor
Foi como uma flor
Que desabrochou
E logo morreu
Nesta solidão
Sem ter alegria
O que me alivia
São meus tristes ais
São prantos de dor
Que dos olhos caem
É porque bem sei
Quem eu tanto amei
Não verei jamais
Meus Tempos de Criança
Eu daria tudo que eu tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra quê que a gente cresce,
Se não sai da gente essa lembrança...
Aos domingos, missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci...
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí!
Que saudade da professorinha,
Que me ensinou o bê-a-bá...
Onde andará Mariazinha
--Meu primeiro amor--, onde andará?
Eu, igual a toda meninada,
Quanta travessura que eu fazia...
Jogo de botões sobre a calçada...
Eu era feliz e não sabia...
Meu Universo É Você
Eu queria ser mais que um amigo
Mas por que não me entende?
Quando fica deprimida, choro com você
E me conta suas aventuras, os seus casos antigos
Eu fico calado finjo que não ligo pra não te perder
Se me olhar no rosto vai ver
As tristes marcas do sorriso...
Baby!!! Mais que a luz das estrelas
Meu universo é você!!!!
Baby ah!
Se eu puder ter a chance ah!
Eu juro todo seu amor merecer
Tenho medo que talvez descubra
Ou simplesmente me corte
Ou quem sabe a sorte, um sonho, traz você pra mim
Eu sei tudo sobre seu passado
E dos passos errados
Um amor maior é o meu presente, futuro é com você
Se me olhar nos olhos vai ver
Falar é pouco
Pra quem quer mais...
Milagres do Povo
Quem é ateu
E viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem deus
Não cessam de brotar
Nem cansam de esperar
E o coração
Que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão
Não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória
E paira para além da história
Ojú obá ia lá e via
Ojú obá ia
Xangô manda chamar
Obatalá guia
Mamãe oxum chora
Lágrima alegria
Pétala de iemanjá
Iansã oiá ria
Ojú obá ia lá e via
Ojú obá ia
Obá
É no xaréu
Que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu
Que o grande vencedor
Se ergue além da dor
Tudo chegou
Sobrevivente num navio
Quem descobriu o brasil
Foi o negro que viu
A crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres
De fé no extremo ocidente
Ojú obá ia lá e via...
Milla
(Manno Góes/Tuca Fernandes)
| Oh! Milla
| Mil e uma noites de amor com você
| Na praia, num barco
| Num farol apagado
| Num moinho abandonado
| Em Mar Grande, alto astral
| Lá em Hollywood, pra de tudo rolar
| Vendo estrelas caindo
| Vendo a noite passar
|
| Eu e você
| Na ilha do sol
| Na ilha do sol
Tudo começou
Há um tempo atrás
Na ilha do sol
O destino te mandou de volta
Para o meu cais
No coração ficou
Lembranças de nós dois
Como ferida aberta
Como tatuagem
(refrão)
Mil Pedaços
Eu não perdi
E mesmo assim você me abandonou
Você quis partir
E agora estou sozinho
Mas vou me acostumar
Com o silêncio em casa
Com um prato só na mesa
Eu não me perdi
O Sândalo perfuma
O machado que feriu
Adeus adeus
Adeus meu grande amor
E tanto faz
De tudo o que ficou
Guardo um retrato teu
E a saudade mais bonita
Eu não me perdi
E mesmo assim ninguém te perdoou
Pobre coração - quando o teu
Estava comigo era tão bom.
Não sei por quê
Acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser:
Vou fugir dessa dor.
Meu amor, se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços.
Mil Perdões
Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair
Mimar Você
(Alain Tavares/Gilson Babilônia)
Eu te quero só pra mim
Você mora no meu coração
Não me deixe só aqui
Esperando mais um verão
Te esperando meu bem
Pra gente se amar de novo
Mimar você
Nas quatro estações
Relembrar
O tempo que passamos juntos
Bem bom viver
Andar de mãos dadas
Na beira da praia
Por esse momento
Eu sempre esperei
Minas com Bahia
Sacudir estrelas
Despertar desejo
Numa noite fria
Uma noite fria
Uma noite fria
No meio da rua
Lá de longe eu vejo
Minhas com Bahia
E o samba ia
Juro que ia
Amanhã é domingo, menina
Ninguém vai te acordar
Deixa chover na esquina
Deixa a vida rolar
Burungundum bateu meu tambor
Quero cumcunca rever meu amor
Ti ri ti tira a esteira daqui
Porque só vim buscar (meu amplificador)
Sacudir o mundo
Procurar no fundo
O que leva uma dia
Até outro dia
Até outro dia
Uma horas dessas
E você tão só
Eu fiquei com dó
Eu só disse ó
Eu te quero muito bem
Minha
Minha,
Quem disse que ela foi minha
Se fosse seria rainha
Que sempre vinha aos sonhos meus
Minha,
Ela não foi um só instante
Como mentiam as cartomantes
Como eram falsas as bolas de cristal
Minha,
Repete agora esta cigana
Lembrando fatos envelhecidos
Que já não ferem mais os meus ouvidos
Minha Canção
(Enriquez/Bardotti - versão de Chico Buarque)
Dorme a cidade
Resta um coração
Misterioso
Faz uma ilusão
Soletra um verso
Lavra a melodia
Singelamente
Dolorosamente
Doce a música
Silenciosa
Larga o meu peito
Solta-se no espaço
Faz-se a certeza
Minha canção
Réstia de luz onde
Dorme o meu irmão
Minha e Tua
(Martinho da Vila/Zé Katimba/Alceu Maia)
Deus abençoa porque
Somos o sol e a lua
E quando há um eclipse
Minha vida é minha e tua
Num simples toque de olhar
Faz se sentir toda nua
E pra escandalizar
É só minha linda e pura
Vida minha
Minha
Tua
Minha
Tua vida é minha e tua
Ela é a terra virgem
Eu semente de paixão
Nossas lágrimas são chuva
Nossos corpos plantação
É uma afrodisia
A me fazer germinar
Desbravando o seu corpo
Sinto o tato das carícias
Que só eu posso provar
Minha Fantasia
A minha fantasia era ter um dia
Não esperava assim tão de repente
Nada mal nós dois juntinhos
Sensacional!
Foi fatal o seu carinho, carinho animal!
A minha fantasia era te ter um dia
Não esperava assim tão de repente
Você sair da linha
E viajar na minha
Aconteceu...
Te quero novamente
Só ficar...
Só ficar...
Depois me deixa
Você tentou mas não me esqueceu
Não, não, não...
O dia amanhecendo
E você querendo mais
Fez de novo, gostoso
Enlouqueceu!
A minha fantasia era te ter um dia
Não esperava assim tão de repente
Você sair da linha
E viajar na minha
Aconteceu...
Te quero novamente
Só ficar...
Só ficar...
Depois me deixa
Você tentou mas não me esqueceu
Não, não, não...
O dia amanhecendo
E você querendo mais
Fez de novo, gostoso
Enlouqueceu!
A minha fantasia era te ter um dia
Não esperava assim tão de repente
Você sair da linha e viajar na minha
Aconteceu
Te quero novamente...
Minha História
Eles dizem que eu bebo demais
E que eu sou vagabundo
Todos falam que eu sou um perdido
Um perdido pro mundo
Quando eu passo
Os falsos amigos de mim acham graça
"Ali, vai um ébrio cheirando a cachaça"
Eles falam porque não conhecem meu drama real
Esta vida que eu levo, bem sei,
Não é vida normal
Vou contar a vocês minha história,
Este drama que me destruiu,
Tive alguém que eu amei com loucura,
E este alguém me traiu!
(repete)
Minha História
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido cada dia mais curto
Quando enfim eu nasci minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré
Minha mãe não tardou a alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor
Minha história é esse nome que ainda hoje carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome Menino Jesus
Minha Namorada
(Carlos Lyra/Vinícius de Moraes)
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser...
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer...
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque...
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você...
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.
Minha Senhora
(Gilberto Gil/Torquato Neto)
Minha senhora
Onde é que você mora
Em que parte desse mundo
Em que cidade escondida
Dizei-me que sem demora
Lá também quero morar
Onde fica essa morada
Em que reino, qual parada
Dizei-me por qual estrada
É que eu devo caminhar
Minha senhora
Onde é que você mora
Venho da beira da praia
Tantas prendas que eu lhe trago
Pulseira, sandália e saia
Sem saber como entregar
Quero chegar sem demora
Nessa cidade encantada
Dizei-me logo senhora
Que essa chegança me agrada
Minha Vida
Quando eu era pequeno
eu achava a vida chata
como não devia ser
Os garotos da escola
só afim de jogar bola
e eu queria ir tocar guitarra na tv
Aí veio a adolescência
e pintou a diferença
foi difícil de esquecer
A garota mais bonita
também era a mais rica
me fazia de escravo
do seu bel prazer
Quando eu saí de casa
minha mãe me disse baby
você vai se arrepender
Pois o mundo lá fora
num segundo te devora
dito e feito mas eu não
dei o braço a torcer
Hoje eu vendo sonho
iusões de romances
te toco minha vida
por um troco qualquer
É o que chamam de destino
eu não vou lutar com isso
que seja assim enquanto é
Quando eu era pequeno
eu achava a vida chata
como não devia ser
Os garotos da escola
só afim de jogar bola
e eu queria ir tocar guitarra na tv
Aí veio a adolescência
e pintou a diferença
foi difícil de esquecer
A garota mais bonita
também era a mais rica
me fazia de escravo
do seu bel prazer
Quando eu saí de casa
minha mãe me disse baby
você vai se arrepender
Pois o mundo lá fora
num segundo te devora
dito e feito mas eu não
dei o braço a torcer
Hoje eu vendo sonho
iusões de romances
te toco minha vida
por um troco qualquer
É o que chamam de destino
eu não vou lutar com isso
que seja assim enquanto é
Mirando o Luar
Meu coração é uma fogueira
Queimando em gotas de canção
No ventre da noite
Solto no luar da imensidão
Filhos da força e da beleza
Brincando de roda no salão
Mirando as estrelas
Que derramam cores pelo chão
Lindo é cantar na raiz
E ver o povo feliz
Nas mãos da fantasia
Nas águas da alegria
Que desaguam no luar
Vem ver o céu a deusa nua
Vem ver o amor mirando a lua.
Miséria
(Arnaldo Antunes/Sérgio Britto/Paulo Miklos)
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Índio Mulato Preto Branco
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Filhos Amigos Amantes Parentes
Riquezas são diferentes
Ninguém sabe falar esperanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Todos sabem usar os dentes
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
A morte não causa mais espanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Fracos Doentes Aflitos Carentes
Riquezas são diferentes
O sol não causa mais espanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Cores Raças Castas Crenças
Riquezas são diferenças
Moça
(Wando/Vanderlei Alves dos Reis)
Moça, me espere amanhã
Trago o meu coração, pronto pra te entregar
Moça, eu te prometo,
Eu me viro do avesso, só pra te agradar
Moça, sei que já não és pura,
Seu passado é tão forte,
Pode até machucar,
Moça, dobre as mangas do tempo
Joga teu sentimento,
Todo em minhas mãos.
Eu quero me enrolar nos seus cabelos
Abraçar teu corpo inteiro,
Morrer de amor
De amor me perder - moça -
Eu quero, eu quero,
Eu quero me enrolar nos teus cabelos
Abraçar teu corpo inteiro,
Morrer de amor, de amor me perder
Moça Bonita
(Geraldo Azevedo/Capinam)
Moça bonita
Seu corpo cheira
Ao botão de laranjeira
Eu também não sei se é
Imagino e desatino
É um cheiro de café
Ou é só cheiro feminino
Ou é só cheiro de mulher
Moça bonita
Seu olho brilha
Qual estrela matutina
Eu também não sei se é
Imagina a minha sina
É o brilho puro da fé
Ou é só brilho feminino
Ou é só brilho de mulher
Moça bonita
O seu beijo pode
Me matar sem compaixão
Eu também não sei se é
Ou pura imaginação
Pra saber você me dê
Esse beijo assassino
Nos seus braços de mulher
Mocinho Bonito
Mocinho bonito,
perfeito improviso do falso grã-fino,
no corpo é atleta, no crânio é menino,
que além do á-bê-cê nada mais aprendeu.
Queimado de sol,
cabelo assanhado com muito cuidado,
na pinta de conde se esconde um coitado,
um pobre farsante que a sorte esqueceu.
Contando vantagem,
que vive de renda e mora em palácio,
procura esquecer um barraco do Estácio,
lugar de origem que há pouco deixou.
Mocinho bonito,
que é falso malandro de Copacabana,
o mais que consegue é vintão por semana,
que a mana do peito jamais lhe negou.
Modinha
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Não, não pode mais
Meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Ah, não seja a vida
Sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia
Em mim
Poesia em mim
Ah, triste canção
Sai do meu peito
E semeia emoção
Que chora dentro
Do meu coração
Coração
Modinha Pra Gabriela
Quando eu vim pra esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela, eh! Meus camaradas
Eu nasci assim
Eu cresci assim
E sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela,
Sempre Gabriela
Quem me batizou
Quem me iluminou
Pouco me importou, e assim que eu sou
Gabriela,
Sempre Gabriela
Molambo
(Jaime Florence/Augusto Mesquita)
Eu sei que vocês vão dizer
Que é tudo mentira
Que não pode ser
Porque depois de tudo o que ela me fez
Eu jamais deveria aceita-la outra vez,
Bem sei que assim procedendo
Me exponho ao desprezo de todos vocês
Lamento, mas fiquem sabendo
Que ela voltou e comigo ficou
Ficou para matar a saudade
A tremenda saudade que não me deixou
Que não me deu sossego um momento sequer
Desde o dia em que ela me abandonou
Ficou pra impedir que a loucura fizesse de mim
Um molambo qualquer
Ficou desta vez para sempre
Se Deus quiser...
Momentos
Vou te caçar na cama sem segredo
E saciar a sede do desejo
Deixar o teu cabelo em desalinho
E me afogar de vez no teu carinho
Quero ficar assim por a noite,
A copiar teus traços lentamente
Deixar pousar meu beijo no teu corpo
Deixar que o amor se faça mansamente
Vem ficar comigo no abandono desse abraço
E adormeça no meu peito o teu cansaço
É tão difícil o momento pra nós dois
Vem e traz contigo essa paz tão esperada
Faz dessa noite uma eterna madrugada
E só desperte quando a vida adormecer
Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme
Nesse corpo meigo e tão pequeno
Há uma espécie de veneno
Tão gostoso de provar
Como pode haver tanto desejo
Em seus olhos, em seus beijos,
Em sua boca, em seus abraços
E foi com isso que você me conquistou
Com seu corpo de menina, com seu rosto de mulher
E nada existe em você que eu não ame
Sou metade sem você,
Mon amour, meu bem, ma femme
Monólogo ao Pé do Ouvido
Modernizar o passado
É uma revolução musical
Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
O orgulho, a arrôgancia, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios os que destroem o poder
Bravio da humanidade
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro
Todos os Panteras Negras
Lapião sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza eles também cantaram um dia
Monsieur Binot
Olha aí, monsieur Binot
Aprendi tudo o que você me ensinou
Respirar bem fundo e devagar
Que a energia está no ar
Olha aí, meu professor,
Também no ar é que a gente encontra o som
E num som se pode viajar
E aproveitar tudo o que é bom
Bom é não fumar
Beber só pelo paladar
Comer de tudo que for bem natural
E só fazer muito amor
Que amor não faz mal
Então, olha aí, monsieur Binot
Melhor ainda é o barato interior
O que dá maior satisfação
É a cabeça da gente, a plenitude da mente
A claridade da razão
E o resto nunca se espera
O resto é próxima esfera
O resto é outra encarnação
Monte Castelo
| Ainda que eu falasse a língua dos homens
| E falasse a língua dos anjos,
| Sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece.
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.
|
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder.
É umestar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
|
Mordaça
(Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro)
Tudo o que mais nos uniu separou
Tudo o que tudo exigiu renegou
Da mesma forma que quis recusou
O que torna essa luta impossível e passiva
O mesmo alento que nos conduziu debandou
Tudo o que tudo assumiu desandou
Tudo o que se construiu desabou
O que faz invencível a ação negativa
É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Pois tudo é instável e irregular
E de repente o furor volta
O interior todo se revolta
E faz nossa força se agigantar
Mas só se a vida fluir sem se opor
Mas só se o tempo seguir sem se impor
Mas só se for seja lá como for
O importante é que a nossa emoção sobreviva
E a felicidade amordace essa dor secular
Pois tudo no fundo é tão singular
É resistir ao inexorável
O coração fica insuperável
E pode em vida imortalizar
Morena de Angola
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que a morena cochila escutando o cochicho do chocalho
Será que desperta gingando e já sai chocalhando pro trabalho
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que ela tá na cozinha guisando a galinha à cabidela
Será que esqueceu da galinha e ficou batucando na panela
Será que no meio da mata, na moita, a morena inda chocalha
Será que ela não fica afoita pra dançar na chama da batalha
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Passando pelo regimento ela faz requebrar o sentinela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que quando vai pra cama a morena se esquece dos chocalhos
Será que namora fazendo bochincho com seus penduricalhos
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que ela tá caprichando no peixe que eu trouxe de Benguela
Será que tá no remelexo e abandonou meu peixe na tigela
Será quando fica choca põe de quarentena o seu chocalho
Será que depois ela bota a canela no nicho do pirralho
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Eu acho que deixei um cacho do meu coração na Catumbela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA
Morena dos Olhos D'Água
Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar
Descansa um meu pobre peito
Que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, morena
Com jeito de lhe agradar
Vem ouvir lindas histórias
Que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, morena
Por mares que só eu sei
O seu homem foi-se embora
Prometendo voltar já
Mas as ondas não tem hora, morena
De partir ou de voltar
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
Agora, morena, vem
Morena Flor
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Morena flor medê um cheirinho
Cheinho de amor
Depois também
Me dê todo esse denguinho
Que só você tem
Sem vo cê o que ia ser de mim
Eu ia ficar tão triste
Tudoia ser tão ruim
Acontece que a Bahia fez você
Todinha assim só prá mim
O Morro não Tem Vez
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
O morro não tem vez
E o que ele fez já foi demais,
Mas olhem bem vocês,
Quando derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar.
Morro pede passagem,
Morro quer se mostrar,
Abram alas pro morro
Tamborim vai falar.
O morro não tem vez
E o que ele fez já foi demais,
Mas olhem bem vocês,
Quando derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar.
Morro pede passagem,
Morro quer se mostrar,
Abram alas pro morro
Tamborim vai falar.
É um, é dois, é três,
É cem, é mil a batucar,
O morro não tem vez,
Mas se derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar.
Morro pede passagem,
Morro quer se mostrar,
Abram alas pro morro
Tamborim vai falar.
O morro não tem vez
E o que ele fez já foi demais,
Mas olhem bem vocês,
Quando derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar.
Moshi, Moshi
Moshi, Moshi
Quero ficar por aqui
Ficar pertinho de ti
Eu e meu violão
Moshi, Moshi
Quero fazer para ti
Uma nova canção
A canção do verão
Do verão do Japão
Kuzukiri
Eu vou comer por aí
Até você descobrir
Toda a minha paixão
Kuzukiri
E esse seu jeito de rir
Fez o meu coração
Se encher de calor
Desse sol do Japão
Hai, vim do Rio de Janeiro
Hai, né, andei o mundo inteiro
Para te ter, para te ver
Em terra tão distante
Hai, né esse som brasileiro
Me faz não ser tão estrangeiro
Quero ficar com você
No Rio ou no Japão
Moto-Contínuo
Um homem pode ir ao fundo do fundo do fundo se for por você
Um homem pode tapar os buracos do mundo se for por você
Pode inventar qualquer mundo, como um vagabundo se for por você
Basta sonhar com você
Juntar o suco dos sonhos e encher um açude se for por você
A fonte da juventude correndo nas bicas se for por você
Bocas passando saúde com beijos nas bocas se for por você
Homem também pode amar e abraçar e afagar seu ofício porque
Vai habitar o edifício que faz pra você
E no aconchego da pele na pele, da carne na carne, entender
Que homem foi feito direito, do jeito que é feito o prazer
Homem constrói sete usinas usando a energia que vem de você
Homem conduz a alegria que sai das turbinas de volta a você
E cria o moto-contínuo da noite pro dia se for por você
E quando um homem já está de partida, da curva da vida ele vê
Que o seu caminho não foi um caminho sozinho proque
Sabe que um homem vai fundo e vai fundo e vai fundo se for por você
Mucama
O quê se espera de uma nação
que o herói é a televisão?
Que passa todos os seus meses mal,
Melhora tudo no Natal!
Até presente dá pra dar
Só não se sabe o que vai receber.
pano de prato ou dedal.
escolha o mais caro que eu quero ver!
Mucama... (Mucama!)
Na cama do patrão.
Me chama... (me chama!)
Me chama de negão.
Me paga... (me paga!)
Salário de bufão.
Mas come... (Mas come!)
O que a população não come!
Não come!
O quê se espera de uma nação
que o herói é a televisão?
Que passa todos os seus meses mal,
Melhora tudo, no carnaval!
Dá pra brincar, dá pra comemorar!
Só não se sabe muito bem por quê.
Entrou de cara na realidade,
Na quarta-feira que eu quero ver!
( Parte rap: Gabriel, o Pensador):
Na quarta-feira volta pra realidade!/ Que arde,/ Acaba a comemoração, apaga a televisão pra não gastar eletricidade!/Como na cinderela a caruagem volta a ser abóbora,/ na favela o carro alegórico some!/ E volta às sobras:/ sobra de feira, /sobra de chão,/ sobra de terra,/ sobra de bala perdida e/ sobra de comida/ pra Mucama, / Mucama que nada exclama,/ que não se inflama, / que não reclama!/ Se acalma vendo novela, pois na tela todo mundo ama todo mundo/ Mas na vida real todo mundo/ se odeia! / E ódio gera ódio, um sobe no pódio enquanto o outro serve a ceia!/ Ceia no natal, / Seu luxo no carnaval, / Mucama deitando na cama,/ Beijim, beijim, pau, pau,/ Tchau!/ Eu só vou te usar / você não é nada pra mim, / Já tamos outra pra botar/ no seu lugar/ Pirlimpimpim!/ Abra-cadabra, / mas não é abra-te-sésamo!/ Porque aqui as p;ortas só se fecham: BUM!/ É menos uma oprtunidade, não é só a quarta-feira que e' de cinzas, na verdade é a semana inteira: / Quinta, sexta, sábado e domingo/ E segunda! / E o povo-Mucama continua sorrindo, levando nas coxas, levando na bunda!/ Mas não faz mal! / Porque depois melhora tudo / (hen!)/ No carnaval...
Mucama... (Mucama!)
Na cama do patrão.
Me chama... (me chama!)
Me chama de negão.
Me paga... (me paga!)
Salário de bufão.
Mas come... (Mas come!)
O que a população não come!
Não come!
Mucuripe
(Raimundo Fagner/Belchior)
As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar
Hoje à noite, namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar
Calça nova de riscado,
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo inda era flor
Sob o meu chapéu quebrado
O sorriso ingênuo e franco
De um rapaz novo, encantado
Com vinte anos de amor
Aquela estrela é dela,
Vida, vento, vela, leva-me... daqui
Mudança dos Ventos
(Ivan Lins/Vitor Martins)
Ah vem cá meu menino,
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita
Me deixa mais bonita
Ah vem cá meu menino,
Do jeito que imagino
Me tira essa canseira
Me tira essas olheiras
De esperar tanto tempo
A mudança dos ventos
Prá eu me sentir com forças
Prá eu me sentir mais moça
Ah! vem cá meu menino,
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita,
Me deixa mais bonita
Ah! vem cá meu menino,
Do jeito que imagino,
Me tira essa vergonha
Me mostre, me exponha
Me tire uns vinte anos
Deixa eu causar inveja
Deixa eu causar remorsos
Nos seus, nos meus, nos nossos
Mude Esse Mundo (Gritos de Guerra II)
Olhe a vida que leva
E pense profundo
Você pode de novo vencer
Seja um sonho de fé a correr
Erga os braços pro alto
E mude este mundo
Você pode a vida mudar
Um herói como o sol a brilhar
Ser justiceiro de um tempo perdido
Olhe forte e vamos lutar
Pelos direitos de um povo ferido
E diga pra não mudar
Ou diga sim pra mudar
Calado não pode ficar
Muito Diferente
Sua verdade é o que me atrai
Ensina o que eu não sei
Está em toda parte
Onde eu chamar seu nome
Onda de luar
Me bateu no coração
Quebrou o meu silêncio
Entrou o seu perfume
Prazer em conhecer
O gosto sem igual
Da tal felicidade
Bom saber
Que há sempre um tempo pra gostar
Sem pressa de gozar
Sem nada a se provar
Nenhuma explicação
Pra força que nos une
O amor
Que tome conta
Da vida da gente
Por amor
O mundo fique
Muito diferente
Muito Estranho
Hum, mas se um dia eu chegar muito estranho
Deixa essa água no corpo lembrar nosso banho
Hum, mas se um dia eu chegar muito louco
Deixa essa noite saber que um dia foi pouco
Cuida bem de mim
E então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir nossos sonhos
Hum, minha cara, prá que tantos planos?
Se quero te amar e te amar muitos anos
Hum, tantas vezes eu quis ficar solto
Como se fosse uma lua a brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
E então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir nosso sonho...
Muito Romântico
Não tenho nada com isso nem vem falar
Eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica
Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar
Do muito ou pouco que ouve entre você e eu
Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa eu não douro a pílula
Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar no cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico
Nu com minha música
Penso ficar quieto um pouquinho lá no meio do som
Peço salamaleicam carinho bênção aché shalon
Passo devagarinho o caminho que vai de tom a tom
Posso ficar pensando no que é bom
Vejo uma trilha clara pro meu brasil apesar da dor
Vertigem visionária que não carece de seguidor
Nu com a minha música afora isso somente amor
Vislumbro certas coisas de onde estou
Nu com meu violão madrugadanessequarto de hotel
Logo mais sai o ônibus pela estrada embaixo do céu
O estado de são paulo é bonito penso em você e eu
Cheio dessa esperança que deus deu
Quando eu cantar pra turba de araçatuba verei você
Já em barretos eu só via os operários do abc
Quando eu chegar em americananão sei o que vai ser
Às vezes é solitário viver
Deixo fluir tranqüilo naquilo tudo que não tem fim
Vaca manacá nuvem saudade cana café capim
Coragem grande é poder dizer que sim
Mulher de Fases
Que mulher ruim, jogou minhas coisas fora,
Disse que em sua cama eu não deito mais não,
A casa é minha, você que vá embora,
Já pra saia da sua mãe e deixa o meu colchão,
Ela é "pró" na arte de pentelhar e aziar, é campeã do mundo,
A raiva era tanta que eu nem reparei,
Que Lua, diminuía,
A doida, tá me beijando há horas,
Disse que se for sem eu não quer viver mais não,
Me diz Deus, o que é que eu faço agora?
Se me olhando desse jeito ela me tem na mão,
Meu filho agüenta, quem mandou você gostar,
Dessa mulher de fases
Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu,
Era tudo que eu queria,
Estrela da Sorte,
Quando a noite ela surgia,
Meu bem você cresceu,
Meu namoro é na folhinha,
Mulher de fases
Põe fermento, põe as bomba,
Qualquer coisa que aumente e a deixe,
Bem maior que o Sol,
Pouca gente sabe que a noite
O frio é quente e arde, e eu, acendi,
Até sem luz dá pra te enxergar
O lençol, fazendo um "Congo-Blue",
É pena que eu sei
Amanhã já vai miar se agüente,
Que lá vem chumbo quente
Mulher de Trinta
Você mulher
Que já viveu
Que já sofreu
Não minta
Umtriste adeus
Nos olhos seus
A gente vê
Mulher de trinta
No meu olhar
Na minha voz
Um novo mundo sinta
É bom sonhar
Sonhemos nós
Eu e você
Mulher de trinta,
O amanhã,
Sempre vem
E o amanhã, pode trazer alguém
Mulheres
Já tive mulheres de todas as cores
De varias idades de muitos amores
Com umas até certo ponto fiquei,
Com outras apenas um pouco me dei.
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida,
Casada, carente, solteira e feliz
Já tive donzela e até meretriz.
Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas, me fez tão feliz
Como você me faz.
Procurei, em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim.
Você é, o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira, você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim!
Mulheres de Atenas
(Chico Buarque/Augusto Boal)
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando andas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras felenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
Lindas sirenas
Morenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Mulheres do Brasil
No tempo em que a maçã foi inventada
Antes da pólvora, da roda e do jornal
A mulher passou a ser culpada
Pelos deslizes do pecado original
Guardiã de todas as virtudes
Santas e megeras, pecadoras e donzelas
Filhas de Maria ou deusas lá de Hollywood
São irmãs porque a Mãe Natureza
Fez todas tão belas
Oh! mãe, oh! Mãe, oh! mãe
Nossa mãe, abre teu colo generoso
Parir, gerar, criar e provar
Nosso destino valoroso
São donas-de-casa, professoras, bailarinas
Moças operárias, prostitutas meninas
Lá do breu das brumas
Vem chegando a bandeira
Saúda o povo e pede passagem
A mulher brasileira
Mulher Nova, Bonita e Carinhosa
Numa luta de Gregos e Troianos
Por Helena mulher de Menelau.
Conta a história que um cavalo de Pau
Acabava uma Guerra de dez anos.
Menelau o maior dos Espartanos
Em seu pais, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defasa da honra caprichosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor.
Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana.
A beleza cariva de Rotana
Dominava o maior conquistador
Tendo ela vencido o vencedor
Entregou- se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor.
Na velhice o sujeito nada faz a não ser a igreja que visita
Mas se um dia encontrar a mulher bonita,
ele troca Jesus por Barabás ( ele sabe o que faz... )
Lembra logo o tempo de rapaz
Diz prá ela me ame por favor
A resposta que tem é não senhor
Tua idade passou deixe de prosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor.
Mulher, Vou Dizer Quanto Eu Te Amo
Mulher, vou dizer quanto eu te amo
Cantando a flor
que nós plantamos
que veio a tempo
nesse tempo que carece
dum carinho, duma prece
dum sorriso, dum encanto
Mulher, imagina o nosso espanto
Ao ver a flor que cresceu tanto
Pois no silêncio mentiroso
tão zeloso dos enganos
há de ser pura
como o grito mais profano
como a graça do perdão
E que ela faça vir o dia
dia a dia mais feliz
e seja da alegria
sempre uma aprendiz
Eu te repito
esse meu canto de louvor
ao fruto mais bendito
desse nosso amor
O Mundo Anda Tão Complicado
Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situacão
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor
Por amor
O Mundo É Um Moinho
Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
O Mundo Não Se Acabou
Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disto a minha gente lá em casa começou a rezar
Até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disto nesta noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei a boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Peguei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou
Muros &