

Músicas da MPB - R
Músicas da MPB - R
Rabo de Saia
Quando nascemos fomos programados pra conquistar muitas mulheres se quiséssemos ser considerados
Homens com H
Homens de bem
Um cabra macho ou um "macho-macho-man"
Existem vários rótulos
Chame como quiser
Mas o caso é que os moleques são treinados pra caçar mulher!
E isso vem desde o berçário
Se você não azarar a enfermeira boa vai crescer otário
Ou então vai ser da turma do Lafond - Luana!!! - Para com isso
Eu sou o Haroldo o hétero
Machão! Que que há... não precisa disfarçar...
"O que falam de mim são calúnias"
Ah! Vai enganar!
A escolha é sua
Liberdade sexual
Mas se você quiser ser hétero e poder dizer (Eu sou normal!)
Mesmo assim você passa por um processo educacional que supervaloriza o sexo
Mas se você for fêmea tem que reprimir
Ou vai levar má fama (joga pedra na Gení!!)
Desde pequeno cê recebe as influências
O que é um exemplo pros meninos pras meninas "é uma indecência!"
Todo pai quer que seu filho seja um... (pensador?)
Não um... (cavalheiro?) Não um... comedor!
Um Don Juan
Um bam bam bam
Rei da cocada preta
(Ah, é pra comer cocada, pai?) Não, é pra comer...
(Paiê! Como é que a barriga da gente cresce?)
(Minha filha agora não! Vai brincar de boneca! Esquece!
E você filhão vai brincar de médico lá na vizinha!)
É assim que um cidadão aprende a ser galinha
Chamar as donzelas de cadelas olhando as bundas na praia e correr feito um cão abanando o rabo por um rabo de saia
Num posso ver um rabo de saia
Num passo sem um rabo de saia
Preciso (de que?) de um rabo (de que?) de um rabo (de que?) de um rabo de saia
Tenho que assumir que isso é como um vício
(Um homem submisso?) Ha! Pára com isso!
Não é qualquer rabo de saia que me domina
Tem menina com quem eu saio só saio por causa da vagi...
E do... Anh!
Peraí tô meio confuso
Só sei que não é pra fazer amor (faz o que?)
Eu cruzo
Uso e abuso
Satisfaço minhas necessidades
Mas no fundo o que eu procuro é uma mulher de verdade
E a mulher que me mereça merece que eu seja fiel...
Peraí deixa eu atender o Grambell
(Alô Eu sei que cê tá namorando mas sai comigo hoje Biel)
Ai meu Deus não faz isso
Assim eu num vô pro céu
Mas "saber que vou pro céu não me deixa feliz"
(A carne é fraca) É
Adivinha o que que eu fiz (Diz!)
Não vou dizer mas se é pecado foi Deus quem criou
E como diz o ditado o diabo aperfeiçoou
Hora do rango: (O sr. aceita uma panela de salmão?)
Não. Meu prato predileto é a costela de Adão
(Não serve um peito de peru com ovos?)
Eu nem provo e reprovo
Me vê um rabo de saia
E traz logo!
Refrão
As vezes é esculacho
Não sei com qual cabeça eu penso
Com a de cima ou ah... ah
Eu acho que talvez seja melhor seguir o instinto
(Vem cá mulé! Você pinta como eu pinto?)
Ah assim não! Tem que ter um papo cabeça
Um caô (Qual é teu signo? Vamo prum motel?)
(Demorou!)
Eu nem quero saber se é mulher de alguém
Eu vou fazer que nem o Pac Man
O quê que tem se a sua namorada me da mole heim?
Tem culpa eu? (Tem)
Oba! Me dei bem
(Tem fogo?) Que?
Tô mais aceso que um isqueiro
Se tu quiser eu apago o seu fogo feito um bombeiro
E depois te jogo num cinzeiro
Mas primeiro
Eu te bebo te como te cheiro te fumo
Pois aprendi a ver as mulheres como um objeto de desejo
Um sonho de consumo
Nesse imenso shopping center um bom par de pernas
Deixa a gente feito o Capitão Caverna
Um primata
Mas não sou maluco feito o Paiakan
Diz aí Maluf: (Estupra mas não mata!)
Se é a mulher que me provoca eu não sou de aço
(Eu te ataco feito um Pit-Bull!) Eu viro Tyson
Mas não me joga atrás das grades longe da gandaia
Eu passo fome mas não passo sem um rabo de saia
Refrão
Minha alma não é pequena mas nem tudo vale à pena
Entende? Tem coisas de que a gente se arrepende
Tem rabo de saia que você olha depois
E se pergunta: Pelo amor de Deus! Como é que foi possível?
Baixei o nível! Que coisa horrível!! (Isto é incrível!)
Mas não me chame de mau comportado gente
Eu me comporto exatamente de acordo com o modelo existente para o "o homem do mundo atual"
Não sou nenhum tarado
Nenhum maníaco sexual
Atire a primeira pedra quem nunca pecou
Ih! Parou!
(Que foi?) Sujou!
Minha namorada chegou...
Raça de Heróis
Sente o rufar dos tambores
Ouve os metais que anunciam
Um cavalgar de coragem
Todo temor silencia
Nosso reino é assim
Território sagrado
Pra sempre
Resiste em nós
Uma certeza de aço
Sela os portões desse reino
E não há dor nem cansaço
Todo sofrer é pequeno
Nosso reino é assim
Território sagrado
Pra sempre
Resiste em nós
Raça de Heróis
Virá salvar a terra
Raça de heróis, heróis, heróis
Rádio Pirata
Abordar navios mercantes
Invadir, pilhar, tomar o que é nosso
Pirataria nas ondas do rádio
Havia alguma coisa errada com o rei
Preparar a nossa invasão
E fazer justiça com as próprias mãos
Dinamitar um paiol de bobagens
E navegar o mar da tranquilidade
Toquem o meu coração, façam a revolução
Que está no ar nas ondas do rádio
No submundo repousa o repúdio
E deve despertar
Disputar em cada frequência
Um espaço nosso nessa decadência
Canções de guerra, quem sabe canções do mar
Canções de amor ao que vai vingar
Toquem o meu coração, façam a revolução
Que está no ar nas ondas do rádio
No underground repousa o repúdio
E deve despertar.
Raio X (Vinheta de Abertura)
(Fernanda Abreu/Chacal/Chico Neves)
Mil novecentos e noventa e sete
Mais um ano nesse tempo de pandeiro e de disquete
Eu preciso olhar pra trás pra seguir em frente
E pra você eu dedico esse som, esse presente
Com uma galera classe A fotografando em raio X
Tô mostrando nessa chapa boa parte do que eu fiz
Na forma de uma mini-discografia autorizada
Aqui em edição revista e ampliada
Sla Radical Dance Disco Club
Rap house charm rock funk disco dub
Apresentando um outro som, criando um outro estilo
Inaugurando o sampler sublinhando o que é preciso
Sla 2 Be Sample só vinha a confirmar
Que as nossas tradições vêm do verbo misturar
Sample like a jungle, simple like a window
Simple like a needle, simples como um níquel
Níquel que é da lata, diz na lata, vira a lata
Na batida começou a batucada
Morro e asfalto num batuque digital
Nessa cidade o som que rola é samba-funk total
A idéia é: do particular para o geral
Da geral para a galera especial
Sangue bom nas veias desse Rio brasileiro
Ampliando seu batuque para o mundo inteiro
...Para o mundo inteiro
O Rancho da Goiabada
Os bóias-frias
Quando tomam umas biritas
Espantando a tristeza,
Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita
E a sobremesa
É goiabada cascão com muito queijo,
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada
Leonor ou Dagmar...
Amar
O rádio de pilha, o fogão jacaré, a marmita, o domingo
O bar
Onde tantos iguais se reúnem e contando mentiras
Pra poder suportar...
Ai, são pais-de-santo, paus-de-araras são passistas
São flagelados, são pingentes, balconistas
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados,
Dançando dormindo de olhos abertos à sombra
Da alegoria dos faraós embalsamados
Rapte-me Camaleoa
Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à-toa
De um quasar pulsando loa
Interestelar canoa
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos me olham assim
Fino menino me inclino pro lado do sim
Rapte-me, adapte-me, capte-me
It's up to me
Coração
Ser querer, ser merecer, ser um camaleão
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas
Rapunzel
(Carlinhos Brown/Alaim Tavares)
Love as suas transas de mel
Rapunzel, rapunzel
Lá no corredor do Borel
Rapunzel, rapunzel
Lá no baracão tem sossego
Passo cedo, passo cedo
E dou um grito grão de bololô
E verso nós imenso amor
O amor de Julieta e Romeu
Igualzinho o meu e seu
No calendário é flor e anda
Nu na varanda
E sondo o brocotó do ti-ioiô
E verso nós imenso amor
Vamos embora na ladeira
Vamos embora na lagoa
Realce
Não se incomode
O que a gente pode, pode
O que a gente não pode, explodirá
A força é bruta
E a fonte da força é neutra
E de repente a gente poderá
Realce, realce
Quanto mais purpurina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Não se impaciente
O que a gente sente, sente
Ainda que não se tente, afetará
O afeto é fogo
E o modo do fogo é quente
E de repente a gente queimará
Realce, realce
Quanto mais parafina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Não desespere
Quando a vida fere, fere
E nenhum mágico interferirá
Se a vida fere
Como a sensação do brilho
De repente a gente brilhará
Realce, realce
Quanto mais serpentina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Rebelde sem Causa
Meus dois pais me tratam muito bem
(O que é que você tem que não fala com ninguém?)
Meus dois pais me dão muito carinho
(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)
Meus dois pais me compreendem totalmente
(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)
Meus dois pais me dão apoio moral
(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal !)
Mama mama ma mama ma
Papa papa pa papa pa
Minha mãe até me deu essa guitarra
Ela acha bom que o filho caia na farra
E o meu carro foi meu pai que me deu
Filho homem tem que ter um carro seu
Fazem questão que eu só ande produzido
Se orgulham de ver o filhinho tão bonito
Me dão dinheiro prá eu gastar com a mulherada
Eu realmente não preciso mais de nada
Meus pais não querem
Que eu fique legal
Meus pais não querem
Que eu seja um cara normal
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar
Rebento
Rebento
subtantivo abstrato
O ato, a criação, o seu momento
Como uma estrela nova e o seu barato
que só Deus sabe, lá no firmamento
Rebento
Tudo o que nasce é Rebento
Tudo que brota, que vinga, que medra
Rebento claro como flor na terra,
rebento farto como trigo ao vento
Outras vezes rebento simplesmente
no presente do indicativo
Como as correntes de um cão furioso,
ou as mãos de um lavrador ativo
às vezes mesmo perigosamente
como acidente em forno radioativo
Às vezes, só porque fico nervosa, rebento
às vezes, somente porque estou VIVA!
Rebento, a reação imediata
a cada sensação de abatimento
Rebento, o coração dizendo: Bata!
a cada bofetão do sofrimento
Rebento, esse trovão dentro da mata
e a imensidão do som nesse momento
Reconvexo
eu sou a chuva que lança
areia do Saara
sobre os automóveis de Roma
sou a sereia que dança
destemida Iara, água e folha
da Amazônia
eu sou a sombra da voz
da matriarca da Roma negra
você não me pega
você nem chega a me ver
meu som te cega careta
quem é você?
que não sentiu o suingue
de Henri Salvador
que não seguiu olodum
balançando o pelô
e que não riu com a risada de
Andy Warhol
que não que não
e nem disse que não
sou um preto norte-americano
forte com um brinco de ouro na orelha
sou a flor da primeira música
a mais velha e a mais nova
espada e seu corte
sou o cheiro dos livros desesperado
sou Gita Gogóya
seu olho me olha
mas não me pode alcançar
não tenho escolha careta
vou descartar
quem não rezou a novena de
D. Canô
quem não seguiu o mendigo
Joãozinho Beija-flor
quem não amou a elegância sutil
de bobô
quem não é recôncavo e nem pode
ser reconvexo
Refavela
AIaiá, kiriê
Kiriê, iaiá
A refavela
Revela aquela
Que desce o morro e vem transar
O ambiente
Efervescente
De uma cidade a cintilar
A refavela
Revela o salto
Que o preto pobre tenta dar
Quando se arranca
Do seu barraco
Prum bloco do BNH
A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó
A refavela
Revela a escola
De samba paradoxal
Brasileirinho
Pelo sotaque
Mas de língua internacional
A refavela
Revela o passo
Com que caminha a geração
Do black jovem
Do black-Rio
Da nova dança no salão
Iaiá, kiriê
Kiriê, iaiá
A refavela
Revela o choque
Entre a favela-inferno e o céu
Baby-blue-rock
Sobre a cabeça
De um povo-chocolate-e-mel
A refavela
Revela o sonho
De minha alma, meu coração
De minha gente
Minha semente
Preta Maria, Zé, João
A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó
A refavela
Alegoria
Elegia, alegria e dor
Rico brinquedo
De samba-enredo
Sobre medo, segredo e amor
A refavela
Batuque puro
De samba duro de marfim
Marfim da costa
De uma Nigéria
Miséria, roupa de cetim
Iaiá, kiriê
Kiriê, iáiá.
Refazenda
Abacateiro
Acataremos teu ato
Nós também somos do mato
Como o pato e o leão
Aguardaremos
Brincaremos no regato
Até que nos tragam frutos
Teu amor, teu coração
Abacateiro
Teu recolhimento é justamente
O significado
Da palavra temporão
Enquanto o tempo
Não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate
E anoitecerá mamão
Abacateiro
Sabes ao que estou me referindo
Porque todo tamarindo tem
O seu agosto azedo
Cedo, antes que o janeiro
Doce manga venha ser também
Abacateiro
Serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário
Da leveza pelo ar
Abacateiro
Saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda
Que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba
Refém da Solidão
(Baden Powell/Paulo César Pinheiro)
Quem da solidão fez seu bem
Vai terminar seu refém
E a vida para também
Não vai nem vem
Vira uma certa paz
Que não faz nem desfaz
Tornando as coisas banais
E o ser humano incapaz de prosseguir
Sem ter pra onde ir
Infelizmente eu nada fiz
Não fui feliz nem infeliz
Eu fui somente um aprendiz
Daquilo que eu não quis
Aprendiz de morrer
Mas pra aprender a morrer
Foi necessário viver
E eu vivi mas nunca descobri
Se essa vida existe
Ou se essa gente é que insiste
Em dizer que é triste
Ou que é feliz
Vendo a vida passar
E essa vida é uma atriz
Que corta o bem na raiz
E faz do mal cicatriz
Vai ver até que essa vida é a morte
E a morte é a vida que se quer
Regra Três
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Tantas você fez
Que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez
Ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes
No seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa
De perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai
Mas deixa a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza
Quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo
Que vai chorar
Relicário
É uma índia com um colar
A tarde linda que não quer se por
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o a de que cor?
O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou
E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar onde eu não vou
O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso desse amor
Corre a lua, por que longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por essa noite
Por que está amanhecendo?
Peço o contrário, ver o sol se por
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for?
Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou
O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor
O que você está dizendo?
Um relicário imenso desse amor
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que você está fazendo assim?
Reluz
Brilha no céu de novo uma estrela
Soltando a luz que reluz seu olhar
Paira no tempo um sonho perdido
que agente só pensa em de novo encontrar
Solto meu grito seu nome ao vento
e fico voando no meu pensamento
Te espero mais livre a cada manhã
Cheiro uma flor de cravo e canela
E fico curtindo da minha janela
Teu corpo suave de hortelã
Réquiem pra Mãe Menininha do Gantois
Foi, minha mãe se foi,
minha mãe se foi
sem deixar de ser, ora iê iê-ô.
Dói, minha alma ainda dói, minha alma dói
sem deixar doer, ora iê iê-o
Foi tão boa pra nós,
tão boa pra nós
não deixa de ser, ora iê iê-o
Mãe, do Orum, do Céu
do Orum, do Céu,
me ajuda a viver neste ilê aiê.
Rara, ouro, guarda o tesouro pra nós.
Riso claro, Porto Seguro pra nós.
vemos vivo o brilho da tua luz
iluminando nossos corações.
Ouve nossa oração.
Escuta a demanda de cada um.
Manda teu doce axé.
Recomenda ao santo o teu candomblé.
Fala com cada um, fala com cada um,
leia com cada filho fiel.
Canta pra todos nós.
Derrama sobre todos o teu mel.
Foi minha mãe se fol,
minha mãe se foi
sem deixar de ser a Rainha do Trono Dourado de Oxum,
sem deixar de ser mãe de cada um
dos filhos pra quem eternamente,
sempre haverá Mãe Menininha.
Resposta
Bem mais que o tempo que nós perdemos
Ficou pra trás também o que nos juntou
Ainda lembro que eu estava lendo
Só pra saber o que você achou
Dos versos que eu fiz
E ainda espero...resposta
Desfaz o vento, o que há por dentro
Desse lugar que ninguém mais pisou
Você está vendo o que está acontecendo
Nesse caderno sei que ainda estão
Os versos seus tão meus que peço
Nos versos meus tão seus que espero que os aceite
Em paz, eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais, eu fico onde estou
prefiro continuar distante
Bem mais que o tempo que nós perdemos
Ficou pra trás também o que nos juntou
Ainda lembro o que eu estava lendo
Só pra saber o que você achou
Dos versos seus tão meus que peço
Dos versos meus tão seus que espero que os aceite
Em paz, eu digo o que sou
motivo do que vai adiante
Sem mais, eu fico onde estou
prefiro continuar distante
Resposta ao Tempo
(Cristovao Bastos/Aldir Blanc)
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado
Ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar, e eu não sei
Num dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração,
É o tempo
Recordo o amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussura que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro, sozinhos...
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se roi, com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder, me esquecer
O Resto do Mundo
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de cherôso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu dotô
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
Eu num tenho nada
Mas gostaria de ter
Aproveita seu dotô e dá um trocado pra eu comer...
Eu gostaria de ter um pingo de orgulho
Mas isso é impossivel pra quem come o entulho
Misturado com os ratos e com as baratas
E com o papel higiênico usado
Nas latas de lixo
Eu vivo como um bicho ou pior que isso
Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou... Eu num sou ninguém
Eu tô com fome
Tenho que me alimentar
Eu posso num ter nome mas o estômago tá lá
Por isso eu tenho que ser cara-de-pau
Ou eu peço dinheiro ou fico aqui passando mal
Tenho que me rebaixar a esse ponto porque a necessidade é maior do que a moral
Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social
Eu num posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro
Mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar
E o meu banheiro é a rua
E sem papel pra me limpar
Honra?
Não tenho
Eu já nasci sem ela
E o meu sonho é morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar
E eu não tenho perspectivas de sair do lugar
A minha sina é suportar viver abaixo do chão
E ser um resto solitário esquecido na multidão
Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém
Frustração
É o resumo do meu ser
Eu sou filho da miséria e o meu castigo é viver
Eu vejo gente nascendo com a vida ganha e eu não tenho uma chance
Deus! Me diga por quê?
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu num chego a ser pobre eu sou podre!
Um fracassado
Mas não fui eu que fracassei
Porque eu num pude tentar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar queimar matar
Não tenho nada a perder
Meu dia vai chegar
Será que vai chagar?
Mas por enquanto
Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém
Eu num sou registrado
Eu num sou batizado
Eu num sou civilizado
Eu num sou filho do Senhor
Eu num sou computado
Eu num sou consultado
Eu num sou vacinado
Contribuinte eu num sou
Eu num sou comemorado
Eu num sou considerado
Eu num sou empregado
Eu num sou consumidor
Eu num sou amado
Eu num sou respeitado
Eu num sou perdoado
E também sou pecador
Eu num sou representado por ninguém
Eu num sou apresentado pra ninguém
Eu num sou convidado de ninguém
E eu num posso ser visitado por ninguém
Além da minha triste sobrevivência eu tento entender a razão da minha existência
Por quê que eu nasci?
Por quê tô aqui?
Um penetra no inferno sem lugar pra fugir
Vivo na solidão mas não tenho privacidade
E não conheço a sensação de ter um lar de verdade
Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir o barraco comigo
Mas eu queria morar numa favela amigo
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Retiros Espirituais
Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas tão normais
Como estar defronte de uma coisa e ficar
Horas à fio com ela, bárbara, bela, tela de TV
Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira
Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer
Eu diria mais tudo não passa dos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro, censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas anormais
Como alguns instantes vacilantes e só
Só com você e comigo, pouco faltando, devendo chegar
Um momento novo, vento devastando como um sonho
Sobre a destruição de tudo, que gente maluca gosta de sonhar
Eu diria sonhar com você jaz nos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro, censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Nos meus retiros espirituais, descubro certas coisas tão banais
Como ter problemas, ser o mesmo que não
Resolver tê-los é ter, resolver ignorá-los é ter
Você há de achar gozado ter que resolver de ambos os lados
De minha equação, que gente maluca tem que resolver
Eu diria o problema se reduz aos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro, censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Retrato da Vida
Esse matagal sem fim
Essa estrada, esse rio seco
Essa dor que mora em mim
Não descansa e nem dorme cedo
O retrato da minha vida
É amar em segredo
Não quer saber de mim
E eu vivendo da tua vida
Deus no céu e você aqui
A esperança é quem me abriga
Esses campos não tardam em florir
Já se espera uma boa colheita
E tudo parece seguir
Fazendo a vida tão direita
Mas e você o que faz
Que não repara no chão
Por onde tem que passar
E pisa em meu coração?
O teu beijo em meu destino
Era tudo o que eu queria
Ser teu homem, teu menino
O ser amado de todo dia.
Retrato de um Playboy (Juventude Perdida)
Pergunta prum playboy o quê ele pensa da vida
Sabe o que ele te diz? (Se borra todo) Não
Mais ou menos assim:
"Sou playboy e vivo na farra
Vou à praia todo dia e sou cheio de marra
Só ando com a galera e nela me garanto
Só que quando estou sozinho eu só ando pelos cantos
Porque eu luto Jiu-Jitsu mas é só por diversão
(É isso aí meu "cumpádi" my brother meu irmão)
Se alguma coisa está na moda então eu faço também
Igualzinho a mim eu conheço mais de cem
Se eu faço tudo o que eles fazem então tudo bem
Não quero estudo nem trabalho
Não vem que não tem
Porque eu sou um playboyzinho e disso não me envergonho
Não sei o que é a vida Não penso Não sonho
Praia, surf e chopp essa é a minha realidade
Não saio disso porque me falta personalidade
Não tenho cérebro
Apenas me enquadro no sistema
Ser tapado é minha sina
Ser playboy é o meu problema!
Faço só o que os outros fazem e acho isso legal
Arrumo brigas com a galera e acho sensacional
Me olho no espelho e me acho o tal
Mas não percebo que no fundo eu sou um débil mental!
Eu sou playboy filhinho de papai
Me afundo nessa bosta
Até não poder mais
Sou playboy filhinho de papai
Sou um débil mental
Somos todos iguais
Com a cabeca raspada ou cheia de parafina
Eu tiro onda porque acho que sou gente fina
Mas na verdade eu pertenço à pior raça que existe
Eu sou playboy! Penso que sou feliz mas sou triste
Eu sou pior que uma praga eu sou pior que uma peste
Eu tô em qualquer lugar da superfície terrestre
E digo aonde a playboyzada prolifera-se a mil
É num país capitalista pobre como o Brasil
Onde não somos patriotas ou nacionalsitas
Gosto das cores dos States com as estrelas e as listras
E o que eu sinto pelo país é o que eu sinto pelo povo
Olha só que legal quando eu pego um ovo
E entro no carro com os amigos e levo o ovo na mão
(Olha o ponto de ônibus
Freia aí meu irmão!!)
E eu taco o ovo bem na cara de um trabalhador
Que esperava o seu ônibus que passou e não parou
Que maneiro eu não ligo pra quem tá sofrendo
Em vez de eu dar uma carona eu deixo o cara fedendo
Que legal se um mendigo me pede um cigarro
É apenas um motivo pra eu tirar mais um sarro
Sacanear um mendigo é a maior diversão
Não tem problema há quantos dias ele não come um pão
E por falar em pão que eu como todo dia
Eu me lembrei da empregada que se chama Maria
Ela me dá comida me dá roupa lavada
Mas quando eu tô presente ela é sempre humilhada
Você precisa ver como eu trato a coitada
Eu a rebaixo a esculacho e fico dando risada
Refrão
Eu não sei nada dessa vida e desse mundo onde estou
E é quando eu saio de noite que eu vejo o merda que eu sou
Sem ter o que fazer sem ter o que pensar
Eu encho a cara de bebida até vomitar
E os meus falsos amigos que vão lá me carregar
São os mesmos que depois só vão me sacanear
Mas na cabeca da galera também não tem nada
Somos um bando de merdas dentro da mesma privada
É até engracado
Eu não decidi nada
Pela moda sou guiado
Adoro reggae mas não sei o que Bob Marley diz
E se eu soubesse talvez não fosse tão infeliz!
Porque eu sou um otário a minha vida não presta
Inteligencia?
Não tenho - A burrice é o que me resta
Mas agora dá licença que eu vou parar
Minha cabeca tá doendo
Eu vou descansar
E esse lugar tá fedendo
Quem mandou eu pensar? Porque...
Refrão"
Esse é o retrato da nossa juventude
Seja o playboy da maconha ou o playboy da saúde
E se cuidarmos assim do futuro do Brasil
Vamos levar este país para a puta que o pariu!
Retrato em Preto e Branco
(Tom Jobim/Chico Buarque)
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
Revanche
nem sei
já faz tanto tempo
que a gente volta aos princípios
tentando acertar o passo
usando mil artifícios
mas sempre alguém tenta um salto
e a gente é que paga por isso
fugimos pras grandes cidades
bichos do mato em busca do mito
de uma nova sociedade
escravos de um novo rito
mas se tudo deu errado
quem é que vai pagar por isso
quem é que vai pagar por isso
quem é que vai pagar por isso
eu não quero mais nenhuma chance
que não quero mais revanche
eu não quero mais nenhuma chance
eu não quero mais
a favela é a nova senzala
correntes da velha tribo
e a sala é a nova cela
prisioneiros nas grades do vídeo
e se o sol ainda nasce quadrado
a gente ainda paga por isso
a gente ainda paga por isso
a gente ainda paga por isso
eu não quero mais nenhuma chance
que não quero mais revanche
eu não quero mais nenhuma chance
eu não quero mais
um café um cigarro um trago
tudo isso não é vício
são companheiro da solidão
mas isso só foi no início
hoje em dia somos todos escravos
e quem é que vai pagar por isso?
e quem é que vai pagar por isso?
e quem é que vai pagar por isso?
Revelação
Um dia vestido de saudade viva,
Faz ressuscitar
Casas mal vestidas, camas repartidas,
Faz se revelar
Quando a gente tenta de toda maneira,
Dele se guardar, sentimento ilhado,
Morto, amordaçado, volta a incomodar
Quando a gente tenta, de toda maneira,
Dele se guardar
Sentimento ilhado, morto, amordaçado,
Volta a incomodar
Revolta Olodum
Retirante, rualista, lavrador
Nordestino, lampião, salvador
Pátria sertaneja,
Independente
Antonio Conselheiro
Em Canudos presidente
Zumbi em Alagoias comandou
Exército de ideal
Libertador
Sou mandinga
Balaiada
Sou malê
Sou búzios
Sou revolta
Arerê
Ô corisco
Maria Bonita mando te chamar
Ô corisco
Maria Bonita mando te chamar
É o vingador de Lampião
É o vingador de Lampião
Êta cabra da peste
Pelourinho, Olodum
Somos do nordeste
Êta cabra da peste
Pelourinho, Olodum
Somos do nordeste
Etá, tá ra tá tá
Etá
Etá, tá ra tá tá
Riacho do Navio
Riacho do navio corre pro Pajeú
e o rio Pajeú vai despejar no São Francisco
e o rio São Francisco vai bater no meio do mar (bis)
Ah! Se eu fosse um peixe ao contrário do rio
nadava contra as águas e nesse desafio
saia lá do mar pro Riacho do Navio
Eu ia diretinho pro Riacho do Navio
pra ver o meu brejinho fazer umas caçadas
ver as pegas do boi, andar na vaquejada
dormir ao som do chucalho e acordar na passarada
sem rádio e sem notícias da terra civilizada
Rio
(Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli)
Rio que mora no mar
Sorrio pro meu Rio que tem no seu mar
Lindas flores que nascem morenas em jardins de sol
Rio, serras de veludo
Sorrio pro meu Rio que sorri de tudo
Que é dourado quase todo dia
E alegre como a luz
Rio é mar
Eterno se fazer amar
O meu Rio é lua
Amiga, branca e nua
é sal, é sol, é sul
São mãos se descobrindo em tanto azul
Por isso que meu Rio, da mulher-beleza
Acaba num instante com qualquer tristeza
Meu Rio que não dorme porque não se cansa
Meu Rio que balança
Sou Rio, sorrio (3x)
Rio, Pontes e Overdrives
Porque no rio tem pato comendo lama
Rio, pontes e overdrives - impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue
E a lama come mocambo e no mocambo tem molambo
E o molambo já voou, caiu lá no calçamento bem no sol do meio-dia
O carro passou por cima e o molambo ficou lá
Molambo eu, molambo tu, molambo eu, molambo tu
É Macaxeira, Imbiribeira, Bom Pastor, é o Ibura, Ipsep, Torreão, Casa Amarela
Boa Viagem, Genipapo, Bonifácio, Santo Amaro, Madalena, Boa Vista
Dois Irmãos, é o Cais do porto, é Caxangá, é Brasilit, Beberibe, CDU
Capibaribe e o Centrão
Rio, pontes e overdrives - impressionantes esculturas de lama
Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue
E a lama come mocambo e no mocambo tem molambo
E o molambo já voou, caiu lá no calçamento bem no sol do meio-dia
O carro passou por cima e o molambo ficou lá
Molambo eu, molambo tu, molambo eu, molambo tu
Molambo boa peça de pano pra se costurar mentira
Molambo boa peça pra se costurar miséria
Rio 42
Se a guerra for declarada
Em pleno domingo de carnaval
Verás que um filho não foge à luta
Brasil, recruta
O teu pessoal
Se a terra anda ameaçada
De se acabar numa explosão de sal
Se aliste, meu camarada
A gente vai salvar o nosso carnaval
Vai ter batalha de bombardino
A colombina na Cruz Vermelha
Vai ter centelha na batucada
Rajada de tamborim
A melindrosa mandando bala
O mestre-sala curvando a Europa
A tropa do general da banda
Dançando o samba em Berlim
Se a guerra for declarada
A rapaziada ganha na moral
Se aliste, meu camarada
A gente vai salvar nosso carnaval
Rio 40 Graus
(Fernanda Abreu/Fausto Fawcett/Laufer)
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza e do caos
Capital do sangue quente do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior do Brasil
Cidade sangue quente
Maravilha mutante
O Rio é uma cidade de cidades misturadas
O Rio é uma cidade de cidades camufladas
Governos misturados, camuflados, paralelos
Sorrateiros ocultando comandos
Comando de comando submundo oficial
Comando de comando submundo bandidaço
Comando de comando submundo classe média
Comando de comando submundo camelô
Comando de comando submáfia manicure
Comando de comando submáfia de boate
Comando de comando submundo de madame
Comando de comando submundo da TV
Submundo deputado - submáfia aposentado
Submundo de papai - submáfia da mamãe
Submundo da vovó - submáfia criancinha
Submundo dos filhinhos
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
Quem é dono desse beco?
Quem é dono dessa rua?
De quem é esse edifício?
De quem é esse lugar?
É seu esse lugar
É meu esse lugar, também é seu
É, eu quero meu crachá
Sou carioca
Sou carioca
"Canil veterinário é assaltado liberando
Cachorrada doentia
Atropelando
Na xinxa das esquinas
De macumba gigantesca
Escopeta de sainha plissada
Na xinxa das esquinas de macumba violenta
Escopeta de shortinho de algodão"
Cachorrada doentia do Joá
Cachorrada doentia São Cristóvão
Cachorrada doentia Bonsucesso
Cachorrada doentia Madureira
Cachorrada doentia da Rocinha
Cachorrada doentia do Estácio
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
A novidade cultural da garotada
Favelada, suburbana, classe média marginal
É informática metralha
Sub-UZI equipadinha com cartucho musical
De batucada digital
Meio batuque inovação de marcação
Pra pagodeira curtição de falação
De batucada com cartucho sub-uzi
De batuque digital, metralhadora musical
Marcação invocação
Pra gritaria de torcida da galera funk
Marcação invocação
Pra gritaria de torcida da galera samba
Marcação invocação
Pra gritaria de torcida da galera tiroteio
De gatilho digital
De sub-UZI equipadinha
Com cartucho musical
De contrabando militar
Da novidade cultural
Da garotada favelada suburbana
De shortinho e de chinelo
Sem camisa carregando
Sub-UZI equipadinha
Com cartucho musical
De batucada digital
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
A cidade não pára, a cidade não pára
A cidade não pára, a cidade não pára
Risoflora
Eu sou um caranguejo e estou de andada
Só por sua causa, só por você, só por você
E quando estou contigo eu quero gostar
E quando estou um pouco mais junto quero te amar
E aí deitar de lado com a flor que eu tinha na mão
E a esqueci na calçada só por esquecer
Apenas porque você não sabe voltar pra mim
Oh Risoflora! Vou ficar de andada até te achar
Prometo meu amor vou me regenerar
Oh Risoflora! Não vou dar mais bobeira dentro de um caritó
Oh Risoflora, não me deixe só
Eu sou um caranguejo e quero gostar
Enquanto estou um pouco mais junto eu quero te amar
E acho que você não sabe que é isso não
E se sabe Pelo menos você pode fingir
E em vez de cair em tuas mãos preferia os teus braços
E em teus braços te levarei como uma flor
Pra maloca na beira do rio, meu amor
Oh Risoflora! Vou ficar de andada até te achar
Prometo meu amor vou me regenerar
Oh Risoflora! Não vou dar mais bobeira dentro de um caritó
Oh Risoflora, não me deixe só
A Rita
A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
E o que me é de direito
Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de São Francisco
E um bom disco de Noel
A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meu pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão
Rock In Rio
Todos numa direção,
uma só voz, uma canção.
Todos num só coração,
um céu de estrelas.
| Que a vida começasse agora,
| que o mundo fosse nosso outra vez,
| que a gente não parasse mais de cantar
| De sonhar
| Que a vida começasse agora,
| que o mundo fosse nosso de vez,
| que a gente não parasse mais de se amar
| De se dar,
| de viver
ô ô ô
ô ô ô
ô ô ô
Rock in Rio
Roda Viva
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)
Roendo Unha
Quando vimvim cantou, corri pra ver você
atrás da serra o sol tava pra se esconder
quando você partiu eu não esqueço mais
meu coração amor, partiu atrás
Vivo com os olhos na ladeira quando vejo uma poeira
penso logo que é você
vivo de orelha arrebitada para o lado da estrada
que atravessa o meçambê
Olha que eu já tô roendo unha e a saudade é testemunha
do que agora vou dizer
quando na janela eu me debruço meu cantar é um soluço
a golpear no massapê
Romance Ideal
Era só uma menina
E eu pagando pelos erros
Que eu nem sei se eu cometi
Era só uma menina
E eu deixando que ela faça
O que bem quiser de min
Se eu queria enlouquecer
Essa é a minha chance
É tudo o que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance
Eu não pedi que ela ficasse
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui
Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros
Que eu nem sei se eu cometi
Se eu queria enlouquecer
Essa é a minha chance
É tudo o que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance
Se eu queria enlouquecer
Essa é a minha chance
É tudo o que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal
Romaria
É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu
Perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira o jiló, dessa vida
Cumprida a sol
Sou caipira, Pirapora Nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
A custa de aventuras
Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte eu não sei
nunca vi
Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir
De romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
Ronda
De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você não está
Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João
Rosa
(Pixinguinha/Otávio de Souza)
Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer
Rosa
Ai se não me desse o seu amor
O que seria de mim, Deus meu?
O que seria de mim?
Ai se não me desse o seu calor
O que seria do frio meu?
O que seria de mim?
Rosas, violetas representam
O sincero carinho que tenho por você
Já que a solidão apavora
Por favor vá embora
E me deixe aqui
A pensar em ti, grande amor
A pensar em ti, grande amor
Um beijo, teu cheiro, o calor verdadeiro
Cresce no peito, louco por você
O puro sabor da mulher desejada
A qualquer hora, até de madrugada
ô Rosa
ô ô ô Rosa....
Olodum alegria, cidade canta Salvador
A Rosa
Arrasa o meu projeto de vida
Querida, estrela do meu caminho
Espinho cravado em minha garganta
Garganta
A santa às vezes troca meu nome
E some
E some nas altas da madrugada
Coitada, trabalha de plantonista
Artista, é doida pela Portela
Ói ela
Ói ela, vestida de verde e rosa
A Rosa garante que é sempre minha
Quietinha, saiu pra comprar cigarro
Que sarro, trouxe umas coisas do Norte
Que sorte
Que sorte, voltou toda sorridente
Demente, inventa cada carícia
Egípcia, me encontra e me vira a cara
Odara, gravou meu nome na blusa
Abusa, me acusa
Revista os bolsos da calça
A falsa limpou a minha carteira
Maneira, pagou a nossa despesa
Beleza, na hora do bom me deixa, se queixa
A gueixa
Que coisa mais amorosa
A Rosa
Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia
Vadia, me esquece na noite escura
Mas jura
Me jura que um dia volta pra casa
Arrasa o meu projeto de vida
Querida, estrela do meu caminho
Espinho cravado em minha garganta
Garganta
A santa às vezes me chama Alberto
Alberto
Decerto sonhou com alguma novela
Penélope, espera por mim bordando
Suando, ficou de cama com febre
Que febre
A lebre, como é que ela é tão fogosa
A Rosa
A Rosa jurou seu amor eterno
Meu terno ficou na tinturaria
Um dia me trouxe uma roupa justa
Me gusta, me gusta
Cismou de dançar um tango
Meu rango sumiu lá da geladeira
Caseira, seu molho é uma maravilha
Que filha, visita a família em Sampa
Às pampa, às pampa
Voltou toda descascada
A fada, acaba com a minha lira
A gira, esgota a minha laringe
Esfinge, devora a minha pessoa
À toa, a boa
Que coisa mais saborosa
A Rosa
Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia?
Vadia, me esquece na noite escura
Mas jura
Me jura que um dia volta pra casa
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Rosa-Dos-Ventos
E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima pra socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena
E chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito do rio fartou-se
E inundou de água doce
A amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde o seu despertar
Rosa Morena
(Dorival Caymmi/Antônio de Almeida)
Rosa morena
Onde vais morena rosa
Com essa rosa no cabelo
E esse andar de moça prosa
Morena, morena rosa
Rosa morena o samba está esperando
Esperando p’rá te ver
Deixa de lado essa coisa de dengosa
Anda rosa, vem me ver
Deixa de aldo essa pose
Vem pro samba, vem sambar
Que o pessoal está cansado de esperar
As Rosas Não Falam
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Mas que bobagem as rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai...
Devias vir para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas os meus sonhos por fim
Roupa Nova
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Todos os dias, toda manhã
Sorriso aberto e roupa nova
Passarim preto de terno branco
Pinduca vai esperar o trem
Todos os dias, toda manhã
Ele sozinho na plataforma
Ouve o apito, sente a fumaça
E vê chegar o amigo trem
Que acontece que nunca parou
Nessa cidade de fim de mundo
E quem viaja pra capital
Não tem olhar para o braço que acenou
O gesto humano ficou no ar
O abandono fica maior
E lá na curva desaparece a sua fé
Homem que é homem não perde a esperança não
Ele vai parar
Quem é teimoso não sonha outro sonho não
Qualquer dia ele pára
Assim Pinduca toda manhã
Sorriso aberto e roupa nova
Passarim preto de terno branco
Vai renovar a sua fé
Rumba de Jacarepaguá
A rumba que eu canto
Não nasceu em Nicarágua
Em Las Vegas, em Manágua
Acapulco ou Panamá
Não tem rima de Havana
Com bananas nem mañanas
Nem Caracas, nem maracas
Nem bongôs pra atrapalhar
É na dura brasileira
Nasceu lá pra Madureira
Pouco além de Cascadura
A oeste de Irajá
Salve a rumba mascarada
Que não é rumba nem nada
Mas dá pra gente
Requebrar até cansar
Salve a rumba de Jacarepaguá
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 19 de abril de 2004.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)