

Músicas da MPB - T
Músicas da MPB - T
Tá Combinado
Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade.
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.
Podermos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.
Abrirmos a cabeça
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós.
Então tá tudo dito
E é tão bonito
E eu acredito
Num claro futuro
de música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro.
Mas e se o amor pra nós chegar,
De nós, de algum lugar
Com todo o seu tenebroso esplendor?
Mas e se o amor já está,
se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?
Então não fale nada,
Apague a estrada
Que seu caminhar já desenhou
Porque toda razão, toda palavra
Vale nada quando chega o amor...
Tá Delícia, Tá Gostoso
Assim como adolescente
O cupido me pegou
Me apaixonei por seu beijo
Sem você eu nada sou
Me apaixonei por seu beijo
Sem você eu nada sou
Vem me salvar boca a boca
Tô morrendo de amar
Vem fazer amor bonito
Vem pra se deliciar
Você é femêa no cio
Deixa seu macho dengoso
Quando diz no meu ouvido
Tá delícia, tá gostoso
Tá, tá, tá
Tá delícia, tá gostoso
Tá, tá, tá
Tá delícia, tá gostoso
É amor
É paixão
É você a dona do meu coração
Taí
Taí
Eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ó, meu bem
Não faz assim comigo, não
Você tem
Você tem
Que me dar seu coração
Meu amor, não posso esquecer...
Se dá alegria, faz também sofrer
A miha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não tem fim
Essa história de gostar de alguém
Já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor
Eu não pensaria mais no amor
Talismã
Sabe quanto tempo não te vejo
Cada vez você distante, mais eu
Gosto de você porque
Sabe eu pensei que fosse fácil
Esquecer seu jeito frágil de se dar
Sem perceber, só você
Só você que ilumina
Meu pequeno talismã
Como é doce esta rotina de te amar
Toda manhã
Nos momentos mais difíceis
Você é o meu divã
Nosso amor não tem segredo
Sabe tudo de nós dois e joga fora nossos medos
Vai saudade, diz pra ela
Diz pra ela aparecer, vai saudade vê se
Troca a minha solidão por ela
Pra valer o meu viver
Tamanho de Paixão
(Jorge de Altinho/Elifas Júnior)
| Menina já estou
| Apaixonado por você
| Menina já estou
| Apaixonado por você
Será que foi seu jeito meigo
Sempre a me olhar
Quem sabe foi seus olhos verdes
Sempre a cintilar
Sei que agora o coração
Bate por você
É um tamanho de paixão
Que nem sei dizer
É um tamanho de paixão
Que nem sei dizer
(|)
Tango do Covil
Ai, quem me dera ser cantor
Quem dera ser tenor
Quem sabe ter a voz
Igual aos rouxinóis
Igual ao trovador
Que canta os arrebóis
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
Deixa eu cantar tua beleza
Tu és a mais linda princesa
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser doutor
Formado em Salvador
Ter um diploma, anel
E voz de bacharel
Fazer em teu louvor
Discursos a granel
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
Tu és a dama mais formosa
E, ouso dizer, a mais gostosa
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser garçom
Ter um sapato bom
Quem sabe até talvez
Ser um garçom francês
Falar de champinhon
Falar de molho inglês
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
És tão graciosa e tão miúda
Tu és a dama mais tesuda
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser Gardel
Tenor e bacharel
Francês e rouxinol
Doutor em champinhon
Garçom em Salvador
E locutor de futebol
Pra te dizer febril
Bem-vinda
Tua beleza é quase um crime
Tu és a bunda mais sublime
Aqui deste covil
Tanta Saudade
Era tanta saudade
É pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente
Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da Terra
E é mais além,
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco, louco, louco
De querer bem
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a sua mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite, todo o apetite
Do coração
Mas voltou a saudade
Tantas Palavras
(Dominguinhos/Chico Buarque)
Tantas palavras
Que eu conhecia
Só por ouvir falar, falar
Tantas palavras
Que ela gostava
E repetia
Só por gostar
Não tinham tradução
Mas combinavam bem
Toda sessão ela virava uma atriz
``Give me a kiss, darling''
``Play it again''
Trocamos confissões, sons
No cinema, dublando as paixões
Movendo as bocas
Com palavras ocas
Ou fora de si
Minha boca
Sem que eu compreendesse
Falou c'est fini
C'est fini
Tantas palavras
Que eu conhecia
E já não falo mais, jamais
Quantas palavras
Que ela adorava
Saíram de cartaz
Nós aprendemos
Palavras duras
Como dizer perdi, perdi
Palavras tontas
Nossas palavras
Quem falou não está mais aqui
Tanto
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Meu amor não leva a mal
Chega de maltratar
Quem só quer bem
E não tem mais razão de suportar
Tanto
Sendo assim não leva a mal
Para de machucar
Quem sempre te amou
E já não tem razão de duvidar
Tanto
Sua pessoa para parava a tarde suspensa
Chamo o seu nome
E logo se acende a luz
Sendo assim melhorar parar
Cuida pra não cegar
E nem perceber
Que já não tem razão pra me deixar
Tonto
Sua presença chama chamava o dia mais cedo
Tudo acendia
Ficava sempre acesa a luz
Sem querer injuriar
Trata de se ligar
Você me ganhou
E quem ajoelhou tem de rezar
Tanto (I Want You)
Coveiros gemem tristes ais
E realejos ancestrais juram que
Eu não devia mais querer você
Os sinos e os clarins rachados
Zombando tão desafinados
Querem, eu sei, mas é pecado
Eu te perder
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Políticos embriagados
Dançando em guetos arruinados
E os profetas desacordados
A te ouvir
Eu sei que eles vem tomar meu
Drinque em meu copo a trincar
E me pedir pra te deixar partir
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Todos meus pais querem te dar
Amor que há tempos não está lá
E suas filhas vão me deixar
Por isso não me preocupar
Eu voltei pra minha sina
Contei pra uma menina
Meu medo só termina estando ali
Ela é suave assim
E sabe quase tudo de mim
Ela sabe onde eu
Queria estar enfim
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Mas seu dândi vai
De paletó chinês
Falou comigo mais de uma vez
Não, eu sei, não fui muito cortês
Com ele, não
Isso, porque ele mentiu,
Porque te aganhou e partiu
Por que o tempo consentiu
Ou senão porque
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
É tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
É tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto...
Tanto Amar
Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita
Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita
A metade do seu olhar
Está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar
Na bodeguita
Se seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura
Ela pode rodopiar
E mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra
É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro
Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela acredita
Tem um olha a pestanejar
E outro me fita
Suas pernas vão me enroscar
Num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar
No infinito
Amo tanto e de tanto amar
Em Manágua temos um chico
Já pensamos em nos casar
Em Porto Rico
Tanto Mar [1ª versão]
(Chico Buarque - primeira versão: letra original, vetada pela Censura;
gravação editada apenas em Portugal, em 1975)
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Tanto Mar [2ª versão]
(Chico Buarque - segunda versão)
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Tão Bem
Ela me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar
Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
De se querer bem
De se querer quem se tem
| E ela me faz tão bem
| Ela me faz tão bem
| Que eu também quero
| Fazer isto por ela
(|)
Tão Seu
(Samuel Rosa/Chico Amaral)
Cê sabe que seu sinto a sua falta
Não posso esperar tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre
Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à toa no Pathé
Que culpa a gente tem de ser feliz
Que culpa a gente tem, meu bem
O mundo bem diante do nariz
Feliz aqui e não além
Cê sabe que eu faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
E a espera arde sem me aquecer
Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
À noite eu quero descansar
Sair à toa por aí
Que culpa a gente tem de ser feliz
Eu digo ele ou nós dois
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não depois
Me sinto só, me sinto só, me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só e sou teu
Tá Procurando Sarna
Tá procurando sarna pra se coçar
Me leva nesse embalo, lá, laê, lá, lá, ilá
Ôlê, lê, lê, lê, ô lá, lá, lá,lá
Lá, lá, ê, lá, lá, ilá
E a maré de Março
Ainda vou me lembrar de você
Pra ver qual é, disfarço
Mas tô parado na sua como quê
Tá procurando sarna pra se coçar
Me leva nesse embalo, lá, laê, lá, lá, ilá
É luz de primavera
É fogo de verão
Você e eu quem dera
Amor é a solução
Tarde em Itapoã
(Vinícius de Moraes/Toquinho)
Um velho calção de banho
O dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois na praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E uma esteira de vime
Beber uma água de côco
É bom
Passar uma tarde em Itapoã
Ao sol que arde em Itapoã
Ouvindo o mar de Itapoã
Falar de amor em Itapoã
Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar
É bom
Passar uma tarde em Itapoã
Ao sol que arde em Itapoã
Ouvindo o mar de Itapoã
Falar de amor em Itapoã
Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais
E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapoã
É bom
Passar uma tarde em Itapoã
Ao sol que arde em Itapoã
Ouvindo o mar de Itapoã
Falar de amor em Itapoã
Tatuagem
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas coisas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quer ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes
Tatuagem
(Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito/Paulo Gesta)
| O meu único fracasso
| Está na tatuagem do meu braço
É feliz quem já viveu aflito
E hoje vive a vida sossegada
| Muita gente tem o corpo tão bonito
| Mas tem a alma toda tatuada
Taxi Lunar
(Geraldo Azevedo/Zé Ramalho/Alceu Valença)
Pela sua cabeleira vermelha
Pelos raios desse sol lilás
Pelo fogo do seu corpo, centelha
Pelos raios desse sol
Apenas apanhei na beira mar
Um taxi prá estação lunar Bela,
linda,
criatura bonita
Nem menina,
nem mulher
Tem espelho no seu rosto de neve
Nem menina, nem mulher
Apenas apanhei na beira mar
Um taxi prá estação lunar
Taxímetro
Eu tava andando na rua
Chovia e tava calor
Como um taxímetro
O olhar registrava
E me cobrava tudo
O que já passou
E você me odeia
E eu entendo
E Deus passou lotado por nós
Não, não esqueça que a cabeça
Abandonou minha voz
A gente andou pela lua
Mas nunca andou de metrô
Eu só estranhava
Quando te via nua
E preferia de vestido bordô
Você me odeia e eu entendo
E Deus passou lotado por nós
Não, não esqueça que a cabeça
Abandonou minha voz.
Te Amo
Toda vez que eu olho pra você
Você me deixa louco
Um beijo é muito pouco
Eu sonho te desejo
Eu quero te abraçar
Virou, mexeu
Correu, chegou
Num bronze legal
Vestida na moda
Saiu pro show
Com jeito moderno
Ela faz biquinho
E com muito carinho
Começa a dançar
| Me beija, me beija na boca
| Me deixa louco com teu prazer
| Me beija, me beija na boca
| Me deixa louco, amo você
Pintou, olhei
Então gritei
É uma beleza!
De cima do palco
Me apaixonei
Tiete tão linda
O tempo é curto
E não posso ficar
Começo a sonhar
|
Te Amo pra Sempre
(George Israel/Paula Toller)
Pra conservar o amor
Há que se inventar
Uma forma inédita de amar
Se ele não vingar
Há que se tentar
Uma transformação
Uma revolução
Te amo pra sempre
Te amo demais
Até daqui a pouco
Até nunca mais
Fique bem quietinha então
Que eu já volto já
Não faça nada que eu não vá gostar
Enquanto você
Pensa em me beijar
Eu penso no jantar
Eu olho para o céu
Eu olho para o mar
O Teatro dos Vampiros
Sempre precisei
de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
só sei do que não gosto
E nesses dias tão estranhos
Fica poeira se escondendo
pelos cantos
Esse é o nosso mundo:
O que é demais
nunca é o bastante
A primeira vez
é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres,
nós não estamos
Vamos sair
mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão
procurando emprego
Voltamos a viver
como há dez anos atrás
e a cada hora que passa
envelhecemos dez semanas
Vamos lá
tudo bem
eu só quero me divertir
esquecer
desta noite
ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo
e a artilharia
comparamos nossas vidas
esperamos que um dia
nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi
tendo de viver
comigo apenas e como mundo
você me veio como um sonho bom
e me assustei
não sou perfeito
Eu não esqueço
a riqueza que nós temos
ninguém
consegue perceber
e de pensar nisso tudo eu homem feito
tive medo e não consegui dormir
Vamos sair
mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão
procurando emprego
Voltamos a viver
como há dez anos atrás
e a cada hora que passa
envelhecemos dez semanas
Vamos lá
tudo bem
eu só quero me divertir
esquecer
desta noite
ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo
e a artilharia
comparamos nossas vidas
e mesmo assim
não temos pena de ninguém
Teco-Teco
(Pereira da Costa/Milton Villela)
Teco, teco, teco, teco, teco
Na bola de gude era o meu viver
Quando criança no meio da garotada
Com a sacola do lado
Só jogava p’rá valer
Não fazia roupa de boneca nem tão pouco convivia
Com as garotas do meu bairro que era natural
Subia em postes, soltava papagaio
Até meus quatorze anos era esse meu mal
Com a mania de garota folgazã
Em toda parte que passava
Encontrava um fã
Quando havia festa na capela do lugar
Era a primeira a ser chamada para ir cantar
Assim vivendo eu vi meu nome ser falado
Em todo canto, em todo lado
Até com quem nunca me viu
E hoje a minha grande alegria
É cantar com cortesia
Para o povo do brasil
Tédio
Sabe esses dias em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama,
preferia estar na cama
O dia, a monotonia tomou conta de mim
É o tédio cortando meus programas,
esperando meu fim
Sentado no meu quarto
O tempo voa
Lá fora a vida passa
E eu aqui a toa
Eu já tentei de tudo mas não tenho remédio
Pra livrar-me desse tédio
Vejo um programa que não me satisfaz
Leio um jornal que é de ontem,
pois pra mim tanto faz
Já tive esse problema, sei que o tédio
é sempre assim
Se tudo piorar, não sei do que sou capaz
Sentado... sou capaz
Sentado no meu quarto
O tempo voa
Lá fora a vida passa
E eu aqui a toa
Eu já tentei de tudo mas não tenho remédio
Pra livrar-me desse tédio
Tédio, não tenho um programa
Tédio, esse é meu drama
O que corrói é o tédio
Um dia eu fico sério
Me atiro desse prédio
Tekila
(Germano Meneguel/Marquinhos Marques/Guiguio)
| É pra beber, ô!
| E não pra se embriagar
Me gusta tequila
Me gusta cerveza
A cada mañana bate na cabeça
Sangue de touro, carta nevada
Piña colada, tequila bum bum
|
O som tão envolvente
Eu não paro de dançar
A noite está tão boa
E tão longa será
Eu sei que é penetrante
O som do meu Olodum
Escorregue no balanço
Pois é algo incomum
|
Telegrama
Eu tava triste, tristinho
Mais sem graça que a top model magrela na passarela
Eu tava só, sozinho
Mais solitário que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
Tava mais bobo que banda de rock
Que um palhaço do circo Wostok
Mas ontem eu recebí um telegrama
Era você de Aracajú ou do Alabama
Dizendo: - Nego, sinta-se feliz porque no mundo tem alguém que diz, que muito te ama
Que tanto te ama...
Que muito muito te ama...
Que tanto te ama...
Por isso, hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho e desejar "Bom dia"
De beijar o português da padaria...
Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho e desejar "Bom dia"
De beijar o português da padaria...
Mama...ô mama,ô mama
Quero ser seu
Quero ser seu
Quero ser seu
Quero ser seu
Papai...
Eu tava triste, tristinho
Mais sem graça que a top model magrela na passarela
Eu tava só, sozinho
Mais solitário que um paulistano
Que um vilão de filme mexicano...
Tava mais bobo que banda de rock
Que um palhaço do circo Wostok
Mas ontem eu recebí um telegrama
Era você de Aracajú ou do Alabama
Dizendo: - Nego, sinta-se feliz porque no mundo tem alguém que diz, que muito te ama
Que tanto te ama...
Que muito te ama...
Que tanto, tanto te ama...
Por isso, hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho e desejar "Bom dia"
De beijar o português da padaria...
Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho e desejar "Bom dia"
De beijar o português da padaria...
- Me dê a mão, vamos sair prá ver o Sol...
Mama, ô mama, ô mama
Quero ser seu
Quero ser seu
Quero ser seu
Quero ser seu
Papai...
Por isso, hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho e desejar "Bom dia"
De beijar o português da padaria...
Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho e desejar "Bom dia"
De beijar o português da padaria...
Teletema
(Antônio Adolfo/Tibério Gaspar)
Rumo, estrada turva, sou despedida
Por entre lenços brancos de partida
Em cada curva sem ter você vou mais só
Corro rompendo laços, abraços, beijos
Em cada passo é você quem vejo
No tele-espaço pousado em cores no além
Brando, corpo celeste, meta metade
Meu santuário, minha eternidade
Iluminando o meu caminho e fim
Dando a incerteza tão passageira
Nós viveremos uma vida inteira
Eternamente, somente os dois mais ninguém
Eu vou de sol a sol
Desfeito em cor, refeito em som
Perfeito em tanto amor
Televisão
A televisão me deixou burro muito burro demais
agora todas as coisas que penso me parecem iguais
o sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
agora toda noite que me deito é boa noite, querida
Ô Cridê fala pra mãe
que eu nunca li num livro
que o espirro fosse um vírus sem cura
e vê se me entende uma vez criatura
Ô Cridê fala pra mãe
A mãe diz pra eu fazer alguma coisa, mas eu não faço nada
a luz do sol me incomoda então deixo a cortina fechada
é que a televisão me deixou burro muito burro demais
agora vivo dentro desta jaula junto dos animais
Ô Cridê fala pra mãe
que tudo que a antena captar meu coração captura
e vê se me entende uma vez criatura
Ô Cridê fala pra mãe
Telha Nua
(Waltinho/Roberto Andrade)
Todo dia
Minha mãe dizia
Que ao meio dia
Era pra almoçar
E gritava pra cima da telha
Menino já desça
Pare de brincar
Lá em cima do telhado
Meu sonho encantado
Era pertinho do céu
E, se todos lá embaixo
Pensassem assim tão alto
Vinham brincar aqui
Comigo no telhado
Mesmo quando
A gente cresce
Fatos de criança
Não desaparecem
O lugar, a casa, a rua
Uma telha nua
Sem ninguém por lá
Lá, em cima do telhado
Tema de Amor para Gabriela
Todos os dias esta saudade
Felicidade, cadê você
Já não consigo viver sem ela
Eu vim à cidade pra ver Gabriela
Tenho pensado muito na vida
Volta bandida, mata essa dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdôo com raiva e amor
Chega mais perto moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce, é meu sal
Mas quem sou eu nessa vida tão louca
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra, vida de monge
Tanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor
Tem Alguém Aí?
(Gabriel O Pensador/Merinho Pereira/Digão/Baca)
Antes era só alegria, o mundo não mordia.
A vida era doce, nem ardia!
Mas aí um dia, ou quem sabe dois ou três, eu... só queria superar a timidez...
Eu queria fazer parte de alguma coisa.
Se crescer já é difícil, crescer sozinho é mais.
A gente tem que dar um jeito de gostar de alguma coisa.
A gente tem que dar um jeito... de ficar satisfeito!
Mas o tempo passa, e se a vida é sem graça, a gente disfarça, na mesa do jantar.
Pra depois tentar desabafar numa conversa, mas ninguém se interessa, na mesa do bar!
| Ninguém tá escutando o que eu quero dizer!
| Ninguém tá me dizendo o que eu quero escutar!
| Ninguém tá explicando o que eu quero entender!
| Ninguém tá entendendo o que eu quero explicar!
Conversa vazia, cabeça vazia de prazer, cheia de dúvida e de vontade de fazer qualquer loucura que pareça aventura.
Qualquer experiência que altere o estado de consciência.
E que te dê a sensação de que você não tá perdido.
Que alguém te dá ouvidos. Que a vida faz sentido!
Chega! Não, eu quero mais!
Bebe, fuma, cheira, tanto faz.
Droga é aquela substância responsável por tornar a sua vida aparentemente mais suportável.
Confortável ilusão: parece liberdade e na verdade é uma prisão.
|
Ninguém prepara o jovem, nem os pais nem a TV, pra botar o pé na estrada e não se perder.
Ninguém prepara o jovem pra saber o que fazer quando bater na porta e ninguém atender.
Ninguém me dá a chave pra abrir a porta certa, mas a porta errada eu encontro sempre aberta!
Entrar numa roubada é mais fácil que sair.
Tem alguém aí? (...)
Tem alguém aí ou saiu pra viajar?
Tem alguém aí ou saiu pra passear?
Você tá viajando?
Quando é que você volta?
Onde você quer chegar?
|
Eu sei que depende, mas se você depende da droga ela é a falsa rebeldia que te ajuda se enganar - a mentira que vicia - porque parece bem melhor do que a verdade do outro dia.
Falsa fantasia é a droga, que parece mais real do que esse mundo de hipocrisia que te afoga!
A droga é só mais uma ferramenta do sistema, que te envenena e te condena.
Overdose de veneno só te deixa pequeno!
Muito álcool, muito crack, muita coca!
A vida de sufoca!
E vai batendo a onda a onda bate a onda soca!
A onda bate forte!
Apressando a morte feito um trem.
Você sabe que ele vem, mas se amarra bem no trilho, suicida!
A doença tem cura pra quem procura.
Pra quem sabe olhar pra trás nenhuma rua é sem saída.
Tem Dó
(Vinicíus de Moraes/Baden Powell)
Ai, tem dó
Quem viveu junto não pode nunca viver só
Ai, tem dó
Mesmo porque você não vai ter coisa melhor
Não me venha achar ruim,
Porque você me conheceu assim
Me diga agora, ora, ora
Não foi assim que você gamou
Você sabe muito bem
Que mesmo louco assim gamei também
Me diga agora, ora, ora
Será que alguém não foi quem mudou
Tem Gato na Tuba
(João de Barro/Alberto Ribeiro)
Todo domingo havia banda
No coreto do jardim
E já de longe a gente ouvia
A tuba do Serafim...
Porém um dia entrou um gato
Na tuba do Serafim
E o resultado
Dessa "melódia"
Foi que a tuba tocou assim:
Pum...pum...pum... (miau)
Pum pu ru rum pum pum... (miau)
Pum...pum...pum... (miau)
Pum pu ru rum pum pum...
O Tempo Não Pára
disparo contra o sol
sou forte sou por acaso
minha metralhadora cheia de mágoas
eu sou o cara
cansado de correr
na direção contrária
sem podium de chegada
ou beijo de namorada
eu sou mais um cara
Mas se você achar que tô derrotado
saiba que ainda estou rolando os dados
por que o tempo
o tempo não pára
dias sim, dias não
eu vou sobrevivendo sem um arranhão
na caridade de quem me detesta
a tua piscina esta cheia de ratos
tuas idéias não correspondem aos fatos
o tempo não para
eu vejo um futuro repete o passado
eu vejo um museu de grandes novidades
o tempo não para
não para não não para
eu não tenho data pra comemorar
às vezes os maus dias são de par em par
procurando agulha no palheiro
nas noites de frio é melhor nem nascer
nas de calor se escolhe é matar ou morrer
e assim nos tornamos brasileiros
te chamam de ladrão de bicha maconheiro
transformam um pais inteiro num puteiro
pois assim se ganha mais dinheiro
a tua piscina esta cheia de ratos
tuas idéias não correspondem aos fatos
o tempo não para
eu vejo um futuro repete o passado
eu vejo um museu de grandes novidades
o tempo não para
não para não não para
Tempo Perdido
Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder."
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens.
Tempo Rei
Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei
Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei
Tempos Idos
Os tempos idos
Nunca esquecidos
Trazem saudades ao recordar
É com tristeza que eu relembro
Coisas remotas que não vêm mais
Uma escola na Praça Onze
Testemunha ocular
E junto dela balança
Onde os malandros iam sambar
Depois, aos poucos, o nosso samba
Sem sentirmos se aprimorou
Pelos salões da sociedade
Sem cerimônia ele entrou
Já não pertence maos à Praça
Já não é mais o samba de terreiro
Vitorioso ele partiu para o estrangeiro
E muito bem representado
Por inspiração de geniais artistas
O nosso samba de, humilde samba
Foi de conquistas em conquistas
Conseguiu penetrar o Municipal
Depois de atravessar todo o universo
Com a mesma roupagem que saiu daqui
Exibiu-se para a duquesa de Kent no Itamaraty
Tempos Modernos
Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isto por cima do muro
De hipocrisia
Que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais farta e clara
Repleta de toda satisfação
Que se tem diereito
Do firmamento ao chão
Eu quero crer no amor numa boa
Que isto valha pra qualquer pessoa
Que realizar
A força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
De dizer mais sim do que não
Hoje o tempo voa, amor
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver
Vamos nos permitir
Tem que Ser Você
Tem que ser você
Tem que ser mulher
Tudo no lugar certo
Tem que ser você
Tem que ser assim
Gosto do prazer
Tudo tem seu momento
Tem que ser você
Tem que ser agora
Quando Deus quiser
Todo tem seu segredo
Tem que ser você
Pra mim tem que ser você
Tantas outras mulheres
E só uma, é quase assim
Tão pra mim como você é
E homens, o amor-mentira pode ser tão bonito
Mas o céu do meu sexo
Tem que ser você
Tem que ser você
Tem que ser a flor
Tudo tem sua fonte
Tem que ser você
Tem que ser amor
Tem que ser total
Tudo tem sua estrela
Tem que ser você
Tem que receber minha afirmação
Tudo no lugar certo
Tem que ser mulher
Pra mim tem que ser você
Tendo A Lua
(Herbert Vianna/Tetê Tillet)
Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo os teus bilhetes eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu
Tendo a lua, aquela gravidade
Aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares
Mas de bailarinos e de você e eu
Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo os teus bilhetes eu penso no que fiz
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
Tendo a lua...
Tenho Sede
Traga-me um copo d'água
Tenho sede
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede
Um pouco de água
E os meus olhos pedem teu olhar
A planta pede chuva
Quando quer brotar
O céu logo escurece quando vai chover
Meu coração só pede o teu amor
Se não me deres posso até morrer
Teoria
Eu sei que a vida inteira
Eu vou procurar
Desculpas pra mim mesmo
Pra tudo que eu faço
E o que fizer
Das desculpas, me desfaço
Razões, as mais sinceras
Eu vou formular
Como se fosse teoria
Que eu criei
E a mim mesmo explicaria
Oh! Mas tudo que eu faço hoje
Não é diferente do que
Antes eu fazia
Eu convencia o mundo inteiro
só a mim mesmo
Não convencia
Se tudo fosse teoria...
Eu quero explicar a todos
O que sinto
Mas pareco acreditar
Que o tempo todo estou mentindo
Se Deus me explicasse,
Ao menos me conformaria
Mas como acreditar,
Se Deus também é teoria?
Tudo o que eu faço hoje
Não é diferente do que
Antes eu fazia
Eu convencia o mundo inteiro
só a mim mesmo não convencia
Se tudo fosse teoria...
A Terceira Lâmina
É aquela que fere, que virá mais tranqüila
com a fome do fogo, com pedaços da vida
A com a dura semente, que se prende no fogo de toda multidão
acho bem mais do que pedras na mão
dos que vivem calados, pendurados no tempo
esquecendo os momentos, na fundura do poço,
na garganta do fosso, na voz de um cantador
e virá como guerra, a terceira mensagem, na cabeça do homem,
aflição e coragem afastado
da terra, ele pensa na fera,
que eu começo a devorar
acho que os anos irão se passar com aquela certeza,
que teremos no olho novamente a idéia,
de sairmos do poço da garganta do
fosso na voz de um cantor
Teresinha
O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não
O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração
Tereza da Praia
Oh Lúcio arranjei novo amor no Leblon
Que corpo bonito, que pele morena
Que amor de pequena, amar é tão bom!
O Dick! Ela tem um nariz levantado,
Os olhos verdinhos bastante puxados
Cabelo castanho e uma pinta do lado?
Éla é minha Tereza da praia
Se ela é tua é minha também
O verão passou todo comigo
O inverno pergunta com quem
Então vamos a Tereza na praia deixar
Aos beijos do sol e abraços do mar
Tereza é da praia, não é de ninguém
Não pode ser tua
Nem minha também
Tereza é da praia
Terra
Quando eu me encontrava preso
Nas celas de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Manda um abraço pra ti, pequenina
Como se eu fosse o saudoso poeta
E fosses a Paraíba
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Eu estou apaixonado por uma menina
Terra, signo de elemento
Terra, do mar se diz
Terra à vista
Terra, para o pé firmeza
Terra, para a mão carícia
Outros astros lhe são guia
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
De onde nem tempo nem espaço
Que a força mande coragem
Pra gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas no nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Terra, terra
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Tesoura do Desejo
Você atravessando aquela rua vestida de negro
E eu te esperando em frente a um certo Bar Leblon
Você se aproximando e eu morrendo de medo
Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon
Quando eu atravessava aquela rua morria de medo
De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom
E o sonho, fatalmente, viraria pesadelo
Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon
Vamos entrar
Não tenho tempo
O que é que houve?
O que é que há...
O que é que houve meu amor,
Você cortou os seus cabelos
Foi a tesoura do desejo
Desejo mesmo demudar.
Tesouro da Juventude
(Tavinho Moura/Murilo Antunes)
A pedalar
Camisa aberta no peito
Passeio macio
Levo na bicicleta
O meu tesouro da juventude
Passo roubando fruta de feira
Passo a puxar meu estilingue
Vai pedra certeira no poste
Passa um veterano
E já cansado
Herói de guerra
Grito: Lá vem a bomba!
E meu tesouro me leva
Pelas ruas de Santa Teresa
A pedalar
Encontro amigo do peito
Sentado na esquina
Pula, pega garupa
Segura o bonde ladeira acima
Ganha o meu tesouro da juventude
Ainda que a cidade anoiteça
Ou desapareça
Piso no pedal do sonho
E a vida ganha mais alegria
Ganha o meu tesouro da juventude
Que foi em Pedra Azul
E em toda parte
Onde tive o que sou
Te Ver
(Samuel Rosa/Lelo Zaneti/Chico Amaral)
Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível
É como mergulhar num rio e não se molhar
É como não morrer de frio no gelo polar
É ter o estômago vazio e não almoçar
É ver o céu se abrir no estio e não me animar
É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar o sapato e não descalçar
É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato estrela do mar
É como não sentir calor em Cuiabá
Ou como no Arpoador não ver o mar
É como não morrer de raiva com a política
Ignorar que a tarde vai vadia e mítica
É como ver televisão e não dormir
Ver um bichano pelo chão e não sorrir
É como não provar o néctar de um lindo amor
Depois que o coração detecta a mais fina flor
Tigresa
Uma tigresa de unhas negras
E íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza
Que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa
Tremem ao vento ateu
Ela me conta com certeza
Tudo o que viveu
Que gostava de política
Em mil novecentos e sessenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancin^Ò Days
Ela me conta que era atriz
E trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz
Com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração
Que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz
Que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis
Inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz
Vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão
As garras da felina
Me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina
Que ela disse não
E eu corri pra o violão num lamento
E a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento
Timidez
(Alvaro/Bruno/Miguel/Sheik/Coelho)
Toda vez que te olho,
Crio um romance
Te persigo, mudo
todos instantes
Falo pouco pois não
sou de dar indiretas
Me arrependo do que digo
em frases incertas
Se eu tento ser direto, o medo me ataca
sem poder nada fazer
Sei que tento me vencer e acabar com a mudez
Quando eu chego perto, tudo esqueço
e não tenho vez
Me consolo, foi errado o momento, talvez,
Mas na verdade, nada esconde essa minha timidez
Eu carrego comigo a grande agonia
De pensar em você, toda hora do dia
Eu carrego comigo, a grande agonia
Na verdade nada esconde essa minha timidez (BIS)
Talvez escreva um poema
No qual grite o seu nome
Nem sei se vale a pena
Talvez só telefone
Eu me ensaio, mas nada sai
O seu rosto me distrai
E, como um raio,
eu encubro, eu disfarço,
eu camuflo, eu desfaço
Eu respiro bem fundo,
Hoje eu digo pro mundo
Mudei rosto e imagem,
mas você me sorriu,
Lá se foi minha coragem,
você me inibiu...
Tiro ao Álvaro
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê
Tálbua de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar (não tem mais)
Teu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estricnina, que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento
De automóver, mata mais que bala de revórver
Tive, Sim
Tive, sim
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim
Íamos vivendo em paz
Nosso lar, em nosso lar sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou
Tive, sim
Mas comparar com o teu amor seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar
Toada
vem
morena ouvir comigo esta cantiga
sair por esta vida aventureira
tanta toada eu trago na viola
pra ver você mais feliz
escuta o trem de ferro alegre a cantar
na reta da chegada
pra descansar
no coração sereno da toada
bem querer
tanta saudade eu já senti
morena mais que coisa tão bonita
da vida
nunca vou
me arrepender
morena ouvir comigo esta cantiga
sair por esta vida aventureira
tanta toada eu trago na viola
pra ver você mais feliz
escuta o trem de ferro alegre a cantar
na reta da chegada
pra descansar
no coração sereno da toada
bem querer
tanta saudade eu já senti
morena mais que coisa tão bonita
da vida
nunca vou
me arrepender
vem morena
vem morena
vem morena
vem morena
morena ouvir comigo esta cantiga
sair por esta vida aventureira
tanta toada eu trago na viola
pra ver você mais feliz
escuta o trem de ferro alegre a cantar
na reta da chegada
pra descansar
no coração sereno da toada
bem querer
Tocando em Frente
(Almir Sater/Renato Teixeira)
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz
Quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu sou
Estrada eu vou
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
Um outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz...
Tô Contigo e Não Abro
(Gabriel O Pensador/Tiago Mocotó)
Você tem coragem de dizer "eu não confio em você" prum amigo?
Não?
Então você tá numa má posição
Eu tenho amigos que chamo de amigos só por educação
Mas se eles perguntam se eu confio neles eu digo
Não
Porque são meus conhecidos que nunca fizeram nada de mal comigo
Mas se fizerem não há perigo
D'eu me sentir traído
Pois nunca confiei e o tempo voa e agora eu sei que confiança não se gasta a esmo
Desde criança aprendi a confiar em mim mesmo porque eu sou meu amigo como poucos outros são
Aceito meus defeitos com a calma e a compreensão
Que um amigo de verdade deve sempre demonstrar
Defendendo a amizade em qualquer lugar
Custe o que custar, pois como diz o Milton Nascimento
Amigo é coisa pra se guardar (dentro) do lado esquerdo do peito
Ajeito então alguns aqui no coração
Não são muitos mas pra não ter confusão
Eu vou chamar de irmãos todos aqueles
Amigos verdadeiros que confiam em mim e eu confio neles
Nada é mais repugnante do que a falsidade
Por causa de olho grande já perdi uma grande amizade
Foi à toa me desliguei da pessoa
Hoje nos vemos mas não temos aquela coisa boa
De união feito "Janjão e Pequeno"
Com o tempo já perdemos
Sem razão
Eu lamento
Mas eu era criança e não raciocinava assim (dessa maneira)
Vivendo e aprendendo nunca mais eu vou perder um amigo assim (de bobeira)
Tem gente que cria fofoca e intriga e instiga a briga
Quando vê dois amigos duas amigas ou um amigo e uma amiga
Se dando bem
Mas não vem que não tem, mané
Não perco uma amizade por nada nem por mulher
Nem por dinheiro porque isso não tem preço que pague
"Amigos amigos, negócios à parte"(Tá me devendo hein cumpádi)
Desgraçado é o coitado que não tem amigos porque é metido ou mesquinho
(é impossível ser feliz sozinho)
Abre o caminho!
No sapatinho
(ôe bichinho!!)
Tem mais um pássaro no ninho
Amizade é igual cachaça
É o que tem de mais forte
O tempo passa passa passa mas ela dura até que a morte nos separe
Quando ela é pura ela é eterna
Por ela eu cravo unhas e dentes
Por ela eu travo uma guerra
O melhor amigo do homem num é o cão!!
Mas eu te ataco feito um pit-bull se mexer com meu irmão!!
Tô contigo e não abro!!
Fecho! Fecha o tempo! Fecho a mão!
Um passo em falso é o seu nocaute!
Eu viro Tyson! Vai pro chão!
Você "meu amigo de fé" meu "irmão camarada"
Por você eu troco tiro ou então entro na porrada!
E se for furada
Se algo acontecer comigo
Fica calmo não tem nada foi por um amigo um bom motivo
Eu luto eu brigo
Eu faço o que puder
Amigo saiba eu tô contigo "pro que der e vier"
Um por todos e todos por um esse é meu lema
Tô contigo e não abro!!
Vamos enfrentar qualquer problema juntos
Pois pra mim a amizade é isso
É estar juntos por prazer e não por compromisso
Os amigos são o que temos de máximo valor
Nos acompanham na tristeza felicidade alegria ou dor
Amor é sinônimo de amizade
Eu passo mal ao menor sinal de falsidade
É a mentira é a pior coisa que existe
(Foi mal pô, não minto mais)... Não insiste (desiste!)
Vacilou comigo é só uma vez
Eu não gosto de vacilo e não vou virar freguês de vacilação
Isso não! Pra mim amigo é irmão
Pode não ser de sangue mas é de coração
Que maravilha
É como uma família (é sim)
Nossa amizade é sólida como a muralha da China (não é Berlim)
Não vamos brigar por migalhas nem por meninas
Por que vagina também tem várias em qualquer esquina
Esse é o clima tá tudo em cima (tá tudo certo)
Se é gente fina chega mais (e se num for?) nem chega perto
Eu tô em paz com meus irmãos rapá
Num vem se intrometer
Senão o bicho vai pegar pra cima de você
Refrão
Somente com meus amigos me sinto completo
Meus amigos são pra mim como as asas prum inseto
Que voa
Um mosquito ou um besouro!
Em minha vida eles são o maior tesouro
Eu fico louco como um touro
Em plena arena
Se mexer com meus irmãos
É melhor não (Não vale a pena)
Não cutuque a onça com vara curta
Pois meus amigos são responsa e com eles vou à luta
Não mexa em casa de marimbondo nem em colméia de abelha
É só não mexer com a gente que a gente não te pentelha
Estamos bem não queremos brigas com ninguém
Entre nós tá tudo em casa já basta as que a gente tem (tem?)
Tem. Tem amigos que tão sempre discutindo mas depois já tão sorrindo
Tudo calmo tudo lindo
Tenho aqui um exemplo disso
A pessoa com quem eu mais discuto e xingo (Qualé mané)
Meu irmão nos dois sentidos
Meu melhor e mais antigo amigo
Tá comigo desde que tá vivo (positivo)
Unidos feito "Fred e Barney!!"
Unha e carne
Um só
Refrão
Toda Cor
(Marcelo Fromer/Ciro Pessoa/Barmack)
O telefone tocou
Fui atender
Na madrugada
Quero estar com você
Eu preciso de você agora
Por favor meu bem não vá
embora
O tempo vai passando nos
relógios
Encontro os seus beijos toda
hora
Segundo por segundo na
memória
Toda cor
Me lembra os seus olhos
Eu sei que vou, eu quero te
encontrar
Eu preciso de você agora
Por favor meu bem não vá
embora.
Toda Forma de Poder
eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada
Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada
se tudo passa
talvez você passe por aqui
e me faça
esquecer tudo que eu fiz
se tudo passa
talvez você passe por aqui
e me faça
esquecer tudo que eu fiz
toda forma de poder é pura forma de morrer por nada
toda forma de conduta se transforma numa luta armada
se tudo passa
talvez você passe por aqui
e me faça
esquecer tudo que eu fiz
se tudo passa
talvez você passe por aqui
e me faça
esquecer tudo que eu fiz
Toda Menina Baiana
Toda menina baiana tem um santo, que Deus dá
Toda menina baiana tem encanto, que Deus dá
Toda menina baiana tem um jeito, que Deus dá
Toda menina baiana tem defeito também que Deus dá
Que Deus deu
Que Deus dá
Que Deus entendeu de dar a primazia
Pro bem, pro mal, primeira mão na Bahia
Primeira missa, primeiro índio abatido também
Que Deus deu
Que Deus entendeu de dar toda magia
Pro bem, pro mal, primeiro chão na Bahia
Primeiro carnaval, primeiro pelourinho também
Que Deus deu
Que Deus deu
Que Deus dá
Todas As Noites
(Alvin L./Bozzo Barretti/Dinho)
Todas as noites são iguais
os meninos satisfeitos
e as meninas querem mais
sonhos caem como chuva
e é tarde demais
e eu não consigo dizer não
hoje á noite tudo pode acontecer
quem olhar nos olhos vê bares e sedução
num canto escuro, pequenos goles de solidão
a noite esclarece
o que o dia escondeu
o que o dia escondeu
meia noite, noite inteira
3, 4, 5 da manhã
eu vou embora
mas eu sempre volto atrás
porque as noites são todas iguais
todas as noites são iguais
de longe os disfarces parecem reais
mãos me vestem como luva
e é tarde demais
eu não consigo dizer não
hoje á noite é cedo até amanhecer
quem olhar nos olhos
vê estrelas no chão
num cnato escuro
pequenos goles de solidão
a noite esclarece
o que o dia escondeu
o que o dia escondeu
Toda Saudade
Toda saudade é a presença da ausência
de alguém, de algum lugar, de algo enfim,
Súbito o não toma forma de sim
como se a escuridão se pudesse a luzir.
Dã própria ausência de luz
o clarão se produz,
o sol na solidão.
Toda saudade é um capuz transparente
que vede e ao mesmo tempo traz a visão
do que não se pode ver
porque se deixou pra traz
mas que se guardou no coração.
Todo Amor que Houver Nessa Vida
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
Que ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio pra dar alegria
Todo Azul do Mar
Foi assim como ver o mar
A primeira vez que meus olhos
Se viram no seu olhar
Não tive a intenção
De me apaixonar
Mera distração
E já era momento de se gostar
Quando eu dei por mim
Nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu
Dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era o amor
E que vinha pra ficar
Daria pra pintar todo azul do céu
Dava pra encher o universo
Da vida que eu quis pra mim
Tudo que eu quis foi me confessar
Escravo do seu amor, livre para amar
Fui dono do mar azul e
De todo azul do mar
Foi assim como ver o mar
Foi assim a primeira vez que eu vi o mar
De onde é que vem o azul
Todo azul do mar.
Todo Meu Ouro
(George Israel/Bruno Fortunato/Paula Toller/Lui Farias)
De longe eu penso em você
E com meus olhos fechados
Te vejo ao lado respirando
Sinto um calor se propagando
Noto você na minha frente
Se materializar na minha frente
E volto a ver o teu tamanho
Saber o teu lugar
E desejo o desejo
Do perigo de um novo jeito
Um mar de lava incandescente
Faz de repente ver
Que eu quero esse mistério sempre
Não quero te perder
E desejo o perigo
Do desejo de um novo jeito
Arrisco todo o meu ouro
Dou meu amor como garantia (3X)
Para encontrar um tesouro
E não bijuteria
Todo Sentimento
(Cristóvão Bastos/Chico Buarque)
Preciso nao dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então parir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado
Ao lado teu
Todos Juntos
(Enriquez/Bardotti - versão de Chico Buarque)
Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente
Vamos ver no que é que dá
Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá
Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como nós
Todo Universo
Minha favorita
Chegou esta prá você
Expressa e registrada
Só seus olhos podem ler
Teve sua origem
Bem aqui no meu birô
Contra as leis da física
Se teletransportou
Todo universo
Prá gente se perder
Não foi suficiente olha e vê
Fez a minha órbita
Passar rente de você
E a tua gravidade me prender
Tô Feliz (Matei O Presidente)
Atirei o pau no rato
Mas o rato não morreu
Dona Rosane, admirou-se do ferrão
Três-oitão que apareceu
Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu
Eu acabava de matar o Presidente do Brasil
Fácil um tiro só
Bem no olho do safado
Que morreu ali mesmo
Todo ensanguentado
Quê? Saí voado com a polícia atrás de mim
E enquanto eu fugia eu pensava bem assim:
"Tinha que ter tirado uma foto na hora em que o sangue espirrou
Pra mostrar pros meus filhos
Que lindo, pô"
Eu tava emocionado mas corri pra valer
E consegui escapar
Ah tá pensando o quê?
E quando eu chego em casa
O que eu vejo na TV?
Primeira dama chorando perguntando (Por quê?)
Ah! Dona Rosane num fode num enche
Não é de hoje que seu choro não convence
Mas se você quer saber porque eu matei o Fernandinho
Presta atenção sua puta escuta direitinho
Ele ganhou a eleição e se esqueceu do povão
E uma coisa que eu não admito é traição
Prometeu, prometeu, prometeu e não cumpriu
Então eu fuzilei, vá pra puta que o pariu
É "podre sobre podre" essa novela
É Magri, é Zélia
É Alceni com bicicleta e guarda-chuva
LBA Previdência chega dessa indecência
Eu apertei o gatilho e agora você é viúva
E não me arrependo nem um pouco do que fiz
Tomei uma providência que me fez muito feliz
| Hoje eu tô feliz! (Minha gente!)
| Hoje eu tô feliz matei o presidente
Eu tô feliz demais então fui comemorar
A multidão me viu e começou a festejar
(É Pensador, é Pensador, é Gabriel O Pensador)
Me carregaram nas costas
A gritaria não parou
Eu disse "Eu sou fugitivo gente não grita o meu nome por favor!"
Ninguém me escutou e a polícia me encontrou
Tentaram me prender
Mas o povo não deixou
(O povo unido jamais será vencido)
Uma festa desse tipo nunca tinha acontecido
Tava bonito demais
Alegria e tudo em paz
E ninguém vai bloquear nosso dinheiro nunca mais
Corinthiano e Palmeirense
Flamenguista e Vascaíno
Todos juntos com a bandeira na mão cantando o hino
("Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante")
E começou o funeral e o povo todo na moral
Invadiu o cemitério numa festa emocionante
Entramos no cemitério cantando e dançando
E o presidente estava lá já deitado nos esperando
Todos viram no seu olho a bala do meu três-oitão
E em coro elogiamos nosso atleta no caixão:
(Bonita camisa Fernadinho
Bonita camisa Fernadinho
Você nessa roupa de madeira tá bonitinho!)
E como sempre lá também tinha um grupo mais exaltado
Então depois de pouco tempo o caixão foi violado
O defunto foi degolado, e o corpo foi queimado
Mas depois não vi mais nada porque eu já tava cercado de mulheres e aquilo me ocupou
(Ai deixa eu ver seu revólver Pensador!)
Então eu vi um pessoal numa pelada diferente
Jogando futebol com a cabeça do Presidente
E a festa continuou nesse clima sensacional
Foi no Brasil inteiro um verdadeiro carnaval
Teve um turista que estranhou tanta alegria e emoção
Chegando no Brasil me pediu informação:
(O Brasil foi campeão? Tá todo mundo contente!)
Não amigão
É que eu matei o presidente!
|
E o velório vai ser chique
Sem falta eu tô lá
Ouvi dizer que é o PC que vai pagar
|
Tomara
(Vinícius de Moraes/Toquinho)
Tomara que você volte depressa
que você não se despeça
nunca mais do meu carinho
volte, se arrependa e pense muito
que é melhor se sofrer junto
que viver feliz sózinho
Tomara que a tristeza te convença
que a saudade não compensa
e que a ausência não dá pé
Que o verdadeiro amor de quem se ama
tece a mesma antiga trama
e não se desfaz
Que a coisa mais bonitadesse mundo
é viver cada segundo como nunca mais
Tomate
(George Israel/Paula Toller)
Você nunca ouviu essa combinação
Essa temática é quase matemática
Inconseqüente, imediata ligação
Entre um fruto, estética e razão
Terrivelmente rubro e inquieto
Contrariado por ser objeto
Você não percebeu nenhuma relação
É sintomática, é quase automática
Inconsciente fruto da observação
Tatibitate da crítica de arte
Examinando lentamente
O tomate quente naturalmente
Too much, um falso cometa
Too much, não consegue se livrar
Da lente de um cara careta
Da mente de um cara de pau
Você não entendeu a minha explicação
É muito prática é quase pragmática
É a dinâmica estática da cor
Vermelho vivo da vítima de arte
Se transformando em branco desbotado
Um ex-tomate um ex-comungado
Toneladas de Desejo
(Carlinhos Brown/Alain Tavares)
Grite se quiser gritar
Tá melada de dendê
No cachinho dessa Timbalada
Puxa que é teu
Do Xerém dessa Timbalada
Nunca se esqueça
Pro caminho dessa Timbalada
Puxa Tetê
Pra valer
Pro sono levar
De parangolé pra lá
Vem me dizer que a maré
Hum, hum, hum
Leva, leva, leva
Leva levada do timbau, au au
Fique se quiser ficar
Tô gostando de saber
Que passeio no seu sorriso
Você me vê
Que tolice é o destino
Sem girar bem
Tens os lábios de favo
Por favor ainda não sei
Cada noite é um vestido
Que um dia tem
Quando o dia tira o vestido
O sono vem
Vem ver valer
O som me levar
De parangolé pra lá
Vem me dizer que a maré
Hum, hum, hum
Leva, leva, leva
Leva levada do Timbau, au au
É hoje
Tô feliz é de te ver
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eu me viro em fevereiro
Fevereiro eu sou
Fevereiro eu vou
Tonga da Mironga
Eu caio de bossa
eu sou quem eu sou
eu saio da fossa
xingando em nagô
Você que ouve e não fala
você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender
| A tonga da mironga do kabuletê (3x)
Eu caio de bossa
eu sou quem eu sou
eu saio da fossa
xingando em nagô
Você que lê e não sabe
você que reza e não crê
você que entra e não cabe
você vai ter que viver
(|)
Você que fuma e não traga
e que não paga pra ver
vou lhe rogar uma praga
eu vou é mandar você
(|)
Toque de Timbaleiro
Toque de timbaleiro
Sacudindo o mundo inteiro
Foi criado na Bahia
Saúda os orixás
Com a força ijexá
Candomblé, reggae, magia
Embalalalá
Embalala Timbalada
Vem com tranças negras lindas
Toque o timbau ê ô
Timbalada revitaliza
Um brugundum bragadá
Brugundum bragadá
Tororó
Eu fui no Tororó
Beber água, não achei
Achei bela morena
Que no Tororó deixei
Pra que, morena
Ah, pra que carinho
Ah, pra que desejo
Pra acabar sozinho
Antes da mulher
Era o homem só
Era sem querer
Era sem amor
Era sem penar
Era sem suor
Era sem mulher
Era bem melhor
Deus fez a fêmea e depois
Que ela encorpou, nunca mais
Que um mais um foram dois
E caíram de quatro os animais
E tome praga no arroz
Rebelião nos currais
Ficou o homem feroz
E estranhou seus iguais
Antes da mulher
Era um dissabor
Era um desprazer
Que fazia dó
Homem sem mulher
Era quase um pó
Que ficava em pé
Era um saco só
Dentro da fêmea Deus pôs
Lagos e grutas, canais
Carnes e curva e cós
Seduções e pecados infernais
Em nome dela, depois
Criou perfumes, cristais
O campo de girassóis
E as noites de paz
Tô Voltando
(Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro)
Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar
Pode se perfurmar
Porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador
Encha a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia aproveita tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da vó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iá
la la iá iá iá
Porque eu tô voltando
Travessia
Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou, mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não tem jeito
Muito tenho pra falar
Solto a voz na estrada
Já não posso parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar?
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço
Com meu braço o meu viver
O Trem Azul
(Lô Borges/Ronaldo Bastos)
Coisas que a gente se esquece de dizer
Frases que o vento vem as vezes me lembrar
Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar
Você pega o trem azul, o sol na cabeça
O sol pega o trem azul, você na cabeça
O sol na cabeça
Coisas que a gente se esquece de dizer
Frases que o vento vem as vezes me lembrar
Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar
Você pega o trem azul, o sol na cabeça
O sol pega o trem azul, você na cabeça
O sol na cabeça
Trem das Cores
A franja da encosta
Cor de laranja
Capim rosa-chá
O mel desses olhos
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Crianças cor de romã
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo ficando
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
Que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul
Quase inexistente azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açaí
E aqui trem das cores
Sábios projetos
Tocar na Central
E o céu de um azul
Celeste celestial
Trem das Onze
Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora as onze horas
Só amanhã de manhã.
Além disso mulher
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar,
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar.
Um Trem para as Estrelas
São sete horas da manhã
Vejo o Cristo da janela
O sol já apagou a luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas de pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
E a esperança que eles têm
Nesse filme como extras
Todos querem se dar bem
Num trem para as estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Num trem para as estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Estranho o teu Cristo, Rio
Que olha tão longe, além
Com os braços sempre abertos
Mas sem proteger ninguém
Eu vou forrar as paredes
Do meu quarto de miséria
Com manchetes de jornal
Pra ver que não é nada sério
Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois
Num trem para as estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Num trem para as estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas...
O Trenzinho (Cin Cin Pon Pon)
(A. Gorassini/A. Baroncini/versão: Edgard B. Poças)
Se você quer dormir feliz e sonhar
É só fechar os olhos e imaginar
Que o coração é uma estação pra
embarcar
No trem azul dos sonhos que vão
passar
Hei! Ouve ele apitar
Chin chin pon pon
Chin chin pon pon
Pelo caminho
O trem já vai chegar
Chin chin pon pon
Chin chin pon pon
Carregadinho
Hei! Dá pra me arrumar
Chin chin pon pon
Chin chin pon pon
Um lugarzinho
Também quero embarcar
Chin chin pon pon
Chin chin pon pon
Num bom soninho
De manhãzinha quando o dia acordar
Você contente, um bom sorriso pra dar
Seu coração é uma estação pra embarcar
No trem azul dos sonhos que vão passar
Três Apitos
Quando o apito
Da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida
Bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito
De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro?
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé em agasalho
Nem no frio você crê
Você é mesmo
Artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Você que atende ao apito
De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro?
Sou do sereno
Poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe por quê
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Esses versos pra você
Nos meus olhos você vê
Como eu sofro cruelmente
Com ciúmes
Do gerente impertinente
Que dá ordens a você.
3 Taças (A 'Nossa Canção' do Renato)
(George Israel/Paula Toller)
Penso em você
Fico com alguém
Fico com alguém só pra pensar em você
Falam de nós dois
Torcem por nós dois
Só se fala disso na cidade
Meu corpo não pertence a mais ninguém
Se tocar então
"A nossa canção"...
Depois de 3 taças
Depois das 6 horas
3 palavras falsas sem inspiração
Qualquer um me encanta
Tudo sai de graça
Qualquer um se torna minha grande paixão
Minhas orações não são pra mais ninguém
Se tocar então
"A nossa canção"
Trilhos Urbanos
O melhor o tempo esconde
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Quando o bonde dava volta ali
No cais de Araújo Pinho
Tamarindeirinho
Nunca me esqueci
Onde o Imperador fez xixi
Cana doce Santo Amaro
Gosto muito raro
Trago em mim por ti
E uma estrela sempre a luzir
Bonde da Trilhos Urbanos
Vão passando os anos
E eu não te perdi
Meu trabalho é te traduzir
Rua da Matriz ao Conde
No trole ou no bonde
Tudo é bom de ver
São Popó do Maculelê
Mas aquela curva aberta
Aquela coisa certa
Não dá entender
O Apolo e o rio Subaé
Pena de pavão de Krishna
Maravilha vixe Maria mãe de Deus
Será que esses olhos são meus?
Cinema transcendental
Trilhos Urbanos, Gal
Cantando o Balancê
Como eu sei lembrar de você
Triste
Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber que ninguém
Pode viver de ilusão
Que nunca vai ser nunca vai dar
O sonhador tem que acordar
Tua beleza é um avião
Demais prum pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
Tristeza de Nós Dois
(Durval Ferreira/Maurício/Bebeto)
Quando a noite vem
Vem a saudade do carinho seu
Olha, meu amor
Chego a pensar que o nosso amor não morreu
Quando esta tristeza vem falar
Das coisas de você
Ouço a sua voz no mar
Vejo o seu olhar no céu
A sonhar, como eu
Com saudade também
Trocando em Miúdos
(Francis Hime/Chico Buarque)
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas do amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde
Tropicália
Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No Planalto Central do país
Viva a bossa-sa-sa
Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça
O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás de verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada de uma rua antiga, estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente, feia e morta
Estende a mão
Viva a mata-ta-ta
Viva a mulata-ta-ta-ta-ta
No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina
E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira
Entre os girassóis
Viva Maria-ia-ia
Viva a Bahia-ia-ia-ia-ia
No pulso esquerdo bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança a um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes pelos cinco mil alto-falantes
Senhora e senhores ele põe os olhos grandes
Sobre mim
Viva Iracema-ma-ma
Viva Ipanema-ma-ma-ma-ma
Domingo é o fino da bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Viva a banda-da-da
Carmem Miranda-da-da-da-da
Trópico Banana
Na mistura da cor
Tabuleiro de damas
No gingado da nagô
Trópico Banana
Iê, iê agita Brasil
Mistura de cor
A crença na figa
No deus do amor
Olhe o samba daqui
Veja o frevo dobrado
Do Oiapoque ao Chuí
Um swing levado
Cheguei
Bota lenha no fogo
E não deixa apagar
Segure a moringa
Se cair vai quebrar
Nairê olaraiô
Nairê olaraiô
Tem feitiço Ipanema
No sol que nos queima
Sacode êh Bumba-meu-boi
Tem o dengo da fêmea
Morena tempero de cor
Fluindo esse amor
O Trovador
(Jair Amorim/Evaldo Gouveia)
Sonhei que eu era um dia um trovador
Dos velhos tempos que não voltam mais
Cantava assim a toda hora
As mais lindas modinhas
Do meu Rio de outrora
Sinhá Mocinha de olhar fugaz
Se encantava com meus versos
De rapaz.
Qual seresteiro ou menestrel do amor
A suspirar sob os balcões em flor
Na noite antiga do meu Rio
Pelas ruas do Rio
Eu passava a cantar
Novas trovas
Em provas de amor
Ao luar
E via então com um lampião de gás
Na janela
A flor mais bela
Em tristes ais!!!
A Tua Presença Morena
A tua presença
Entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca verde, vermelha azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra
Negra, negra, negra
Negra, negra, negra
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
Morena, morena, morena
Morena, morena, morena
Morena
Tudo Azul
Tudo azul, todo mundo nú
No Brasil, sol de norte a sul
Tudo bem, tudo zen, meu bem
Tudo sem força e direção
Nós somos muitos, não somos fracos
Somos sozinhos nesta multidão
Nós somos só um coração
Sangrando pelo sonho de viver
Eu nunca fui o rei do baião
Não sei fazer chover no sertão
Sou flagelado da paixão
Retirante do amor
Desempregado do coração
Tudo Bem
Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa, tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é so easy se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de imcompreensão eu já deixei
Tantos bons quantos maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no teu peito
E se isso foi algum defeito por mim tudo bem
Tudo com Você
(Lulu Santos/Fausto Nilo)
Quero te conquistar
Um pouco mais e mais a cada dia
Satisfazer tua vontade
Também me sacia
| Vem me hipnotizar
| No alto andar, luar
| Me acaricia
| Posso morrer de amor
| Que ninguém desconfia
Eu quero tudo com você
Que só sabe viver
Sabe cantar
Não vá para Nova York
Amor não vá
Eu quero tudo com você, não vá, não vá
Eu quero tudo com você, não vá, não vá
(|)
Quero te conquistar
Um pouco mais e mais a cada dia
Satisfazer tua vontade
Também me sacia
Foi mais profundo por você
Fez chorar, mas fez me ver
Pare de sonhar
Não vá para Nova York
Amor não vá
Eu quero tudo com você, não vá, não vá
Tudo em Você
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Eu não chamo o abandono de solidão
Viver sob a noite estrelada
Atravessar
Ponto na multidão
Quem não se sente só
Sol na pele
Pingos de chuva em cada olhar
Sinais
Passam nas carrruagens que vão pro mar
Vão e não voltam mais
Antes me dão um nó
Quem repara bem na paixão
Não separa um sim de um não
Um não de um talvez
Terá sua vez
A primeira condição
De um amor viver de ilusão
Querer ser feliz
Sugar na raiz
Tudo em você
Quem não sente a brasa dormida do coração pulsar
Diz alguém que não treme frente a visão
Anjo que passa e vai
Imã que nos atrai
Mal secreto não pede esmola nem tem perdão
Viver sob a noite estrelada (etc.)
Tudo em você (2x)
Tudo Igual
então é assim que a vida faz
e sempre haverá um fim
um plano rápido
ou um plano longínquo do horizonte
e os créditos
os personagens se revelam
atores no aplauso final
e há pra cada interpretação
o que lhe for proporcional
fica muito bem em cinema
romance do romance ideal
só vamos então deixar combinado
aqui é a vida real
não leve o personagem pra cama
pode acabar sendo fatal
então desmonta logo esta máscara
voltemos à estaca zero
fica tudo igual
normal
então é assim que a vida faz
e sempre haverá um fim
um plano rápido
ou um plano longínquo do horizonte
e os créditos
os personagens se revelam
atores no aplauso final
e há pra cada interpretação
o que lhe for proporcional
fica muito bem em cinema
romance do romance ideal
só vamos então deixar combinado
aqui é a vida real
não leve o personagem pra cama
pode acabar sendo fatal
então desmonta logo esta máscara
voltemos à estaca zero
fica tudo igual
normal
Tudo pela Metade
(Marisa Monte/Nando Reis)
Eu admiro o que não presta
Eu escravizo quem eu gosto
Eu não entendo
Eu trago o lixo para dentro
Eu abro a porta para estranhos
Eu cumprimento
Eu quero aquilo que não tenho
Eu tenho tanto a fazer
Eu faço tudo pela metade
Eu não percebo
Eu falo muito palavrão
Eu falo muito
Eu falo mesmo
Eu falo sem saber o que estou falando
Eu falo muito bem
Eu minto
Tudo que Ela Gosta de Escutar
Essa é uma história de amargar
conheci uma garota
meu irmão vou lhe falar
tudo que ela quer o pai dela dá
desde casa em Ubatuba, ap. no Guarujá
Fim de festa olho pra ela,
ela sorriu pra mim
me secou a noite inteira
ela só pode estar a fim
Ela tem carro importado e telefone celular
Eu só tenho uma magrela e um ap no BNH
| Eu falo tudo que ela gosta de escutar
| Deve ser por isso que ela vem me procurar
O pai dela riu de mim porque o meu carro é popular
e ainda me deu uma noticia de desanimar:
"rapaz você não é bom pra minha filha não,
quem é teu pai? quem é você? o que você faz?
vou investigar você!" ha! ha! ho! ho!
Fim de festa olho pra ela,
ela sorriu pra mim
me secou a noite inteira
ela só pode estar a fim
Ela tem carro importado e telefone celular
Eu só tenho uma magrela e um ap no BNH
(|)
Tudo que Se Quer
(Andrew Lloyd Webber/Hart/Stilgoe/versão: Nelson Motta)
Olha nos meus olhos
Esquece o que passou
Aqui neste momento
Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta
Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo
Teu trilho e tua estrada
Vem comigo
Meu amado amigo
Nesta noite clara de verão
Seja sempre meu melhor presente
Seja tudo sempre como é
É tudo que se quer
Leve como o vento
Quente como o sol
Em paz na claridade
Sem medo e sem saudade
Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmonia
Eu sou teu homem
Sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu lado, teu melhor amigo
Vou contigo seja aonde for
E onde estiveres estou
Vem comigo, meu amado amigo
Sou teu barco neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza , eu sei, eu vou
E onde estiver estou
Tudo que Você Podia Ser
(Lô Borges/Márcio Borges)
Com sol e chuva, você sonhava.
Que ia ser melhor depois,
você queria ser o grande herói das estradas.
Tudo que você queria ser.
Sei um segredo, você tem medo.
Só pensa agora em voltar,
não fala mais na bota e no anel de zapata.
Tudo que você devia ser,sem medo
Não se lembra mais de mim.
Você não quis deixar que eu falasse de tudo.
Tudo que você podia ser na estrada
Ah! sol e chuva na sua estrada.
Mas não importa,não faz mal,
você ainda pensa e é melhor do que nada.
Tudo que você consegue ser ou nada.
Patrícia Alvarenga,
petrolina@uol.com.br
Última edição em 27 de outubro de 2003.
PS. Sugestões, críticas, correções e principalmente colaborações são
muito bem vindas! Desde que não me peçam letras (cifradas ou não). :)