

Músicas da MPB - P
Músicas da MPB - P
Pacato Cidadão
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi a toa não, não
Cá est fini la utopia, mas a guerra todo dia
Dia a dia não
Tracei a vida inteira planos tão incríveis
Tramo a luz do sol
Apoiado em poesia e em tecnlogia
Agora à luz do sol
Pra que tanta tevê
Qualquer coisa que se queira saber querer
Tudo bem, dissipaço de vez em quando é bão
Misturar o brasileiro com o alemão
Pra que tanta sujeira nas ruas e nos rios?
Qualquer coisa que se suje tem que limpar
Se você não gosta dele, diga logo a verdade
Sem perder a cabeça, sem perder a amizade
Consertar o rádio e o casamento
Corre a felicidade no asfalto cinzento
Abolir a escravidão do caboclo brasileiro
Numa mão educação, na outra dinheiro
Pacato cidadão
ô pacato da civilização
Paciência
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter pasciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não para, a vida não para não
A Página do Relâmpago Elétrico
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Abre a folha do livro
Que eu lhe dou para guardar
E desata o nó dos cinco sentidos
Para se soltar
Que nem o som clareia o céu nem é de manhã
E anda debaixo do chão
Mas avoa que nem asa de avião
Pra rolar e viver levando jeito
De seguir rolando
Que nem canção de amor no firmamento
Que alguém pegou no ar
E depois jogou no mar
Pra viver do outro lado da vida
E saber atravessar
Prosseguir viagem numa garrafa
Onde o mar levar
Que é a luz que vai tescer o motor da lenda
Cruzando o céu do sertão
E um cego canta até arrebentar
O sertão vai virar mar
O mar vai virar sertão
Não ter medo de nenhuma careta
Que pretende assustar
Encontrar o coração do planeta
E mandar parar
Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas
Fazer um minuto de paz
Um silêncio que ninguém esquece mais
Que nem ronco do trovão
Que eu lhe dou para guardar
A paixão é que nem cobra de vidro
E também pode quebrar
Faz o jogo e abre a folha do livro
Apresenta o ás
Pra renascer em cada pedaço que ficou
E o grande amor vai juntar
E é coisa que ninguém separa mais
Que nem ronco de trovão
Que eu lhe dou para guardar
Pai
Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos...
Pai e filho, talvez...
Pai, pode ser que daí você sinta qualquer coisa
Entre esses vinte ou trinta longos anos
Em busca de paz...
Pai, pode crer eu estou bem, eu vou indo,
Estou tentando, vivendo e pedindo,
Com loucura pra você, renascer...
Pai, eu não faço questão de ser tudo.
Só não quero e não vou ficar mudo,
Pra falar de amor pra você...
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa,
Fala um pouco, tua voz tá tão presa,
Me ensina esse jogo da vida,
Onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoa essa insegurança,
É que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu
Pai, eu cresci e não houve outro jeito,
Quero só recostar no seu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói, meu bandido,
Hoje é mais, muito mais que um amigo,
Nem você, nem ninguém está sozinho...
Você faz parte deste caminho,
Que hoje eu sigo em paz...
Pai, pai, pai...
Paisagem da Janela
(Lô Borges/Fernando Brant)
Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade e um velho sinal
Mensageiro natural, de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou
Você não quis acreditar, mas isso é tão normal
Você não quis acreditar e eu apenas era
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical
Cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Eu olhava da janela lateral
Do quarto de dormir
Você não quis acreditar, mas isso é tão normal
Você não quis acreditar, mas isso é tão normal
Um cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Você não quis acreditar que eu apenas era...
Pais e Filhos
Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.
Dorme agora:
É só o vento lá fora.
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito.
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há.
Me diz porque é que o céu é azul
Me explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há.
Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais.
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo:
São crianças como você.
O que você vai ser
Quando você crescer?
Paixão
A paixão que queima
A paixão que arde
A paixão que explode no coração
Vem do mais fundo profundo
Onde não cabe a razão
A paixão de amor
A paixão fatal
A paixão carnal
A paixão tesão
Vem do mais fundo profundo
Onde não cabe a razão
A paixão às vezes chega
Vestida de desatino
Muda o jogo, vira a mesa
Pra cumprir o seu destino
Outras vezes joga o jogo
Dos amores clandestinos
Paixão
Amo tua voz e tua cor e teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete, suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer, ah! Esse maldito fechoeclair
De repente a gente rasga a roupa e uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo tudo o que vier eu topo
Tudo o que vier vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo nem por mim nem por ninguém
Não quero ficar na sua vida como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme e se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso e o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita e a boca mais bonita
Que a minha já tocou
Paixão e Fé
(Tavinho Moura/Fernando Brant)
Já bate o sino, bate na catedral
E o som penetra todos os portais
A igreja está chamando seus fiéis
Para rezar por seu senhor
Para cantar a ressurreição
E sai o povo pelas ruas a cobrir
De areia e flores as pedras do chão
Nas varandas vejo as moças e os lençóis
Enquanto passa a procissão
Louvando as coisas da fé
Velejar, velejei
No mar do Senhor
Lá eu vi a fé e a paixão
Lá eu vi a agonia da barca dos homens
Já bate o sino, bate no coração
E o povo põe de lado a sua dor
Pelas ruas capistranas de toda cor
Esquece a sua paixão
Para viver a do Senhor
Palavra de Mulher
Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar
Palco
Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê
De bebê
Minha aura clara
Só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda
Só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor
Dar valor
Vale quanto pesa
Pra quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
Venho para a festa
Sei que muitos têm na testa
O deus Sol como um sinal
Um sinal
Eu, como devoto
Trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro
Quem manda é a deusa Música
Pedindo pra deixar
Pra deixar
Derramar o bálsamo
Fazer o canto cântaro cantar
Lalaiá
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
Palhaçada
(Haroldo Barbosa/Luiz Reis)
Cara de palhaço
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Foi este o meu amargo fim;
Cara de gaiato,
Pinta de gaiato,
Roupa de gaiato,
Foi o que eu arranjei pra mim.
Estavas roxa por um trouxa
Pra fazer cartaz,
Na tua lista de golpista
Tem um bobo a mais
Quando a chanchada deu em nada
Eu até gostei
E a fantasia foi aquela que esperei.
Cara de palhaço
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Pela mulher que não me quer,
Mas se ela quiser voltar pra mim
Vai ser assim,
Cara de palhaço,
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Até o fim!!!
Palpite
Tô com saudade de você debaixo do meu cobertor
E te arrancar suspiros, fazer amor
Tô com saudade de você na varanda em noite quente
E do arrepio frio que dá na gente
Truque do desejo, guardo na boca o gosto do beijo
Eu sinto a falta de você, me sinto só, e aí ...
Será que você volta ? Tudo à minha volta é triste
E aí, o amor pode acontecer de novo pra você , palpite
Tô com saudade de você, do nosso banho de chuva
Do calor da minha pele, da língua tua
Tô com saudade de você censurando o meu vestido
As juras de amor ao pé do ouvido
Truque do desejo, guardo na boca o gosto do beijo
Eu sinto a falta de você, me sinto só, e aí ...
Palpite Infeliz
Quem é você que não sabe o que diz
Meu Deus do céu, que palpite infeliz
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila não quer abafar ninguém
Só quer mostrar que faz samba também
Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo
Ao som do samba dança até o arvoredo
Eu já chamei você pra ver
Você não viu porque não quis
Quem é você, que não sabe o que diz
A Vila é uma cidade independente
Que tira samba, mas não quer tirar patente
Pra que ligar a quem não sabe
Aonde tem o seu nariz
Quem é você, que não sabe o que diz
Panis et Circensis
(Caetano Veloso/Gilberto Gil)
Eu quis cantar
Minha canção iluminada de som
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonhos no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Pão de Cada Dia
Mais um dia de trabalho querido diário
Eu ralo feito otário e ganho menos do que eu valho mas necessito de salário que é bem menos que o necessário
Hoje os rodoviários tão em greve por melhores honorários e eu procuro um que me leve
Eu tenho horário
Não posso chegar atrasado não posso ser descontado
Se eu falar que foi greve meu chefe pode ficar desconfiado
E se o desgraçado quiser me dar um pé na bunda eu vou pro olho da rua e rapidinho ele arruma outro pobre coitado
Desempregado desesperado é que mais tem (olha o ônibus!!) Hein?
Já vem lotado gente pra cacete vidro quebrado (Foi piquete) motorista com um porrete do lado
Ele furou a greve porque também teme ficar desempregado
Deixar seu filho desamparado
Quem sabe ser despejado do barraco
(E o aluguel lá no morro também já ta puxado
Eu nem sei se eu tô sendo otário ou esperto
Eu tô aqui mas também tô torcendo pra greve dar certo)
Eu fico calado porque eu também tô preocupado
O meu salário até o fim do mês já ta contado e o meu moleque tá todo gripado
Se eu tiver um imprevisto eu vou ter que comprar remédio
Num sei como é que eu faço
Eu num sô médico
Se precisar eu vou ter que pedir um vale na batalha
Como um esfomeado pede uma migalha
E o canalha lá pode até negar e aí vai ser pior
Porque o meu único ganha-pão é esse meu suor
Preciso do pão de cada dia e num sô filho do padeiro
Então preciso do dinheiro
Eu tô no meu carro
Me olho no espelho...
Eu acho hilário
Eles acham que eu num trabalho só porque eu sou um "empresário"
Meus funcionários devem achar que eu sou um porco mercenário
Mas eu num sô nenhum milionário
Pra ser mais claro eu tô num mato sem cachorro
Se eu corro o bicho pega
Se eu fico o bicho come
Pra quem vou pedir socorro?
Chapolim? Super-homem?
As despesas me consomem
Os lucros são poucos e ainda tenho que pagar meus homens e zelar pelo meu nome
Que Sufoco! O governo num ajuda
Empréstimo de banco nem pensar!
Sem contar faculdade dos filhos pra pagar
Eles pensam que eu sou marajá!! (Num dá?)
Não vai dar "Insensível você diz" mas é impossível eu te aumentar "impossível te fazer feliz"
Eu nunca quis ver meus empregados cansados com fome
Mas o aumento tá negado
Agora some que eu tô ocupado no telefone
Eu não sou Raul Pelegrini
Essas coisas me deprimem e tal "Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau"
Durão afinal eu sou o patrão
Não posso ser sentimental
Porque eu não tenho dinheiro de sobra
Talvez tenha que demitir mão de obra com urgência
Eu não consigo dormir
Não consigo superar a concorrência
Não sei se eu vou infartar ou se eu vou à falência
Refrão
(Melhor do que dar um peixe a um homem é ensiná-lo a pescar)
Então em ensina onde eu pesco grana porque peixe só tem se comprar
Tem que pagar pra comer
Tem que pagar pra dormir
Tem que pagar pra beber pra esquecer e até pra morrer tem que ter pois vão te pedir (dinheiro) pro enterro (dinheiro) pro caixão (dinheiro) pro velório (dinheiro) pro sermão
Também é caro parir
Pagaram pr'eu entrar e eu rezo pra num sair daqui
E eu tenho que me cuidar porque o dinheiro mesmo pode interferir no nosso destino
Fazer o sino tocar
Influenciar qualquer menino a nos matar
Você não sabe o que é capaz de fazer por dinheiro alguém que não tem nada a perder e vê a TV do mundo inteiro mostrar tudo o que há pra se ganhar pra quem está no fundo do poço
O único caminho é pro alto nem que seja por cima do seu cadáver
Moço
Eu vejo isso o tempo inteiro
Eu sou coveiro (sério?)
Sem mistério
No cemitério é onde eu cavo o meu pouco dinheiro
Eu sou importante Deus ta de prova
A todo instante ele me manda gente e eu sempre abrindo as covas
Até hoje eu não sei se ele me perdoou do dia em que eu mexi naquele defunto cheio de dente de ouro
Dei uma de dentista e deixei o rosto do corpo todo torto
Mas é que eu ganho muito pouco
Aliás eu num tenho nem onde cair morto
Refrão
Eu sou PM
Não pense que é fácil
Tem que ser malandro pra viver se arriscando rondando pra cima e pra baixo
Na corda bamba
Posso tombar na próxima curva e minha mullher em casa estraga as unhas com medo de ser viúva
E os meus nervos também não são de aço
Meu caráter muito menos por isso eu sempre faço meus cambalachos
Com o tráfico eu já tô mancomunado
Quando eu não tô dormindo ou tô trincando ou extorquindo os viciados
Eu fico rindo e o bolso do uniforme fica inchado
Hí!Hí! Um cafezinho aqui!
Uma cervejinha ali (tô ligado)
Rá! Eu sei que eu não presto!
Meu colega diz (cê tá exagerando...) Ah você que é muito honesto!
Detesto lição de moral cê devia fazer igual e abusar da autoridade
Esse é o único poder que essa droga de sociedade me dá o prazer de sentir o gostinho
Não tô nem aí se você prefere bancar o policial bonzinho
Perfeito
Mas vou continuar do meu jeito
Não sou super herói
E pimenta nos olhos dos outros não dói
E assim como o rato rói a roupa do rei de Roma eu vou roendo grana
O poder me corrói
Tá me corrompendo e a soma vai crescendo (Manda!)
Morrer é o que num posso mas quanto aos negócios fica frio...
Enquanto houver crime no Rio eu num volto pra casa de bolso vazio
Refrão
E eu sou o dinheiro
Todos me amam todos me querem todos adoram sentir meu cheiro
Mas eu não sou democrático
Eu sou ingrato
Quem mais produz riqueza é quem tem menos na mesa
Que chato
Pra quem me controla a carne sobra no prato
Enquanto outros não me conhecem e comem rato
É fato real
Rato sem sal
Saiu no jornal
Eu sou imundo
Que tal?
Eu sou o grande culpado nesse mundo tão desigual
E gero o preconceito social: Quem me tem vive bem quem num tem passa mal (sera?)
Loto
Jogo do bicho
Cês sonham comigo o tempo inteiro
O capitalismo é que nem Silvio Santos (Oi Tudo por dinheiro!)
É que vocês pensam pequeno
Vocês são um bicho muito ingênuo
O que parece ser o antídoto pode ser o próprio veneno
E o que parece essencial talvez seja supérfulo
E o que cês sonham encontra lá longe tão perto!
A felicidade é uma muleta e vocês são todos mancos
Ela não cabe numa maleta
Não cabe no cofre
Não cabe em bancos
Qualquer que seja a profissão que você exerça
Não deixe que a sua (fixação) por Tio Patinhas lhe suba a cabeça
Vocês humanos estão cegos
Me supervalorizam demais
Cada vez mais
A cada segundo que passa
Deixam seu mundo em constante ameaça me pondo acima de Deus e o diabo
Desse jeito eu acabo com a sua raça.
O Papa É Pop
todo mundo tá relendo
o que nunca foi lido
todo mundo tá comprando
os mais vendidos
qualquer nova
qualquer notícia
páginas em branco
fotos coloridas
qualquer nova
qualquer notícia
qualquer coisa que se mova
é um alvo ... ninguém tá salvo
todo mundo tá revendo
o que nunca foi visto
tá na cara
tá na capa da revista
qualquer nota
uma nota preta
páginas em branco
fotos coloridas
qualquer rota
rotatividade
qualquer coisa que se mova
é um alvo ... ninguém tá salvo
um disparo...um estouro
o papa é pop
o papa é pop
o pop não poupa ninguém
o papa levou um tiro à queima roupa
o pop não poupa ninguém
o presidente é pop
um indigente é pop
nós somos pop também
a minha gente é pop
a tua mente é pop
não poupa ninguém
uma palavra
na tua camiseta
(o planeta na tua cama)
uma palavra
escrita à lápis
(eternidades da semana)
qualquer nota
qualquer notícia
páginas em branco
fotos coloridas
qualquer coisa quase nova
qualquer coisa que se mova
é um alvo ... ninguém tá salvo
um disparo... um estouro
o papa é pop
o papa é pop
o pop não poupa ninguém
o papa levou um tiro à queima roupa
o pop não poupa ninguém
o presidente é pop
um indigente é pop
nós somos pop também
antigamente gente é pop
atualmente é pop
não poupa ninguém
toda catedral é populista
é pop é macumba pra turista
e afinal? o que é rock'n roll?
os óculos do john , ou o olhar do paul?
o papa é pop
o papa é pop
o pop não poupa ninguém
o papa é pop
o papa é pop
o pop não poupa...
o pop não poupa...
o pop não poupa... ninguém
Papai Me Empresta o Carro
(Rita Lee/Roberto de Carvalho)
Papai me empresta o carro,
Papai me empresta o carro,
Tô precisando dele pra levar
Minha garota ao cinema
Papai não crie um problema
Não tenho grana pra pagar um motel,
Não sou do tipo que frequenta bordel,
Você precisa me quebrar esse galho,
Então me empresta o carro,
Papai me empresta o carro,
Pra poder tirar um sarro com meu bem!
Papai eu não fumo,
Papai eu não bebo,
Meu único defeito é não ter medo
De fazer o que gosto, uh
Papai eu aposto
Na minha idade você pintava o sete
Mamãe tem ódio de uma tal Elizete
Aqui é impossível namorar
Então qual é a sua?
Eu só quero um sarro
Meia hora no seu carro com meu bem!
Papá Papet
(Kid Monteiro/Everaldo Águia/Carlinhos Brown)
Pa papet papet pa
Papet papet pa
Papet papet pa
Papet papet pa
Ela cantava pra mim
Eu não ouvia
Ela sorria pra mim
Eu não sabia
Sempre vinha pra mim
Mas eu não ia
Quando eu percebi
Outro alguém já existia
Queria que queria
Era chegar na Timbalada
Pra ver chegar a menina Madalena
Ao som da bacurinha
Sacudir a Madalena
Contagiando todos que ali estavam
Paparico
Menina vou lhe ser sincero
Não quero mais te enganar
Não tenho onde cair duro
Fiz de tudo pra te conquistar
Arranjei um carro importado
Uma beca e um celular
Na verdade era tudo emprestado
Não tenho nem onde morar
Te ganhei no paparico, te papariquei
Quis te dar um fino trato e me apaixonei
Te ganhei no paparico, mas tô sem nenhum
Por favor amor não pense que sou 171
Te levei num hotel 5 estrelas
Passei um cheque voador
Minha paixão e verdadeira
Faço tudo pelo nosso amor
Menti mas foi de boa fé
Menina sou louco por ti
Mas sou pobre de marre marré
Sou pobre, pobre de marré desci
Papel Maché
Cores do mar
Festa do sol
Vida é fazer
Todo sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de papel maché
Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul, outro ser
Luz do querer
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de papel-maché
Parabolicamará
Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Ê, volta do mundo, camará
Ê-ê, mundo dá volta, camará
Antes longe era distante
Perto, só quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará
Ê, volta do mundo, camará
Ê-ê, mundo dá volta, camará
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
Ê, volta do mundo, camará
Ê-ê, mundo dá volta, camará
Esse tempo nunca passa
Não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça
Nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Ê, volta do mundo, camará
Ê-ê, mundo dá volta, camará
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião, o tempo de uma saudade
Esse tempo não tem rédea
Vem nas asas do vento
O momento da tragédia
Chico, Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino apresentar
Ê, volta do mundo, camará
Ê-ê, mundo dá volta, camará
Paraíba Masculina
Quando a lama virou pedra e mandacaru secou
quando ribançã de sede bateu asas e voou
foi aí que eu fui me embora carregando a minha dor
hoje eu mando um abraço p´ra ti pequenina
Êta pau pereira que a princesa já roncou
êta paraíba mulher macho sim senhor
êta pau pereira meu bodoque nem quebrou
hoje eu mando um abraço p´ra ti pequenina
Paraíba masculina mulher macho sim senhor (bis)
Saí p´ra lá peste!
Paralelas
Dentro do carro,
Sobre o trevo, a cem por hora,
O meu amor,
Só tenho agora,
Os carinhos do motor,
E no escritório, onde eu trabalho,
E fico rico,
Quanto mais eu multiplico,
Diminui o meu amor,
Em cada luz de mercúrio,
Vejo a luz do seu olhar,
Passas, praças, viadutos,
Nem te lembras de voltar,
De voltar,
No Corcovado,
Quem abre os braços, sou eu!
Copacabana,
Esta semana,
O mar, sou eu!
E as borboletas,
Do que fui, pousam demais,
Por entre as flores,
Do asfalto, em que tu vais,
E as paralelas dos pneus,
Na água das ruas,
Que são tuas,
Estradas nuas,
Em que foges, do que é teu,
No apartamento,
Oitavo andar,
Abro a vidraça,
E vejo quando o carro passa,
Teu infinito, sou eu!
Para Lennon e McCartney
(Lô Borges/Fernando Brant/Márcio Borges)
Porque vocês não sabem
Do lixo ocidental
Não precisa medo, não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa medo, não
Não precisa da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei: vocês nem vão saber
Mas agora sou caubói
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou o mundo, sou Minas Gerais
Porque você não verá
Meu lado ocidental
Não precisa mais temer
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei: vocês nem vão saber
Mas agora sou caubói
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou o mundo, sou Minas Gerais
Para Todo Mundo
Abaixo toda a nossa apatia
Abaixo toda forma de opressão
Vamos valer a nossa rebeldia
Nossa bandeira é o coração
Vamos punir toda desigualdade
Lutar pela justiça social
O pão de cada dia para todos
Nosso decreto institucional
Para todo mundo ouvir
Para todo mundo ver
Para todo mundo,
Para todo mundo viver
Vamos unir então as nossas vozes
Mostrar o que queremos sem temer
Escola para todas as crianças
E o pensamento em deus para vencer
Um não às drogas e a impunidade
Um sim a todo exemplo de amor
Um não à hipocrisia e à maldade
À guerra, a fome, a toda violência e à dor
Para todo mundo ouvir
Para todo mundo ver
Para todo mundo,
Para todo mundo viver.
Paratodos
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antônio Brasileiro
Foi Antônio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethânia, Rita, Clara
Evoé, jovens a vista
O meu pai era paulista
Meu avô pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro
Para Viver Um Grande Amor
(Vinicius de Moraes/Toquinho)
(Cantado)
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
(Falado)
Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - Poxa! - É pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há que fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E portar-se de fora como uma espada
Para viver um grande amor
(Cantado)
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
(Falado)
Para viver um grande amor, direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais do que na modista!
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas - comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor para ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?
(Cantado)
Eu nao ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
(Falado)
Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há que ser bem cortes sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber ganhar a grande amada
Para viver um grande amor!
(Cantado)
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha cancão e a poesia
Partido Alto
Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ô nega
e se Deus não dá
Como é que vai ficar, ô nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará
Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria, eu nasci batuqueiro
Eu sou do Rio de Janeiro
Jesus Cristo inda me paga, um dia inda me explica
Como é que pôs no mundo esta pobre coisica
Vou correr o mundo afora, dar uma canjica
Que é pra ver se alguém se embala ao ronco da cuíca
E aquele abraço pra quem fica
Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se alguém me desafia e bota a mão no meio
Dou pernada a três por quatro e nem me despenteio
Que eu já tô de saco cheio
Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia
Deus me deu muitas saudades e muita preguiça
Deus me deu pernas compridas e muita malícia
Pra correr atrás de bola e fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia
Passaredo
(Francis Hime/Chico Buarque)
Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge, asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol, sem-fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde, colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Passarim
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu mas não pegou
Passarinho me conta então me diz
Porque que eu também não fui feliz
Me diz o que eu faço da paixão
Que me devora o coração
Que me devora o coração
Que me maltrata o coração
Que me maltrata o coração
E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo, a água apagou
E cadê a água, o boi bebeu
Cadê o amor, o gato comeu
E a cinza espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho me conta então me diz
Por que que eu também não fui feliz
Cadê meu amor minha canção
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão
Cadê meu caminho a água levou
Cadê meu rastro, a chuva apagou
E a minha casa, o rio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho me conta então, me diz
Por que que eu também não fui feliz
Cadê meu amor minha canção
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão
E a luz da manhã, o dia queimou
Cadê o dia, envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua então brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou
Os Passistas
Vem,
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Às vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.
Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no Carnaval.
Roubemo-nos ao deus Tempo e
nos demos de graça à beleza total, vem.
Nós,
Cartão-postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.
As Pastorinhas
(Noel Rosa/Carlos Braga/João de Barro)
A estrela Dalva
No céu disponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor
Linda Pastora
Morena da cor
De Madalena
Tu não tens pena
De mim,
Que vivo tonto
Com o teu olhar
Linda criança
Tu não me sais
Da lembrança
Meu coração
Não se cansa
De sempre
Tanto te amar
Paula e Bebeto
(Caetano Veloso/Milton Nascimento)
E vida vida que amor brincadeira, a vera
Eles amaram de qualquer maneira, a vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valera
Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarao sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, a vera
Eles se amam e e pra vida inteira, a vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valera
Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valera
Paulista
Na Paulista os faróis já vão abrir
E um milhão de estrelas prontas pra invadir os jardins
Onde a gente aqueceu numa paixão
Manhãs frias de abril
Se a avenida exilou seu casarões,
Quem reconstruiria nossas ilusões?
Me lembrei de contar pra você nesta canção
Que o amor conseguiu
Você sabe quantas noites eu te procurei
Nessas ruas onde andei
Conta onde passeia hoje esse seu olhar
Quantas fronteiras ele já cruzou
Num mundo inteiro de uma só cidade
Se os seus sonhos emigraram sem deixar
Nem pedra sobre pedra pra poder lembrar
Dou razão
É difícil hospedar no coração sentimentos assim
Pavão Misterioso
Pavão misterioso, pássaro formoso
Tudo é mistério nesse teu voar
Ah, se eu corresse assim, tantos céus assim
Muita história eu tinha prá contar
Pavão misterioso nessa cauda aberta em leque
Me guarda moleque de eterno brincar
Me poupa do vexame de morrer tão moço
Muita coisa ainda quero olhar
|Pavão misterioso, meu pássaro formoso
|No escuro desta noite me ajuda a cantar
|Derrama essas faíscas, despeja esse trovão
|Desmancha isso tudo que não é certo não
|Pavão misterioso, pássaro formoso
|Um conde raivoso não tarda a chegar
|Não temas minha donzela, nossa sorte nessa guerra
|Eles são muitos mas não podem voar
A Paz (Leila 4)
(João Donato/Gilberto Gil)
A paz
Invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz
Fez o mar da revolução
Invadir meu destino; a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão na paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
Pedacinhos
Pra que ficar juntando os pedacinhos
do amor que se acabou
Nada vai colar,
nada vai trazer de volta
a beleza cristalina do começo
e os remendos pegam mal
Logo vão quebrar
Afinal a gente sofre de teimoso
Quando esquece do prazer
Adeus também foi feito pra se dizer:
Bye bye, so long, farewell...
Pra que tornar as coisas tão sombrias
na hora de partir
Por que não se abrir
Se o que vale é o sentimento
e não palavras quase sempre traiçoeiras
e é bobeira se enganar
Melhor nem tentar...
Afinal a gente sofre de teimoso
quando esquece do prazer
Adeus também foi feito pra se dizer:
Bye bye, so long, farewell...
Pedaço de Mim
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Pedras Rolando
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Sou um cão sem dono
A tecer os fios da canção
Bicho das esquinas
Pedra de amolar
De tirar o limo do som
Sou um trem sem sono
Atravessando a noite do sertão
Força do destino
Fonte do prazer
Ter você na palma da mão
Alguém como você faz acontecer
Alguém que faz bater
Alguém que faz voar de tanto bater
Que nem tambor das pedras rolando
Seja o que for
Reunir a tribo
Repartir viagens sob o sol
Lenha na fogueira
Bucha do balão
Faz a nossa chama arder
Sou um trem cigano
Carregando almas sob o sol
Coração de ouro
Algum calor irmão
Faz o nosso amor crescer
E para sempre é o que tem de ser
Na luz de sua clara presença
Seja o que for
Pedro Pedreiro
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
| Pedro pedreiro fica assim pensando
| Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando pra trás
| Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
| Esperando o trem, esperando aumento
| desde o ano passado para o mês que vem
Pedro pedreiro espera o carnaval
E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro está esperando um filho pra esperar também
(refrão)
Pedro pedreiro está esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas pra que sonhar
se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás,
quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho pra esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Que a esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem, que já vem, que já vem, que já vem...
Pega Ladrão!
(Gabriel O Pensador/Tiago Mocotó/Aninha Lima/Liminha)
Pega ladrão! No governo!
Pega ladrão! No congresso!
Pega ladrão! No senado!
Pega lá na câmara dos deputados!
Pega ladrão! No palanque!
Pega ladrão! No tribunal!
É por causa desses caras que tem gente com fome, que tem gente matando, etc e tal.
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
A miséria só existe porque tem corrupção.
Pega, pega!
Pega, ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega, ladrão!!
Pega, pega!
Pega, pega ladrão!!
Tira do poder!
Bota na prisão!!
E você, que é um simples mortal, levando uma vidinha legal, alguém já te pediu um real? Alguém já te assaltou no sinal?
Você acha que as coisas vão mal?
Ou você tá satisfeito? Você acha que isso é tudo normal?
Você acha que o país não tem jeito?
Aqui não tem terremoto, aqui não tem vulcão.
Aqui tem tempo bom, aqui tem muito chão.
Aqui tem gente boa, aqui tem gente honesta, mas no poder é que tem gente que não presta.
"Eu fui eleito e represento o povo Brasileiro.
Confie em mim que eu tomo conta do dinheiro".
Refrão
Tira esses malandro do poder executivo!
Tira esses malandro do poder judiciário!
Tira esses malandro do legislativo!
Tira do poder que eu já cansei de ser otário!
Tira esses malandro do poder municipal!
Tira esses malandro do governo estadual!
Tira esses malandro do governo federal!
Tira a grana deles e aumenta o meu salário!
- Tá vendo esta mansão sensacional? Comprei com o dinheiro desviado do hospital.
- E o meu cofre, cheio de dólar? É o dinheiro que seria pra fazer mais uma escola.
- Precisa ver minha fazenda! Comprei só com o dinheiro da merenda!
- E o meu filhão? Um milhão só de mesada! E tudo com o dinheiro das criança abandonada.
- E a minha esposa? Só não me leva à falência porque eu tapo esse buraco com o rombo da previdência.
- Vossa excelência... Ce não viu meu avião! Comprei com uma verba que era pra construir prisão!
- E a superlotação?
- Problema do povão! Não temo imunidade? Pra nós não pega não.
Refrão
A miséria só existe porque tem corrupção.
Desemprego só aumenta porque tem corrupção.
Violência só explode porque tem tanta miséria e desemprego.
Porque tem tanta corrupção!
"Todos que me conhecem sabem muito bem que eu não admito o enriquecimento do pobre e o empobrecimento do rico!"
E você, que nasceu nesse país.
E que sonha e que sua pra ser feliz.
Você presta atenção no que o candidato diz?
Ou cê vota em qualquer um, seu babaca?
E depois da eleição, você cobra resultado?
Ou fica aí parado, de braço cruzado?
Cê lembra em quem votou pra Deputado?
E quem você botou lá no Senado?
Refrão
Peito Vazio
Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio.
Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança
Vou seguir os conselhos
De amigos
E garanto que não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai
Pela Internet
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut acessar
O chefe da Macmilícia de Milão
Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão
Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar
Pela Luz dos Olhos Teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Pelas Ruas que Andei
(Alceu Valença/Vicente Barreto)
Pelas ruas que andei, procurei
Pelas ruas que andei procurei... procurei
Pelas ruas que andei procurei... procurei
Te encontrar
Na Madalena eu revi o teu nome
Na Boa Vista quis te encontrar
Rua do Sol, da Boa Hora rua da Aurora
Vou caminhar
Rua das Ninfas, Matriz, Saudade da
Soledade de quem passou
Rua Benfica, Boa Viagem na Piedade
Cantador
Pelas Tabelas
Ando com a minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando um cordão
*Dão oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando pra mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça dum homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já numa baixela...
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando um cordão
Dão oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando pra mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça dum homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já numa baixela...
Pensamento
(Ras Bernardo/Bino/Da Gama/Lazão)
Você precisa saber
O que passa aqui dentro
Eu vou falar pra você
Você vai entender
A força de um pensamento
Pra nunca mais esquecer
Pensamento é um momento que nos leva à emoção
Pensamento positivo que faz bem ao coração
O mal não, o mal não, o mal não
Sendo que para você chegar terá que atravessar
A fronteira do pensar, a fronteira do pensar
E o pensamento é o fundamento
Eu ganho o mundo sem sair do lugar
Eu fui para o Japão com a força do pensar
Passei pelas ruínas e parei no Canadá
Subi o Himalaia pra do alto cantar
Boa imaginação que faz você viajar
Estou sem lenço e o documento
Meu passaporte é visto em todo lugar
Acorda meu Brasil pro lado bom de pensar
Detone o pesadelo pois o bom ainda virá
Você precisa saber... Pra nunca mais esquecer
Custe o tempo que custar esse dia virá
Nunca pense em desistir, não
Te aconselho a prosseguir
O tempo voa. Rapaz, pegue seu sonho rapaz
A melhor hora e o momento é você quem faz
Recito em poesias
Palavras de um rei
"Faça por onde que eu te ajudarei"
Pensando em Ti
(Herivelto Martins/David Nasser)
Eu amanheço pensando em ti
Eu anoiteço pensando em ti
Eu não te esqueço
É dia e noite pensando em ti
Eu vejo a vida, com a luz dos olhos teus,
Me deixe ao menos,
Por favor, pensar em Deus.
Nos cigarros que eu fumo
Te vejo nas espirais;
Nos livros que eu tento ler,
Em cada frase tu estas
Nas orações que eu faço
Eu encontro os olhos teus,
Me deixe ao menos,
Por favor, pensar em Deus
Pense em Mim
Invés de você ficar pensando nele
Invés de você viver chorando por ele
| Pense em mim, chore por mim
| Liga pra mim, não liga pra ele
Pra ele, não chore por ele
Se lembre que eu há muito tempo
Te amo, te amo, te amo...
Quero fazer você feliz
Vamos pegar o primeiro avião
Com destino à felicidade
A felicidade pra mim é você
Pense em mim
Chore por mim
Liga pra mim
Não, não liga pra ele
Pense em mim
Chore por mim
Liga pra mim
Não, não liga pra ele, pra ele
Não chore por ele
O Pequeno Burguês
Felicidade
Passei no vestibular
Mas a faculdade
É particular
Particular, ela é particular
Particular, ela é particular
Livros tão caros
Tanta taxa pra pagar
Meu dinheiro muito raro
Alguém teve que emprestar
Que emprestar, alguém teve que emprestar (bis)
Morei no subúrbio
Andei de trem atrasado
Do trabalho ia pra aula
Sem jantar e bem cansado
Mas lá em casa à meia noite
Tinha sempre a me esperar
Um punhado de problemas
E crianças pra criar
Pra criar, só criança pra criar (bis)
Mas felizmente
Eu consegui me formar
Mas da minha formatura
Nem cheguei a participar
Faltou dinheiro pra beca
E também pro meu anel
Nem o diretor careca
Entregou o meu papel
O meu papel, meu canudo de papel (bis)
E depois de tantos anos
Só decepções, desenganos
Dizem que sou burguês
Muito privilegiado
Mas burgueses são vocês
Eu não passo de um pobre coitado
E quem quiser ser como eu
Vai ter é de penar um bocado
Um bom bocado, vai penar um bom bocado (bis)
Um Pequeno Imprevisto
(Herbert Vianna/Thedy Correa)
Eu quis querer o que o vento não leva
Pra que o vento só levasse o que eu não quero
E quis amar o que o tempo não muda
Pra que quem eu amo não mudasse nunca
Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos
Bem devagar, ponderado
Perfeitamente equlibrado
Até que um dia qualquer
Eu vi que alguma coisa mudara
Trocaram os nomes das ruas
E as pessoas tinham outras caras
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa
No céu havia nove luas
E nunca mais eu encontrei minha casa
Perdido de Amor
Fiquei louco de amor
Vem me namorar girl
Estou perdido de amor
Vem me namorar céu
Preciso segurar essa onda
Que quer me afogar
Preciso segurar essa onda
Que quer me afogar
Foi no beijo que a morena me deu
Foi no beijo que a morena me deu
Foi esse beijo que aconteceu
No abraço que a morena me deu
Foi no abraço que a morena me deu
Foi nesse braço que aconteceu
Menina bacana que rola na cama,
Me namora
Me namora, me namora,
Me namora, me namora
Menina bacana que rola na cama,
Me namora
Me namora, me namora,
Me namora, me namora
Fiquei louco de amor
Vem me namorar girl
Estou perdido de amor
Vem me namorar céu
Esse é o suingue da banda tim
Esse é o suingue da banda ba
Esse é o suingue da banda la
Esse é o suingue da banda da
Esse é o suingue da banda timbalada
Perfeição
(Renato Russo/Dado Villa-Lobos/Marcelo Bonfá)
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa políica e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(a lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também não podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição
Pérola Negra
Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar esse teu novo engano
Tente me amar pois estou te amando
Baby te amo nem sei se te amo
Tente usar a roupa que estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue escreva num pano
Pérola negra te amo, te amo
Rasgue a camisa enxugue meu pranto
Como prova de amor
Mostre teu novo canto
Escreva no quadro em palavras gigantes
Pérola negra te amo, te amo
Tente aprender tudo mais sobre o sexo
Peça meu livro
Querendo te empresto
Se inteire da coisa
Sem haver engano
Baby te amo
Nem sei se te amo
Perplexo
Tentei te entender
Você não soube explicar
Fiz questão de ir lá ver
Não consegui enxergar
Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto
Endividado sem ter mais com que pagar
Nesse país, nesse país, nesse país
Que alguém te disse que era nosso
Mandaram avisar
Que agora tudo mudou
Eu quis acreditar
Outra mudança chegou
Fim da censura, do dinheiro, muda nome corta zero
Entra na fila de outra fila pra pagar
Quero entender, quero entender, quero entender
Tudo que eu posso e o que não posso
Não penso no futuro
É tudo previsível
Posso morrer de vergonha
Mas eu ainda estou vivo
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira
Quinta-feira, sexta-feira, sábado de aleluia
Eu vou lutar, eu vou lutar
Eu sou Maguila, eu não sou Tyson.
Pessoa Nefasta
Tu, pessoa nefasta
Vê se afasta teu mal
Teu astral que se arrasta tão baixo no chão
Tu, pessoa nefasta
Tens a aura da besta
Essa alma bissexta, essa cara de cão
Reza
Chama pelo teu guia
Ganha fé, sai a pé, vai até a Bahia
Cai aos pés do Senhor do Bonfim
Dobra
Teus joelhos cem vezes
Faz as pazes com os deuses
Carrega contigo uma figa de puro marfim
Pede
Que te façam propícia
Que retirem a cobiça, a preguiça, a malícia
A polícia de cima de ti
Basta
Ver-te em teu mundo interno
Pra sacar teu inferno
Teu inferno é aqui
Pessoa nefasta
Tu, pessoa nefasta
Gasta um dia da vida
Tratando a ferida do teu coração
Tu, pessoa nefasta
Faz o espírito obeso
Correr, perder peso, curar, ficar são
Solta
Com a alma no espaço
Vagarás, vagarás, te tornarás bagaço
Pedaço de tábua no mar
Dia
Após dia boiando
Acabarás perdendo a ansiedade, a saudade
A vontade de ser e de estar
Livre
Das dentadas do mundo
Já não terás, no fundo, desejo profundo
Por nada que não seja bom
Não mais
Que um pedaço de tábua
A boiar sobre as águas
Sem destino nenhum
Pessoa nefasta
Pétala
O seu amor reluz que nem riqueza
asa do meu destino
clareza do tino pétala
de estrela caindo bem devagar
Oh! Meu amor
viver é todo sacrifício
feito em seu nome
quanto mais desejo um beijo
um beijo seu
muito mais eu vejo gosto em viver viver
Por ser exato o amor não cabe em si
por ser encantado o amor revela-se
por ser amor invade e fim
Pétalas
(Herbert Azul/Alceu Valença)
As borboletas voam sobre meu jardim
São cores vivas, pousam sobre as onze horas
Nas rosas claras, violetas e jasmins
Um beija-flor traindo a rosa amarela
Beijou a bela margarida infiel
Papoula e dália estão cravadas de ci;úmes
E o beija-flor beijando flores a granel
Pétalas, asas amarelas
Pétalas, espinho seco
Folha, flor, lagarta
Pétalas
As flores voam e voltam na outra estação
Só serei flor quando tu flores no verão
Só serei flor quando tu fores no verão.
Petrolina-Juazeiro
Nas margens do São Francisco nasceu a beleza
E a natureza ela conservou
Jesus abençoou com sua mão divina
Pra não morrer de saudade vou voltar pra Petrolina
Do outro lado do rio tem uma cidade
Que na minha mocidade eu visitava todo dia
Atravessava a ponte, mas que alegria
Chegava em Juazeiro, Juazeiro da Bahia
| Petrolina, Juazeiro
| Juazeiro, Petrolina
| Todas as duas eu acho uma coisa linda
| Eu gosto de Juazeiro
| Mas adoro Petrolina
Ainda me lembro dos meus tempos de criança
Esquisita era a carranca e o apito do trem
Mas achava lindo quando a ponte levantava
E o vapor passava num gostoso vai-e-vem
|
Piano na Mangueira
(Tom Jobim/Chico Buarque)
Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da Estação Primeira
O Morro veio me chamar
De terno branco e chapéu de palha
Vou me apresentar à minha nova parceira
Já mandei subir o piano pra Mangueira
A minha música não é de levantar
Poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura a saia
No amanhecer da quarta-feira
Mangueira
Estação Primeira de Mangueira
Pílula de Alho
Você já ouviu falar
Da pílula de alho?
É uma pílula amarela
Cê toma uma daquela
Nem sabe o que é que sente
Mas a infecção já era
Eu tive dor de dente
Tomei algumas delas
As bichinhas logo agiram
Depois de certo (pouco) tempo
Senti-me melhorado
E os sintomas maus sumiram
A pílula de alho
Feita de alho e calor
É puro óleo de alho
É como a flor de dendê
É mel da planta isenta
De qualquer outro fator
A pílula de alho
Feita de alho e calor
A luminosidade
É de bola de gude
A transparência é cristalina
Vê-se que é coisa pura
Sente-se que é coisa nova
Sabe-se que é coisa fina
A pílula de alho
Da planta antibiótica
Da velha medicina
Que desenvolvimento!
Que belo (lindo) ensinamento
A pílula de alho ensina!
A pílula de alho
Feita de alho e calor
É puro óleo de alho
É como a flor de dendê
É mel da planta isenta
De qualquer outro fator
A pílula de alho
Feita de alho e calor
Pingos de Amor
A vida passa, eu telefono e você já não atende mais
Será já não temos tempo e nem coragem de dialogar
Ainda ontem pela praia alguma coisa me lembrou você
E veio a noite, namorados se beijando e eu estava só
Vamos ser
Outra vez nós dois
Vai chover pingos de amor
Pintura Íntima
Vem amor que a hora é essa
Vê se entende a minha pressa
Não me diz que eu estou errado
Eu tô seco, eu tô molhado
Deixa as contas
Que no fim das contas
O que interessa pra nós é
Fazer amor de madrugada
Amor com jeito de virada (repete)
Larga logo desse espelho,
Não reparou que eu estou até vermelho
Tá ficando tarde no meu edredon
Logo o sono bate
Deixa as contas...
Piruetas
(Enriquez/Bardotti/Chico Buarque)
Uma pirueta
Duas piruetas
Bravo, bravo
Superpiruetas
Ultrapiruetas
Bravo, bravo
Salta sobre
A arquibancada
E tomba de nariz
Que a moçada
Vai pedir bis
Que a moçada
Vai pedir bis
Quatro cambalhotas
Cinco cambalhotas
Bravo, bravo
Arequicambalhotas
Hipercambalhotas
Bravo, bravo
Rompe a lona
Beija as nuvens
Tomba de nariz
Que os jovens
Vão pedir bis
Que os jovens
Vão pedir bis
No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um trovão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo não
Pode parar
Vinte piruetas
Trinta piruetas
Bravo, bravo
Polipiruetas
Maxipiruetas
Bravo, bravo
Sobe ao céu
Fura a calota
E tomba de bumbum
Que a patota
Grita mais um
Que a patota
Grita mais um
No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um leão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo
Não pode parar
Dez mil cambalhotas
Cem mil cambalhotas
Bravo, bravo
Maxicambalhotas
Extracambalhotas
Bravo, bravo
Salta além
Da atmosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir
Que a galera
Morre de rir
Ai, minhas costelas
Já tô vendo estrelas
Bravo, bravo
Ai, minha cachola
Não tô bom da bola
Bravo, bravo
Lona... nuvens
Tomba no hospital
Uma pirueta
Uma cabriola
Uma cambalhota
Não tô bom da bola
E o pessoal
Delira...
Maxipirulito...
Ultravioleta...
Bravo, bravo!
Piston de Gafieira
Na gafieira segue o baile calmamente
Com muita gente dando volta no salão
Tudo vai bem, mas eis porém que de repente
Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão
Não é que o Doca, um crioulo comportado
Ficou tarado quando viu a Dagmar
Toda soltinha dentro de um vestido saco
Tendo ao lado um cara fraco
E foi tirá-la pra dançar
O moço era faixa preta simplesmente
E fez o Doca rebolar sem bambolê
A porta fecha enquanto o duro vai não vai
Quem está fora não entra
Quem está dentro não sai
Mas a orquestra sempre toma providência
Tocando alto p’ra polícia não manjar
E nessa altura como parte da rotina
O piston tira a surdina e põe as coisas no lugar.
Pivete
No sinal fechado
Ele vende chiclete
Capricha na flanela
E se chama Pelé
Pinta na janela
Batalha algum trocado
Aponta um canivete
E até
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará
Se manda pra Tijuca
Sobe o Borel
Meio se maloca
Agita numa boca
Descola uma mutuca
E um papel
Sonha aquela mina, olerê
Prancha, parafina, olará
Dorme gente fina
Acorda pinel
Zanza na sarjeta
Fatura uma besteira
E tem as pernas tortas
E se chama Mané
Arromba uma porta
Faz ligação direta
Engata uma primeira
E até
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará
Se manda pra Tijuca
Na contramão
Dança pára-lama
Já era pára-choque
Agora ele se chama
Emersão
Sobe no passeio, olerê
Pega no recreio, olará
Não se liga em freio
Nem direção
No sinal fechado
Ele transa chiclete
E se chama pivete
E pinta na janela
Capricha na flanela
Descola uma bereta
Batalha na sarjeta
E tem as pernas tortas
Planeta Água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre o profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés onde Iara mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra planeta água... terra planeta água
Terra planeta água.
Planeta Sonho
(Flávio Venturini/Márcio Borges/Vermelho)
Aqui ninguém mais ficará depois do Sol
No final será o que não sei,
Mas será...
Tudo de mais, nem o bem, nem o mal,
Só o brilho claro dessa luz
O planeta-calma será Terra
O planeta-sonho será Terra
E lá no fim daquele mar
A minha estrela vai se apagar
Como brilhou
Fogo solto no caos
Aqui também é bom lugar de se viver
Bom lugar será o que não sei,
Mas será...
Algo a fazer
Bem melhor que a canção
Mais bonita que alguém lembrar
A harmonia será Terra
A dissonância será bela
E lá no fim daquele azul
Os meus acordes vão terminar
Não haverá
Outro som pelo ar
|O planeta sonho será Terra
|A dissonância será bela
|E lá no fim daquele mar
|A minha estrela vai se apagar
|Como brilhou
|Fogo solto no caos.
Poconé
No forró do lengo lengo no forró bodó
O dengo dessa menina é um perigo só
No forró do lengo lengo no forró mundun
O dengo dessa menina ainda mata um
Todo mundo sabe o meu fraco é mulher
Uma coisa linda dessa faz de mim o que bem quiser
Minha boneca, boneca de Poconé
Pra ganhar um beijo seu, eu vou até a pé
Ela mora longe (eu vou até a pé)
Ela mora na ponte (eu vou até a pé)
Ela gosta de coco (como é que é)
Ela mora no poco(no Poconé)
Todo mundo acha que eu vivo como um rei
Mas a minha solidão ainda não curei
Minha boneca, boneca de Poconé
Pra ganhar um beijo seu, eu vou até a pé
O Pó da Estrada
Apesar das minhas roupas rasgadas
Eu acredito que vá conseguir
Uma carona que me leve pelo menos a cidade mais próxima
Onde ninguém vai me olhar de frente
Quando eu tocar na velha guitarra
As canções que eu conheço
Tinha apenas dezessete anos
No dia em que saí de casa
E não fazem mais de quatro semanas
Que eu estou na estrada
Mas encontrei tantas pessoas tristes
Desaprendendo como conversar
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo (3x)
Ehhhhhhhhhh,
O pó da estrada
Gruda em minha roupa
Como a distância
Marcando a palavra
Na minha boca
Sempre o mesmo assunto
O pó da estrada
Ahhhh, Ahhhh, Ahhhh,
Eu conheci um velho vagabundo
Que andava por aí, sem querer parar
Ahh, não vou parar
Ele dizia a todos
E o seu coração ainda rolava
Pelo mundo...
Pode Ir
(Vinícius de Moraes/Carlos Lyra)
Pode ir, pode ir
Pode fazer o que melhor entender
Mesmo porque
Cada um sabe de si
Mas se você, mas se você
Quiser brincar com quem te deu amor
Alguém provavelmente
Vai amargurar a grande dor
De ver alguém também querer partir
Porque partir é repartir não vê
É se perder nesse mar
Por aí
Mas você quer brincar
Quer fingir
Pode ir, pode ir
E depois chorar
Poderes Desprezíveis
Há fuga em mais um presídio
E mortes a troco de nada
Há gente com fome nas ruas
Pessoas desempregadas
Há medo nos olhos do povo
E gestos inconcebíveis
Há ironia na fala
Dos poderes desprezíveis
Enquanto a gente luta pra sobreviver
Quem sabe um dia a gente possa aprender
A recitar o verbo amar, e então crescer
Que Deus nos dê sabedoria pra viver
Há tantas promessas vazias
E vidas desamparadas
Há falsos hérois como exemplos
Há contrabando de armas
Há medo nos olhos do povo
E gestos inconcebíveis
Há ironia na fala
Dos poderes desprezíveis
Podres Poderes
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais
Será que nunca faremos se não confirmar
A incompetência da América Católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será será que será que será que será
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe, num êxtase
Ser indecente mas tudo é muito mau
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas
E nos gerais?
Será que apenas os hermetismos pascoais
Os tons os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas
E nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e bens e tais
Poema
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo,
era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás
Pois É
(Tom Jobim/Chico Buarque)
Pois é
Fica o dito e o redito por não dito
E é difícil dizer que foi bonito
É inútil cantar o que perdi
Daí
Nosso mais-que-perfeito está desfeito
E o que me parecia tão direito
Caiu desse jeito sem perdão
Então
Disfarçar minha dor eu não consigo
Dizer somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim
Enfim
Hoje na solidão ainda custo
A entender como o amor foi tão injusto
Pra quem só lhe foi dedicação
Pois é, e então...
Ponta de Areia
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Ponta de areia, ponto final
Da Bahia à Minas, estrada natural
Que ligava Minas ao porto, ao mar
Caminho do ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné
Lembra o povo alegre que vinha cortejar
Maria Fumaça, não canta mais
Para moças, flores, janelas e quintais
Na praça vazia, um grito um ai
Casas esquecidas, viúvas nos portais
Ponteio
Era um, era dois, era cem
Era o mundo chegando
E ninguém que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse amor ou dinheiro
Era um, era dois, era cem
Vieram pra me perguntar
E você: - de onde vai, de onde vem?
Diga logo o que tem pra contar
Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol, nem vento
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Era um dia, era claro, quase meio
Era um canto calado, sem ponteio
Violência, viola, violeiro
Era a morte ao redor, mundo inteiro
Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não lembro de dor nem receio
Só sabia das ondas do mar
Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo buscar
Se tomo a viola, ponteio
Meu canto não posso parar, não
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro, quase meio
Encerrar meu cantar, já convém
Prometendo um novo ponteio
Certo dia que sei por inteiro
Eu espero não vá demorar
Esse dia estou certo que vem
Digo logo que vem pra buscar
Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar pra cantar
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Por Amor ao Ilê
Eu fiquei zangada nesse carnaval
Porque não te vi
Onde tu estavas menino
Onde tu estavas ô
Estava atrás do ilê, menina
Estava atrás do ilê
Estava atrás do ilê, menina
Do ilê ayê
Você passa o ano inteiro
Dizendo que gosta de mim
Mas quando chega fevereiro
Oh nêgo você fica ruim
Eu finjo que não vejo
Esse é o meu prejuízo
Você quando vê o ilê parece
Que perde o juízo, amor amor
| É o amor ao ilê, menina
| É o amor ao ilê
| É o amor ao ilê
| Que me faz esquecer você
Não venha com papo furado
Porque não dá pé
Eu também vim atrás do ilê
Do curuzu à praça da Sé
Mas por favor não me engane
Deixe de bobagem
Oh meu nêgo lindo, eu te amo
Te amo de verdade
Amor, amor
|
Estava atrás do ilê, "suinga"
Estava atrás do ilê
Estava atrás do ilê, menina
Do ilê ayê
Por Causa de Você
(Tom Jobim/Dolores Duran)
Ah, você está vendo só do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande nas coisas mais simples
Que você tocou
A nossa casa, querida
Já estava acostumada guardando você
As flores na janela sorriam, cantavam
Por causa de você
Olhe, meu bem, nunca mais nos deixe por favor
Somos a vida e o sonho, nós somos o amor
Entre, meu bem, por favor
Não deixe o mundo mau lhe levar outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre, não chore meu bem
Por Causa de Você
Só você não vê
Finge que não sabe
Que estou sofrendo
Por causa de você
Sonho que não vem
Luzes da cidade
Eu me sinto só
Por causa de você
Eu te quero tanto
Tanto que nem sei dizer
Que a felicidade pra mim
É nunca perder você
Peço pra uma estrela
Pra te convencer enfim
Que não sou ninguém sem você
E não há você sem mim...
Por Enquanto
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa
Aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre
Sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
só penso em você
E aí, então
Estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
Por Que Não Eu?
(Leoni/Paula Toller/Herbert Vianna)
Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei
Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço
Por que não eu?
Por que não eu?
Eu encomendo um jantar
Só pra nós dois
Se não tem nada depois
Por que não eu?
Você tá nessa rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo: porque não
Por Que Será?
(Vinicius de Moraes/Toquinho/Carlinhos Vergueiro)
Por que será
Que eu ando triste por te adorar
Por que será
Que a vida insiste em se mostrar
Mais distraída dentro de um bar
Por que será
Por que será
Que o nosso assunto já se acabou
Por que será
Que o que era junto se separou
E o que era muito se definhou
Por que será
Eu quantas vezes me sento à mesa de algum bar
Falando coisas só por falar
Adiando a hora de te encontrar
É muito triste quando se sente tudo morrer
E ainda existe o amor que mente para esconder
Que o amor presente não tem mais nada para dizer
Por que será
Por Toda Minha Vida
(Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
Minha bem amada
Quero fazer dum juramento uma canção
Eu prometo por toda minha vida
Ser somente teu
E amarte como nunca
Ninguém jamais amou ninguém
Oh minha amada
Estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
Oh meu amor, ah meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh meu amor
Porto Solidão
se um veleiro
repousasse
na palma da minha mão
sopraria
com sentimento
e deixaria seguir sempre
rumo ao meu coração
meu coração a calma de um mar
e guarda tamanhos segredos
de versos
naufragados e sem tempo
rimas de ventos e velas
vidas que vem e que vai
a solidão que fica e entra
me arremessando contra o cais
rimas de ventos e velas
vidas que vem e que vai
a solidão que fica e entra
me arremessando contra o cais
se um veleiro
repousasse
na palma da minha mão
sopraria
com sentimento
e deixaria seguir sempre
rumo ao meu coração
meu coração a calma de um mar
e guarda tamanhos segredos
de versos
naufragados e sem tempo
rimas de ventos e velas
vidas que vem e que vai
a solidão que fica e entra
me arremessando contra o cais
rimas de ventos e velas
vidas que vem e que vai
a solidão que fica e entra
me arremessando contra o cais
rimas de ventos e velas
vidas que vem e que vai ...
Por Tudo O que For
e depois
a luz se apagou
e eu não consigo mais ficar sozinho aqui
sem você é tão ruim
não tem sentido, prazer, não há nada
por favor
não me interpreta mal
eu não queria nem devia te magoar
o tempo vem o tempo vai
passa tudo meio assim
meio assim devagar
vou dormir sentindo
o que a solidão pode fazer
há um ser ferido
por saber que o erro era meu
vou dormir sentindo
o que a solidão pode fazer
há um ser ferido
por saber que o erro era meu
já passou
agora já passou
mas foi tão triste
que eu não quero nem lembrar
ver você
ter você
e querer mais
e mais dois não tem nada demais
nem pensar
você aparecer
pela janela tão bonita de manhã
vem pra mim
e não vai mais
me abraça me abraça por tudo o que for
Por Uma Noite Inteira
(George Israel/Paula Toller)
O sexo que fazemos
é transcendental
é raro, imprevisível
invencível, irreal
Por uma noite inteira
nós trocamos de papel
misturamos nascimento
adolescência, mãe e pai
Por uma noite inteira
num planeta distante
somos seres delirantes
num orgasmo mental
Delícias impossíveis
a presença de Deus
somos príncipe e princesa, o prazer ideal
Por Um Dia
(George Israel/Paula Toller)
Por um dia
eu seria
teu automóvel, tua montaria
pra qualquer canto eu te levaria
Por um dia
eu seria
o teu soldado, tua pontaria
teus inimigos todos mataria
Pra molhar tua boca
eu seria bebida
pra tomar tua forma
líquida por um dia
Eu poderia ser até Jesus Cristo
e carregar a tua cruz
teu cão de guarda, teu fiel anjo da guarda
de dia uma sombra
de noite uma luz
por um dia
por um dia
Por um dia
eu seria
a Virgem Mãe de Deus Maria
e à tua sedução resistiria
Por um dia
eu seria
obediente, paciente e fria
e a teus pés eu ajoelharia
Pra curar tuas dores
eu seria heroína
pra lamber tua alma
lágrima por um dia
Eu poderia ser até Jesus Cristo...
Por Você
Por você eu dançaria tango no teto
Eu limparia os trilhos do metrô
Eu iria a pé do Rio a Salvador
Eu aceitaria a vida como ela é
Viajaria à prazo pro inferno
Eu tomaria banho gelado no inverno
Por você eu deixaria de beber
Por você eu ficaria rico num mês
Eu dormiria de meia pra virar burguês
Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo o dia a mesma mulher
Por você, por você
Por você, por você
Por você eu conseguiria até ficar alegre
Pintaria todo o céu de vermelho
Eu teria mais herdeiros que um coelho
Eu aceitaria a vida como ela é
Viajaria à prazo pro inferno
Eu tomaria banho gelado no inverno
Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo o dia a mesma mulher
Por você, por você
Por você, por você
Nananana....
Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo o dia a mesma mulher
Por você, por você
Por você, por você
A Praça
Hoje eu acordei com saudades de você
Beijei aquela foto que você me ofertou
Sentei naquele banco da pracinha só porque
Foi lá que começou o nosso amor
Senti que os passarinhos todos me reconheceram
E eles entenderam toda a minha solidão
Ficaram tão tristonhos e até emudeceram
E então eu fiz esta canção
|A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim
|Tudo é igual, mas estou triste, porque não tenho você perto de mim
Beijei aquela arvore tão linda onde eu,
Com o meu canivete um coração desenhei
Escrevi no coração o meu nome junto ao seu
Ser seu grande amor então jurei
O guarda ainda é o mesmo que um dia me pegou
Roubando uma rosa amarela prá você
Ainda tem balanço tem gangorra meu amor
Crianças que não param de correr
(|)
Aquele bom velhinho pipoqueiro foi quem viu
Quando envergonhado de namoro eu lhe falei
Ainda é o mesmo sorveteiro que assistiu
Ao primeiro beijo que eu lhe dei
A gente vai crescendo, vai crescendo e o tempo passa
Nunca esquece a felicidade que encontrou
Sempre eu vou me lembrar do nosso banco lá da praça
Onde começou o nosso amor
(|)
Praça de Esmola
(Waltinho/Sérgio Andrade)
Hoje o moleque acordou sem medo
Hoje encarou a vida um pouco mais cedo
Botou nas costas a sacola
A viola e partiu
Chorou um pouco
Mas foi só um pouco e sumiu
Hoje o moleque acordou sem medo
Hoje encarou a vida um pouco mais cedo
Botou na praça de graça
A viola e tocou
Encha essa praça de esmola
Por Nosso Senhor
Cantou seu canto de pranto
De lamento e dor
Encha essa praça de esmola
Por Nosso Senhor
Hoje o moleque acordou sem medo
Hoje encarou a vida um pouco mais cedo
Cabeça baixa de olhos
Cravados no chão
Mas lá no céu Jesus Cristo
Há de lhe dar a mão
Toca na sua viola
Sua salvação
Encha essa praça de esmola
Meu bondoso irmão
Pra Começar
(Marina Lima/Antônio Cícero)
Pra começar
Quem vai colar
Os tais caquinhos
Do velho mundo
Pátrias, Famílias, Religião
E preconceitos
Quebrou não tem mais jeito
Agora descubra de verdade
O que você ama...
Que tudo pode ser seu
Se tudo caiu
Que tudo caia
Pois tudo raia
E o mundo pode ser seu
Pra terminar.
Quem vai colar
Os tais caquinhos
Do velho mundo...
Pra Dizer Adeus
(Tony Belloto/Nando Reis)
Você apareceu do nada
E você mexeu demais comigo
Não quero ser só mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá pra imaginar quando...
É cedo ou tarde demais
Pra dizer adeus, pra dizer jamais
Às vezes fico assim, pensando
Essa distância é tão ruim
Por que você não vem pra mim?
Eu já fiquei tao mal, sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá pra imaginar quando...
É cedo, ou tarde demais,
Pra dizer adeus, pra dizer jamais...
Pra Frente Brasil
Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a seleção
De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a seleção...
As Praias Desertas
As praias desertas continuam
Esperando por nós dois
A este encontro eu não devo faltar
O mar que brinca na areia
Está sempre a chamar
Agora eu sei que não posso faltar
O vento que venta lá fora
O mato onde não vai ninguém
Tudo me diz
Não podes mais fingir
Porque tudo na vida há de ser sempre assim
Se eu gosto de você
E você gosta de mim
As praias desertas continuam
Esperando por nós dois
A Praiera
No caminho é que se vê a praia melhor para ficar
Tenho a hora certa pra beber
Uma cerveja antes do almoço é muito bom
Pra ficar pensando melhor
E eu piso onde quiser, você está girando melhor garota!
Na areia onde o mar chegou, a ciranda acabou de começar, e ela é!
E é praiera! Segura bem forte a mão
E é praiera! Vou lembrando a revolução, vou lembrando a revolução
Mas há fronteiras nos jardins da razão
E na praia é que se vê a areia melhor pra deitar
Vou dançar uma ciranda pra beber
Uma cerveja antes do almoço é muito bom
Pra ficar pensando melhor
Você pode pisar onde quer
Que você se sente melhor
Na areia onde o mar chegou
A ciranda acabou de começar, e ela é!
E é praiera! Segura bem forte a mão
E é praiera! Vou lembrando a revolução, vou lembrando a reolução
Porque há fronteiras nos jardins da razão?
No caminho é que se vê a praia melhor pra ficar
Tenho a hora certa pra beber
Uma cerveja antes do almoço é muito bom
Pra ficar pensando melhor
Pra Levantar Poeira
É no swing do Ara Ketu
que eu vou assim
se quer dançar
venha atrás de mim.
E o meu coração palpita
Se te vejo na avenida
a dançar no lindo ARA.
E pra ficar de bem com a vida
Vou cantar com alegria
pois pior coisa não há.
Quem dançou no Ara Ketu
balançou
a vontade que se tem
é de não parar mais.
Coração a bater forte
vou curtir, dançar, pular, sorrir
o teu som é sinfonia e magia.
Tá que tá que tá gostoso
tá que tá, que tá, que tá
é pra levantar poeira
e bailar, e bailar
Pra Não Dizer que Não Falei das Flores
Caminhando e cantando, seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhado e cantando e seguindo a canção
| Vem, vamos embora, que esperar não é saber
| Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome, em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Inda fazem da flor o seu mais forte refrão
E acreditam nas flores, vencendo canhão
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de arma na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando, seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Pra Ser Sincero
Pra ser sincero não espero de você
mas do que educação
beijos sem paixão
crimes sem castigo
aperto de mãos
apenas bons amigos
Pra ser sincero não espero que você
minta
não se sinta capaz de enganar
quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos
sabemos tudo ao nosso respeito
somos suspeitos de um crime perfeito
mas crimes perfeitos não deixam suspeitos
Pra ser sincero não espero de você
mas do que educação
beijos sem paixão
crimes sem castigo
aperto de mãos
apenas bons amigos
Pra ser sincero não espero que você
me perdoe
por ter perdido a calma
por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses
num desses encontros casuais
talvez a gente se encontre
talvez a gente encontre explicação
um dia desses
num desses encontros casuais
talvez eu diga
minha amiga
Pra ser sincero
prazer em vê-la
até mais
Nós dois temos os mesmos defeitos
sabemos tudo ao nosso respeito
somos suspeitos de um crime perfeito
mas crimes perfeitos não deixam suspeitos
Pra Te Ter Aqui
Me sinto tão sozinho
Por que não vem me ver?
Preciso de carinho
Preciso de você
Me liga
Se liga em mim
Me diga
Se tem mesmo que ser assim
O meu coracão vive na solidão
E eu te pedindo
Pra voltar pra mim
Ficar do meu lado
De rosto colado
O corpo molhado
Numa noite assim
Eu te juro
Eu te daria o mundo
Pra te ter aqui
Preciso Aprender a Ser Só
(Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle)
Ai, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
E sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim, tão só!
Eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu amor
Saber que foi só um sonho e passou.
Ai, o amor,
Quando é demais
Ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar,
Que a saudade existe, e se vem,
É tão triste ver.
Ai, meus olhos choram a falta dos teus,
Estes teus olhos que foram, tão meus
Por Deus entenda,
Que assim eu não vivo,
Eu morro pensando, no nosso amor.
Preciso de Você
Fui atrás do que restou
Foi tão belo o nosso amor
Eu não creio que tudo acabou
Tenho um mundo pra te dar
E um brilho no olhar, tão sincero
Vem viver comigo
Tudo que eu sempre quis
Foi te fazer feliz
Traduzir o melhor do amor
Vou tão longe pra buscar
Algo só pra te satisfazer
As estrelas do céu
De Saturno, o anel
Até as ondas do mar
Tente me compreender
Só terei total prazer contigo
| Preciso de você, sentir o teu calor
| E a tua companhia
| Quando você chegar,
| eu quero te mostrar
| A minha alegria
| Aí meu coração vai poder sossegar
Preciso de Você
Prometi não chorar
Prometi não sofrer
Prometi que não ia mais querer te ver
Nada adiantou
Pois aqui estou
Pedindo outra chance para o nosso amor
Já fingi que amei um outro alguém
Mas pro seu lugar não tem mais pra ninguém
Vivo da ilusão da louca paixão
Que tomou minha mente e o meu coração
Vem me dar o seu amor
Meu bem, venha me aquecer
Eu preciso dormir e acordar com você
Vem me dar o seu amor
Meu bem venha me aquecer
Ah! Eu preciso de você...
Tente pensar, tente entender
Sou alguém que não sei mais viver sem você
Eu já me entreguei, já me rendi
Nesse jogo do orgulho fui eu quem perdi
Mesmo assim eu insisto, não creio no fim
Acredito você vai voltar prá mim
Sigo pelo mundo amando sem rumo
Tinha o universo e me vejo sem tudo
Vem me dar o seu amor
Meu bem, venha me aquecer
Eu preciso dormir e acordar com você
Vem me dar o seu amor
Meu bem, venha me aquecer
Ah! Eu preciso de você...pra me tirar desse labirinto
Aliviar essa dor que agora eu sinto
Nós somos almas gêmeas nem o tempo separa
O perfume sem igual da rosa mais rara
Vem me dar o seu amor
Meu bem, venha me aquecer
Eu preciso dormir e acordar com você
Vem me dar o seu amor
Meu bem, venha me aquecer
Ah... eu preciso de você
De você...
Só de você...
Eu preciso
Ah! Eu preciso de você
Preciso de você
Preciso Dizer que Te Amo
(Bebel Gilberto/Dé/Cazuza)
Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo (que medo...)
Eu preciso dizer que te amo tanto...
E até o tempo passa arrastado
só para eu ficar ao teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre, e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo (que amigo...)
Que eu preciso dizer que te amo,
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo, tanto
Preciso Dormir Princesa
Jogue a vida arrisque tudo e curta esse amor
Se livre dessa cara amarrada e saia como entrou
Um cochicho apimentado quero lhe falar
Eu não sei se apago a luz ou deixo como está
Procure
Na sombra da flor de espinho
No peixe de um mar sozinho
Desnude esse amor
Tristeza
Reflete um rio no meu rosto
Pintura de amor e desgosto
Você quem pintou
E eu
Perco meu tempo prá lhe convencer
E eu
Fico com medo do dia amanhecer
Quero amar você
É tarde
Preciso dormir princesa
Rainha de toda beleza
Sonhar esse amor
Preciso Me Encontrar
Deixe-me ir, preciso andar | b
vou por aí a procurar | i
rir pra não chorar | s
quero assistir ao sol nascer
ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer, quero viver
deixe-me ir preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar
se alguém por mim perguntar
diga que eu só vou voltar
quando eu me encontrar
quero assistir ao sol nascer
ver as águas do rio correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer, quero viver
deixe-me ir preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar
Preta Pretinha
Enquanto eu corria, assim eu ia
Lhe chamar enquanto corria a barca (2x)
Por minha cabeça não passava
Só, só, somente só
Assim vou lhe chamar, assim você vai ser (2x)
Lá, iá lá lá iá, lá l á lá, iá, lá iá
Preta, preta, pretinha (4x)
Abre a porta e a jan ela e vem ver o sol nascer (2x)
Eu sou um pássaro que vivo avoando
Vivo avoando sem nunca mais parar
Ai, ai, ai, ai saudade não venha me matar (2x)
Primavera
(Carlos Lyra/Vinícius de Moraes)
O meu amor sozinho
É assim como um jardim sem flor
Só queria poder ir dizer a ela
Como é triste se sentir saudade
É que eu gosto tanto dela
que é capaz dela gostar de mim
acontece que eu estou mais longe dela
do que a estrela a reluzir na tarde
Estrela, eu lhe diria
desce à terra, o amor existe
e a poesia só espera ver nascer a primavera
para não morrer
Não há amor sozinho
É juntinho que ele fica bom
Eu queria dar-lhe todo o meu carinho
Eu queria ter felicidade
É que o meu amor é tanto
Um encanto que não tem mais fim
no entanto ela não sabe que isso existe
É tão triste se sentir saudade
Amor, eu lhe direi
Amor que eu tanto procurei
Ah! quem me dera eu pudesse ser
a tua primavera e depois morrer
Procissão
Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar
Pro Dia Nascer Feliz
Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão é pretensão
De quem fica
Escondido fazendo fita
Todo dia tem a hora da Sessão Coruja
só entende quem namora
Agora 'vão bora'
Estamos meu bem por um triz
Pro dia nascer feliz (2x)
O mundo acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, a outra ali
No vai-e-vem dos teus quadris
Nadando contra a corrente
só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu BIS
Pro dia nascer feliz (2x)
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz (2x)
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Proibida pra Mim
Ela achou meu cabelo engraçado
Proibida pra mim no way
Disse que não podia ficar
mas levou a sério o que eu falei
Eu vou fazer de tudo que eu puder
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Posso te ligar à qualquer hora
mas eu nem sei seu nome!
| Se não eu, quem vai fazer você feliz?
| Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Eu me flagrei pensando em você
em tudo que eu queria te dizer
numa noite especialmente boa
não há nada mais que a gente possa fazer
Eu vou fazer de tudo que eu puder
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Eu posso te ligar à qualquer hora
mas eu nem sei seu nome!
(|)
Proposta
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Eu te proponho
Nós nos amarmos, nos entregarmos
Neste momento tudo lá fora
Deixar ficar
Eu te proponho
Te dar meu corpo
Depois do amor o meu conforto
E além de tudo, depois de tudo
Te dar a minha paz
Eu te proponho
Na madrugada, você cansada
Te dar meu braço
No meu abraço
Fazer você dormir
Eu te proponho
Não dizer nada
Seguirmos juntos a mesma estrada
Que continua depois do amor
No amanhecer
Eu te proponho...
P.R. Você
(Cristóvão de Alencar/Hervé Cordovil)
| Se o seu ouvido
| Fosse um microfone
| Ligado ao coração
| Eu lhe diria
| Bem baixinho
| Vou ser disc jockey
| Nessa estação
Assinarei contrato
Para a vida inteira
Mas faço questão de
exclusividade
Nossa estação
Assim será
Sempre a primeira
P.R. você
Rádio felicidade
(refrão)
Nosso programa
Será muito diferente
Pois eu não preciso
De publicidade
Nossa estação
Transmitirá eternamente
P.R. você
Rádio felicidade
Punk da Periferia
Das feridas que a pobreza cria
Sou o pus
Sou o que de resto restaria
Aos urubus
Pus por isso mesmo este blusão carniça
Fiz no rosto este make-up pó caliça
Quis trazer assim nossa desgraça à luz
Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia
Ter cabelo tipo índio moicano
Me apraz
Saber que entraremos pelo cano
Satisfaz
Vós tereis um padre pra rezar a missa
Dez minutos antes de virar fumaça
Nós ocuparemos a Praça da Paz
Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia
Transo lixo, curto porcaria
Tenho dó
Da esperança vã da minha tia
Da vovó
Esgotados os poderes da ciência
Esgotada toda a nossa paciência
Eis que esta cidade é um esgoto só
Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 20 de abril de 2004.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)