

Músicas da MPB - O
Músicas da MPB - O
Oceano
Assim
que o dia amanheceu
lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você que solidão
Esquecer ai de mim
Em fim
de tudo o que há na terra
Não há nada em lugar
nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri
Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai nas celas dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor
Vem me fazer feliz por que eu te amo
Você deságua em mim e eu oceano
e esqueço que amar é quase uma dor
Só sei
Viver
Se for por você
Em fim
de tudo o que há na terra
Não há nada em lugar
nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri
Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai nas celas dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor
Vem me fazer feliz por que eu te amo
Você deságua em mim e eu oceano
e esqueço que amar é quase uma dor
Só sei
Viver
Se for por você
Odara
Deixe eu dançar
Pro meu corpo ficar odara
Minha cuca ficar odara
Deixe eu cantar
Que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dará
Oh! Suzana
Quando fui ao Alabama
E toquei meu violão
Encontrei uma menina
Num cavalo alazão
Ela me pediu sorrindo
Pra tocar uma canção
Que falasse do Alabama
De um banjo e um violão
Oh! Suzana
Não chores por mim
Pois eu volto pro Alabama
Pra tocar meu banjo assim...
Olê, Olá
Não chore ainda não
Que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui
Pode passar e ouvir
E se ela for de samba
Há de querer ficar
Seu padre toca o sino
Que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança
Que o samba é menino
Que a dor é tão velha
Que pode morrer
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar
Não chore ainda não
Que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga me perdoa
Se eu insisto à toa
Mas a vida é boa
Para quem cantar
Meu pinho, toca forte,
Que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida
Nem fale da morte
Tem dó da menina
Não deixa chorar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar
Não chore ainda não
Que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
E um samba tão imenso
Que eu às vezes penso
Que o próprio tempo
Vai parar pra ouvir
Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há lugar mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar
Olha
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer
Olha, vem comigo onde eu for
Seja meu amante meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor
Olha Eu Aí
Ê, ê, ê, ô
Olha ê, ê, ê, ê... ô, sim
Olha ê, ê, ê, ê... ô, sim
Olha eu aí
Passeando no meu pensamento
Olha eu aí
Fazendo seu corpo só me desejar
Prá que fingir?
Fazer que não me quer quando
Só me deseja
Abra seu coração e vem aqui, me beija
Assim vou te amar
Olha eu aí
Em sua emoção quando me vê passar
Olha eu aí
No seu triste olhar quando
Me vê com alguém
Olha Maria
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes/Chico Buarque)
Olha Maria,
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir
Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar
Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré
Parte cantando,
Maria fugindo
Contra a ventania,
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar
Vai alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder
Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer (bis)
Olha pro Céu
Olha que céu
Está cheio de estrelas
Longe é o céu
Olha pro céu
Mil estrelas que vão
Olha pra mim
Que sozinho vou também
Que não pedi pra sofrer
E não pedi pra gostar de você
Olha no céu uma estrela que cai
Riscando o azul
Grande é o céu
Um abismo de luz
Se grande é o céu
Maior é o meu amor
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
Olha que céu
Está cheio de estrelas
Longe é o céu
Olha pro céu
Mil estrelas que vão
Olha pra mim
Que sozinho vou também
Que não pedi pra sofrer
E não pedi pra gostar de você
Olha no céu uma estrela que cai
Riscando o azul
Grande é o céu
Um abismo de luz
Se grande é o céu
Maior é o meu amor
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
E vejo o céu infinito
Que existe em teus olhos
Olhar de Tela
Teu olhar de tela
Sempre perguntando o que pensava
E no filme eu também acreditava
Em me salvar no final
A paz como vizinha
Eu queria mas me dava mal
A loucura sempre foi minha rainha
E eu não vi o teu final
Os Beatles na vitrola enchiam de paixão
As tardes de domingo e sal
A gente faz de conta e sempre diz que não
Mas só o amor é que é fatal
Desenha na aquarela
A face sincera do teu sonho
Meus amigos separados me falaram
Que o amor anda mal
Ah seja sincera
Eu não tô propondo baixo astral
Mas já não acho a professora mais bonita
E o meu pai o maioral.
E você tem horror à minha vocação
De James Dean, cafona e normal
Os Beatles na vitrola enchiam de paixão
E só o amor é que é fatal
E teu olhar de tela
Sempre perguntando o que eu pensava
E no filme eu também acreditava
Em me salvar no final
Olho por Olho
A justiça dos homens
Condena a bigamia
Nenhuma mulher pode ter dois Josés
Nenhum homem ter duas Marias (por isso)
Dente por dente
Olho por olho
Se tentar me enganar
Bota a barba de molho (eu falei)
Você que se diz malandro
Malandro você não é
Porque não existe homem malandro pra mulher
Você já fez a primeira
Mas a segunda não faz
A partir de hoje os direitos são iguais (eu falei)
Dente por dente
Olho por olho
Se tentar me enganar
Bota a barba de molho (eu falei)
Diz o velho ditado
Com muita sabedoria
Gato escaldado sente medo de água fria
Meu amor vê se manera
Não é hora de brigar
Dançou fora do compasso eu pra lá você pra cá (e por isso)
Dente por dente
Olho por olho
Se tentar me enganar
Bota a barba de molho (eu falei)
Olhos Castanhos
Teus olhos castanhos
De encantos tamanhos
São pecados meus
São estrelas fulgentes
Brilhantes luzentes
Caídas dos céu,
Teus olhos profundos
São sonhos, são mundos
São a minha cruz,
Teus olhos castanhos
De encantos tamanhos,
São raios de luz.
Olhos azuis, são ciúme,
Que nada valem, pra mim
Olhos negros, são queixumes,
De uma tristeza sem fim,
Olhos verdes, são traição,
São cruéis como punhais,
Olhos bons, com o coração,
Os teus: castanhos leais!
Olhos de Jade
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Sou um rei sem palácio
Não dá nem pra contar de onde eu vim
As nuvens que passam
Esperam por mim
Sou quem vê a miragem
E quer acreditar no que vê
Seus olhos de jade
Que invadem meu ser
Me queima o sol
Me queima e nem assim
Percebe o quanto amei
Nada que eu possa falar
Fala por tudo que eu sei
Sei que te amo
E quero ser feliz
Sei que te amo
E quero ser feliz
Vou seguir os teus rastros
Eu sei que num lugar do sem fim
Existem dois astros
Que velam e esperam por mim
Me queima o sol
Me queima e nem assim
Percebe o quanto amei
Nada que eu possa falar
Fala por tudo que eu sei
Sei que te amo
E quero ser feliz
Sim, eu te amo
E quero ser feliz
Olhos nos Olhos
Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos no olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
Você sabe a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz
Olhos Vermelhos
A moçada tá no cio
São donos da madrugada
Não dispensam um agito
No seu coração aflito
Sempre cabe outra emoção
Mini-saia da menina
O blusão de couro é rude
Sexo explode em cada esquina
O mundo vive a noite
Todo mundo espera tudo da noite
Nela tudo pode...
O mundo vive a noite
E a fera ruge...
Todo mundo espera tudo da noite
Todo mundo foge
(é da solidão)
De manhã nossa roupa espalhada no chão
Nossos olhos vermelhos
Conclusão:
De manhã nossa roupa espalhada no chão
Nossos olhos vermelhos
Olinda
Olinda
Tens a paz dos mosteiros da Índia
Tu és linda
Prá mim és ainda
Minha mulher
Calada
O silêncio rompe a madrugada
Já não somos aflitos nem nada
Minha mulher
Tu voltas
Entre frutas, verão e tu voltas
Abriremos janelas e portas
Minha mulher
Olinda...
Onde Anda Você
(Vinícius de Moraes/Hermano Silva)
E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam seus olhos
Que a gente não vê?
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer?
E por falar em beleza
Onde anda a canção?
Que se ouvia na noite
Dos bares de então,
Onde a gente ficava,
Onde a gente se amava,
Em total solidão?
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boêmia sem razão de ser
Na rotina dos bares,
Que apesar dos pesares,
Me trazem você.
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares!
Onde anda você?
Onde Estará O Meu Amor?
Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você
Onde estará o meu amor?
Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim?
Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você
Estamos cá dentro de nós
Sós...
Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer
Onde estará o meu amor?
Onde O Rio é Mais Baiano
A Bahia,
Estação primeira do Brasil
Ao ver a Mangueira nela inteira se viu,
Exibiu-se sua face verdadeira.
Que alegria
Não ter sido em vão que ela expediu
As Ciatas pra trazerem o samba pra o Rio
(Pois o mito surgiu dessa maneira).
E agora estamos aqui
Do outro lado do espelho
Com o coração na mão
Pensando em Jamelão no Rio Vermelho
Todo ano, todo ano
Na festa de Iemanjá
Presente no dois de fevereiro
Nós aqui e ele lá
Isso é a confirmação de que a Mangueira
É onde o Rio é mais baiano.
Onde Você Mora?
(Nando Reis/Marisa Monte)
Amor igual ao teu
Eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual
Que eu nunca mais verei
Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete
Amor...
Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete
Você vai chegar em casa
Eu quero abrir a porta
Aonde você mora?
Aonde você foi morar?
Aonde foi?
Não quero estar de fora
Aonde esta você?
Eu tive que ir embora
Mesmo querendo ficar
Agora eu sei!
Eu sei que eu fui embora
Agora eu quero você
De volta pra mim!
Amor igual ao teu
Eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual
Que eu nunca mais, nunca mais...
Nunca, nunca...
Onze Fitas
Por engano, vingança ou cortesia
Tava lá morto e posto um desregrado
Onze tiros fizeram a avaria
E o morto já tava conformado
Onze tiros, e não sei porque tantos
Esses tempos não tão pra ninharia
Não fosse a vez daquele um outro ia
Deus o livre morrer assassinado
Pro seu santo não era qualquer um
Três dias num terreno abandonado
Ostentando onze fitas de Ogum
Quantas vezes se leu só nesta semana?
E essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima...
Operário em Construção
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa quer ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
Assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
à mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
O que É, O que É?
E a vida?
e a vida o que é diga lá, meu irmão?
ela é batida de um coração?
ela é uma doce ilusão?
mas e a vida?
ela é maravilha ou é sofrimento?
ela é alegria ou lamento?
o que é, o que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente
é um nada no mundo
é uma gota, é um tempo
que nem dá um segundo
há quem fale que é um divino
mistério profundo
é o sopro do criador
numa atitude repleta de amor
você diz que é luta e prazer
ele diz que a vida é viver
ela diz que melhor é morrer
pois amada não é
e o verbo é sofrer
Eu só sei que confio na moça
e na moça ponho a força da fé
somos nós que fazemos a vida
como der ou puder ou quiser
Sempre desejada
por mais que esteja errada
ninguém quer a morte
só saúde e sorte
E a pergunta roda
e a cabeça agita
fico com a pureza da resposta das crianças
e a vida, é bonita e é bonita
Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
cantar (e cantar e cantar) a beleza de ser um eterno aprendiz
eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
mais isso não impede que eu repita
é bonita, é bonita e é bonita.
O que Foi Feito Deverá
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
O que foi feito amigo
De tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida,
O que foi feito do amor?
Quisera encontrar
Aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade
Falo por acreditar
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
E o que foi feito
É preciso conhecer
Para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz
O que É que Há
O que é que há
O que é que está se passando
com essa cabeça
O que é que há
O que é que está me faltando
Pra que eu te conheça melhor
Pra que eu te receba sem choque
Pra que eu te perceba
No toque das mãos
em teu coração
O que é que há, porque é que há tanto tempo
você não procura meu ombro
Porque será que este fogo
Não queima o que tem pra queimar
Que a gente não ama
O que tem pra se amar
Que o sol tá se pondo
E a gente não larga
Esta angústia do olhar
| Telefona
| Não deixa que eu fuja
| Me ocupa os espaços vazios
| Me arranca desta ansiedade
| Me acolhe, me acalma
| em teus braços macios
| O que é que há
| O que é que está se passando
| com a minha cabeça
O que é que há
( | )
O que é que há (4x)
O que Me Importa
O que me importa seu carinho agora
Se é muito tarde para amar você
O que me importa se você me adora
Se já não há razão para lhe querer
O que me importa ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis você nem mesmo soube dar amor
O que me importa ver você chorando
Se tantas vezes eu chorei também
O que me importa sua voz chamando
Se pra você jamais eu fui alguém
O que me importa essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar tem mais tristezas pra chorar que o seu
O que me importa ver você tão triste
Se triste fui e você nem ligou
O que me importa o seu carinho agora
Se para mim a vida terminou, terminou, terminou
O que Será? (Abertura)
E todos os meu nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Quando não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas dele vadiar
Será que passa fora o resto da dia
Será que foi-se embora em má companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de um folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo
O que Será? (À Flor da Pele)
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
O que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
O que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
O que Será? (À Flor da Terra)
O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo
Oração pela Libertação da África do Sul
Se o rei Zulu já não pode andar nu
Se o rei Zulu já não pode andar nu
Salve a batina do bispo Tutu
Salve a batina do bispo Tutu
Ó, Deus do céu da África do Sul
Do céu azul da África do Sul
Tornai vermelho todo sangue azul
Tornai vermelho todo sangue azul
Já que vermelho tem sido todo sangue derramado
Todo corpo, todo irmão chicoteado - iô
Senhor da selva africana, irmã da selva americana
Nossa selva brasileira de Tupã
Senhor, irmão de Tupã, fazei
Com que o chicote seja por fim pendurado
Revogai da intolerância a lei
Devolvei o chão a quem no chão foi criado
Ó, Cristo Rei, branco de Oxalufã
Ó, Cristo Rei, branco de Oxalufã
Zelai por nossa negra flor pagã
Zelai por nossa negra flor pagã
Sabei que o papa já pediu perdão
Sabei que o papa já pediu perdão
Varrei do mapa toda escravidão
Varrei do mapa toda escravidão
Ouro de Tolo
Eu devia estar contente por eu ter um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês
E devia agradecer ao senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque
Eu consegui comprar um corcel 73
E devia estar alegre, satisfeito
Por morar em ipanema depois de ter passado fome
Por dois anos , aqui, na cidade maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente por ter conseguido
Tudo o que eu quis, mas confesso
Abestalhado que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto, e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz por o senho ter me concedido
Um domingo pra ir com a família no jardim zoológico
Dar pipoca aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogan
Eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho
Se sentir um grandecícemo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor
Padre ou policial que está contribuindo com sua parte
Para o nosso belo quadro social
Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas
Que separam os quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Acenda a sombra sonora de um disco voador
Outono
Um olhar, uma luz
Ou um par de pérolas, mesmo sendo azuis
Sou teu e te devo por essa riqueza
Uma boca que eu sei
Não porque me fala lindo
E sim beija bem
Tudo é viável pra quem faz com prazer
Sedução, frenesi
Sinto você assim
Sensual, árvore, espécie escolhida
Pra ser a mão do ouro
O outono traduzir
Viver o esplendor em si
Nua pele, um bourbon
Me aquece como eu quero
Sweet home
Gostar é atual além de ser tão bom
A Outra Banda da Terra
Amar
Dar tudo
Não ter medo
Tocar
Cantar
No mundo
Pôr o dedo
No lá
Lugar
Ligar gente
Lançar sentido
Onda branda da guerra
Beira do ar
Serra, vale, mar
Nossa banda da terra é outra
E não erra quem anda
Nessa terra da banda
Face oculta, azul do araçá
Falar verdade
Ter vontade
Topar
Entrar
Na vida
Com a música
Obá
Olá
Brasil
Mas quem pariu
Tal gente!
Cantuária e Holanda
Maputo, Rio
Luanda, lua
Nossa banda da terra é outra
Canadá, Jamaicuba
Muitas gatas na tuba
Dos rapazes da banda cá
Gozar
A lida
Indefinidamente
Amar
Outras Palavras
Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras
Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras
Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
Quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras
Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras
Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras
Outra Vez
Outra vez
Sem você
Outra vez, sem amor
Outra vez
Vou sofrer
Vou chorar
Até você voltar
Outra vez
Vou vagar
Por aí
Pra esquecer
Outra vez
Vou falar
Mal do mundo
Até você voltar
Todo mundo me pergunta
Porque ando triste assim
Ninguém sabe o que é que eu sinto
Com você longe de mim
Vejo o sol quando ele sai
Vejo a chuva quando cai
Tudo agora é só tristeza
Traz saudade de você
Outra vez
Sem você
Outra vez
Sem amor
Outra vez
Vou falar mal do mundo
Até você voltar
Até você voltar
Outra Vez
Você foi o maior dos meus casos,
De todos os abraçoso que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples prá mim
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha estória que alguém já escreveu
E é por estas e outras que a minha saudade
Me faz lembrar de tudo outra vez
Você foi a mentira sincera, brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo, o amor mais amigo
Que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim, outra vez
Esqueci, de tentar te esquecer, resolvi, te querer por querer
Decidi, te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder
Você foi toda felicidade, você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi o maior dos meus planos e o maior dos enganos
Que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim, outra vez
Os Outros
Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros
Ninguém pode acreditar
Na gente separado
Eu tenho mil amigos
Mas você foi o meu melhor namorado
Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você
Os outros são os outros e só
São tantas noites em restaurante
Amores sem ciúmes
Eu sei bem mais do que antes
Sobre mãos, botões e perfumes
Eu não consigo achar normal
Meninas do seu lado
Eu sei que não merecem mais que um cinema
Com meu melhor namorado
Ovelha Negra
Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meus Deus, quanto tempo
Eu passei sem saber?
Foi quando meu pai me disse:
Filha,
Você é a ovelha negra da família
Agora é hora de você assumir
E sumir!
Babe, babe, não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Babe, babe
Não vale a pena esperar
Tire isso da cabeça
E ponha o resto no lugar
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 11 de setembro de 2003.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)